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4.1 Hvordan redegjøres det for skjønnsmessige vurderinger i bedrifters årsrapporter?

4.1.3 Synligheten av skjønnsmessige vurderinger

Não há uma metodologia feminista, mas várias, que dependem das diferentes vertentes feministas. Algumas teóricas vêem esse fato como problemático, como Maynard (1995), que sugere que perspectivas diferentes conduzem a perguntas de pesquisa diferentes, além de tipos de conhecimento e análise divergentes dos mesmos dados. Harding (1987, p. 2) constata que é difícil identificar um método de pesquisa feminista distinto, porque freqüentemente metodologia é confundida com epistemologia, que mistifica a abordagem da pesquisa. A autora sustenta a necessidade de enfrentar os dois assuntos para empregar métodos feministas. Neste caso concordamos com Moscovici que uma teoria não ganha nada em ter uma metodologia fechada e restrita, e explicaremos o porquê.

O debate sobre a epistemologia e a metodologia dentro do feminismo iniciou-se com a segunda onda do feminismo nos anos sessenta. Algumas destas feministas romperam com o feminismo liberal, pois acreditavam que a pesquisa sobre mulheres não pode aceitar a fundamentação do positivismo, já que os valores masculinos presentes no positivismo, seriam inadequados para pesquisar o feminino. Em razão dessa divergência, muitas das feministas radicais optaram pela pesquisa qualitativa em detrimento da quantitativa. Maynard (1995, p. 11) explica as duas justificativas para essa mudança. A primeira é que a pesquisa quantitativa só quantifica determinadas declarações e não pode entender as experiências vividas pelas pesquisadas. Já os métodos qualitativos começam com uma exploração aberta das experiências das mulheres, o que é necessário para ver como seus mundos são organizados e até que ponto diferem dos mundos dos homens. A segunda é que a pesquisa quantitativa representa formas masculinas de saber, com o pesquisador ou a pesquisadora precisando manter uma distância dos pesquisados e focalizando nos fatos sociais objetivos que podem ser

estudados sem valores. Para algumas feministas da segunda onda, esse tipo de coleta de dados pode produzir um corpo de informação estático, que poderia destorcer os significados dos agentes em lugar de ajudar a investigadora a entendê-las.

Estes questionamentos das feministas incentivaram algumas pesquisadoras feministas a desprezarem o questionário e outras técnicas quantitativas na coleta de dados. Ao nosso ver, é uma decisão um pouco precipitada, já que os questionários não necessariamente fornecem dados detalhados e profundos, mas para certas situações é uma técnica útil, particularmente para oferecer fundamentações informativas para a pesquisa. Finch (1993) consolida esta posição no seu artigo sobre a entrevista de mulheres. A autora sugere que os métodos quantitativos não necessariamente implicam que uma abordagem positivista tradicional será aplicada, pois as abordagens interpretativas também podem ser quantitativas. Maynard (1995) consolida esse pensamento quando explica que as pesquisadoras feministas que rejeitam os métodos quantitativos realmente não andam longe deles. Elas empregam freqüentemente métodos mais qualitativos como entrevistas semi-estruturadas ou não-estruturadas, e aplicam análises quantitativas de categorias, pois é difícil não levar em consideração a freqüência ao interpretar discursos ou construir categorias.

Portanto, rejeitar os procedimentos quantitativos seria construir uma dicotomia falsa entre os métodos qualitativos e quantitativos. Seria também uma atitude determinista, pois poderia privar a coleta de dados de pesquisa de ângulos e aspectos diferentes. A resposta é usar o “bom senso” como o ecofeminismo ensina; não há uma necessidade de se ficar de um ou do outro lado da cerca, pois o fundamental na determinação dos métodos utilizados é o objetivo da pesquisa.

Diante desta fragmentação epistemológica e metodológica da pesquisa feminista, Usher (1996) propôs que, como a natureza das mulheres tem suas especificidades, não podemos ter uma teoria única para a pesquisa feminista. Com esta constatação, a autora também desafia as suposições que promovem a existência de conceitos universais de verdade e objetividade e a neutralidade do observador. Usher (ibidem., p. 127) explica que a resposta feminista a esse tipo de pensamento seria que não é o papel dos pesquisadores e das pesquisadoras descobrir verdades absolutas como sugerido pela epistemologia do iluminismo. Em vez disso, a pesquisa feminista deve interpretar os significados e entender o mundo social, entender como todas as formas de conhecimento são produzidas nas relações entre os pensamentos humanos e a existência humana. Então, a produção de conhecimento não existe para fazer uma distinção entre o conhecimento objetivo e o subjetivo, pois todo conhecimento é mediado pela especificidade da história e da cultura. A autora está sugerindo que a pesquisa feminista

precisa desenvolver alternativas que não somente adaptem metodologias existentes ou opostas, mas que considerem óticas novas (“new ways of seeing”), para interpretar as experiências cotidianas.

Interpretar as experiências cotidianas para Usher (ibidem.) significa a necessidade de unir, e não separar, a teoria e a prática, o que pode oferecer um entendimento melhor do mundo e da formação de relações específicas. Maynard (1995, p. 240) também sugere que, se o feminismo quer confrontar as desigualdades que as mulheres enfrentam, a pesquisa feminista não pode ficar somente teorizando as experiências, mas também precisa considerar a práxis. Concordamos com o discurso destas autoras de que, para chegar a seu auge, a pesquisa feminista precisa trabalhar a teoria, os métodos e a práxis e incorporar os três para alcanças óticas novas. Mas tomando em consideração a cautela das ecofeministas, a metodologia, como a teoria, não deve impor regras fixas, e sim ser vista como um processo flexível e não pré- determinado. Assim, importam mais o assunto central, a situação e os acontecimentos durante a pesquisa, que por sua vez, influenciarão os métodos e a práxis aplicados.

Outro assunto importante quanto às questões metodológicas do feminismo é a ética. Finch (1993, p. 163), no artigo mencionado anteriormente, é cética sobre a forma como a questão da ética é abordada nos livros de pesquisa e prática, que freqüentemente representam domínios patriarcais ou arenas políticas. A autora sugere que destas discussões dizem respeito a problemas éticos de acesso ou coleta de dados, mais pertinentes do que as discussões sobre a utilização dos dados. Para resolver essa dificuldade, Finch afirma que a pesquisa feminista precisa criar seu próprio código de ética, para lidar com os assuntos emocionais que ocorrem, pois o pesquisador ou a pesquisadora poderia ser influenciado pela situação do pesquisado ou da pesquisada. Este tipo de situação pode criar um compromisso emocional e não somente intelectual para promover os interesses das participantes. Isso porque a pesquisa feminista tem como função trazer insights sobre as experiências cotidianas e não somente coletar dados ou cumprir os requerimentos de institutos de pesquisa.

A experiência desta pesquisa mostrou essas dificuldades emocionais, que estão presentes não somente durante, mas depois da pesquisa. Não é muito ético coletar o que você quer e depois dispensar as pessoas, e às vezes estes assuntos não são pensados. Até um certo ponto, encontros com as emoções são inevitáveis, e não somente na pesquisa feminista. Ao longo do processo de pesquisa, particularmente durante um período extenso de interação e troca de confianças, é difícil não construir uma relação com as participantes. Se a resposta é que não precisamos perguntar, que tipo de pesquisa é essa?

Como Holland e Ramazanoglu (1995, p. 130) sugerem, ao invés de ver as emoções como uma lacuna que precisa ser controlada, a metodologia feminista deve tentar interpretar os papéis destas experiências, emoções e subjetividades no processo de pesquisa. É preciso analisar estes elementos não só das participantes, mas também do pesquisador a da pesquisadora. Isto não significa sugerir que podemos nos tornar nativos (“go native”), uma vez que isso não seria possível nem desejável, mas trata-se sim de construir uma forma de aproximação daquela cultura para conhecê-la, sem pensar que pode vir a ser igual aos participantes da pesquisa, pois os pesquisadores sempre seriam pessoas de fora (outsiders).

Finalizamos este primeiro momento concordando com Warren (2000) que a teoria, a metodologia e a ética deveriam ser processos reflexivos e contextualizados, que incluem valores como cuidado e inteligência emocional, além do raciocínio. Agora explicaremos porque escolhemos os métodos utilizados para pesquisar as representações sociais.