• No results found

1 Summary, main conclusions and recommendations

1.1 Summary

A presente pesquisa envolveu a avaliação de uma proposta de ensino aplicada em um ambiente real de sala de aula, durante o período normal das aulas de química. Assim, essa se consistiu de uma pesquisa-ação e, como tal, envolveu mudanças nos métodos de ensino empregados e aprendizagem em conseqüência dessas mudanças: participação ativa dos envolvidos (no caso alunos), ação colaborativa e muita reflexão – por parte dos alunos e da professora – durante o processo. Cohen, Manion e Morrison (2000) descrevem que:

“(...) o modelo de pesquisa-ação é uma série de espirais, cada uma incorpora um ciclo de análises, reconhecimento, reconceituação do problema, planejamento e avaliação da efetividade da intervenção. Além disso, o feedback durante e entre cada ciclo é importante para a ação, facilitando a reflexão.” (p.237)

A pesquisa-ação é uma poderosa ferramenta para mudar e melhorar práticas de um contexto específico (Cohen et al., 2000). Seu uso pode estar direcionado a propósitos variados, mesmo dentro da área de ensino, como aos métodos de ensino, estratégias de aprendizagem, processos avaliativos, formação de professores, entre

outros. O presente trabalho enfocará uma pesquisa desenvolvida a partir da aplicação de uma nova estratégia de ensino e aprendizagem, através de uma proposta especialmente desenhada para o ensino de equilíbrio químico.

É importante pontuar que pesquisa-ação não é simplesmente o processo de reflexão que os professores fazem sobre sua prática de ensino. A pesquisa-ação também não envolve apenas a resolução de problemas, mas um posicionamento frente o mesmo. Ela é motivada pela questão de melhorar e entender o mundo para mudá-lo, aprendendo como melhorar a partir dos efeitos dessa mudança (Cohen et. al, 2000).

Dessa maneira, todo o processo de ensino desenvolvido nessa pesquisa foi acompanhado de constante avaliação por parte dos pesquisadores8, levando às necessárias reformulações e conduzindo ações subseqüentes.

Sendo uma pesquisa qualitativa, a esse trabalho interessa responder: como as pessoas percebem a vivência do processo, como elas interpretam suas experiências e como elas estruturam sua relação social, dentro do específico contexto em análise. Isso porque se assume que os significados emergem das experiências das pessoas e são mediados através da própria percepção do investigador (Merriam, 1988). Tal aspecto justifica a importância da terceira questão de pesquisa.

Ainda em ressonância com os atributos de uma pesquisa qualitativa, a confiabilidade dos dados foi considerada a partir de um ajuste entre o que dados evidenciaram e as impressões e observações da pesquisadora no conjunto do estudo, sendo que a consistência da análise emergiu de diferentes observações (Bogdan & Biklen, 1992). Assim, foi investido um tempo considerável no laborioso trabalho de coleta e revisão de dados, uma vez que os mesmos deveriam suportar o peso de qualquer interpretação, cabendo à pesquisadora confrontar sua opinião com os mesmos.

Uma vez que a análise emergiu diretamente dos dados coletados, esse tipo de pesquisa exigiu uma validação dos mesmos. Essa validação foi realizada na presente pesquisa através da triangulação dos dados.

Apesar de triangulação ser um termo de múltiplos significados, sua origem está na idéia de ‘operacionalidade múltipla’ (Huberman & Miles, 1994), havendo diversas formas de se realizar a triangulação. Nesse trabalho, a triangulação foi feita através da

8

combinação de métodos de coleta de dados e da participação de outros pesquisadores e/ou colaboradores. A forma de triangulação usada dependeu do contexto específico de cada questão de pesquisa e/ou atividade aplicada. Esse aspecto será detalhado em momentos adequados neste e nos próximos capítulos.

Esse tipo de pesquisa – como todas as de natureza qualitativa – permite (ou melhor, exige) que o pesquisador seja eclético e possa fazer uso de vários instrumentos de coleta de dados. Assim, essa pesquisa contou com vários instrumentos utilizados para coleta de dados, organizados em torno de ações previamente planejadas, com o objetivo de avaliar a contribuição dessa proposta de mudança no ensino de equilíbrio químico.

Esses dados coletados por diversos meios permitiram a validação interna dos mesmos, através de combinação e contraposição desses. Os métodos de coleta de dados utilizados foram: questionários, registro em áudio e vídeo e observações. Apesar do uso de instrumentos para a realização da coleta, consideramos que a pesquisadora foi o instrumento primário de coleta e análise de dados, mediando todo o processo ao conduzi-lo.

A integração de todos os dados permitiu a elaboração de estudos de caso para grupo de alunos, o que norteou o processo de análise da primeira questão de pesquisa, auxiliou a compreensão do processo em seu todo e subsidiou alguns pontos discutidos nas outras questões de pesquisa.

A utilização de estudo de caso é um desenho ideal para entender e interpretar observações do contexto educacional (Merriam, 1988). Isso porque um estudo de caso apresenta uma descrição rica e vívida de eventos relevantes para o caso; fornece uma narrativa cronológica dos eventos; pode combinar uma descrição dos eventos com sua análise e/ou avaliação; foca em um ator individual ou grupo de atores e se empenha em entender a percepção desses sobre o evento; salienta eventos específicos que são relevantes para o caso (mesmo que sejam eventos pouco freqüentes); além de o pesquisador ser integralmente envolvido no caso, esforçando-se para evidenciar a riqueza deste ao reportá-lo. Através dos estudos de caso o pesquisador pode integrar suas observações à narrativa dos fatos, isto é, interpretar os dados, permitindo que os estudos de caso atinjam um estágio além da descrição. Assim, o pesquisador pode usar os dados para analisar, interpretar ou teorizar sobre o fenômeno.

As declarações teóricas, entretanto, assim como em outras formas de pesquisa em ciências humanas, devem ser suportadas pelas evidências apresentadas. Isso foi buscado nesse trabalho através da apresentação de dados que permitissem a averiguação das afirmações feitas na análise, de forma que o leitor possa ver as observações da pesquisadora emergirem dos dados.