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SVIKT I VANNFORSYNING ETTER CYBERANGREP

In document Elektronisk kommunikasjon (EKOM) (sider 105-111)

Kritisk samfunnsfunksjon Sårbarhet Husly og varme

SCENARIO 14: SVIKT I VANNFORSYNING ETTER CYBERANGREP

Em termos gerais, a administração emprega o termo racional no sentido de ação racional referente a fins, conforme definido por WEBER. Também aqui parece consensual a conclusão, já vista, de que tal só se aplica aos meios, em detrimento dos fins, como mostra um artigo de PEREIRA:

"Tomando o aspecto mais evidente, o termo racional refere-se a uma relação entre meios e fins, ou, mais precisamente, à adequação dos meios usados aos fins propostos. O adjetivo racional só se aplica aos meios, os únicos que podem ser escalonados, técnica e cientificamente, em relação a um padrão unívoco, quaisquer que sejam as medidas utilizadas. Dado que os fins são determinados valorativamente, é extremamente difícil chegar-se a um acordo quanto à sua racionalidade, uma vez que a um fim sempre se pode contrapor outro, baseado em outro sistema de valores."167

166Simon, Herbert A. Comportamento administrativo, R.J., F.G.V., 1971 (1957), p. 47. E esta é toda a

discussão que SIMON realiza acerca de seus pressupostos. Observe-se como procura vender o positivismo lógico, afirmando tratar-se de uma escola de filosofia moderna.

167Pereira, José Carlos "Sobre o emprego do termo racional em economia e administração", Revista de

É este problema, o da relação entre o tecnicamente decidível e o valoricamente avaliado, que está na base da crítica à racionalidade instrumental, conforme vimos na sociologia, e que SIMON tratará de sistematizar, para a administração, partindo da posição positivista e chegando a compromissos pragmáticos.

Até aqui utilizamos como unidade para o estudo da racionalidade, a ação, conforme nos ensinou WEBER. SIMON porém propõe outra unidade: para ele, toda ação é necessariamente precedida de uma decisão (ou escolha) e é nela que o autor deposita o caráter racional do comportamento humano, considerando-a, do ponto de vista organizacional, mais importante do que a ação, tendo em vista o complexo relacionamento aí envolvido entre a parcela individual e a organizacional da ação (mesmo na decisão estas esferas se superpõem). Isto porque a maior parte da ação do indivíduo na organização é conseqüência da decisão de outrem, ou do concurso de muitos outros, envolvidos no processo decisório: pois a organização presta-se principalmente para empreender ações que individualmente seriam impossíveis (como a construção de um edifício) - e tal reflexão, mesmo preliminar, já nos coloca diante do complexo de elementos envolvidos na administração: delegação, especialização, distribuição de autoridade, coordenação e os problemas característicos destes elementos. Voltaremos a eles oportunamente. Cabe aqui verificar como SIMON define decisão ou escolha, e, adiante, como problematiza seus componentes.

"Todo comportamento envolve seleção consciente ou inconsciente de determinadas ações entre aquelas que são fisicamente possíveis para o agente e para aquelas pessoas sobre as quais ele exerce influência e autoridade. (...) Refere-se pura e simplesmente ao fato de que ao seguir determinado curso de ação, o indivíduo automaticamente abandona outros."168

Quanto à racionalidade da decisão, SIMON,como PEREIRA, também apela para a racionalidade em relação a fins, esclarecendo que sempre será relativa aos valores (que determinarão os fins) considerados válidos pelo agente:

"... a perfeição de uma decisão administrativa é relativa; em outras palavras, só pode ser considerada correta se escolher os meios adequados para atingir finalidades preestabelecidas. Ao administrador racional compete a seleção destes meios eficazes."169

HABERMAS, em sua ação racional propositiva, distingue entre a adequação de meios a fins (que HABERMAS denomina ação instrumental) e a escolha racional entre alternativas (que HABERMAS denomina ação estratégica). SIMON, como resultado de sua definição operacional de decisão ou escolha (acima), trata-as indiferenciadamente: considera que mesmo na adequação o indivíduo está realizando uma escolha entre o que é fisicamente

168Simon, Herbert A., op. cit., pp. 3-4. 169Idem, ibidem, p. 63.

possível ("alternativas de comportamento"), que é dado no universo de possibilidades170.

"O indivíduo, ou a organização (...) se defronta, a cada momento, com um grande número de alternativas de comportamento, algumas das quais são conscientes. A decisão, ou escolha, tal como empregamos este vocábulo aqui, constitui o processo pelo qual uma dessas alternativas de comportamento adequadas a cada momento é selecionada e realizada. O conjunto dessas decisões que determinam o comportamento a ser exigido num dado período de tempo chama-se

estratégia."171

A justificativa de SIMON,pela qual assume esta postura, está exposta mais abaixo, na discussão de meios e fins. Coerentemente com este desenvolvimento, SIMON decompõe a decisão da seguinte maneira:

"A tarefa de decidir compreende três etapas, a saber: a) o relacionamento de todas as possíveis estratégias, b) a determinação de todas as conseqüências que acompanham cada uma dessas estratégias, e c) a avaliação comparativa desses grupos de conseqüências."172

Esta sistematização é, como dissemos, comum em aplicações técnicas de problem-solving ou de processos de planejamento estratégico173.

Assim, a menos do deslocamento de sua atenção da ação para a decisão, SIMON trata da racionalidade instrumental (sem este nome), sob o enfoque lógico-positivo conforme já assistimos na sociologia funcionalista, e como tal deverá dar conta de como lidar com a determinação dos fins, ou como se desvencilhar dos valores "embutidos" na decisão racional, a fim de torná-la "positivamente" neutra.

170Isto porque SIMON já trata das organizações burocráticas, em cuja racionalidade encontra-se a usura

de meios, isto é, a otimização dos meios para a consecução dos fins. V. nota no. Erro! Indicador não definido., p. 22.

171Idem, ibidem, p. 69.

172Idem, ibidem, p. 70. Aqui salienta que "... a palavra todas é usada deliberadamente. É impossível,

evidentemente, que o indivíduo conheça todas as alternativas de que dispõe ou todas as suas conseqüências. Esta impossibilidade representa uma discrepância fundamental do comportamento real em relação ao modelo da racionalidade objetiva, e como tal será objeto de demorado estudo..." (Ibidem).

173Para ilustrar, o processo de tomada de decisão é por KEPNER e TREGOE inserido em seu esquema de

problem-solving, antecedido de uma fase de diagnóstico denominada de análise de problema, e seguido de um plano de ação com diversas subdivisões. Aqui, a tomada de decisão é decomposta em: a) estabelecimento de objetivos; b) geração de alternativas; c) estimativa de conseqüencias adversas. Dentro de uma resolução de problemas, a avaliação de valores necessária ao estabelecimento de objetivos já foi efetuada, quando da definição mesma do problema: o problema é um desvio em relação a uma situação desejada (isto é, deveria ser de outra forma); a geração de alternativas segue o modelo

estratégico de SIMON (de escolha entre alternativas possíveis); e finalmente a estimativa de

conseqüencias adversas envolve a consideração dos efeitos colaterais do uso dos meios para a consecução de fins, conforme desenvolvimento no texto, adiante. Cf. Kepner, Charles H. e Tregoe, Benjamin B. O administrador racional, S.P., Atlas, 1984 (1965), p. 49. Um processo de planejamento estratégico é um problem-solving em escala macroscópica: ao invés da análise do problema, analisa-se a situação ambiental (mercado, concorrência, etc.) e da empresa (pontos fortes e fracos, etc.); em seguida, tendo em vista os objetivos derivados da missão da organização, geram-se alternativas de ação e busca-se prever suas conseqüências futuras, através de instrumentos de diversos graus de sofisticação (cenários, análise numérica e simulações, etc.), para a escolha de uma das alternativas. Tanto num quanto noutro caso, o modelo básico é o descrito por SIMON, com todos os problemas e conseqüências aqui discutidos. Variações "modernas" destes processos apenas aprimoram (p. ex.: com técnicas de criatividade) a "geração" de alternativas (que, para SIMON, pertercem todas às possibilidades existentes)

De acordo com a metodologia que escolhe, SIMON considera factuais as questões empiricamente observáveis, passíveis de serem expressas em proposições cuja veracidade ou falsidade podem ser objetivamente confrontadas com a realidade; já as questões valóricas, que envolvem coisas como o devo, o bom, não podem ser reduzidas a proposições daquele tipo - que é a opinião positivista a respeito do assunto.

"Toda a vez que as decisões levam à seleção de finalidades últimas elas serão chamadas de juízos de valor e sempre que impliquem na implementação de tais finalidades serão chamadas de juízos de fato."174

Se é no positivismo lógico que SIMON busca soluções para o problema fato-valor, é em ARISTÓTELES que encontra sua construção de meios-fins.

"Os fatos e valores (...) estão relacionados com meios e fins, respectivamente. No processo decisório escolhem-se as alternativas consideradas como meios adequados para atingir os fins desejados. Os fins em si mesmos, porém, são, as mais das vezes, apenas instrumentos para conseguir objetivos mais distantes. Em conseqüência, somos levados a conceber uma série, ou hierarquia, de fins. A racionalidade tem a ver com o estabelecimento da cadeia de meios e fins que acabamos de mencionar."175

É então armado com este cabedal de saber empirista (e de suas definições operacionais) que SIMON parte para discutir os problemas da decisão racional, e propor, limitado a tal estado da arte, saídas pragmáticas com vistas à elaboração de uma teoria da decisão racional.

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