6. Drøfting av funn
6.4. Forhold som fremmer og hemmer organisatoriske endrings- og forbedringsprosesser sett i et
Em 1935, José Oiticica foi convidado, pelo então reitor Afrânio Peixoto, para lecionar grego na Escola de Filosofia e Letras da Universidade do Distrito Federal71.
Tratava-se de uma fase de dificuldades políticas, em decorrência da intentona
69 Essa academia foi fundada no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1944. Os quarenta membros fundadores da
Academia Brasileira de Filologia: Afrânio Peixoto, Altamiro Nunes Pereira, Alcides da Fonseca, Álvaro
Ferdinando Souza da Silveira, Antenor de Veras Nascentes, Altamiro Nunes, Arthur de Almeida Torres, Pe Augusto Magne, Basílio de Magalhães, Beni Carvalho, Charles Fredsen, Cândido Jucá(filho), Clóvis do Rego Monteiro, David José Perez, Eduardo José Carlos, Ernesto Faria, Renato Almeida, Jarbas Cavalcânti de Aragão, Jacques Raimundo, João Guimarães, José Luís de Campos, José Rodrigues Leite e Oiticica, José Sá Nunes, Júlio Nogueira, Julio de Matos Ibiapina, Jonas de Moraes Corrêa, Joaquim Mattoso Câmara Júnior, Ismael Lima Coutinho, Padberg Dreekpel, Ragy Basile, Otelo de Souza Reis, Oswaldo Serpa, Quintino do Vale, Renato Almeida, Rodolfo Augusto de Amorim, Nelson Romero, Manuel Said Ali Ida, Miguel Daltro Santos, Modesto de Abreu, Saul Borges Carneiro, Sylvio Edmundo Elia.
Disponível < http://www.filologia.com.br/fundadores.htm >, acesso em 04 de fevereiro de 2008. 70 Cf. Necrológicos compilados por Neves (1960, p. 27):
71 A Universidade do Distrito Federal (UDF), foi criada em abril de 1935, pelo decreto municipal n° 5.513, era composta de cinco escolas: Ciências, Educação, Economia e Direito, Filosofia, e Instituto de Artes.
78 comunista72, organizada pelo partido comunista sob a liderança de Luís Calos Prestes. Um ano depois Afrânio Peixoto e outros professores foram demitidos da Universidade. A radicalização ideológica do Governo Getúlio Vargas desdobrou-se na instauração do Estado Novo, em 1937. Nessa fase, pelo dispositivo da Lei de Segurança Nacional, desencadeou-se uma série de prisões. Muitos professores desistiram de lecionar na UDF, quando Alceu Amoroso Lima, o líder católico secular da época, assumiu o cargo de Reitor (VICENZI, 1986, p. 56).
Foram presos com José Oiticica outros anarquistas, comunistas, integralistas e outras pessoas que inspiraram suspeitas. A sua casa foi invadida, a sua correspondência foi apreendida, e ele ficou preso durante seis meses.73
No entanto, as aulas de grego na UDF não foram suspensas, pois o professor José Oiticica cuidou para que a sua filha Sônia o substituísse e a incumbiu de levar as apostilas de grego para serem corrigidas na prisão. Este episódio foi narrado por sua filha em entrevista, além de também encontrar-se no livro de depoimentos de Carlos Lacerda (1977, p.40).
Da Casa de Detenção, dias depois, fui para a casa de Correção, onde estava também todo mundo; o Darrê, que tinha sido da Revolução de 32 e que depois foi do golpe de 38, integralista; o Triunfo Correia, comunista, o José Oiticica, que era um dos últimos anarquistas do Brasil... Foi uma época muito curiosa: nós ficamos em uma galeria da Correção e à noite nos trancavam a chave nos cubículos, mas de dia a gente andava pelo corredor...E o Oiticica, professor de grego da então Universidade do Distrito Federal, vivendo uma dificuldade até curiosa, porque a sua filha a atriz Sônia Oiticica, para não pararem as aulas, mandava as apostilas dos alunos de grego para ele corrigir. Imaginem os censores da Casa de Correção para fazer uma censura numa apostila em grego e ainda por cima em papel mimeografado! Viveram um problema sério. [...] ele foi interrogado pela Polícia: “ Mas o senhor está envolvido nesse movimento comunista?” Diz ele assim: “Não. Eu tenho horror aos comunistas”. “Mas como o senhor tem horror aos comunistas?” “Porque sou um anarquista”. “O que os senhores fazem como anarquistas?” “Bom recolhemos fundos para socorrer os perseguidos, os presos políticos” “Mas como recolhem fundos?” “Nós promovemos piqueniques na Ilha de Paquetá e vendemos entradas. [...].
José Oiticica foi solto da prisão em 31 de dezembro de 1937, mas obrigado a permanecer em prisão domiciliar por longo período. A relativa abertura política do pós-1945 imprimiu condições para a retomada do jornal Ação Direta. Até o início da década de 1950, trabalhou no Colégio Pedro II e na Escola Dramática.
Os investimentos de Oiticica ao longo das décadas 1940 e 1950 incidiram na reorganização, reedição e elaboração de seus estudos de língua portuguesa. Oiticica dedicou-
72 Entre 23 e 27 de novembro de 1935, algumas guarnições militares sediadas em Natal (RN), Recife (PE) e no Rio de Janeiro rebelaram-se em nome da Aliança Nacional Libertadora contra o governo de Getúlio Vargas. A insurreição foi organizada pelo partido comunista, sob a liderança de Luís Carlos Prestes. Como desdobramentos os insurgentes e muitos outros foram presos no curso da ditadura Vargas.
79 se também às conferências radiofônicas. Trabalhou no programa de Cid Franco, na rádio Cruzeiro do Sul no Rio de Janeiro e de São Paulo, no final dos anos de1940, e, em 1952, iniciou um curso de português no programa Colégio do Ar, na Radio Ministério da Educação.74
Já não era mais o tempo das modas das conferências literárias que marcaram os inícios dos anos de 1900. As conferências sociais dos centros de estudos anarquistas tampouco tinham a mesma audiência na vida das classes populares. Em lugar disso, outros dispositivos da modernidade eram acionados. A era do rádio, instaurada desde os anos de 1930, impunha as novas condições da propaganda pela palavra. No entanto, se a prática de suas conferências foi alterada, subsistiam aquelas relacionadas com a elaboração do jornal, pois Oiticica retomou o Ação Direta. A “resistência” em prol da nossa educação, o combate pela palavra continuava a acontecer. As aulas/conferências radiofônicas de Oiticica foram anunciadas em seu jornal Ação Direta:
Colégio do Ar
Rádio Ministério da Educação
Aulas de português ministradas pelo nosso companheiro o Prof. José Oiticica Horários:
2ª e 6ª das 7:30 as 8:00 3ª e 6ª das 19:00 as 19:30
(Ação Direta,Rio de Janeiro, ano IV, nº 80, julho e agosto de 1952. p.4).
Oiticica recebeu aposentadoria compulsória do Colégio Pedro II em 1952, aos setenta anos de idade. Liberado das aulas, passou à dedicar-se na reedição de alguns de seus livros didáticos. Da seleção de suas lições e anotações de aulas, surgiram outras publicações, algumas delas com a organização de Almir Câmara de Matos Peixoto. Tal como consta no seu manuscrito biográfico, a listagem destas publicações75 estão reunidas nos anexos desta pesquisa.
74 Do material reunido nesta pesquisa foi possível localizar as anotações de José Oiticica de uma dessas conferências, para o programa Língua Falada, provavelmente uma das partes do projeto Colégio do Ar, cujo exame terá lugar no capítulo IV.
75 Um número considerável de artigos, crônicas e contos literários foram publicados na grande imprensa e na imprensa
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Capítulo II A presença de José Oiticica na propaganda social libertária: os
jornais, as conferências e o teatro social
As ações empreendidas por José Oiticica na chamada propaganda social libertária, os seus lugares de realização, e os seus objetivos constituem-se o escopo deste capítulo. Inicialmente o texto ocupa-se em construir o conceito de propaganda social, e discorre sobre os sentidos atribuídos às conferências e ao teatro social no contexto da educação libertária. Em seguida, a partir do exame das peças teatrais de autoria de Oiticica, procura-se estabelecer conexões entre o argumento de cada uma de suas peças e o ideário libertário, para com isso explicar como se desenvolveram as suas práticas educativas em circulação em seus diferentes espaços atuação pedagógica.