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I

NTRODUÇÃO

A prática reflexiva constitui um importante meio de capacitação dos profissionais de Enfermagem na aquisição de conhecimento do saber e da prática. A prática reflexiva pode ser definida como a ciência da ação que envolve a reflexão na ação, a reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão da ação ou ainda as atividades intelectuais e afetivas que os indivíduos empregam para explorar as suas experiências de modo atingir uma nova compreensão (Santos & Fernandes, 2004). A reflexão tem como principal objetivo aumentar a confiança do profissional no seu desempenho, melhorar a sua aptidão, abordar a Enfermagem de uma forma mais crítica, intencional e sistemática, e ainda, obter conhecimentos adicionais a partir das experiências práticas.

A reflexão assenta nos pressupostos da aprendizagem experiencial, sendo um processo subjetivo; encerra uma nova dimensão do conhecimento e a constatação de um espaço de ignorância que se traduz no fortalecimento do saber profissional, uma vez que reforça o que já se sabe e leva à transfiguração pela força criativa das dúvidas e efeito multiplicador das diferenças (Santos & Fernandes, 2004). A reflexão envolve a ação voluntária e intencional de quem se propõe a refletir, mantendo aberta a possibilidade de mudar em termos de conhecimento e crenças. Ao refletir, a pessoa procura a evidência para apoiar o novo modo de pensar e apela à racionalidade para o fazer, aumentando a capacidade de aprender a partir das práticas, o que permite que o conhecimento e a experiência sejam fundamentados e sustentados por essa mesma prática. Para tal, é importante que o processo de análise e exploração das diferentes situações presentes na prática clínica gere e clarifique na pessoa uma perspetiva conceptual dos cuidados que pratica. O trabalho de explicitação e formalização da experiência provém do paradigma reflexivo. A reflexão encontra-se no centro de toda a profissão e das práticas, mas a reflexão acerca da ação tem os seus limites tanto da tomada de consciência como das ferramentas teóricas e metodológicas (Santos & Fernandes, 2004).

D

ESCRIÇÃO

De forma a diversificar os meus campos de estágio e alargar a experiência para outras áreas de menor conforto, visando a aquisição de competências de EESCJ, optei por uma Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN).

Nos últimos anos, o avanço da tecnologia tem sido marcante nos serviços neonatais, contribuindo para a diminuição da morbimortalidade em recém-nascidos. A assistência neonatal vem enfatizando os cuidados à saúde de crianças prematuras e de baixo peso, pelo que a sobrevida destas crianças tem sido, cada vez mais, uma conquista (Scochi, Mello, Melo, & Gaíva, 1999). Este é um ambiente com características muito específicas não só na prestação de cuidados, mas também na questão tecnológica, que muito tem contribuído para o sucesso dos cuidados e, não menos importante, na questão comunicacional e relacional, essencial na UCIN.

A presente UCIN encontra-se inserida em vários projetos, procurando uma qualidade crescente dos seus cuidados. Um dos projetos que se encontra em fase de desenvolvimento é o projeto dos Grupos de Ajuda Mútua (GAM). Este é um projeto muito importante para toda a equipa de profissionais, mas também para todas as famílias e todos os bebés desta Unidade. Assim, tendo em conta a problemática do presente relatório, foi considerado essencial refletir acerca da importância da comunicação e gestão de emoções numa UCIN, e mais especificamente, nos GAM. A presente UCIN, assente numa filosofia de CCF, considera a família como parte integrante da equipa prestadora de cuidados. A importância dos “cuidados maternos” e da permanência das mães juntos aos filhos durante a hospitalização tem sido alvo de reflexão e consideração. A equipa de profissionais tem em conta a sua opinião nas decisões tomadas, assim como nos cuidados prestados aos bebé e respetivo ensino. Recentes estudos citados por Scochi, Mello, Melo, & Gaíva (1999), destacam a prioridade da participação da família e o apoio aos pais dentro das necessidades de cuidados à saúde de recém-nascidos prematuros e de baixo peso.

Quando um recém-nascido é admitido na UCIN existem aspetos interrelacionados determinantes para a presença de ansiedade e angústia na família, tais como a aparência física do bebé, severidade da doença e seu tratamento ou o seu diagnóstico, uma vez que difere da expetativa que havia sido criada. Esta confrontação com a realidade pode

interferir no desenvolvimento do apego e da interação pais/filhos (Buarque, Lima, Scott, & Vasconcelos, 2006).

O longo período de internamento, juntamente com a privação materna e a separação prolongada do ambiente familiar pode aumentar o stress da família e o prejuízo no estabelecimento do vínculo entre a mãe/família e a criança. De forma a minimizar todos os efeitos adversos que poderão comprometer a relação e o vínculo dos pais com o bebé, estes poderão permanecer 24 horas junto do seu filho na presente Unidade. Tendo em conta a fragilidade da situação, os pais deste grupo de crianças também têm sido considerado como uma população em risco, por apresentarem vários sentimentos e dificuldades para cuidar dos filhos, necessitando de apoio durante o internamento e após a alta hospitalar.

Os avanços nos processos de diagnóstico e terapêutica na área da Neonatologia levaram ao desenvolvimento de diversas questões emocionais e comportamentais em diversas áreas como a Enfermagem, a psicologia, a psicossomática e a fisiologia aplicada ao comportamento, de forma a melhor compreender o impato do nascimento destas crianças em contexto famíliar. Apesar de aceite a necessidade de incorporar os pais nos cuidados ao bebé internado, são poucos os serviços que efetivamente desenvolvem intervenções dirigidas à mãe, pai e família. Contudo, foi com agrado que se verificou que a presente equipa multiprofissional tem a família como principal aliado nos cuidados ao bebé prematuro. É cada vez maior a tendência dos profissionais de saúde em estarem atentos, o mais precocemente possível, nomeadamente no estabelecimento do contacto e interação entre mãe e filho (Scochi, Mello, Melo, & Gaíva, 1999). A equipa procura adequar o horário dos cuidados à disponibilidade da mãe, assim como são discutidos os diferentes ensinos realizados, e as dificuldades sentidas.

Os pais com filhos internados na UCIN apontam como uma das principais preocupações, o acesso à informação. Os pais querem um esclarecimento claro e honesto e sentem uma grande falha em obtê-lo de forma coerente e atual. A obtenção de informação é importante porque auxilia os pais a assumir o seu papel parental, assim como lhes dá a sensação de envolvimento e controlo, diminuindo os seus níveis de stress e ajudando-os a lidar com o medo e incertezas perante esta situação, o quecontribui para a gestão das emoções vividas. Perante uma comunicação pobre e ensinos desadequados, os pais correm o risco de um mau ajuste, colocando os seus filhos em risco (Kowalski, Leef, Mackley, Spear, & Paul, 2006). Uma relação de

satisfação entre a criança/família e a sua equipa prestadora de cuidados pode melhorar a eficácia do tratamento. O primeiro passo para atingir esta satisfação passa pela comunicação, sendo que a família várias vezes lamenta os mal-entendidos existentes. Para tal contribui também a limitação do tempo e a abordagem distante tornam o diálogo difícil.

Considerando a comunicação como uma das principais preocupações na UCIN, esta foi igualmente considerada como uma prioridade nos Princípios dos Cuidados Centrados na Família, publicados em 1993 (Institute for Patient and Family Centered Care). Assim, o primeiro princípio defende que os CCF da criança neonatal devem ser baseados em comunicação aberta e honesta entre pais e profissionais, em assuntos médicos e éticos (Kowalski, Leef, Mackley, Spear, & Paul, 2006). Contudo, estes princípios não definem quem deve ser o interlocutor na transmissão de informação aos pais, apenas descrevendo o interlocutor como ‘o profissional’. Na presente equipa, e tendo em conta a abertura existente entre os diferentes profissionais e pais, a maior parte da informação é transmitida pela equipa de Enfermagem, tal como a condição clínica, os ensinos, entre outros. Um estudo realizado por Kowalski, Leef, Mackley, Spear, & Paul (2006) revela que os pais obtêm a maior parte da informação clínica através dos Enfermeiros, sendo também os Enfermeiros que passam mais tempo a explicar a condição do bebé, assim como são a melhor fonte de informação acerca do seu bebé. À equipa médica cabe a comunicação dos resultados dos exames realizados, assim como o planeamento do internamento. Quando existe um assunto mais delicado a ser discutido ou decisão a ser tomada, é convocada uma reunião com os pais e os diferentes grupos profissionais, de forma a obter diferentes perspetivas para o planeamento mais adequado dos cuidados.

A aliança terapêutica com a família é essencial, de forma a evitar mal entendidos e conflitos, principalmente desde que as Unidades trabalham numa filosofia de CCF, em que os pais podem estar sempre presentes. Uma boa relação com a família pode ser obtida se todos os membros da equipa adotarem um esquema de boa comunicação, construindo um processo de recuperação, através de uma confiança reciproca entre a equipa de saúde e o utente. Esta confiança pode estabelecer esperança na recuperação e felicidade mesmo lidando com uma doença aguda (Biasini, Fantini, Neri, Stella, & Arcangeli, 2012).

Na Pediatria, e mais especificamente na UCIN, uma comunicação competente é crucial. Na UCIN, onde os cuidados aos bebés prematuros são prestados com alguma urgência e

num ambiente de alta tecnologia, está também inerente uma enorme pressão emocional, pelo que a ação clínica não pode ser considerada mais importante que a comunicação (Biasini, Fantini, Neri, Stella, & Arcangeli, 2012).

O ambiente numa UCIN lida frequentemente com um enorme stress, envolvendo emoções intensas dos sujeitos envolvidos, sendo que a presença de um bebé neste Unidade é sempre considerada um evento crítico, no qual a ajuda psicológica pode ser útil. Nesta situação, os pais não fazem perguntas, respeitam todas as regras e dizem sempre a verdade, não reconhecendo prioridades; contudo, podem também tornar-se agressivos. Desta forma, os prestadores de cuidados interagem de forma empática e encontram formas de lidar com as emoções dos pais, falando positivamente acerca do futuro.

Em Neonatologia, alguns elementos favorecem a comunicação, enquanto outros a desencorajam. Infelizmente, as famílias e os profissionais de saúde têm abordagens muito diferentes, sendo que a família rege-se por crenças, opiniões e planos, enquanto os profissionais seguem o seu conhecimento científico para aconselhamento, o que pode causar alguma discórdia no processo de comunicação. A instabilidade clínica do bebé prematuro e a incerteza do prognóstico pode contribuir para a falha no processo de comunicação. Assim, uma definição precisa das tarefas e responsabilidades, a colaboração num episódio de emergência, assim como o tempo passado junto ao utente na Unidade, melhora a relação com a família.

A relação entre todos os membros da equipa também é importante para a coerência dos cuidados prestados. Segundo Biasini, Fantini, Neri, Stella, & Arcangeli (2012), o processo contínuo e vigoroso de prestar atenção a todos os elementos da relação alterou a atitude na prestação de cuidados, tornando mais comum a promoção da empatia, o que permite o desenvolvimento de carinho entre utentes e prestadores de cuidados. Questões especiais como assuntos éticos ou religiosos, são encaradas em conjunto e comunicadas à família, de forma adequada. Esta aproximação na Neonatologia leva a uma melhor relação entre aspetos clínicos e relacionais, com uma visão holística do cuidar tanto para o bebé como para a sua família (Biasini, Fantini, Neri, Stella, & Arcangeli, 2012). A qualidade do ambiente familiar tem um grande poder sobre o desenvolvimento psicomotor; fatores como o nível de stress familiar e a alteração da competência parental atuam diretamente no desenvolvimento infantil (Buarque, Lima, Scott, & Vasconcelos, 2006). Existem duas fontes de suporte para pais de recém-nascidos na

UCIN, sendo o apoio formal, por parte da equipa de profissionais, e o apoio informal, provido pela família e amigos.Ferraz e Chaves (1996) citado por Scochi, Mello, Melo, & Gaíva (1999) recomenda que os pais tenham acesso a grupos de apoio e discussão ou palestras proferidas por pessoas que já passaram por experiências semelhantes, sendo que estes encontros devem ser intermediados por profissionais.A equipa de profissionais deve mobilizar e fortalecer os recursos das famílias, implementando os grupos de apoio, que são usados como meio de estruturar o trabalho na Unidade, de forma mais responsiva às necessidades do neonato, oferecendo aos pais a oportunidade para lidar com o nascimento e a hospitalizaçao do seu filho. Idealmente, o grupo deve ter uma composição interdisciplinar, sendo formado por neonatologista, Enfermeiro, psicólogo e outros profissionais. Os famíliares participantes interagem mais com os seus filhos durante a hospitalizaçao e têm maior interesse no seu desenvolvimento, mesmo após a alta hospitalar (Buarque, Lima, Scott, & Vasconcelos, 2006).

Assim, a equipa da Unidade de Neonatologia deve desenvolver uma relação de ajuda e apoio com os pais durante a hospitalização, de forma a facilitar o vínculo entre eles e a criança e a gestão da emocionalidade vivida. Assente nestes principios surgiu o GAM do presente serviço, tendo em conta diversos objetivos:

- Partilhar experiências e vivências, trabalhando assim os medos e as angústias dos pais face à hospitalização dos filhos;

- Promover um meio efetivo de suporte para os pais que enfrentam a problemática de um filho prematuro na UCIN;

- Ajudar a família a desenvolver as suas potencialidades por forma a aumentar as suas capacidades, na satisfação das suas necessidades e na promoção de mecanismos de adaptação às mudanças de vida;

- Promover o bem-estar, a saúde e os direitos sociais dos pais / famílias a partir de uma perspetiva de empoderamento.

Ao longo dos anos, tem-se verificado a reunião de grupos de pais prematuros em várias Unidades Neonatais para discussões de uma ou duas horas, realizadas semanalmente ou com maior frequência. Nestas experiências os pais encontram apoio e um considerável alívio por terem oportunidade de conversar, expressar e comparar os seus sentimentos íntimos. Nestes grupos de apoio, os pais participam, juntamente com outros pais que já passaram pela experiência; são geralmente coordenadas pela Enfermeirae pediatria,

tendo acesso a informações acerca da condição clínica e terapêutica do filho, esclarecerem dúvidas e trocar experiâncias.

Outro factor positivo destes grupos de apoio, é a grande participação e frequências das mães/pais nas reuniões, e consequente melhoria da interação com o bebé e do relacionamento com a equipa de Enfermagem.

A partir do nascimento e durante a fase aguda da hospitalizaçao do filho, os pais e famíliares continuam a pesquisar a situação de doença, reunindo toda a informaçao obtida. São abordados diversos temas nas reuniões dos GAM, pelo que as percepções dos pais sobre os filhos se encontram assentes na realidade, mostrando-se minimamente distorcidas por fantasias, quando recebem informações frequentes, repetidas, sem pressa e adequadas ao seu grau de preocupação e compreensão da situação. É importante incluir os problemas que o recém-nascido está a enfrentar mas também os aspetos positivos. A necessidade de informação precisa e atualizada é essencial para a adaptação da família com sucesso ao nascimento e hospitalização do seu filho na Unidade e, paralelamente, tenham a segurança de que a UCIN dispõe de todos os recursos técnicos e profissionais especializados para uma assistencia adequada (Buarque, Lima, Scott, & Vasconcelos, 2006).

Por outro lado, o valor emocional do GAM está relacionado com o cuidado neonatal que promove habilidades de empowerment e adaptação dos famíliares, após o nascimento e hospitalizaçao do seu filho. Desta forma, os pais continuam atentos aos sentimentos negativos ao longo da crise, mas são capazes de expressá-los através da verbalização ou outras formas de expressão nas suas interações com outros famíliares e com a equipa de profissionais (Buarque, Lima, Scott, & Vasconcelos, 2006).

A vivência de uma situação stressante é partilhada por todos os pais que têm filhos internados na UCIN. Baldini (2001), Nottage (2005) e Williams (2007) descreveram os GAM como um meio efetivo de suporte, para os pais que enfrentam a problemática de um filho prematuro ou com patologia aguda/crónica, sendo um caminho possível para um trabalho de intervenção com os pais, favorecendo assim, o exercício proativo da parentalidade e o crescimento harmonioso da criança/família.

A reunião dos GAM requeria uma preparação prévia, sendo que os Enfermeiros responsáveis por este projeto averiguavam as principais necessidades dos pais com filhos internados na UCIN, assim como os diferentes diagnósticos existentes. De seguida, convidavam diversos pais de crianças anteriormente internadas na UCIN para

estarem presentes nas reuniões, para darem o seu exemplo de vida e a sua experiência na Unidade e após a alta hospitalar. Estas reuniões aconteciam de uma forma regular, uma a duas sessões por mês, sendo convidados a assistir todos os pais que se encontravam presentes na Unidade.

Nas reuniões eram discutidas as experiências dos pais, explorando os seus medos, conflitos e esperanças. O grupo responsável pela organização destas reuniões considerou importante a existência de um profissional, geralmente Enfermeiro, nas mesmas, de forma a esclarecer qualquer dúvida clínica ou técnica que pudesse surgir durante as sessões. Contudo, o profissional funcionava apenas como moderador, intervindo o menos possível.

De forma a incrementar os meus conhecimentos sobre os GAM realizei uma entrevista a uma Enfermeira perita na área (Apêndice I). Esta entrevista foi essencial nesta fase do percurso, uma vez que contribuiu para aquisição de competências e funcionou como elemento motivador para o restante estágio, clarificando conceitos e objetivos do mesmo.

S

ENTIMENTOS

A experiência vivida na UCIN foi muito enriquecedora não só em termos profissionais e de aquisição de competências mas também em termos pessoais e de projetos para o futuro. A área da Neonatologia tornou-se um mundo apaixonante, no qual a relação de ajuda e a comunicação é o alicerce dos cuidados prestados ao bebé.

A relação de ajuda criada entre a equipa de profissionais e os pais neste Serviço são o exemplo dos verdadeiros cuidados centrados na família, nos quais todos lutam pelo mesmo objetivo, formando uma forte equipa na luta pelos melhores cuidados e pela recuperação do bebé na UCIN. Através de uma comunicação adequada e cuidada, os Enfermeiros conseguem transmitir a tranquilidade necessária para que os pais lidem com a situação de stress que se encontram a viver, e que consigam gerir emocionalmente a experiência.

Tendo em conta a importância dada à relação de ajuda e à comunicação nesta equipa, a criação do GAM foi o passo óbvio a dar. Assim, conhecer e investigar acerca dos GAM, seus objetivos e funcionamento foi também muito interessante e essencial para

do EESCJ. Foi curioso verificar todo o trabalho desenvolvido em torno desta temática, considerada essencial para toda a equipa.

Contudo, existem alguns pontos negativos que se vão verificando e que não contribuem para a evolução do trabalho já desenvolvido. Assim, pela escassez de recursos humanos de Enfermagem, estas reuniões encontram-se suspensas temporariamente; mas existe um desejo mútuo de recomeçar assim que seja possível. Falando com o grupo responsável e atentando à avaliação realizada pelo mesmo, esta foi uma experiência muito positiva para toda a Unidade, uma vez que se verificava uma maior articulação das ações de Enfermagem, criando uma maior satisfação dos pais pela assistência recebida, assim como possibilitando a troca de experiência entre pais que vivenciaram situações semelhantes, a auto-ajuda, o esclarecimento de dúvidas acerca do processo terapêutico do filho e do autocuidado. Os próprios pais que frequentaram estas reuniões mantêm-se em contacto com o GAM, oferecendo a sua disponibilidade para participar nas reuniões, partilhando a sua experiência, exemplo e auxílio aos outros pais presentes na UCIN. Pretende-se assim que o apoio dos profissionais ajude os pais a encarar a crise vivenciada desde o nascimento do filho prematuro e do alto risco a que este se encontra submetido (Scochi, Mello, Melo, & Gaíva, 1999). É também com alguma tristeza que o mesmo grupo de profissionais vê em suspenso todo o esforço realizado para a criação deste GAM, contudo, a perspetiva é sempre de retomar assim que possível.