6. Resultat
6.2 Haldningar: resultat og analyse
6.2.1 Syn på bruken av engelske termar i undervisninga
Filmus (2002) faz uma análise histórico-social das diretrizes que norteiam o ensino e o mercado de trabalho. Num primeiro momento, aponta que é preciso reconhecer que o conhecimento chamado “de ponta” que a sociedade possui num determinado momento histórico não é absoluto e muitas vezes não se estende a todas as camadas sociais. Pelo contrário, a rapidez com que os conhecimentos se desenvolvem nas Ciências, faz com que fiquem cada vez mais distantes do conhecimento tido como médio.
Diante desse posicionamento, o nível de degradação do emprego na América Latina nos últimos anos vem aumentando e a tendência à informalidade, a centralização e a responsabilidade na distribuição da renda, sempre desigual, exigem uma redefinição do papel da escola e a tomada de uma nova postura perante as demandas reais do mercado de trabalho.
Para Nunes (2002), existe um crescimento significativo do mercado informal, proporcionando um aumento no número de postos de trabalho, mas não gerando um mínimo de dignidade e cidadania para as pessoas.
Desta forma, segundo a autora, não podemos negar que o ensino médio se tornou universal pelo aumento crescente da demanda, pelas carências tradicionais e pelas distorções apresentadas pelo sistema.
Conforme podemos inferir da realidade social, a perda da identidade social e a crise estampada no ensino médio são resultantes da ausência de articulação com o mercado de trabalho; deve ainda ser lembrado que a nova ordem econômica mundial e a globalização impõem aos países latino-americanos um papel muitas vezes de exclusão.
Juan Carlos Tedesco (1998), assim como outros autores, preocupado com o combate à desigualdade entre mercado de trabalho e escola pública, formula a seguinte pergunta: “Quanta eqüidade social é necessária para que a educação seja bem sucedida em sua tarefa de equalização?”
Para que haja elementos que possam responder a tal interrogação, devemos conhecer o papel da escola e do trabalho no mercado - latino-americano. Diversos países latinos, segundo Filmus (2002), estão preocupados com a revisão da escola e, concomitantemente, com o mercado de trabalho, havendo significativo destaque para o caso da Argentina, Neste país as transformações ocorridas na década de 90 proporcionaram maior impacto na deterioração do mercado de trabalho e da sociedade. Contudo, é preciso frisar que as mudanças havidas na escola e no mercado de trabalho não são relacionadas somente com o aspecto econômico, havendo significativa influência de fatores culturais, sociais e políticos.
O Brasil, assim como os demais países da América Latina, está buscando um equilíbrio entre educação e mercado de trabalho. Tal equilíbrio vem sendo conseguido de forma paulatina, embora os resultados obtidos ainda não sejam positivamente satisfatórios.
Kuenzer (2002) afirma que a escola pública de ensino médio alcançará a democratização quando seu projeto pedagógico propiciar as necessárias mediações para que os menos favorecidos estejam em condições de “identificar, compreender e buscar suprir, ao longo de sua vida, suas necessidades com relação à participação na produção cientifica, tecnológica e cultural”. (p. 43)
Numa outra direção, Filmus (2002) argumenta que esse processo de democratização se faz presente nas políticas públicas de investimentos, com a implementação ou ampliação de bibliotecas e de salas de informática para as escolas da rede pública.
Entretanto, Zibas (2005), ao pesquisar escolas públicas de ensino médio em São Paulo, constatou que o investimento na recuperação da rede física e na ampliação dos recursos didáticos (bibliotecas, laboratórios e equipamentos de informática) não foi eficaz para alavancar as condições de ensino. Materiais insuficientes, falta de recursos para manutenção, pois todo material público sofre depredações; falta de tempo, de conhecimento ou de interesse dos docentes para manuseio dos equipamentos são alguns dos fatores que travam o desenvolvimento pretendido. Nessa direção, confirmamos o que a pesquisa desta autora, em relação ao investimento nas escolas públicas, tem demonstrado: as condições físicas dos prédios estão apresentando melhora e novos materiais estão sendo recebidos. No entanto, sua manutenção será um desafio para cada instituição.
No que diz respeito a investimentos para uma melhor qualificação, Nunes (2002), analisando a trajetória do ensino médio e de sua vulnerabilidade, afirma que a desigualdade social serve de motivo para destacar os pequenos investimentos relativos à educação.
Segundo Filmus (2002), existe unanimidade acerca de que, desde suas origens até as primeiras décadas do século XX, a principal função da educação do antigo segundo grau — hoje ensino médio — esteve relacionada com a forma de selecionar e preparar a população para o acesso ao ensino superior.
O trabalho de Gallart (1984), citado por Filmus, explica, em três etapas, o crescente desenvolvimento da mão-de-obra relacionada com o mercado de trabalho e a escola média. Na primeira etapa ele indica a não-existência de vínculo entre a escola de ensino médio e o mercado de trabalho, pois o objetivo central era proporcionar aos alunos acesso aos estudos superiores.
Na segunda etapa, o modelo de desenvolvimento industrial determinou a inclusão de mudanças tecnológicas no setor secundário. Esses novos processos tecnológicos inseridos nas indústrias alteraram a quantidade de mão-de-obra, ou seja, passou a existir pequena mão-de-obra especializada para crescente mercado produtivo. Essa nova configuração exigia um tipo de profissional e de escolarização que diferia das propostas curriculares do ensino médio da época.
Gomes et al. (2006) afirmam que, de fato, o ensino médio compreendia cinco ramos: secundário, que visava à preparação para o vestibular para ingressar na educação superior; o agrícola, destinado a preparar trabalhadores para o setor primário da economia; o industrial, voltado a qualificar trabalhadores para o setor secundário da economia; o comercial, que visava treinar pessoas para o setor de serviços; e, por último, o normal, que se propunha a preparar professores para as escolas primárias. Essa estrutura perdurou até 1961, com o advento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional — Lei de nº 4.024/61 — (BRASIL, 1961). Segundo os autores, com a Lei nº 5.692/71 (BRASIL, 1971), mudaram a lógica e a prática da educação para o trabalho: prescreveu-se a obrigatoriedade da educação profissional para todo o ensino médio.
No Brasil, segundo Menezes (2004), da totalidade dos alunos que completam o ensino médio, cerca de um quarto deles se dirige ao ensino superior, uma outra quantidade prossegue seus estudos em cursos técnicos de preparação profissional e os demais se inserem diretamente no mundo do trabalho, nos setores de serviços e de produção. Neste sentido, surgem questionamentos acerca do que o ensino, neste caso o ensino médio, deve proporcionar aos nossos estudantes, considerando que, segundo Nunes (2002), a concepção generalista de formação do trabalhador convive com uma dualidade: estar matriculado no ensino profissional médio, mas ter a intenção de prosseguir nos estudos.
Na opinião de Kuenzer (2002), o ensino médio, no início deste novo século, deverá superar a concepção conteudista que o tem caracterizado, diante de sua versão predominantemente propedêutica, para promover interações significativas entre os estudantes e o conhecimento científico, articulando saberes tácitos, experiências e atitudes.
Diante disso, cabe-nos, agora, discutir o que está sendo feito para que o ensino médio atenda os anseios e as necessidades dos jovens que dependem desta etapa de ensino e esperam obter melhores condições de vida, depositando, assim, na educação, a responsabilidade de lhes proporcionar uma vida melhor.