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O Projeto Pedagógico

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do Curso de Licenciatura em Matemática a Distância, da

UFJF, em sua primeira versão de abril e 2007, que conduziu os sujeitos entrevistados

para esta pesquisa, foi coordenado por um professor do departamento de Matemática,

com doutorado em Educação Matemática. Desse Projeto, destacamos alguns aspectos,

conforme descrevemos a seguir.

A equipe responsável pelo projeto é composta por professores do departamento

de Matemática da UFJF e apresenta duas equipes: uma, de professores permanentes, do

curso de Matemática e outra, de professores colaboradores do curso. Essa equipe de

colaboradores nos chama atenção, por ser constituída por professores com titulação em

diversas áreas, sendo elas: Educação Matemática, Matemática, Matemática Aplicada,

Engenharia de Sistemas e Computação, Física, Psicologia Escolar e Desenvolvimento

Humano e, ainda, Linguística Aplicada. Assim, o projeto se abre a nós, como a

expressão de um texto produzido de modo multidisciplinar.

A proposta é habilitar um grande número de professores, geograficamente,

dispersos no país. Para viabilizar isso, o documento aclara que é importante contar com

os recursos tecnológicos e a modalidade de Educação à Distância.

As justificativas são assim mencionadas:

Oportunidade de disponibilizar os meios de comunicação atuais para

disseminação do conhecimento matemático na direção de formação de

profissionais educadores;

Possibilidade de o Departamento de Matemática contribuir para a construção

do conhecimento em EAD da UFJF e de toda a comunidade educacional.

Viabilidade de dar prosseguimento à experiência do departamento de

Matemática com o EAD já em curso junto ao Polo de Bicas, MG, atualmente

em seu quarto módulo.

Aproveitamento das experiências em EAD com a intenção de aprimorar e

modernizar os cursos presenciais já existentes em matemática na UFJF.

(PROPOSTA DE CURSO, UFJF, 2007, p.6).

O projeto é justificado pela importância da educação, no cenário atual, marcado

pelo desenvolvimento científico e tecnológico, pelo papel essencial da informação e da

comunicação, por novos modos de organização do trabalho e por relações sociais e

políticas que revelam um processo crescente de integração planetária. A escola vista,

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UFJF/ CEAD. Proposta de curso. 2007.

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como espaço de prática educacional sistemática e planejada, que pode contribuir,

segundo o documento, de modo decisivo, para mudanças no âmbito social que traduzem

em maior justiça, tolerância e diálogo e para um desenvolvimento sociocultural e

ambiental harmonioso.

O projeto pedagógico considera um dos desafios da educação, nesse cenário, a

necessidade de articulação do local com o mundial, o respeito e a valorização das

especificidades culturais, auxiliando na construção da cidadania e da identidade

nacional dos cidadãos; a preparação para o trabalho que, fazendo parte dessa

construção, exige uma consistente formação para lidar com processos perpassados pela

ciência, a tecnologia e a informação; considera, ainda, que ao lado da universalização da

educação básica, entendida como condição primeira desses processos, a boa qualidade

do atendimento escolar tornou-se uma preocupação dos responsáveis pelo setor

educacional e da população.

Segundo o documento, a formação do professor de Matemática para o ensino

básico é destaque nas estratégias de desenvolvimento social e econômico de nosso país

e esse campo do saber revigora-se a cada dia, especialmente, pela urgência do

conhecimento e práticas tecnológicos característicos da vida atual. “O conhecimento

matemático se vê, virtualmente, irmanado com o domínio técnico e cultural necessário

para viver essa atualidade. Oportunizar novas gerações a conviver refletidamente com

esse conhecimento matemático é, portanto, um compromisso social e um desafio que

também se renova sempre” (PROPOSTA DE CURSO, UFJF, 2007, p.5).

Além dessas considerações contextuais, o projeto nos revela, como significativo,

a alusão que faz ao corpo docente, trazendo-o como uma oportunidade de reflexão sobre

o novo, como possibilidade de redimensionar o tradicional:

Também na esfera do corpo docente, o oferecimento de um curso a distância,

pela própria característica de ser uma modalidade distinta da presencial, é

uma oportunidade de reflexão para ressignificação de um curso de

licenciatura em Matemática. Quando se parte para elaboração de um curso a

distância e logo se percebe que ele é um objeto novo - ainda que com

inúmeras interseções com um curso na modalidade mais tradicional - não só é

requerido pensar-se o novo como também redimensionar-se o tradicional.

Então, para o corpo docente propositor desse curso, abre-se a oportunidade

para esse exercício, realizado ao longo do tempo de implantação e

implementação do curso a distância. (PROPOSTA DE CURSO, UFJF, 2007,

p. 6)

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Tomamos, assim, o dito nessas justificativas. Elas se revelam, a nós, como uma

expressão do pensado, refletido e, principalmente, constituído no contexto de uma

instituição que alberga um projeto maior, o da Universidade Aberta do Brasil (UAB),

conforme tratado mais adiante. Dizemos expressão do pensado e do refletido por nos

parecer um texto que se volta à unidade gestora, mostrando-lhe a possibilidade de, com

o novo objeto, a EaD, a própria instituição se oportunize em buscar outros significados

no curso que vem se trazendo, pela tradição

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, na modalidade presencial.

O tópico 5 da Proposta de Curso trata da historicidade da UFJF concernente ao

seu movimento de gestar projetos de EaD; discorre sobre os convênios e programas

anteriores à UAB; apresenta um percurso, cuja experiência justifica sua maturidade

institucional para realizar o projeto. Não nos ocuparemos de trazer esse percurso;

trazemos em forma de síntese, mas que se abre como reveladora dessa historicidade

que justifica a adesão da UFJF , de seu curso de Licenciatura em Matemática, na

modalidade a distância, ao Projeto-Piloto da Universidade Aberta do Brasil (UAB), na

modalidade a distância, por:

Tratar-se de projeto-piloto experimental de EAD nos termos do artigo 81 da

LDB;

Tratar-se de um projeto com custos de implantação e manutenção

consideráveis, os quais justificam a parceria com órgãos externos;

Tratar-se de projeto de interiorização e capitalização de oferta de educação

superior de qualidade em atendimento à demanda nacional;

Tratar-se de turma unificada nacionalmente, respeitando as peculiaridades

previstas acima;

Possuir caráter gratuito e público e de relevância social. (PROPOSTA DE

CURSO, UFJF, 2007, p.10)

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O termo Tradição vem do latim, traditio, ação de transmitir. Husserl, em A origem da geometria diz do

horizonte histórico, horizonte da humanidade. À humanidade única (civilização humana), diz Husserl,

corresponde essencialmente o mundo único da cultura como mundo circundante da vida na sua maneira

de ser que, em cada tempo e humanidade históricos, é precisamente tradição, e a sua tradição.

(HUSSERL, 2012, p.306). Bicudo (2003) aclara, dizendo que o termo tradição carrega consigo

significados diversos e, no âmbito do conhecimento não tematizado, predomina o de submissão e respeito

aos usos e costumes que persistiram no tempo. Nesse sentido, conforme a autora, a tradição é entendida

como um obstáculo à criação do novo. Na cultura ocidental contemporânea, expõe Bicudo, o sentido de

tradição está impregnado de pré-conceitos negativos, que apontam para a negação do que representa o

velho, o antigo, o que já foi. Segundo a autora, essa compreensão encontra suas bases na época moderna,

quando proliferam, entre os iluministas, as atitudes críticas contra a tradição. Alguns autores dessa época,

destaca Bicudo, viam, no passado, uma trama de disparates tecida com ideias religiosas e atitudes de

reverência aos doutores, quer dizer, aos que detinham o saber, religioso ou científico/filosófico. “Com os

autores românticos há uma retomada do valor positivo da tradição, porém entendida como um estilo

saudosista do passado, levando a uma proposta de revitalizar romântica e esteticamente o que, em outra

época, foi importante, bonito, inovador” (BICUDO, 2003, p.76). Em Husserl, compreende a autora, “[...]

tradição é peculiar à historicidade do modo de ser do homem. A historicidade está arraigada na

temporalidade, característica essencial do Dasein, ser-aí ou pre-sença entendido como o modo de ser do

homem em seu viver próprio no mundo com os outros. Ela movimenta pela linguagem e pelos modos de

viver assumidos pelas comunidades, sedimentados no solo do a priori histórico” (BICUDO, 2003, p.76 ,

grifos da autora).

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Passamos à exposição do curso de Licenciatura em Matemática a Distância,

projetado nessa proposta.