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Scoring of risk influencing factors (RIFs)

In document 1.1 The BORA project (sider 21-0)

2. OVERVIEW OF METHODOLOGY

2.2 D ISCUSSION OF INDIVIDUAL STEPS

2.2.7 Scoring of risk influencing factors (RIFs)

As línguas de sinais são línguas naturais que utilizam a modalidade visuoespacial, em contraste com as línguas orais-auditivas. Enquanto as línguas orais são percebidas sobretudo por meio da audição e produzidas pela articulação do aparelho fonoarticulatório, as línguas de sinais são percebidas através da visão e produzidas a partir

da articulação do corpo (mãos, braços, face) em um determinado espaço (PIRES, 2009).

Karnopp e Quadros (2001) destacam o status linguístico das línguas de sinais, assegurando que as mesmas são línguas naturais, pois apresentam as seguintes propriedades universais:

1. As línguas de sinais existem em comunidades de pessoas surdas. A Libras é a língua de sinais que se constituiu naturalmente na comunidade surda brasileira. Tal língua apresenta todos os níveis de análise de quaisquer outras línguas, ou seja, o nível sintático (da estrutura), o nível semântico (do significado), o nível morfológico (da formação de palavras), o nível fonológico (das unidades que constituem uma língua) e o nível pragmático (envolvendo o contexto conversacional).

2. As línguas de sinais são distintas, isto é, existem diferentes línguas de sinais para cada comunidade de surdos. Existe, por exemplo, a língua de sinais americana que é usada por surdos dos Estados Unidos, há a língua de sinais brasileira – Libras – que é usada pelos surdos dos grandes centros urbanos do Brasil, entre outras.

3. A língua de sinais não pode ser considerada como uma língua “primitiva” – ela é uma língua altamente complexa e capaz de exprimir uma idéia do universo. O vocabulário das línguas de sinais pode ser alargado de forma a incluir novas palavras para novos conceitos.

4. As línguas de sinais evoluem através dos tempos.

5. A relação entre o significante e o significado nas línguas de sinais é, na maior parte dos casos, arbitrária.

6. As línguas de sinais utilizam um sistema finito de elementos que se combinam, formando elementos com significação ou palavras que, por sua vez, constituem um sistema infinito de frases possíveis.

7. A gramática das línguas de sinais apresenta regras semelhantes para a formação de palavras e frases.

8. Todas as línguas de sinais incluem unidades mínimas como configuração de mão, ponto de articulação e movimento, que podem ser definidos por um conjunto finito de propriedades visuais ou traços.

9. As línguas de sinais apresentam categorias gramaticais semelhantes às línguas orais, por exemplo, nome e verbo.

10. As línguas de sinais têm recursos para se- referir a um tempo passado, a capacidade de negar, a capacidade de formular perguntas e emitir ordens.

11. Falantes de todas as línguas de sinais são capazes de produzir e compreender um conjunto infinito de frases. Universais sintáticos são compartilhados entre línguas de sinais e línguas orais.

12. Toda criança surda, independentemente de sua origem racial, geográfica, social ou econômica, é capaz de adquirir a língua de sinais, desde que esteja em contato com usuários dessa língua. 13. Existe organização gramatical nas língua de sinais, isto é, elas

têm estrutura própria e independente das línguas orais. Vários mecanismos são expressos simultaneamente nas línguas de sinais, marcas não manuais como expressões fisionômicas e movimentos do pescoço em sincronia com o movimento manual, enquanto em línguas orais é utilizada a modulação do contorno melódico da cadeia linguística em sincronia com os segmentos fônicos (SALLES et al., 2004).

2.1.1.3.1 Formação de Sinais

Segundo a publicação “Implementação e acompanhamento do desenvolvimento da educação bilíngue no Estado de Santa Catarina”, da Secretaria de Estado da Educação e da Fundação Catarinense de Educação Especial (SANTOS, 2011), os sinais são formados considerando os seguintes parâmetros:

• Configuração de mãos – refere-se às formas das mãos (alfabeto digital) ou formas feitas pela mão dominante ou pelas duas mãos.

• Localização – é o lugar no corpo ou no espaço onde é articulado o sinal.

• Movimento – envolve movimento interno das mãos, pois os dedos mexem-se na realização de um sinal, modificando levemente a configuração das mãos. Envolve também movimento de pulso e movimentos direcionais no espaço, até conjunto de movimento do mesmo sinal.

• Orientação das palmas das mãos – é a direção que a palma da mão aponta na produção do sinal.

• Traços não manuais – expressão facial, movimento corporal e olhar.

2.1.1.3.2 Aquisição da Língua de Sinais Brasileira

De acordo com Rafaeli e Silveira (2009), a aquisição da língua de sinais se processa igualmente à aquisição da língua oral-auditiva, obedecendo à maturação da criança, que vai internalizando a língua a partir do meio histórico sociocultural em que vive, de acordo com as seguintes fases:

• Primeira fase: a criança surda produz sequencias de gestos que fonologicamente se assemelham aos sinais, como o balbucio da criança ouvinte.

• Segunda fase: a criança surda começa a relacionar o objeto com o sinal, produzindo assim suas primeiras palavras, produzindo sinais com erros nos parâmetros da configuração das mãos ou ponto de articulação, como a criança ouvinte que ainda não pronuncia corretamente as palavras nesta fase.

• Terceira fase: a sintaxe da língua de sinais pela criança surda começa a partir de dois anos e meio de idade, mas as palavras são usadas sem concordância; então, a ordem das palavras constituirá sua primeira sintaxe.

A partir dessa terceira fase, a criança surda começa a adquirir a morfologia de uma língua de sinais, a aquisição de subsistemas morfológicos mais complexos, que se dá até aproximadamente os cinco anos de idade.

De modo semelhante, Karnopp e Quadros (2001) dividem o processo de aquisição das línguas de sinais em quatro estágios, análogo ao processo de aquisição das línguas faladas:

• Estágio pré-linguístico: do nascimento até por volta de 14 meses, os bebês desenvolvem balbucios. Há o balbucio silábico manual, que fazem parte do sistema fonético, e o balbucio gesticulação, que não apresenta organização.

• Estágio de um sinal: tanto crianças ouvintes quanto crianças surdas usam os gestos para indicar pessoas e objetos até aproximadamente dois anos de idade. Quando a criança surda começa o estágio de um sinal, o conceito de apontação que, inicialmente, era pré-linguístico passa a ser elemento do sistema linguístico da língua de sinais.

• Estágio das primeiras combinações: ocorre a partir de dois anos de idade, as crianças surdas conseguem criar

combinações de sujeito-verbo, verbo-objeto, posteriormente sujeito-verbo-objeto.

• Estágio de múltiplas combinações: é o estágio em que ocorre a chamada explosão de vocabulário. Crianças de até três anos passam por essa fase. Mas o domínio completo dos recursos morfológicos da língua de sinais é adquirido aos cinco anos de idade.

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