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SKIPSFORLIS UTENFOR VEGA 7.1 Forutsetninger

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Kritisk samfunnsfunksjon Sårbarhet Husly og varme

SCENARIO 7: SKIPSFORLIS UTENFOR VEGA 7.1 Forutsetninger

O peso dos acontecimentos históricos por sobre a Teoria Crítica, e a evolução da crítica da filosofia de HEGEL levou os teóricos a uma posição pessimista frente à História, a Razão e à emancipação.

De fato, diante do totalitarismo irracionalista do fascismo, do totalitarismo racional-positivista do "marxismo" estalinista, e do maccartismo "democrático" americano (e de outros fatores121), uma revisão às previsões de MARX marca a

passagem da primeira para a segunda fase da Teoria Crítica.

As conseqüências teóricas dessas mudanças assinalam o fim da idéia hegeliana do progressivismo histórico, e com ele o fim do otimismo de que, do curso mesmo da História, a vitória da razão surgiria, imanente ao processo: o fim da "realização histórica" e de outras utopias. O ser humano está só na História, e seu sentimento é o desespero, o desamparo.

Paralela e coerentemente com isso, ocorre um processo gradativo de dissolução do sujeito histórico da ação racional. Desiludidos com a possibilidade do proletariado realizar este sujeito e "patrocinar" a razão emancipadora, os frankfurtianos buscam, antes de romper com a razão histórica, outros grupos sociais in loco proletariado:

"Pelo menos no início dos seus trabalhos (nos anos 30), os dois filósofos ainda não haviam abandonado a crença em uma razão histórica que necessariamente se manifestaria através do processo material de produção e reprodução da moderna sociedade burguesa. Apesar do ceticismo crescente quanto à possibilidade de que a classe operária viesse a assumir os destinos da história (...), Adorno e Horkheimer nunca abandonaram a crença em uma razão capaz de objetivar-se na história, emancipando a humanidade. Num certo momento, Marcuse acreditou ter encontrado em grupos alternativos (da contracultura, dos explorados do Terceiro Mundo, das mulheres e homossexuais) os herdeiros da classe operária, enquanto que Horkheimer e Adorno pareciam estar à espera da emergência de outros grupos sociais que pudessem liberar o potencial de racionalidade contido na história."122

Porém, como foi dito, a História não mais obedeceria ao hegelianismo, e perderia este potencial de racionalidade. Tal foi assimilado também de maneira gradativa na consciência frankfurtiana, transparecendo já na Dialética do Esclarecimento, de 1947. ADORNO, que será o principal arauto da dissolução do sujeito, ainda insistiria:

"Ao perder sua base material, a razão histórico-filosófica perde sua base normativa na esfera do trabalho e buscará - ao menos na visão de Adorno - seu último refúgio nas objetivações da arte de vanguarda contemporânea."123

121A tendência à burocratização das direções operárias, a eficácia das democracias modernas em

integrar o conflito e cooptar a consciência das massas e gerir as crises internas do capitalismo; basicamente, os fenômenos históricos que se chocaram com as previsões de Marx.

122Freitag, op. cit., p. 108.

123Idem, ibidem, p. 109. Observe-se que, em que pese sua heróica resistência, ADORNO por pouco não

Esses pálidos substitutos do proletariado, contudo, não lograram satisfazer as esperanças dos filósofos da Escola de Frankfurt; e assim, o pessimismo daí oriundo é tematizado e incorporado no cabedal crítico da teoria.

"Na falta de um agente sócio-histórico de transformação social, a Teoria Crítica se mantém suspensa no pessimismo. (...) A Teoria Crítica recusa qualquer otimismo que confira à objetividade - entendida seja como progresso, seja como finalidade - a 'realização da história'. (...) recusa a espera otimista de que do próprio curso do mundo haverá a vitória do sentido e da razão: 'Desprovida de qualquer espécie de otimismo ao nível de uma concepção do mundo', a Teoria Crítica adota um 'pessimismo de método' como arma antiidealista, que interdita a 'resignação ao curso da história'. A dor e o sofrimento atuam como trauma: impedem o adormecimento nas falsas certezas das esperanças infundadas, promovendo o despertar da razão de sua letargia mortal no mundo administrado."124

Tão logo é incorporado, o pessimismo passa a assumir um lugar na Teoria Crítica,125 daonde não será destronado senão por HABERMAS. A partir disso,

ADORNO assume a dissolução do sujeito:

"Quanto mais a vida se torna aparência de vida, mais as reflexões que partem do sujeito são falsas. Com efeito, como a objetividade esmagadora da atual fase do movimento histórico não reside senão na dissolução do sujeito, sem que no entanto um novo sujeito tenha surgido, a experiência individual se apóia necessariamente sobre a antiga (experiência), de agora em diante condenada, que ainda é para si, mas que não é mais em si."126

Uma vez que o pessimismo torna-se o tônus da Teoria Crítica, sua arma contra o irracionalismo e contra a razão instrumental, torna-se também, e fundamentalmente, a garantia de sua independência enquanto crítica não cooptada por nenhuma das formas assumidas pelo capitalismo avançado ou pelo marxismo militante. Então a práxis, que havia sido suspensa por estes filósofos como garantia desta independência, é definitivamente afastada. A suspensão da práxis cristaliza-se em não-ação. O trabalho passa a ser reflexivo e ocorre, na expressão de OLGÁRIA MATOS, "na brecha entre o real e o racional".

"Se a práxis autárquica possui desde tempos imemoriais características maníacas e violentas, a auto-reflexão significa, em contraste com ela, suspender a ação cega como passagem ao humano."127

Há, pelo menos, duas formas de se enxergar o desenlace pessimista da Escola de Frankfurt, nas figuras de MARCUSE,HORKHEIMER e ADORNO.De um ponto de vista que não deixa de ter algo de evolucionista, a continuidade da Teoria Crítica dá-se com HABERMAS, e passa por um rompimento mais

124Matos, Olgária C. F., op. cit., pp. 253-255. OLGÁRIA ressalta a influência do pensamento de

SCHOPENHAUER, notadamente em HORKHEIMER, que dialoga com ele no movimento de incorporação e

justificação do pessimismo na Teoria Crítica.

125"O pessimismo como categoria crítica tem uma função social: todas as vezes que a metafísica

pretender a afirmação da realidade que se encontra 'sob as coisas', sempre que procurar passar por cima da dor do homem singular, do sofrimento do presente e da morte dos indivíduos, o pessimismo fará entrever o aniquilamento da particularidade na sociedade da total administração." Idem, ibidem, p. 274.

126Adorno, T. W. Minima moralia apud Matos, Olgária C. F., op. cit., p. 274.

127Adorno, T. W. "Marginalien zu theorie und praxis" in Stichworte, kritische modelle apud Matos,

profundo com a razão histórica; o que se dá só com este pela incapacidade daqueles de efetuar tal rompimento. Tal é, de forma geral, a visão de FREITAG:

"A denúncia da razão iluminista transformada em mito, conduz Horkheimer e Adorno a um beco sem saída."128

A outra forma, conforme o trecho anterior deixa transparecer, é a de considerar-se, como faz OLGÁRIA MATOS - de dentro da Teoria Crítica anterior a HABERMAS - o pessimismo como uma escolha válida e inerente a esta corrente de pensamento. Deste ponto de vista, HABERMAS efetuaria uma ruptura, partindo para uma teoria própria.

De uma forma ou de outra, HABERMAS insere-se na dialética do tradicional e do emergente, que permeia, como vimos, toda a história da Teoria Crítica: efetuará, sem dúvida, uma ruptura, e sustentará diferenças mais profundas com MARCUSE, HORKHEIMER e ADORNO,do que estes entre si. No entanto, do interior de um otimismo renovado, HABERMAS percorrerá os temas fundamentais que animaram a Escola de Frankfurt por meio século. Nas palavras de ROUANET:

"Até hoje Jürgen Habermas costuma ser visto como herdeiro do pensamento crítico da Escola de Frankfurt. É uma ilusão, mas há desculpas para ela. (...) existem em Habermas temas que no fundo são próximos dos grandes temas da teoria crítica: a denúncia de um mundo crescentemente administrado, a preservação da idéia da utopia - a da comunicação ideal - e principalmente a fidelidade ao conceito iluminista de maioridade, Mündigkeit, como telos da vida individual e coletiva. (...) Com a Teoria da Ação Comunicativa e o Discurso

Filosófico da Modernidade, Habermas consuma o processo psicanalítico de

assassinato simbólico do pai: a partir desse momento, a base de sua identidade passa pela ruptura com Adorno."129

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