O curso de Licenciatura em Matemática, na EaD, da UFJF se mostrou em
totalidade, trazendo consigo também um projeto pedagógico, as pessoas que o
realizam, que o movimentam em ações.
O sentido de movimento de um projeto pedagógico é articulado em Bicudo
(1995)
31. A autora entende projeto como pro-jeto, ou seja, o que lança à frente ideias a
serem transformadas em ações, possivelmente, em propostas e programações de
atividades e concretizadas no cotidiano dos afazeres da universidade. Vê o Projeto
Pedagógico como o que articula o currículo, atribuindo-lhe globalidade e tomando as
ações e decisões significativas da perspectiva pedagógica. “Trabalha a concepção de
curso como sendo o que está em curso, o que está acontecendo segundo uma diretriz
que mantém unido o fluxo dos acontecimentos” (BICUDO, 1995, p.12). Essas
compreensões acerca de Projeto Pedagógico do curso convergem, portanto, ao
entendimento de que dele
[...] devem constar as ideias que o articulam, o profissional a ser formado, os
princípios que norteiam a formação do profissional e do cidadão, as
expectativas mantidas em relação ao aluno egresso, as atividades curriculares
importantes para a formação pretendida, a grade curricular que organiza as
disciplinas, as formas de ensino eleitas pela equipe, traduzidas em
metodologias de ensino, as formas de avaliação do ensino, da aprendizagem e
do curso. (BICUDO, 1995, p.12).
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PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO. Nessa obra, Acompanhamento e avaliação dos cursos de
graduação da UNESP, a autora, na posição de Pró-reitora de Graduação, lança suas compreensões acerca
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Importante que seja destacado que, nessa concepção, ao mencionar “[...] o que
está acontecendo”, a autora se refere à dinâmica de todo o trabalho que é realizado com
alunos, professores, equipe educacional, escola, vista como instituição social, portanto
enlaçando os embates e consenso que se dão no cotidiano das ações educacionais e no
âmbito da política da educação do Estado.
Essas ideias são trabalhadas por Mocrosky (2010), Bicudo, Mocrosky e Baumann
(2011), e em Baumann (2013). Há muitas possibilidades de estudar o projeto
pedagógico de um curso, conforme explicitam essas autoras. Entre elas, destacam dois
modos: um, olhando sua programaticidade à luz de pesquisas já efetuadas; outro, ao
modo de uma investigação de cunho histórico, focando maneiras de apresentação desse
projeto em épocas relevantes para a educação. Nesse estudo, mostram modos de
analisar, fenomenológico-hermeneuticamente, esses projetos pedagógicos de cursos
específicos.
Nesse caso, o texto do projeto institucional é tomado como aberturas a
compreensões do que está sendo dito, nesse texto, pela leitura atenta do que está se
mostrando. Apresentam um estudo, trazendo dois exemplos dessa possibilidade de
investigação. Buscam pelas evidências de compreensões e interpretações sobre os
projetos analisados,
“[...] que poderão sustentar suas revisões, se for o caso, sempre
buscando clarear aspectos contraditórios, obscuros, bem como
evidenciar aqueles que se mostram em consonância com as propostas
político-pedagógicas, que inovem do ponto de vista do cenário mais
abrangente, ou seja, daquele que se descortina para além do curso”.
(BICUDO, MOCROSKY, BAUMANN 2011, p.122).
Esse é um trabalho que exige rigor. As autoras trabalharam de acordo com o
modo fenomenológico, valendo-se também da análise hermenêutica. Assumiram a
compreensão de pro-jeto, tal como articulado por autores fenomenólogos,
primordialmente, Martin Heidegger e trabalharam a concepção de pedagógico,
conforme aclaram, mostrando-se inteligível a elas, mediante a articulação desse
significado com aquele de educação.
Entendem projeto como aquilo que tem uma estrutura prévia, que comporta
planos de intenção; mas, sobretudo, guarda em si energia para tornar-se atual pelo modo
de realização do antevisto. Compreendem que “[...] o projeto vislumbra, antecipa
possibilidades que só se concretizam mediante a atuação da pessoa ou de grupo delas”
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(BICUDO; MOCROSKY; BAUMANN, 2011,p.122). Para as autoras, essa concepção é
abrangente e diz de qualquer projeto. Para elas, pedagógico é entendido como ação
educadora refletida. Assim, afirmam:
A concepção de projeto pedagógico articula ação educadora refletida,
pois, intencionada na dimensão do contexto histórico-cultural, carrega
valores e visões políticas de formação - de pessoa, do cidadão e de
profissionais – posta de modo claro como ação a ser realizada, visando
à efetivação do intencionado, isto é, como projeto. (BICUDO;
MOCROSKY; BAUMANN, 2011, p.125).
Em Baumann (2013), o projeto é visto como o que impulsiona à frente. A autora
expõe essa visão, dizendo da materialidade de um projeto expressa pela grade curricular
e demais componentes exposta em ação pelas pessoas que o realizam. Assim, “As
forças atuantes no acontecer do curso favorecem a efetivação das ideias pensadas e
presentes no projeto pedagógico, em diferentes modalidades por meio das atividades
desenvolvidas pela totalidade de professores e alunos” (BAUMANN, 2013, p.46).
Conforme entendemos com a autora, há um surgimento incessante, o devir do
projeto, de características essenciais do projeto; ou seja, há uma força vigorosa no texto
escrito, o documento de proposta do curso, que dá ao projeto uma força pulsante que, no
movimento de se lançar nas materialidades existentes possíveis, faz surgir o curso.
Entendemos, assim, que o projeto se endereça sempre a pessoas humanas, comunidades
e organizações sociais; há uma ligação que une, desde sempre, o que está escrito em um
projeto e pessoas humanas.
Essa visão de projeto nos lança à leitura do Projeto Pedagógico do curso que
investigamos.
Tomamos esse projeto como dado; diferentemente das autoras citadas, não o
tomamos de modo temático, abrindo-o a uma investigação específica. Porém, trazemos
tão somente uma descrição do mesmo, para apresentarmos traços que, a nosso ver, são
importantes para compreendermos um dos perfis pelo qual o curso do qual nos
ocupamos se mostra.
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In document
The effect of natural resource abundance on income of local labor markets
(sider 44-48)