Kritisk samfunnsfunksjon Sårbarhet Husly og varme
SCENARIO 13: EVAKUERING AV CRUISESKIP
7.1 Forutsetninger Hendelsesforløp
A teoria da burocracia de WEBER, explicitamente descritiva, chega à Administração com força de lei. As características e a formação histórica deste tipo ideal descritas por WEBER são aqui tomadas por recomendações cuidadosas. É uma espécie de auto-reprodução narcísica do fenômeno administrativo: conhecendo uma fotografia retocada (ideal) de si mesmo, quer dirigir ações conscientes (racionais) no sentido de parecer-se mais e mais com sua imagem: enxerga-se racional (burocrático), e aprimora-se em sua racionalidade eliminando os "defeitos" oriundos do fato de não constituir um tipo ideal, mas uma realidade de fato. A realidade administrativa persegue o tipo ideal burocrático.
Desta forma, CHIAVENATO (para citar um livro didático de teoria administrativa bastante popular no Brasil) define da seguinte maneira as origens da "Teoria da Burocracia" (como chama) na Administração:
"A Teoria da Burocracia desenvolveu-se dentro da Administração ao redor dos anos 40 em função principalmente dos seguintes aspectos: (...) b) tornou-se necessário um modelo de organização racional capaz de caracterizar todas as variáveis envolvidas, bem como o comportamento dos membros dela participantes, e aplicável não somente à fábrica, mas a todas as formas de organização humana e principalmente às empresas. (...) d) O ressurgimento da
Sociologia da Burocracia, a partir da descoberta dos trabalhos de Max Weber, o
seu criador. Segundo essa teoria, o homem pode ser pago para agir e se comportar de certa maneira preestabelecida, a qual lhe deve ser explicada exatamente, muito minuciosamente e, em hipótese alguma, permitindo que suas emoções interfiram no seu desempenho. A Sociologia da Burocracia propôs um modelo de organização e os administradores não tardaram em tentar aplicá-lo na prática em suas empresas. A partir daí surge a Teoria da Burocracia na Administração."157
156Conforme descreve, no depoimento citado, em sua "luta" de três anos na Midvale Steel, aonde batia-
se com o "marcar passo" ("fazer cera", na tradução brasileira) dos operários, contrários ao incremento de produtividade.BRAVERMAN (op. cit.) discorre sobre o interesse material dos operários em agir desta forma, e o próprio TAYLOR sabia disso.
157Chiavenato, Idalberto Introdução à teoria geral da administração, S.P., McGraw-Hill do Brasil,
Em que pese a simplificação didática operada por CHIAVENATO, que dirige-se a estudantes de graduação, esta é a interpretação vigente entre administradores, e entre consultores, pagos para "implantar" as "características burocráticas" na empresa, em programas de racionalização administrativa, ou em "profissionalização" de empresas familiares.
É claro que isto acontece com um estreito vínculo no resultado econômico da empresa assim organizada. Também o processo de predominância de estruturas de dominação "legais, racionais ou burocráticas" descrito por WEBER possui esta vinculação: para ele, o aparato burocrático apresenta vantagens sobre os demais (tradicional, carismático) em termos do sucesso da ação organizacionalmente empreendida, tendo em vista a racionalidade inerente ao seu funcionamento. Além disso o processo é, para o alemão, inexorável.
"A administração puramente burocrática (...) é, segundo toda a experiência, a forma mais racional de exercício de dominação, porque nela se alcança
tecnicamente o máximo de rendimento em virtude de precisão, continuidade,
disciplina, rigor e confiabilidade - isto é, calculabilidade tanto para o senhor quanto para os demais interessados -, intensidade e extensibilidade dos serviços, e aplicabilidade formalmente universal a todas as espécies de tarefas. (...) ...uma vez que a administração burocrática é por toda parte - ceteris paribus - a mais racional do ponto de vista técnico-formal, ela é pura e simplesmente inevitável para as necessidades da administração de massas (de pessoas ou objetos). Só existe escolha entre 'burocratização' ou 'diletantização' da administração, e o grande instrumento de superioridade da administração burocrática é o
conhecimento profissional, cuja indispensabilidade absoluta está condicionada
pela moderna técnica e economia da produção de bens, esteja esta organizada de modo capitalista ou socialista (...) A necessidade de uma administração contínua, rigorosa, intensa e calculável, criada historicamente pelo capitalismo (...), condiciona esse destino da burocracia como núcleo de toda a administração de massas."158
Ora, se a burocracia é a forma social orgânica da racionalidade utilitária, não é de estranhar que estruturalistas, como MERTON, SELZNICK e GOULDNER, ao prosseguirem a produção teórica no campo, critiquem a burocracia pelo fato dela não garantir a racionalidade da ação (!). Aqui a burocracia passa a ser vista como um modelo, no sentido funcionalista do termo, e a análise da burocracia é efetuada em termos da eficácia deste modelo em prover explicações para os fenômenos, e de sua capacidade de previsão.
MERTON indica, ao estudar o que chamou de disfunções burocráticas, que a burocracia leva a resultados esperados ("conseqüências previstas"), cumprindo seu papel de instrumento do agente racional, mas que também leva a conseqüências imprevistas, por causa das disfunções. Tal se daria, como sempre quiseram os comportamentalistas, por interferência dos fatores emocionais dos agentes individuais, impossibilitados de manter um comportamento racional (nesses moldes) o tempo todo: a manutenção da disciplina é fator da motivação, e esta, não é totalmente condicionada pela razão. Segundo MERTON,para obter o comprometimento disciplinar do indivíduo, o aparato burocrático acaba por introduzir um vínculo irracional entre este e a norma, que o faz perder de vista
os objetivos organizacionais, que são os fins para os quais a ação racional organizacional está voltada. Além disso, a disciplina do rígido apego às normas, uma vez conseguida do agente por uma maneira qualquer, rapidamente perde sua ligação com a realidade em constante mudança. Assim a fidelidade a normas, nem sempre atualizadas, torna-se um fim em si mesmo; a especialização profissional torna-se especialização na norma, etc. - são as disfunções, que comprometem os resultados da ação racional.
SELZNICK também segue pelo mesmo caminho das conseqüências imprevistas. Agregando à sua análise contribuições mais elaboradas da teoria organizacional (como a de BARNARD, dos grupos informais; e a teoria de sistemas), admite a possibilidade de divergência de interêsses grupais no seio da organização, introduzindo desvios "micropolíticos" no curso da ação racional resultante da interação entre tais subunidades da organização. Em termos sistêmicos, a subotimização de objetivos grupais compromete a otimização do todo. GOULDNER prossegue o trabalho dos dois, levantando outros fatores intervenientes no funcionamento de uma organização burocrática, mormente de ordem psicossocial.159
Em suma, o prosseguimento do estudo do fenômeno burocrático no interior de organizações preocupa-se com as contradições internas do "modelo", tendo em vista o desenvolvimento da psicologia e sociologia organizacionais. Não entra, no entanto, em considerações críticas mais abrangentes, nem transcende para a discussão necessária.