5. MODELING THE PERFORMANCE OF SAFETY BARRIERS
5.2 A T ECHNICAL DEGRADATION OF SYSTEM
Diante a escassa oferta de conteúdo efetivamente acessível aos surdos, surge a seguinte questão de pesquisa: Como apoiar a produção dos artefatos para acessibilidade dos surdos ao audiovisual digital de modo a potencializar a participar a participação dos surdos na sociedade do conhecimento?
Como problemas secundários estão questões que relacionam a produção de material audiovisual acessível com:
• Ganho de escala e redução de custos;
• Reedições e garantia dos aspectos de continuidade da interpretação;
• Adequação do intérprete a diferentes usuários e programas;
• A demanda muito grande de intérpretes em função do número de programas e quantidade de material a ser produzido;
• Apropriação dos sinais utilizados na comunicação; Estas questões serão esclarecidas no decorrer do trabalho. 1.3 OBJETIVOS
O objetivo geral consiste na proposição de um modelo de referência que integre processos, métodos e técnicas na produção de artefatos de apoio à acessibilidade dos surdos ao conteúdo audiovisual digital.
• Caracterizar os diferentes perfis de surdos;
• Identificar e caracterizar os artefatos que permitem o acesso de surdos ao audiovisual;
• Integrar os processos e mídias existentes para produção destes artefatos em um modelo de referência;
• Desenvolver uma implementação de referência na forma de um protótipo;
• Apresentar cenários de uso com produção e fruição de conteúdos com acessibilidade aos surdos.
1.4 JUSTIFICATIVA
O acesso à informação por meio das tecnologias digitais nem sempre está disponível a todos os usuários, existindo uma separação entre os que conseguem acesso à informação e seus benefícios, e aqueles que não conseguem. Oferecer acesso fácil e compreensível às plataformas tecnológicas deve extrapolar o campo econômico e fomentar a formação da cidadania por meio da inclusão digital dos diferentes grupos sociais (CASTRO, 2008).
Para a comunidade surda a demanda pela maior presença de interpretação em língua de sinais está intimamente ligada aos esforços pelo seu reconhecimento como sua língua de direito (KURZ; MIKULASEK, 2004).
A tradução do audiovisual é “um meio pragmático de integração dos deficientes auditivos com a sociedade em geral, implicando em oportunidades iguais a todos os cidadãos no acesso à informação, educação e entretenimento” (NEVES, 2005, p.309).
No Brasil, a população de surdos usuários da Libras teve a importância de sua língua de sinais reconhecida na Lei 10436 (BRASIL, 2002), onde:
É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados”, devendo “ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da língua Brasileira de Sinais – Libras como meio de comunicação
objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil (BRASIL, 2002).
O Decreto 5296 de 2004 trata do Acesso à Informação e à Comunicação e estabelece como sistemas para reprodução das mensagens veiculadas para as pessoas com deficiência o uso de legenda oculta, da janela com intérprete de Libras e da descrição e narração em voz de cenas e imagens.
Espera-se que uma maior quantidade de materiais que ofereçam vídeo em língua de sinais aumente o nível de leitura de surdos [..] em relação a sua segunda língua. Isto permite sua integração mais fácil em uma maioria social, ao mesmo tempo que preserva sua identidade, melhorando sua autoimagem e desenvolvendo sua própria cultura e linguagem (DEBEVC et al., 2009, p.282, tradução nossa).
As diferenças culturais e linguisticas dos surdos devem ser reconhecidas, de outra forma eles serão excluidos da sociedade do conhecimento (MÖBUS, 2010). Para Souza (2005), estas diferenças continuam necessitando de consideração diante das TICs, as quais são importantes nas atividades diárias e influenciam em áreas como o emprego, serviços de saúde e educação. Em relação a TV, Souza afirma que:
O descaso das emissoras de TV em relação a essa parcela de consumidores brasileiros desrespeita os preceitos da legislação do Brasil e faz com que os Surdos continuem com o desconforto de estar sempre precisando de tutores para compreender a mensagem divulgada pela televisão. Eles esperam a chegada do momento em que todos os programas de TV tenham legenda e janela com intérprete de Libras (SOUZA, 2005, p. 129).
É evidente a preferência das emissoras de TV em disponibilizar legendas em português em seus conteúdos, encontrando-se pouco conteúdo disponível com legenda de janela de Libras, porém,
A participação inclusiva dos Surdos na Sociedade da Informação deve ser efetivada de forma
autônoma e independente com condições ampliadas de acesso e uso ao ambiente informacional, assim como dos demais usuários potenciais que podem atender, independente de suas condições sensoriais e motoras (CORRADI, 2007, p.190).
Deve se atentar para a acessibilidade dos surdos, visto que a população brasileira, estimada em 190,8 milhões de habitantes pelo censo de 2010, apresenta 9,7 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva deste, cerca de 350 mil pessoas são surdas. A tabela seguinte apresenta os estratos por tipo de surdez.
Quadro 1: Número de pessoas com dificuldades de audição Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010. Tabela 1.1.
Capacidad e Auditiva Não consegue de modo algum Grande dificuldade Alguma dificuldade Quantidade de pessoas 347 481 1 799 885 7 574 797
Do ponto de vista prático, o modelo de referência proposto identifica as possibilidades para produção ou otimização da produção de legendas em português e em Libras, possibilitando aos produtores de conteúdo um mapa para aplicação de pesquisas já existentes.
Em relação a sua relevância científica, o modelo de referência permitirá enquadrar futuras pesquisas ou projetos dentro de um esquema de trabalho que relaciona pesquisas já existentes, organizando o conhecimento existente e oferecendo uma interface de diálogo entre diferentes iniciativas.
Além disso identifica demandas para desenvolvimento de pesquisas e tecnologias associadas à oferta de audiovisual acessível aos surdos.