2.4 System control structure
2.4.1 System state machine
A presente pesquisa é aplicada e visa examinar as potencialidades da adoção dos princípios e ferramentas da Web 2.0 na gestão do conhecimento organizacional. Conforme Barros e Lehfeld (2000, p. 78), a pesquisa aplicada se propõe a produzir conhecimento com finalidades práticas, viabilizando a resolução de problemas encontrados no contexto da investigação.
Tendo em vista os objetivos que norteiam essa investigação, foi adotada uma abordagem qualitativa, envolvendo a avaliação das novas formas de colaboração e interação, por meio do uso de ferramentas da Web 2.0.
O levantamento das ferramentas da Web 2.0 para posterior seleção foi realizado por meio da análise documental, em diversas fontes, incluindo não apenas documentos impressos, mas também sites, software, aplicativos, imagens, tutoriais e vídeos.
Os estudos de caso presentes na revisão bibliográfica (TAPSCOTT; WILLIAMS, 2007; TERRA, 2009; McAFEE, 2010) foram determinantes para essa fase da pesquisa, uma vez que descrevem o uso efetivo das novas formas de colaboração e interação e os resultados significativos para os objetivos estratégicos organizacionais.
Outra fonte utilizada foi a Enciclopédia da Nuvem – 100 oportunidades e 550
ferramentas online para inspirar e expandir seus negócios, publicada pelo pesquisador em
I ovaç o Digital, Luli Radfah e . O auto defi iu o esultado da pes uisa o o u a dápio de opções te ológi as, uitas delas o i veis de dive sas fo as RADFAHRER, , p. XV).
A lógica do hipertexto (LÉVY, 1993) também foi aplicada à coleta de dados, já que ao pesquisar e navegar entre princípios e ferramentas da Web 2.0, novos caminhos se abriram, revelando uma nova rede de conexões. Essa dinâmica corrobora a afirmação de Radfahrer (2012), relativa às inúmeras possibilidades de combinar as opções te ológi as .
Assim, foi realizado um amplo mapeamento de ferramentas da Web 2.0 disponíveis para utilização. No entanto, o tempo de execução da pesquisa exigiu um recorte considerável no vasto material encontrado.
As ferramentas foram selecionadas em função do acesso gratuito, ainda que temporário, da eliminação de redundâncias em relação a seu propósito de utilização e/ou aplicabilidade e, por fim, da sua representatividade relativa às competências essenciais, princípios e práticas da Web 2.0, listados no Meme Map de O Reill ve Figura 5), definidos como pré-requisitos. As ferramentas escolhidas - listadas no Quadro 5 - são exemplos de aplicação, parcial ou integral, dessas competências, princípios ou práticas.
A seleção de 10 ferramentas representa um conjunto viável para a realização de todo o processo de experimentação e análise.
QUADRO 5
Listagem das ferramentas selecionadas para experimentação Competência, princípio
ou prática da Web 2.0 Ferramenta Link
Arquitetura de participação Asana http://www.asana.com/
Software para múltiplos dispositivos Trello http://www.trello.com/ Usuário como colaborador Linkedin http://www.linkedin.com/ Rica experiência do usuário Basecamp https://basecamp.com
Tagging Delicious https://delicious.com/
Pequenas partes que se encaixam Intro.js https://usablica.github.io/intro.js/ Inteligência Coletiva Lucidchart https://www.lucidchart.com/pt
Serviço (SaaS) PayPal http://www.paypal.com
Computação em nuvem Dropbox http://www.dropbox.com/ Beta perpétuo MEETINGs http://meetings.siteware.com.br/
Fonte: Elaborada pela autora
A relação estabelecida entre as ferramentas e as competências essenciais, princípios e práticas da Web 2.0 fundamentou-se na documentação e experimentação. Uma vez que se encontram disponíveis na Internet, todas as ferramentas selecionadas foram experimentadas, com o intuito de compreender a dinâmica do funcionamento de cada uma delas e as interações estabelecidas entre os envolvidos no processo de construção do conhecimento.
O fluxograma descrito na Figura 13 é uma representação gráfica do processo de experimentação e análise das ferramentas da Web 2.0, cujas etapas são apresentadas de forma encadeada, por meio de símbolos interconectados. O losango caracteriza um ponto de decisão no processo, possibilitando duas alternativas de execução. O estímulo à prática colaborativa e o impacto na gestão do conhecimento são condições imprescindíveis à
experimentação. Portanto, a análise seria suspensa, em caso de descumprimento de qualquer uma delas.
Figura 13 - Fluxograma de experimentação e análise das ferramentas da Web 2.0
Fonte: Elaborado pela autora
Conforme dito anteriormente, não foram encontrados na literatura recente modelos e/ou frameworks totalmente compatíveis com a análise dos princípios e ferramentas da Web 2.0, proposta na presente pesquisa. A autora, então, aliou critérios de colaboração (PEREIRA; SOARES, 2007), fundamentados no Modelo 3C de Colaboração, aos processos essenciais da gestão do conhecimento (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002) para analisar o estímulo à prática colaborativa e o impacto na gestão do conhecimento, respectivamente.
Experimentar a ferramenta da Web 2.0 Há estímulo à prática colaborativa? Identificar o propósito de utilização Compreender a dinâmica de funcionamento (características, formas de colaboração, benefícios, limitações e aplicabilidade) Há possível impacto na Gestão do Conhecimento? Descrever o impacto potencial nos processos
essenciais da gestão do conhecimento Suspender a experimentação e análise Suspender a experimentação e análise SIM SIM NÃO NÃO
Os critérios de colaboração no contexto organizacional foram definidos como melhores práticas nos estudos de Pereira e Soares (2007) e utilizados nessa pesquisa para verificar o estímulo à prática colaborativa:
Capacidade de estabelecer contato dentro e entre as equipes;
Capacidade de disseminar rapidamente a informação em níveis departamentais e organizacionais;
Facilidade de organização e estruturação da informação entre equipes e no âmbito institucional;
Capacidade de manter todos os colaboradores informados e atualizados sobre os projetos da organização;
Acesso facilitado e compartilhamento de informações de maneira coordenada, por meio da atribuição de responsabilidades sobre cada tipo de informação disponível;
Facilidade na identificação de potenciais colaboradores para solução de problemas, realização de tarefas ou formação de equipes;
Apoio à realização de atividades em equipe;
Suporte à geração de ideias e solução de problemas em níveis departamentais e organizacionais;
Forte integração entre equipes de projetos, alcançada por meio da comunicação e pactuação dos objetivos e planos de ação.
As ferramentas da Web 2.0 analisadas não devem cumprir, necessariamente, todos os critérios mencionados. O objetivo dessa validação é assegurar que as ferramentas possam, de alguma forma, estimular a prática colaborativa.
Já o potencial impacto da adoção de ferramentas da Web 2.0 na gestão do conhecimento organizacional foi avaliado a partir da configuração de um ou mais processos essenciais da gestão do conhecimento: identificação, aquisição, desenvolvimento, compartilhamento, utilização e retenção do conhecimento (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002).
De acordo com Neves (1996), a obtenção de dados descritivos por meio do contato direto e interativo do pesquisador com o objeto de estudo faz parte da pesquisa qualitativa,
buscando entender os fenômenos pela perspectiva dos usuários, para, só então, conceber a própria interpretação.
Após a experimentação, são descritos os impactos potenciais da adoção de princípios e ferramentas da Web 2.0 nos processos essenciais da gestão do conhecimento, no contexto organizacional, fundamentando-se nas definições de Probst, Raub; Romhardt (2002) e levando em conta a abordagem sistêmica (ver Figura 3).
A partir desses resultados, são estabelecidas as diretrizes para aplicação dos princípios e ferramentas da Web 2.0 a um software de gestão por resultados. Nesse estudo, a aplicação dos resultados se efetivará não só por meio do estabelecimento de diretrizes para a incorporação dos princípios e ferramentas da Web 2.0 ao software de gestão, mas também pela proposição de funcionalidades para esse software, por meio de um projeto técnico (Apêndice), visando estimular a prática colaborativa entre os usuários.
4. O ESTÍMULO À PRÁTICA COLABORATIVA E O IMPACTO POTENCIAL DAS