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Svikt i PNT-systemer

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4 Systemer og anvendelse

5.1 Svikt i PNT-systemer

Na bibliografia consultada, argumenta-se que a imigração japonesa era o assunto mais importante e predominante na agenda bilateral nipo-brasileira no período anterior à Segunda Guerra Mundial. É o que autores como Sang-June Shim189 e Valdemar Carneiro Leão190 defendem explicitamente e é o que se encontra em outras fontes, como os já citados relatórios do Ministério das Relações Exteriores.

"Ao iniciarem-se os anos trinta a imigração mantinha-se como único segmento dinâmico das relações entre o Brasil e o Japão. No cenário político inexistiam temas que requeressem ou mesmo ensejassem maior aproximação e densidade de contatos entre os dois países, dado o próprio distanciamento de prioridades e respectivas esferas de atuação externa. Com as suas atuações voltadas para a Ásia e o Pacífico, o Japão não apresentava pontos em comum a explorar politicamente com o Brasil, não tendo de resto obtido, como lhe interessava, o reconhecimento brasileiro do Estado de Manchukuô.” 191

Deve-se ressaltar que não era uma tendência exclusiva das relações nipo-brasileiras, uma vez que a imigração era o principal interesse observado nas relações entre Japão e América Latina ou entre o Brasil e o Extremo Oriente de uma forma geral. Um exemplo que pode ilustrar essa pouca densidade nas relações nipo-latino-americanas é o fato de Japão e Peru manterem oficialmente relações diplomáticas desde o Tratado de Amizade de 1873, mas apenas na década de vinte do século subsequente é que a primeira representação japonesa é

188

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Relatório. Ano de 1923.

189

SHIM, Sang-June. Japan and Latin America: a changing relationship. Tese (Ph.D em Ciência Política). Rutgers: The State University of New Jersey, 1978.

190

LEÃO, Valdemar Carneiro. A Crise da Imigração Japonesa (1930-1934). Contornos Diplomáticos. Brasília, Fundação Alexandre Gusmão. Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, 1989. p.73.

191

78 instalada em Lima.

Uma forma de se pensar por que isso acontecia é a partir de uma análise estrutural do Sistema Internacional do final do século XIX e início do século XX. Nesse sentido, a leitura do livro To the Ends of Japan192 pode ser instigante. Nele, tenta-se aplicar o modelo analítico de Chase Dunn & Hall193, que por sua vez é inspirado no arcabouço teórico de Immanuel Wallerstein194, no caso da evolução histórica da inserção do Japão. Defende-se que no passado, antes de existir um sistema-mundo propriamente dito, existiam "subsistemas-mundos isolados ou autônomos". Durante o período compreendido entre a segunda metade do século XIX e a Segunda Guerra Mundial, o mundo passava por uma transição na qual começava a existir interação entre os antigos subsistemas-mundos, ensaiando-se a formação do sistema- mundo global.

Para Batten, o Japão se situava no subsistema-mundo no Extremo Oriente, no qual se incluía também a China e a Península Coreana. Pertencer a um determinado subsistema- mundo significava que as suas interações (comerciais, militares, migração, culturais, etc.) com o mundo exterior basicamente se restringiam aos outros membros do subsistema. Até o conhecimento e as tecnologias ficariam "fechados" dentro desses subsistemas, sem se saber o que havia sido descoberto ou desenvolvido em outros subsistemas. Por exemplo, no Japão da primeira metade da Era Muromachi (1336-1573), a noção geográfica mais distante que se tinha era a da terra natal de Buda em algum lugar depois da China.

Assim, é plausível conceber que os países que se desenvolveram dentro de determinado subsistema continuassem por um bom tempo com suas prioridades e interesses focados nesse mesmo subsistema. Até 1853195, o Japão era um país cuja inserção se restringia exclusivamente ao Subsistema-mundo do Extremo Oriente e lá continuariam a concentrar a maioria de suas investidas mesmo após muitas décadas depois de sua entrada na sociedade internacional.

"During the Meiji period, there was a strong desire to remove the stigma of inferiority from Japan by repealing or amending the unequal treaties. Predicting the difficulty in gaining acceptance by Western Powers, however, Japanese leaders temporarily sidetracked the issue of treaty revision. They concentrated instead of the goal of the Fukoku Kyohei, building a stronger and modernized Japan that would begin to carve

192

BATTEN, Bruce Lloyd. To the Ends of Japan: premodern frontiers. Honolulu: University of Hawai'i Press, 2003.

193

CHASE-DUNN, Christopher; HALL, Thomas D. Rise and Demise: Comparing World Systems. Boulder, Colo.: Westview Press, 1997.

194

Immanuel Wallerstein é um autor estadunidense conhecido em Relações Internacionais por sua teoria estruturalista do sistema-mundo (composto de centro, semi-periferia e periferia).

195

79

out its own sphere of influence in Asia."196 [grifo meu]

Nessa perspectiva, entende-se que à época do estabelecimento de relações diplomáticas em 1895, Brasil e Japão se localizavam em domínios histórica e geograficamente separados. Não é, pois, de se admirar que a agenda bilateral desses dois países fosse diminuta. Os dois países tinham histórias que até então não haviam se cruzado197 e localizavam-se em pontos diametralmente opostos do planeta Terra, em uma época em que a distância era um fator a ser considerado, devido ao seu caráter praticamente impeditivo em muitos casos. A isso, pode-se agregar o fato de que os dois países eram potências de interesses e meios limitados no sistema internacional, quando comparados aos das grandes potências da época como França e Grã-Bretanha.

No caso do Brasil, as agendas bilaterais eram relativamente vazias mesmo com os países limítrofes. Na realidade, mais do que a geografia era a sua história e a divisão internacional do trabalho que determinavam a sua inserção. Nas palavras do Barão do Rio Branco:

"Olhando para o mapa, somos vizinhos de muitos países, mas vizinhos à moda da América, como dizia o Conde de Aranda no século XVIII, separados estes povos, por desertos imensos. Só via Europa ou Estados Unidos nos comunicamos com alguns dos vizinhos” 198.

A asserção acima reflete o fato de que a vida internacional do Brasil do final do Império e da República Velha estava predominantemente voltada para a Europa e Estados Unidos. A primeira era o modelo civilizacional de referência para o Brasil, lugar para o qual os filhos da elite brasileira eram mandados para estudar. Além disso, a própria estrutura produtiva do Brasil havia sido historicamente moldada para funcionar de acordo com as demandas europeias. Com o tempo, os Estados Unidos emergem como novo mercado consumidor importante, ocupando a maior parte do lugar que outrora era praticamente exclusivo do Velho Continente.

Apesar de questões como tráfico negreiro, navegação de rios internacionais e questões

196

SHIM. Op. cit. p. 18.

197

Alguns autores como Cleantho de P. Leite e Bernardo H. Penha Brasil fazem um levantamento da "pré- história" das relações nipo-brasileiras, isto é, relatam alguns eventos anteriores ao estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. Ver: LEITE, Cleantho de Paiva. Brasil e Japão: as relações especiais. Revista Brasileira de Política Internacional, ano XVII, nº 65 - 68, 1974, p. 27-42.; PENHA BRASIL, Bernardo Henrique Penha. Brasil e Japão: o rompimento de relações diplomáticas e a declaração de guerra. Estudo histórico, diplomático e cultural. Dissertação (Mestrado em Diplomacia). Brasília: Instituto Rio Branco, 2004.

198

SANTOS, Luís Cláudio Villafañe Gomes. O Brasil entre a América e a Europa: o Império e o interamenicanismo (do Congresso do Panamá à Conferência de Washington). São Paulo: Editora Unesp, 2004. p. 12.

80 de fronteiras serem aquelas de maior notabilidade na historiografia que trabalha com o período entre o final do Império e da República Velha, havia outras questões que também eram essenciais para a política externa brasileira como aquelas que Bueno chama de diplomacia de agroexportação199, ou seja, atração de imigrantes e promoção do comércio200. E nessas questões, o Japão apresentava potencial a ser explorado.

No caso japonês, o Brasil aparecia inicialmente como uma possibilidade remota e sem muitas perspectivas. Mas conforme iam aumentando as restrições impostas aos imigrantes amarelos por vários países, a distante terra tropical foi se firmando como alternativa até tornar-se um destino realmente importante para os japoneses na década de vinte do século XX.

Para William Nester201, embora se variem as estratégias e as prioridades imediatas, os objetivos da política externa japonesa ao longo da história sempre foram os mesmo: segurança militar e econômica; ser um país moderno; status de grande potência; e reconhecimento de suas realizações por parte do mundo. Na Era Meiji, como já foi mencionado no capítulo 1, as prioridades imediatas e indispensáveis para que fosse possível perseguir os objetivos supracitados eram a eliminação dos tratados desiguais e a modernização do país.

A emigração estava direta e indiretamente ligada a essa última questão. Por um lado, a cobrança de impostos na forma de moeda e a busca pelo aumento de eficiência por meio da instalação de uma economia de escala criavam as condições para um êxodo rural sem precedentes na história do Japão. Por outro, a incipiente indústria japonesa não tinha como absorver os excedentes populacionais. Além disso, temiam-se os efeitos de uma superpopulação no arquipélago. Foi então que a complacência e o incentivo à emigração entraram na agenda governamental japonesa.

A imigração serviria tanto como válvula de escape para as pressões demográficas no arquipélago nipônico como de envio de potenciais agentes promotores ou intermediadores do comércio entre o Japão e os países receptores de imigrantes. Mas os exemplos práticos no caso desse segundo objetivo só viriam a ser observados no caso brasileiro a partir da década de trinta com a exportação do algodão produzido no Brasil pelos imigrantes japoneses, o qual se tornou o principal produto do comércio bilateral.

De uma forma mais sintetizada, pode-se dizer que Brasil e Japão eram atores

199

CERVO, Amado; BUENO, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. 2 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002.

200

Em especial, a expansão dos mercados consumidores de produtos brasileiros e manutenção dos preços deles.

201

NESTER, William. The Third World in Japan's Foreign Policy. In: NEWLAND, Kathleen (org.). The International Relations of Japan. Worcester: Billing and Sons Ltda, 1990.

81 periféricos de interesses restritos. Nesse período, o Japão nunca esteve entre as prioridades do Brasil e, à exceção da questão migratória, o Brasil nunca esteve entre as prioridades do Japão.

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