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5. Presentasjon av funn

5.3. Å engasjere medarbeidere

5.3.3. Ivareta engasjement og medbestemmelse

Elísio de Carvalho, em 1904, implementou o seu projeto de Universidade Popular de

Ensino Livre com intelectuais libertários e outros sujeitos de formações diferenciadas. Os envolvidos na universidade livre eram Fábio Luz, ministrando a disciplina Higiene; Felisberto Freire, História do Brasil; Rocha Pombo, História Geral; Pedro Couto, Filosofia; Sinésio de Faria, Matemática; José Veríssimo, Pedro do Couto, Araújo Vianna e outros.

Fenerick (1997), com o seu estudo sobre a literatura anarquista, focalizou a produção de um dos envolvidos com a organização da Universidade Popular, o médico e escritor Fábio Luz. Para situar os sujeitos de sua pesquisa, o ponto de partida deste pesquisador foi trilhar o itinerário das rodas literárias apreendidas por Brito Broca (2004), em suas investidas nos periódicos da grande imprensa carioca dos inícios do século XX.

Ocorre que o reconhecimento e o acompanhamento do projeto da Universidade popular foram tratados em profundidade pela imprensa operária e não pela grande imprensa. Como a pesquisa de Broca, datada de 1957, foi assumida como fonte para Fenerick (1997), os comentários de avaliação dos dois pesquisadores coincidiram ao atestarem o fracasso desse empreendimento por sua curta duração, e, ainda, por justificarem a sua fundação pelo fato de seus participantes pertencerem “pelo menos em algumas agremiações secundárias e de rodas literárias”. Vejamos o que relata Fenerick (1997, p.10):

Neste sentido não causa surpresa alguma o fato de um dos projetos mais citados pela bibliografia sobre o anarquismo no Brasil, a criação de uma Universidade Popular de Ensino Livre, em 1904, ter sido levado a termo por alguns desses escritores [...] Apesar de “fracassado” (esse projeto durou apenas alguns meses), este projeto é mais um indicativo das “amizades” e da variada formação intelectual desses escritores que, como podemos ler em seus romances, não dispensam citações de um Nietzsche, de um Zola, de um Tolstói, de um Ruskin, mas também, vez ou outra, “escorregam” para um Darwin, um Comte ou Spencer, resultando, dessa combinação, um certo “anarquismo positivista evolucionista” que se desdobrará, de certo modo, em suas utopias narradas em suas obras literárias.

61 Na abordagem da literatura classificada como menor no estudo de Broca (2004), a sua pesquisa tira da penumbra a parte da produção que ficou de fora das várias Histórias da Literatura Brasileira, pois analisa os textos desses autores. No entanto, concordou com a explicação dada por Broca (2004), quando este atribuiu o citado empreendimento às “amizades” que tinham os envolvidos nas rodas literárias, do itinerário construído pela fonte que elegeu. Fosse outra a sua fonte, fossem os jornais operários os materiais, outras evidências o fariam, provavelmente, questionar a avaliação de Broca (2004) sobre o sucesso ou o insucesso da Universidade Popular de Ensino Livre.

Quando acompanhamos as práticas educacionais contidas nos diversos jornais libertários que circularam ao longo das duas décadas iniciais do século XX, percebemos as permanências dos objetivos fundamentais do projeto da Universidade Popular de Ensino Livre. Essas permanências podem ser percebidas nas ações e campanhas em prol da organização das bibliotecas populares; na criação e manutenção dos centros de estudos; nas práticas educativas do jornal manifestadas nos inúmeros artigos que discutiam idéias de pensadores que, ao juízo dos articulistas, eram indicados para a formação de livres- pensadores; nas obras inteiras, desdobradas em folhetins e publicadas no decorrer de vários números do jornal. Verificamos também, a proposta dos libertários de criarem uma Universidade Popular pelas listas de prescrições de leitura e das freqüentes conferências sociais do livre pensamento proferidas, inclusive pelos sujeitos participantes do projeto da referida universidade.

Dessa forma, pode-se dizer que o projeto da Universidade Livre prosseguiu manifestando-se de formas variadas como exemplificadas anteriormente. Suas práticas foram plenamente incorporadas por José Oiticica e, também, por alguns de seus iniciadores, como, por exemplo, Elísio de Carvalho e Fábio Luz, participantes das conferências sociais, do teatro libertário, da elaboração das listas com recomendações de leituras, com ensaios sociológicos, incentivando e negando práticas educativas para a formação do trabalhador.

Esses dois intelectuais tiveram intensa interlocução com o professor José Oiticica, por meio de atividades conjuntas afinadas com a perspectiva dos projetos das escolas livres, da universidade e fazendo o uso dos dispositivos das linguagens do jornal, do teatro, das conferências e do cinema. Além disso, esses intelectuais e outros também faziam traduções de obras para o português, consideradas importantes para a educação libertária. Essas obras eram publicadas em forma de fascículos ou em folhetins nos jornais anarquistas.

Assim, a iniciativa de fundação da Universidade Popular teve curta duração, mas o seu projeto era anterior a ela e continuou se manifestando após o encerramento da iniciativa de

62 1904. Tal universidade como instituição funcionando em um prédio teve curta duração, fechou no ano em que José Oiticica abria o seu Colégio no Leme. Mas o seu empreendimento persistiu nas ações militantes da propaganda social, como já foi argumentado.

A maior parte dos envolvidos no projeto da Universidade Livre eram colaboradores da grande imprensa e da imprensa libertária, e estavam em contato com José Oiticica. Além das leituras mencionadas por Fenerick (1997), do universo libertário, havia algumas concepções e idéias pedagógicas européias como, por exemplo, as experiências do ensino racionalista a partir dos livros de Francisco Ferrer y Guardía, na Espanha.

O debate sobre as concepções e práticas educacionais para a nova educação fervilhava pelos periódicos libertários. No que diz respeito ao projeto da Universidade Popular, este se pautava pelos seguintes objetivos:

Fundar um ensino superior metódico para o povo, organizar conferências, periódicas sobre todos os assuntos suscetíveis de interessar aos trabalhadores, fundar um museu social e uma biblioteca, realizar representações de arte social, saraus musicais, festas literárias, excursões científicas, artísticas e expansivas, publicar um boletim que seja o órgão da associação, estabelecer, enfim, um centro popular tendo por fim às vezes o prazer e a instrução – a união moral entre os cooperadores. (nota da revista Kultur, 1904, apud KASSIK, 1996, p.88).

No debate educacional esses sujeitos envolvidos com a iniciativa da Universidade Popular de Ensino Livre acompanhavam as propostas da pedagogia nova. A título de exemplo cabe mencionar que José Veríssimo foi alvo de críticas de Silvio Romero que o acusava de pouco conhecimento de causa para discutir a pedagogia da École des Roches, tal como consta em seu ensaio sobre Edmond Demolins (1907).56 José Veríssimo era um intelectual das relações de José Oiticica e mantinham trabalho conjunto na imprensa libertária.