5. Statsborgerrettslig reform i Skandinavia
5.2 Sveriges brudd
A reconstituição da morfologia original, por meio da cartografia geomorfológica de detalhe, foi base de informação para essa pesquisa. A identificação das características originais das formas em uma situação pré- intervenção permite obter parâmetros e reconhecer as tendências originais dos processos hidromorfológicos para dimensionar espacialmente as mudanças promovidas pela urbanização, como também investigar variáveis mais relevantes para detonação de processos indesejáveis. Segundo Rodrigues (1997b, p. 143) somente com o reconhecimento das condições dos sistemas físicos originais pode- se identificar o grau de artificialidade do meio físico em uma área urbana e medir o grau de derivação dos processos físicos atuais em relação aos processos originais.
Considera-se como morfologia original aquela que não tenha sofrido intervenções diretas nas formas e remanejamento dos materiais (cortes, aterros e substituição por materiais tecnogênicos), embora possa ter sido objeto de interferências nos processos. Rodrigues (2005, p. 104) exemplifica este raciocínio com a ação do desmatamento.
A reconstituição da morfologia original baseou-se em fotografias aéreas antigas, nos mapas topográficos do Sara Brasil e materiais históricos sobre a área de estudo. Foram utilizadas fotos aéreas de 1952 e 1962. Nesses anos a bacia hidrográfica do Córrego da Mooca, na sua área a oeste, próxima ao Rio Tamanduateí, já apresentava grande ocupação urbana, as formas já haviam sofrido intervenções diretas. Essa situação não impossibilitou o reconhecimento da morfologia original. A fotointerpretação cuidadosa, associada aos mapas do Sara Brasil, permitiu o reconhecimento de algumas “janelas de interpretação”, identificando vestígios e evidências da morfologia original.
Segundo Gregory (1992, p. 107):
Quando tentamos reconstruir a evolução pretérita da paisagem física e estabelecer a cronologia de seus estágios de evolução, estamos confinados a "janelas" de tamanho e opacidade limitados e variados (Lewin, 1980). É através das "janelas" que sobrevivem que podemos colher a evidência necessária para permitir a reconstituição ambiental, e, necessariamente, o número de evidências remanescentes em uma dada área dependerá da idade da paisagem e das posteriores mudanças que afetavam a referida paisagem.
Nessa pesquisa há um aumento de escala temporal, tendo em vista que não se trabalha com a evolução da paisagem na escala de tempo geológico, mas com as intervenções e mudanças no tempo da história humana, considerando o homem como o principal agente de transformação.
O mapeamento da morfologia original foi inspirado em Lima (1990), sendo utilizada para as formas vertentes a proposta adaptada da representação morfológica apresentada por Savigear (1965) e a noção de vertente de Dylik (1968). Para as formas fluviais foram identificados os cursos d’água (perenes e intermitentes), terraços e planície de inundação.
A técnica de mapeamento morfológico apresentado por Savigear (1965, p. 514) está baseada na noção “que as superfícies planas e curvas (facetas e segmentos) da superfície terrestre se seguem em descontinuidades (rupturas de vertentes e inflexões) cujas características podem ser reconhecidas, medidas e mapeadas.” O princípio básico dessa proposta é reconhecer as descontinuidades da superfície terrestre e mapeá-las, identificando os limites das
unidades morfológicas. Está voltada para escalas grandes e privilegia os aspectos morfográficos e morfométricos.
Os símbolos lineares propostos por Savigear (1965) estão baseados nas descontinuidades côncavas e convexas, angulares ou curvas. No mapeamento da morfologia original da bacia hidrográfica do Córrego da Mooca a descontinuidade angular foi definida como ruptura de declive e uma descontinuidade curva como mudança de declive. Segundo Coltrinari (1992, p. 12) “As rupturas correspondem a junções nítidas entre duas unidades morfológicas de declividade diferente; as
mudanças correspondem a junções graduais que ocupam um faixa da superfície.”
De acordo com Lima (1990, p. 42), o conceito de vertente de Dylik (1968) faz referências a três parâmetros: a forma, o declive e o posicionamento. A forma e o declive são representados pela proposta de Savigear (1965). Para representar o posicionamento relativo das formas, os símbolos das mudanças e rupturas foram identificados em terço superior e terço médio e inferior da vertente, respectivamente, pelas cores vermelha e laranja. Essa setorização corresponde à identificação das diferenças da ação dos processos. O terço superior da vertente é caracterizado pela perda de materiais, já o terço médio e inferior da vertente pela recepção desses materiais.
Essa proposta de adaptação do mapeamento morfológico apresentada por Savigear (1965) considerando a noção de vertente de Dylik (1968) foi aplicada nos trabalhos de Lima (1990), Rodrigues e Peppe (2000) e Soares (2008).
O processo de fotointerpretação e elaboração do mapa
As fotografias aéreas são documentos geográficos primários em que estão inseridos dados, por exemplo, geomorfológicos e hidrográficos, de interesse para a Geografia, Geologia, Agronomia, entre outros. A obtenção desses dados depende da tridimensionalidade e do processo de fotointerpretação (RODRIGUES, 2001).
O processo de fotointerpretação constitui-se em identificar e analisar características importantes de objetos e elementos, determinando seu significado através das imagens representadas nas fotografias aéreas, e descobrindo ou avaliando o significado das suas funções e relações (ANDERSON, 1982). Há uma série de elementos básicos de leitura que são utilizados na fotointerpretação:
tonalidade, forma, padrão, textura, tamanho, posição geográfica e adjacências/convergência de evidências.
Para a restituição da morfologia original por fotointerpretação utilizou-se o estereoscópio de bolso, pois esse produz um exagero vertical de 2,5 vezes, possibilitando a melhor identificação e mapeamento das formas, principalmente nas áreas que já apresentavam significativa intervenção antrópica. O exagero vertical e a análise das cartas topográficas antigas permitiram identificar, por exemplo, os vestígios dos limites da planície de inundação ocupados pela urbanização.
O estereoscópio de espelho foi utilizado para obter uma visão de toda a bacia hidrográfica estudada e definir os seus limites e colos.
O mapeamento foi realizado manualmente em overlay (papel semitransparente) fixado sobre a fotografia central dos pares estereoscópicos. No
overlay foram transferidos as quatro marcas fiduciais das fotos e alguns pontos de
referência, como ruas nas bordas da foto e áreas centrais, para permitir sua exata recolocação caso ele se desprendesse da foto, como também para o posterior georreferenciamento do overlay sobre as cartas topográficas digitalizadas.
O software utilizado para o mapeamento foi o ArcGis 9.3. Como base topográfica foram utilizadas as cartas da Emplasa digitalizadas e georreferenciadas, na escala de 1: 10.000. Sobre essas foram georreferenciados, utilizando como ponto de controle os arruamentos, a porção da Folha IV do mapa Sara Brasil, que abrange a bacia hidrográfica do Córrego da Mooca, as fotos aéreas centrais usadas na fotointerpretação e os overlays.
O mapa topográfico Sara Brasil apresenta importantes informações sobre as condições da morfologia original. Nele são apresentados cursos de água e curvas de nível de forma mais detalhada que as cartas da Emplasa, nas quais muitos rios estão retificados e as curvas de nível estão mais generalizadas devido às intervenções pela urbanização.
Ao plotar os elementos morfológicos reconstituídos por fotointerpretação foram verificados se esses correspondiam às informações morfométricas presentes dos mapas topográficos do Sara Brasil e Emplasa. Isso foi realizado para utilizar as ricas informações fornecidas pelo mapeamento de 1930, como também para superar as distorções laterais das aerofotos.
A fotografia aérea não é uma projeção plana do terreno, mas uma projeção cônica, portanto está submetida a deformações. O ponto nadiral da foto, ponto
central, é o único que não apresenta deslocações e distorções de direções. As deformações são maiores quanto mais se afasta do ponto central, ou seja, em direção às beiradas da foto. As distorções foram superadas através da fotointerpretação da área útil das fotos e da sobreposição dos overlays sobre a base topográfica digitalizada.
Ao final da fotointerpretação e digitalização dos elementos mapeados foi gerado o mapa da Morfologia Original, apresentado na escala de 1:25.000. Optou-se por inserir nesse mapa as principais vias de circulação com o objetivo de facilitar a localização da área.
3.2.2.2. Mapas da história cumulativa das intervenções urbanas nos sistemas