V URDERINGER OG ANBEFALINGER
13 T EMAER FOR VIDERE UTREDNING
Inicialmente, foi feita uma revisão dos exercícios de exposição e prevenção da reposta e dos exercícios cognitivos. Assim, a paciente mostrou o seu registo e comentou as pontuações atribuídas, justificando-os e procedeu-se à explicação de eventuais picos ou quedas. De igual modo, foi referido ainda à paciente a importância em dedicar tempo à realização destes exercícios e, por sua vez, repetir o número de vezes que poder (exposição) e ficar o maior tempo possível sem executar o ritual ao qual está habituado (prevenção da resposta). Com o passar do tempo os sintomas físicos como também a aflição, desaparecem espontaneamente (habituação), e assim, a pessoa já não sente mais a necessidade de executar o ritual. Torna-se importante recordar a paciente que, muitos dos rituais com o passar do tempo incorporam-se e acabam por se tornar verdadeiros hábitos, que a paciente executa praticamente sem se aperceber.
Exercício prático de exposição e prevenção de resposta:
Procedeu-se a um exercício prático onde se fez demonstrações e actividades práticas de exposição e prevenção de resposta (modelação), demonstrando o fenómeno de habituação. Assim, para uma demonstração de exposição tocou-se com as mãos na sola dos sapatos e depois tocou-se ao longo do corpo e a “contaminação” passou pela roupa; posteriormente solicitou-se à paciente que fizesse o mesmo, recordando na altura que o facto de não disporem de água para lavar as mãos significava que
Tempo (por dia) dedicado a realizar tarefas de exposição e prevenção da resposta
2a 3a 4a 5a 6a Sábado Domingo
Obsessões que me perturbam (% do tempo)
100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2a 3a 4a 5a 6a Sábado Domingo 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
DISSERTAÇÃO CONDUCENTE A GRAU DE MESTRE UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR 2007/2008 105 está também a fazer uma prevenção da resposta. De igual modo, solicitou-se outras coisas, sempre sem efectuar lavagens posteriores.
Posteriormente, foi trabalhado também com a paciente a técnica de resolução de problemas de forma a ajudá-la na identificação, especificação e definição da situação problemática relacionadas com as suas áreas problemáticas, especialmente com a perturbação em questão. De acordo com Gonçalves (2004), para que tal seja possível deve-se, primeiramente, treinar o paciente na recolha de informação concreta e relevante relativamente ao seu problema. Posteriormente deve ensinar-se ao paciente a identificar algumas distorções cognitivas na formulação e definição desse problema, tais como inferência arbitrária, abstracção selectiva, entre outros erros de processamento cognitivos frequentes nestes paciente. Deste modo e ainda de acordo com o autor, após a recolha da informação o paciente deve ser levado a identificar: 1. quais as condições que tornaram a situação problemática; 2. quais as mudanças desejadas; 3. quais os obstáculos à mudança. Por fim, treina-se o paciente no estabelecimento de objectivos concretos, relevantes e realistas através da substituição da formulação das mudanças desejadas em termos de questões do tipo: “O que é que eu posso fazer para…?”. O segundo passo desta estratégia terapêutica consiste em ensinar o paciente a considerar o maior número possível de alternativas e soluções realizáveis para o seu problema (Agras & Apple, 2002; Roca & Roca, 2005). Posteriormente, foram seleccionadas as alternativas que se mostrem relevantes para os objectivos definidos pela paciente, através de: 1. definição da estratégia (plano geral); 2. cursos de acção específicos, isto é, descrição em termos comportamentais das acções instrumentais alternativas; 3. incutir na paciente competências para avaliar a viabilidade e a desejabilidade de cada solução baseadas nos resultados prováveis de cada uma. Neste sentido, foram também antecipados e avaliados os resultados potenciais de cada uma dessas alternativas (numa escala de 0 a 5) que, segundo Gonçalves (2004), devem ser efectuadas em termos de quatro critérios: 1. resolução do problema; 2. bem-estar emocional; 3. tempo/esforço; 4. bem-estar geral, pessoal e social. Ainda de acordo com este autor, com base nessa avaliação deve levar-se o paciente a elaborar um dos três tipos de planos de resolução: 1. simples – em que é implementado unicamente um curso de acção; 2. combinado, isto é, com a combinação de soluções alternativas que são implementadas em simultâneo; 3. contingencial, ou seja, é escolhida uma combinação de soluções a serem implementadas contingencialmente – isto é, se a solução A não funcionar o paciente deverá implementar a solução B e assim sucessivamente.
Finalmente, no último passo desta estratégia terapêutica, baseado nessa avaliação, a paciente foi instruída a escolher uma ou mais soluções que o conduziram a um padrão comportamental adaptativo ao invés do padrão desajustado que possuíam, a pô-la em prática e, por fim, revisar todo o processo para avaliar a sua idoneidade e determinar o que poderia melhorar. Neste sentido, a paciente é encorajada a pôr em prática o plano de solução seleccionado através do ensaio de competências e da sua implementação em situação real, procedendo-se à monitorização dos resultados da aplicação
DISSERTAÇÃO CONDUCENTE A GRAU DE MESTRE UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR 2007/2008 106 dessas acções, em termos de frequência, duração, latência, intensidade e produto das respostas e das respectivas componentes cognitiva e emocional. Os resultados da implementação da solução são avaliados utilizando o mesmo conjunto de critérios utilizados na avaliação dos resultados potenciais, ou seja: resolução do problema; bem-estar emocional, geral, pessoal e social; e tempo/esforço (Gonçalves, 2004). Pediu-se então à paciente que praticasse este método de resolução de problemas sempre que possível e que o anote no registo diário de auto-monitorização. Desta forma, sempre que surgirem problemas, a paciente deverá anotá-los nos registos, bem como a respectiva resolução que leva a cabo para o resolver (Roca & Roca, 2005).
Finalizou-se a sessão com um breve resumo dos principais tópicos a reter acerca desta técnica.
Quadro 12. Passos necessários para a identificação e resolução de problemas, adaptado de Fairburn & Cooper (1989, p.
301) e Fairburn (1985, p. 173).