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8. AVSLUTTENDE KOMMENTARER

8.1 O PPGAVENS FUNN

2.1) O Problema

Ao se recorrer a divulgações sociológicas e achados científicos sobre as manifestações e comportamento de jovens de baixa renda das periferias brasileiras, atualmente, encontram-se demonstrações significativas da literatura acerca do aumento da violência e uso de drogas, bem como uma apologia da elevação dos níveis de pobreza e desemprego por meio do aumento da desigualdade social e conseqüente queda nas condições básicas de sobrevivência das massas desfavorecidas pelo sistema econômico vigente.

Entretanto, demais estudos realizados nos anos 90 entre jovens de comunidades pobres do Rio de Janeiro e São Paulo (Herschmann, 2000), apresentam uma retomada na compreensão das teorias sobre exclusão social, ressaltando o fenômeno de inclusão através da associação e assimilação de signos e significados próprios dos guetos, a um mercado nacional que concebe o Rap como uma música que traduz a cara do jovem brasileiro dos dias atuais, não apenas o de baixa renda, mas também o de classe média.

Nesse contexto a juventude, então marginalizada, tem recebido um status de ascensão, passando de consumidora à produtora de uma nova manufatura: o Hip-Hop, que tem ganhado adeptos em praticamente todos os becos, pistas de dança e shows ou aglomerações jovens de diversas cidades brasileiras, como também dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Assim, investigar a identidade social de jovens da periferia de Brasília, a ideologia que a permeia como grupo social, suas nuances e características e identificar as tendências presentes em meio à influência do Rap, é o desafio dessa

pesquisa, além de abrir campo para a discussão desse advento, apontando para a função social e cultural do Rap como elemento catalisador dos processos de inclusão social de indivíduos, indagando até que ponto esta é capaz de influenciar e favorecer o resgate de auto-estima e consolidar a concepção de cidadania entre tais populações.

2.2) Justificativa

Considerando que segundo o senso comum, o segmento da juventude periférica tem representado uma porção marginalizada da sociedade e que ao ser referido, geralmente é associado a questões relacionadas à violência e uso de drogas, surge um enorme desejo de ampliar a discussão sobre jovens de baixa renda, seus anseios, manifestações e visão de mundo, numa perspectiva de garantia de direito e de cidadania. Tal motivação vai ao encontro das dimensões que contemplam a psicologia Social, a psicologia social da música e a teoria da identidade social e tendo em vista o imaginário e subjetivação deste ator social que utiliza o Rap para significar sua existência e a maneira como interage com seus pares no contexto sócio-cultural em que se insere.

Com o intuito de se obter um olhar sistêmico e “orgânico” do fenômeno, fez -se necessário à interface entre tais visões interdisciplinares acerca dos jovens de periferia, uma vez que possibilitará o alcance de uma leitura mais próxima da integridade da realidade e complexidade desse tema, que está tão evidente no seio da juventude brasileira atual.

2.3) Objetivos

2.3.1) Objetivo Geral:

Investigar a expressão da identidade social de jovens da periferia de Brasília, através do Rap.

2.3.2) Objetivos Específicos:

• Identificar as significações do Rap para o jovem de periferia; • Compreender a identidade social desses jovens, através do Rap; • Investigar o papel do Rap como elemento de inclusão social; • Reconhecer as possíveis funções sociais do Rap.

2.4) Questões de Pesquisa

• Como os jovens de periferia significam o Rap?

• Qual a influência do Rap na identidade social de jovens da periferia de Brasília?

• Qual a relação entre o Rap e os processos de inclusão social de jovens de periferia?

• Qual o papel social do Rap no contexto das comunidades de periferia de Brasília?

2.5) Contextualizando a Pesquisa

Esta é uma pesquisa qualitativa e exploratória, ou seja, uma pesquisa que busca explorar significações relacionadas a um fenômeno específico, que no caso da presente pesquisa é o Rap.

Para Demo (2001), González Rey (2002) e Minayo (2000), a Pesquisa com a abordagem qualitativa privilegia a profundidade e a intensidade dos fenômenos e dos dados em oposição à extensão e a generalização dos resultados da abordagem quantitativa. A qualitativa é não-linear, não se esgota na dimensão externa dos fenômenos e considera complementar e essencial tanto qualidade quanto a quantidade. Porém, não exige um número extenso de sujeitos participantes na pesquisa, justamente por objetivar conhecer o complexo e o diferenciado como parte de um todo (acontecimento, relações a cada momento com etapa de um processo). Com isso, possibilita a leitura analisando o antagonismo, a ambigüidade, o conflito, as relações entre grupos sociais e no interior deles, e o inter- relacionamento dos fenômenos.

A metodologia característica da pesquisa é qualitativa e essa escolha deve-se à importância da mesma para estudar os fenômenos sociais, visto que investiga a fala segundo a perspectiva daquele que sente, do próprio ator social que utiliza o Rap como um veículo de expressão. Trata-se da palavra do Rapper e MC, aquele sujeito responsável pela composição, divulgação e performance do Rap. Dentre as características básicas que configuram a pesquisa qualitativa, destacam- se algumas que são particularmente relevantes a essa pesquisa: o fator interação, considerar a subjetividade dos sujeitos, possibilitar a compreensão da dinâmica

interna do objeto de pesquisa, bem como favorecer a compreensão dos resultados individualizados e não específicos. Estes foram elementos fundamentais para a realização desta pesquisa.

Na tentativa de se conhecer o fenômeno do Rap e investigar a relação entre a música e a identidade social de jovens em comunidades periféricas de Brasília, foi entendido que a pesquisa qualitativa e a utilização do método de estudo de caso, seriam a melhor opção na obtenção de um estudo mais profundo acerca de uma realidade específica, como é o caso desses jovens Rappers, objeto deste estudo.

Segundo a definição de Yin (1989), o método de estudo de caso consiste num método de investigação que envolve um investigador que faz um detalhado exame de um único indivíduo, grupo ou fenômeno. Trata-se de um estudo em profundidade, que considera as particularidades e peculiaridades do objeto, distinguindo-se dos demais métodos por manter o foco no agrupamento e especificidade dos dados referentes ao objeto eleito, não visando generalizações e permitindo o retrato de uma única realidade singular (Turato, 2003).

Para Yin (1989), é um conjunto de dados que descrevem uma fase ou a totalidade do processo social de uma unidade, em suas várias relações internas e nas suas fixações culturais, quer seja essa unidade uma pessoa, uma família, um profissional, uma instituição social, uma comunidade ou uma nação. Sua maior utilização é verificada em pesquisas de caráter exploratório, ou seja, quando o objeto ainda não é suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado em determinado tipo ideal, para explicar ligações causais em intervenções ou situações da vida real, complexas demais para tratamento por meio de estratégias

experimentais ou descrever um contexto de vida real no qual uma intervenção ocorreu.

Segundo Yin (1989), Os instrumentos freqüentemente utilizados num estudo de caso são: questionários, testes padronizados (inteligência, personalidade e projetivos), registros de arquivos privados (autobiografias, diários e cartas), história de vida e livre associação, observação (participante, sistemática e simples) e dados de entrevista (aberta, semi-estruturada, estruturada e clínica). No caso desta pesquisa, o principal instrumento utilizado foi a entrevista semi-estruturada, não obstante um outro instrumento também utilizado, embora de maneira informal e limitada, foi a observação participante de um Rapper componente de um grupo de Rap da cidade de Ceilândia - Distrito Federal.

As vantagens do emprego da metodologia de estudo de caso consistem no estímulo a novas descobertas, na possibilidade de alterar o planejamento inicial e partir para novos caminhos, como também, na ênfase à superação da dificuldade de generalização, uma vez que abre campo para os procedimentos de generalização analítica, tendo em vista o rigor na análise das informações. A simplicidade dos procedimentos, ou seja, a facilidade no manuseio dos instrumentos de coleta de dados (questionários, formulários e entrevistas), favorece o enriquecimento do trabalho de pesquisa.

2.6) Participantes

A partir da aproximação ao campo de pesquisa, inicialmente selecionado de acordo com as prerrogativas de uma amostra proposital, intencional ou deliberada, segundo Turato (2003), no caso deste estudo, uma comunidade da periferia de Brasília, onde residissem jovens Rappers (que escrevem, cantam e trabalham profissionalmente com Rap), do sexo masculino e que tivessem pelo menos 10 anos de envolvimento com o Rap, inseridos na ideologia do Hip-Hop, e trouxessem consigo a cultura da periferia impregnada e adquirida através da educação e do tempo de convivência elegeu-se um jovem da comunidade de Ceilândia e uma letra de Rap escrita por ele, para a realização desta pesquisa. Considerando as questões éticas de preservação do anonimato do entrevistado, optou-se por utilizar nomes fictícios e abreviaturas.

2.6.1) Aproximação ao Campo

Desde o início desta pesquisa, esta Pesquisadora optou pela realização de pesquisas no campo da manifestação cultural denominada Rap, impulsionada, inicialmente, pelo desejo de estudar este fenômeno como fator de prevenção do uso indevido de drogas entre jovens da periferia de Brasília.

Traçou-se então uma estratégia, com o objetivo de se construir um retrato da realidade do jovem de periferia e sua relação com o Rap, tendo em vista a observação das suas manifestações em aglomerações juvenis, nas apresentações de Rap na comunidade, enfocando seu modo de agir, vestir, falar e a forma de se relacionar com os seus pares.

A aproximação ao campo foi facilitada, de certa forma, pelo fato de se ter mantido contatos anteriores com membros do movimento Hip-Hop de Ceilândia, por intermédio da experiência profissional no trabalho com adolescentes em situação de rua e risco social, na Escola do Parque da Cidade – PROEM; com jovens usuários de drogas no Conselho de Entorpecentes do Distrito Federal – CONEN/DF; e com adolescentes com medidas sócio-educativas de liberdade assistida e semiliberdade, no Centro de Referencia Sócio-Educativa Granja das Oliveiras – CRESE/GO.

Buscou-se assim, o estabelecimento de relações de aculturação e ambientação, através da retomada do contato com estes jovens ex-alunos, visando sua intermediação, para a inserção desta pesquisadora ao campo. Com isso, retomou-se o contato com um jovem, cujo pseudônimo é Elom, ex-aluno do PROEM, residente na comunidade de Ceilândia, que na ocasião atuava como educador social no CRESE/GO e até hoje ministra aulas de Graffiti, Rap e arte e expressão no Projeto Amigo da Gente, da Secretaria de Ação Social, em convênio com a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal.

A partir de então, Elom passou a viabilizar e intermediar todos os contatos feitos com os Rappers, objetos do referido estudo, por meio de encontros de sensibilização, com a promoção de apresentação mútua entre a pesquisadora e os Rappers, deixando clara a finalidade da pesquisa, o porquê da escolha do tema e dos entrevistados, sugerindo a diluição de eventuais reações emocionais e de resistência surgidas. Foram realizados 08 encontros de aproximação ao campo até chegar na entrevista do Rapper objeto desta pesquisa.

Dentre tais encontros, destacam-se dois momentos nos quais identificaram-se algumas resistências peculiares. No primeiro momento, ao se expor à proposta da pesquisa, os entrevistados verbalizaram o seu desconforto em

partilhar informações de sua cultura Rapper com uma pessoa alheia à vivência da periferia, e no segundo, indagou-se acerca de pagamento de cachê para a concessão de entrevista, demonstrando a dificuldade em se obter informações de uma cultura que também apresenta preconceitos referentes a outros jovens que não possuam características de periferia.

2.6.2) O Interlocutor

Trata-se de um jovem de 28 anos de idade, residente em Ceilândia/DF, atuante no meio da cultura Hip-Hop desde os 17 anos. Ex-aluno da Escola do Parque da Cidade – PROEM, atualmente trabalha como educador social num projeto social da Secretaria de Esporte e Lazer – SEL, do Governo do Distrito Federal. É Graffiteiro e Rapper, e possui uma inserção e mobilidade entre vários jovens que trabalham e apreciam os quatro elementos do Hip-Hop, tanto em Ceilândia como em outras cidades-satélites de Brasília. Elom, como é chamado por seus iguais, tem trânsito livre entre dois grupos de Rappers, os bons e os “gangstars”. Professa a religião evangélica e acredita que a razão de ter tanto respeito na comunidade está relacionada à escolha que fez em dar continuidade ao trabalho social, ensinando e repassando valores e conteúdos que recebera e que o mantém até hoje longe da criminalidade e da violência da periferia.

2.6.3) Estudo de Caso

A Coleta de dados foi realizada com um jovem Rapper morador da cidade de Ceilândia/DF, hoje com 35 anos de idade, mas tendo começado a escrever suas músicas e se interessado pelo Rap aos 12 anos de idade. É o líder de um grupo de Rap da cidade, que em sua primeira versão possuía 72 integrantes e continha os quatro elementos do Hip-Hop, o break, o Graffiti, o Rap e o DJ (esse último, recentemente incorporado como um elemento do movimento).

Em março de 1989 foi acometido de um acidente que o deixou em uma cadeira de rodas, mas o fez ver que ainda tinha muitas coisas a fazer por si e por sua comunidade, tendo reunido outros jovens numa nova formação de grupo que, dessa vez, contava com a arte do Rap e o auxilio do DJ. Assim surgiu o grupo T. E., que hoje é formado por 06 integrantes, todos da periferia de Brasília, mais especialmente da Ceilândia. Já gravaram 03 CD´s, um pelo “SMURPHIES”, que foi seu primeiro álbum, com o título de “Apocalipse”, em 1988 e dois álbuns pelo selo “DISCOVERY G1”, que são: “Estopim”, no ano de 2000 e “De Rolê na Quebrada”, em 2004. Em 2001 tiveram a oportunidade de fazer a trilha sonora para o longa metragem “Rua 06 Sem Número”, com algumas personalidades famosas da dramaturgia.

Atualmente é solteiro, tem uma filha e mora com os seus pais. É conhecido em sua comunidade como MC M, um nome que lhe foi dado a partir de seu ingresso no Hip-Hop, como autor e cantor de Rap (Rapper). Sua renda é oriunda dos shows de Rap que apresenta com seu grupo, tanto em Brasília, como em outras

cidades do Brasil. Hoje, seu grupo já atingiu o status de um dos melhores grupos de Rap de Brasília, chegando a um total superior à marca de 40 mil cópias vendidas.

MC M mantém as suas raízes e a ideologia de que o Rap é a linguagem do jovem da periferia e, por esse motivo, traz em si a função de educar e conscientizar o povo que vive à margem dessa sociedade.

2.6.4) Análise da Letra de Rap

A idéia de se analisar uma letra de Rap, da autoria de MC M, surgiu da necessidade da ilustração e apreensão de determinados valores e significados e códigos lingüísticos, citados na entrevista semi-estruturada, que poderiam ser mais bem compreendidos por meio de um estudo da letra de uma de suas músicas. Elegeu-se, portanto, a música “O Beck e o Contra-Cheque”, que compõe o álbum “De Rolê na Quebrada”, o CD do grupo que vendeu mais cópias até o momento. Essa música foi escrita por MC M e estourou como um dos maiores sucessos do grupo.

2.7) Instrumentos

Para estudar a subjetividade do jovem de periferia quanto à relação da expressão de sua identidade social através do Rap, foi necessário fazer uso de um instrumento que oportunizasse a espontaneidade, no sentido de acessar dimensões extensas, porém, priorizando a intensidade. Com isso, partiu-se para a utilização da entrevista semi-estruturada, uma vez que se configura numa estratégia capaz de

captar significados e manifestações de comportamento, por meio da expressão semântica extraída do discurso.

Para Szymanski (2004), um dos métodos mais utilizados para a coleta de dados em pesquisas qualitativas é a Entrevista. Este tipo de coleta é amplamente utilizado e reconhecido por sua eficácia e por sua multiplicidade de possibilidades de ser trabalhado. Como qualquer instrumento de coleta de dados, a Entrevista apresenta vantagens principalmente no que diz respeito à riqueza dos dados que podem ser captados, à obtenção de dados de alta qualidade, bem como à possibilidade de esclarecer ambigüidades e aprofundar questões sempre que necessário, à possibilidade de se obter mais informações contextuais sobre o entrevistado, além da observação de seu comportamento gestual, que ora pode corroborar com sua resposta, ora poderá demonstrar insegurança nas proposições apresentadas.

A entrevista semi-estruturada, vista como um roteiro de perguntas pré- estabelecidas que poderá ser, sempre que necessário, ampliada ou redimensionada, conforme as respostas que são registradas, de acordo com o interesse do entrevistado, é capaz de captar respostas mais amplas que não poderiam ser elucidadas em um questionário com opções de resposta padronizadas, ou mesmo modelos quantitativos de coleta de dados.

Segundo Szymanski (2004), a entrevista semi-estruturada possui as características de reflexividade, quando retrata o reflexo da natureza do objeto da pesquisa e não das convicções do entrevistador e de valorização do participante, enquanto “informantes privilegiados”.

2.8) Procedimentos

A coleta de dados teve início com uma seqüência de procedimentos que possibilitou o estabelecimento de rapport com os Rappers, oportunizando a voluntariedade na concessão da entrevista. Num primeiro momento, estabeleceu-se um contato inicial com o jovem – interlocutor, o qual, guiado pelos critérios de elegibilidade desta pesquisa, identificou possíveis participantes dentre os representantes do Rap residentes na periferia (comunidades de Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia) e ato contínuo fez contato telefônico, sensibilizando-os para a participação na pesquisa, argumentando sobre a importância da possibilidade de maior visibilidade e divulgação da cultura Rapper da periferia, por intermédio de veículos responsáveis, a exemplo da proposta deste estudo.

A partir de então, foram selecionados 07 jovens, tendo sido escolhido aquele que mais se enquadrava nos critérios descritos anteriormente, de acordo com a seleção da amostra proposital, intencional ou deliberada, Turato (2003).

Através da intermediação de Elom, chegou-se ao contato telefônico com MC M, o qual concordou em participar desta pesquisa, concedendo uma entrevista. A entrevista foi realizada num estúdio de gravação, escolhido pelo Rapper, por ser um local habitualmente freqüentado por este e por sua preocupação quanto ao fator segurança desta pesquisadora. Segundo o entrevistado, devido a incidente criminalidade, presente na comunidade de Ceilândia, fazia-se necessário pensar num local menos visado por bandidos.

Assim, os dados foram coletados por meio de uma entrevista semi- estruturada, contando-se com um roteiro prévio de questões norteadoras, distribuídas em categorias pré-estabelecidas, baseadas nos objetivos da pesquisa,

como também optou-se pela análise de uma musica. Foram utilizados ainda, um gravador de áudio e uma fita k7 de 60 minutos.

2.9) Estratégia de Análise de Dados

A partir da transcrição da entrevista individual, utilizou-se análise do discurso apoiando-se nas considerações de Courtin, orientado pela escola francesa de análise do discurso, Brandão (2002).

As características sintáticas, por exemplo, o freqüente emprego de palavras que não são comuns, semânticas e palavras com sentidos associativos que podiam inferir valores, atitudes, estereótipos, símbolos e cosmo visões foram consideradas neste estudo, tendo em vista a concepção acima referendada. Tanto as informações obtidas através da entrevista semi-estrutura, como a narrativa do Rap, foram tratadas a partir dessa análise que, segundo Brandão (2002), origina-se da necessidade de superar o quadro teórico de uma lingüística frasal e imanente que não dava conta do texto em sua complexidade, uma vez que se concentra no “exterior” lingüístico procurando apreender como no lingüístico inscrevem-se as condições sócio-históricas de produção.

Para Brandão (2002), considerando que a partir do pressuposto de que o discurso materializa o contato entre o ideológico e o lingüístico, no sentido de que ele representa no interior da linguagem os efeitos das contradições ideológicas, o desafio a que a análise do discurso se propõe é o de realizar leituras críticas e reflexivas que não reduzam o discurso à análises de aspectos puramente lingüísticos, nem o dissolvam num trabalho sobre a ideologia. Nessa concepção, ela opera com o conceito de ideologia que envolve o princípio da contradição que está

na base das relações de grupos sociais, cujas idéias entram em confronto, numa correlação de forças, considerando também as noções de interpelação- assujeitamento e de aparelhos ideológicos de Estado que governam e regulam