Neste estudo procurámos explicitar o modelo que nos permitisse estabelecer inferências acerca das relações entre as variáveis estudadas. O modelo não é apenas um plano de trabalho. Um modelo é a forma como lidámos logicamente com as questões que entendemos estudar. Segundo Yin (1994), existem cinco componentes importantes que devem estar explicitadas em todos os modelos de análise. São as questões, as hipóteses (proposições segundo Yin) se existirem, as unidades de análise, a lógica que liga os dados recolhidos às hipóteses e os critérios para interpretar os dados obtidos. A primeira componente prende-se com os objectivos específicos já referenciados, que no nosso estudo são apenas do tipo ―como‖, ou seja, predominantemente descritivos e que nos levaram à escolha da metodologia por estudo de caso. Relativamente às proposições, não considerámos que fossem necessárias para a nossa investigação, uma vez que se trata de um estudo com carácter exploratório. Isto quer dizer que o nosso objectivo é descrever uma matéria de investigação e realidade que em Portugal, particularmente nas IESP, ainda se encontra pouco estudada – o modelo de avaliação de desempenho na administração pública (SIADAP), através da perspectiva de avaliadores e avaliados -, por este motivo não permite ainda uma investigação baseada em hipóteses. O facto de este sistema corresponder ainda a uma inovação e um novo paradigma na gestão pública, com recente implementação nas organizações do sector público administrativo, reforçou a ideia da importância de, nesta fase, apenas se ter efectuado um estudo descritivo.
No que concerne às unidades de análise, componente relacionada com a definição do que é o caso, o mais importante é definir quais são as fronteiras que os objectivos de estudo definem.
No caso do nosso estudo, poderíamos ter escolhido uma organização de qualquer área da AP (administração directa ou indirecta do Estado), porém, optámos pela área do ensino superior público. Aqui a unidade autónoma é a IESP, a qual inclui diversas unidades orgânicas, os serviços centrais e os serviços de acção social. Como nenhuma destas estruturas dispõe de autonomia, no que se refere ao modelo de avaliação simultaneamente implementado em toda a IESP, no nosso estudo de caso a unidade de análise é a IESP, e não apenas uma estrutura. Quanto à quarta e quinta componentes, é importante voltar a salientar que o conhecimento sobre o SIADAP, na literatura científica sobre Gestão, é bastante exíguo e não existe disponível um quadro conceptual ou hipóteses teóricas que nos permitissem fazer um estudo que não fosse predominantemente descritivo, logo, não houve cruzamento de variáveis no sentido de estabelecer relações de causalidade entre os dados recolhidos. Todavia, os nossos objectivos específicos remetem para um conjunto de conteúdos que escolhemos para analisar as opiniões e atitudes dos avaliadores e avaliados sobre o sistema de avaliação implementado na IESP objecto de estudo. Estes conteúdos organizam-se em três dimensões que analisadas em conjunto permitem, na perspectiva de avaliadores e avaliados, avaliar a eficiência e eficácia do sistema: a primeira, diz respeito a variáveis
relacionadas com a implementação do processo de avaliação do desempenho numa IESP específica (conhecimento e experiência do processo, a importância atribuída e dificuldades na sua aplicação); a segunda, diz respeito a variáveis relacionadas com necessidades de formação e qualificação sentidas no âmbito do processo; a terceira, diz respeito ao modo como avaliadores e avaliados conceptualizam o processo de avaliação de desempenho (como ferramenta de gestão de recursos humanos, como instrumento de apoio à gestão e como instrumento na promoção de uma cultura de mérito). Assim, não temos como objectivo generalizar este estudo de caso para a construção de uma teoria, ou seja, os dados que vamos obter apenas permitem conhecer de uma forma mais aprofundada as opiniões e as atitudes de avaliadores e avaliados em relação ao SIADAP num contexto específico. Contudo, pensamos que com o nosso estudo conseguimos identificar aspectos relacionados com o objecto da investigação, por exemplo, as dificuldades manifestadas por avaliadores e avaliados, que podem ser importantes pontos de partida para estudar a implementação de outros modelos de avaliação em qualquer organização da AP. Outro contributo importante é a possibilidade de se replicar este estudo noutros contextos.
No que diz respeito aos critérios que permitem julgar a qualidade do modelo de investigação desenvolvido neste trabalho, referimos a perspectiva de Kidder e Judd (1986, apud Yin, 1994) que salientam a importância da validade dos
construct
utilizados, a validade interna, a validade externa e a fidelidade. Relativamente à validade dosconstruct
, Yin (1994) alerta que esta é particularmente problemática quando se trata de um estudo de caso, sugerindo que se utilize uma variedade de fontes de recolha de dados para a aumentar. No que toca à validade interna, Yin (1994) refere que, num estudo de caso, esta deve estar relacionada com a possibilidade de fazer inferências sobre aquilo que não é directamente observado. No nosso caso, podemos afirmar que nos foi possível inferir sobre a avaliação da eficiência e eficácia do SIADAP na IESP, a partir da recolha das opiniões de avaliadores e avaliados e ainda sobre a comparação das opiniões destes sobre as quatro questões avaliativas do sistema. Para nos certificarmos que as inferências que fizemos estão correctas, a estratégia que utilizámos foi a de considerar sempre o maior número de dados possíveis para as sustentar. Sobre a validade externa, como refere Yin (1994), coloca-se o problema de saber se os dados obtidos se podem generalizar, a partir do caso imediato que estamos a estudar. Julgamos importante referir que a generalização não é automática, porém, o estudo de caso permite identificar resultados que podem ser relevantes para se estudar outras realidades. Quanto à fidelidade, gostaríamos de mencionar que a forma como desenvolvemos esta investigação, permite pensar que outros investigadores que desejem realizar um estudo com os mesmos instrumentos, certamente chegarão a resultados muito semelhantes.Por último, em relação ao desenho do estudo de caso escolhido, e continuando a citar Yin (1994), a nossa investigação optou por um estudo de caso simples holístico, ou seja, o estudo que desenvolvemos teve como objectivo fazer uma abordagem global ao problema que estudámos.