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6.1 M ETHODOLOGICAL ISSUES

6.1.3 Systematic errors

A fase de planeamento do projeto caracteriza-se pelo levantamento dos recursos, bem como das limitações condicionantes do próprio trabalho. Nesta fase são, também, definidos os objetivos, as atividades a desenvolver pelos diferentes elementos do grupo e, ainda, definidos os métodos e técnicas de pesquisa bem como o respetivo cronograma (HUNGLER et al, 2001; cit. por Ruivo et al., 2010), respeitando sempre os procedimentos formais e éticos.

Para cumprimento destes, explicámos a todos os elementos a observação programada e o projeto planeado, sendo que todos os elementos consentiram e participaram livremente no mesmo.

Realizámos também um pedido de autorização à Sra. Enfermeira-Chefe para desenvolver o projeto no Serviço, e, ainda, por carta à Sra. Enfermeira Diretora, onde explicámos os objetivos do projeto e um breve resumo da metodologia escolhida. Antes mesmo de recebermos autorização escrita para desenvolver o projeto, vimo-lo integrado no projeto da instituição de desenvolvimento de registos informatizados nas áreas de ambulatório, consistindo-se desde logo como autorização expressa para o mesmo, reforçado pelo pedido de alargamento da metodologia às restantes áreas de consulta.

No planeamento do nosso projeto, exposto adiante, evidenciamos os objetivos estabelecidos, as atividades e estratégias planeadas e calendarizadas, os recursos previstos e os indicadores de avaliação, não esquecendo a vinculação à teoria das transições de Meleis (2000, 2010), na qual suportámos algumas das análises às necessidades de cuidados e à prática de enfermagem desenvolvida relativamente à pessoa cuidada na Consulta de ORL, que vivencia diferentes tipos de transição, e donde se destacam as transições

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vivenciadas pela pessoa laringectomizada, pelo seu prestador de cuidados e pela sua família.

O recurso à teoria de médio alcance das transições, tal como referem Meleis et al. (2000; Meleis, 2010) revela-se importante no reconhecimento dos limites da Enfermagem, no aperfeiçoamento de fenómenos específicos da disciplina, no estabelecimento de prioridades e no desenvolvimento de terapêuticas de enfermagem coerentes. A aplicação desta teoria na descrição das necessidades de cuidados de enfermagem ajudou-nos a identificar os padrões, as respostas, os significados, as propriedades, os contextos e os resultados, com a finalidade de planear e executar cuidados de enfermagem competentes.

O estudo das transições é do interesse de outras disciplinas, contudo, apenas a enfermagem as estuda numa lógica multidimensional bio-psico-socio-cultural (Brito, 2012). Nesse sentido, procurámos também promover o desenvolvimento do conhecimento da disciplina no âmbito das terapêuticas de enfermagem (Meleis et al., 2000; Meleis, 2010) promotoras de transições saudáveis nas pessoas cuidadas no contexto da consulta de ORL, que lhes possibilitam, simultaneamente: elevar a consciencialização e o envolvimento durante as transições; promover a preparação antecipatória e facilitar a aquisição de conhecimentos e capacidades; reconhecer os significados, as crenças e as atitudes pessoais e sociais relacionadas com transições; identificar pontos e acontecimentos críticos chave (Meleis, 2007).

A vinculação à teoria das transições teve um contributo muito importante para análise do contexto, das necessidades de cuidados, da identificação dos focos sensíveis aos cuidados e no desenvolvimento dos conteúdos clínicos do RMDE, donde constam as intervenções altamente sensíveis para a resolução dos diagnósticos associados aos focos de alta sensibilidade e a proposta de indicadores de processo e resultado (Meleis, 2010, 2012).

Apesar desta vinculação, optámos por apresentar no presente relatório uma terminologia mais ancorada à CIPE, considerando o desenvolvimento de um RMDE para o qual é impreterível a utilização desta linguagem classificada, na realidade portuguesa (OE, 2007a), evitando também a duplicação de informação produzida apenas para exploração da vinculação à teoria de Meleis (2010).

Relativamente aos objetivos, estes indicam os resultados que se procuram alcançar e podem incluir diferentes níveis, hierarquizados desde o geral ao mais específico (Mão de Ferro, 1999; cit. por Ruivo et al., 2010).

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Enquadrando os objetivos na metodologia de projeto, estes assumem-se como assunções antecipatórias focalizadas na intervenção a desenvolver, ou seja, o estabelecimento dos objetivos finais é um ponto fundamental na elaboração de projetos de ação (Barbier, 1996; cit. por Ruivo et al., 2010).

Para o presente projeto de intervenção estabelecemos os seguintes objetivos:

Objetivo Geral

• Desenvolver um RMDE para a Consulta de ORL. Objetivos Específicos

• Identificar os focos sensíveis aos cuidados de enfermagem na Consulta de ORL;

• Elaborar o padrão documental da avaliação inicial, atitudes terapêuticas, processo de

enfermagem (conteúdos clínicos) e o core de indicadores de enfermagem para a Consulta de ORL;

• Realizar formação à equipa de enfermagem.

A implementação do projeto de intervenção no Serviço foi desenvolvida sob orientação da Sra. Enfermeira Especialista Paula Paramés e da Sra. Professora Dra. Lurdes Martins e, ainda, com o apoio e supervisão da Sra. Enfermeira Chefe Herculana Carvalho, procurando envolver continuamente a equipa de enfermagem do Serviço no desenvolvimento do mesmo.

O envolvimento da equipa de enfermagem demonstrou-se crucial para o desenvolvimento deste projeto, não só pela experiência que possuem na prestação de cuidados à pessoa em Consulta de ORL, mas também porque esta ação foi ainda fundamental para o desenvolvimento de algumas das competências comuns do enfermeiro especialista.

Inicialmente foi estabelecido contacto com a Informática no sentido de averiguar os recursos disponíveis, especificamente da versão de ambulatório do SAPE, para a concretização da futura parametrização do RMDE. Contámos com a colaboração total do Serviço de Informática.

A existência da aplicação informática na instituição e o reconhecimento desta temática enquanto área prioritária a desenvolver, reforçaram a pertinência deste projeto.

Durante a etapa inicial de planeamento do projeto, como reconhecimento da sua pertinência e da motivação pessoal para o desenvolvimento desta temática, surgiu-nos a oportunidade de integrar o grupo de trabalho institucional de implementação dos registos informatizados de ambulatório, a convite da Sra. Enfermeira Diretora, pelo que o presente

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PIS possibilitou também ao Serviço o papel de piloto na implementação do projeto institucional.

Assim, o apoio do Conselho de Administração para o desenvolvimento do projeto, na pessoa da Sra. Enfermeira Diretora, foi também uma mais-valia para a sua concretização, constituindo-se, ainda, como um ponto forte emergente na análise diagnóstica realizada.

No sentido de esquematizar as atividades e estratégias de intervenção, os recursos humanos, materiais e de tempo, bem como os indicadores de avaliação dos objetivos estabelecidos, foi elaborado um quadro descritivo do planeamento do PIS, complementado por um cronograma representativo do mesmo, que disponibilizamos em Apêndice III.

Além do trabalho desenvolvido enquanto responsáveis pelo projeto de intervenção no Serviço, promovemos o contributo dos seguintes recursos humanos:

• Equipa de Enfermagem do Serviço;

• Restantes membros do Grupo SAPE Ambulatório e Técnicos de Informática.

Procurámos maximizar a rentabilização de recursos multimédia, internet e intranet (página de e-learning), em detrimento de recursos físicos, numa ótica de contenção de custos da instituição. De entre os restantes recursos materiais utilizados destacamos os seguintes: computador, impressora, papel, sala de formação da informática, projetor multimédia.