5. Results and discussion!
5.3. Consequences of attachment disorders!
DESCRIÇÃO
Comunicar é viver e conviver. Contudo, a comunicação, por ser tão omnipresente, é frequentemente dada como adquirida e, por vezes, inconscientemente desvalorizada. Nunes (2010) defende mesmo que o predomínio de ideias reducionistas e mecanicistas, a valorização de aspetos técnicos e desenvolvimento da tecnologia reforçaram a desvalorização da comunicação nos profissionais de saúde, predominando o objetivo e mensurável, o que levou ao desprezo da vertente comunicacional no processo terapêutico.
De uma forma geral, a comunicação pode ser definida como um processo dinâmico, complexo e permanente, através do qual as pessoas emitem e recebem mensagens com o fim de compreender e serem compreendidos; permite ainda a adaptação ao ambiente, assim como a sua modificação e transformação (Nunes, 2010).
Contudo, comunicar é o ato definidor da própria vida, sendo que os procedimentos de natureza comunicacional são essenciais na atividade preventiva primária, secundária, terciária ou quaternária, quando comparados com as atividades terapêuticas. Desta forma, a comunicação surge como vital nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), nos quais se encontram inseridas Centros de Saúde, Unidades de Saúde Familiar (USF), entre outros. Estas instituições deverão possuir preocupações prioritárias a nível preventivo, assim como a formação dos seus profissionais deve contemplar habilidades comunicacionais (Nunes, 2010).
Acerca da importância da comunicação nas atividades preventivas refere o 7º Relatório do Joint National Committee que a motivação aumenta quando os utentes têm experiências positivas com o profissional de saúde e confiam nele, sendo que empatia constrói confiança e esta é um potente motivador dos cuidados. Assim, as atitudes do utente são grandemente influenciadas pelas diferenças culturais, crenças e experiências nos contactos prévios com o serviço de saúde, aspetos que o profissional deve ter em conta nas suas abordagens (Nunes, 2010).
Sendo as USF um modelo recente dos CSP foi realizada uma pesquisa acerca da sua organização e principais características, obtendo ainda o apoio da Enfermeira orientadora, assim como da restante equipa multiprofissional.
A presente USF foi criada em 2009, contudo a sua inauguração teve lugar apenas em 2013, pelo que diversas valências ainda se encontram em fase de estruturação e melhoria, nomeadamente a área da Saúde Infantil. Apesar da consulta de Saúde Infantil ser prática diária, só em 2014, foi admitida uma Enfermeira Especialista em Saúde da Criança e do Jovem neste USF. Esta foi considerada pela equipa como uma aquisição essencial, uma vez que veio transmitir qualidade e segurança nos cuidados à criança e família, transmitindo à restante equipa a sua confiança e conhecimentos na área. A consulta de Saúde Infantil é uma prática diária na USF e considerada essencial nos cuidados promotores de saúde. A criança é um ser em desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social, pelo que a promoção e vigilância da sua saúde é vista como fundamental nos cuidados de saúde primários.
A vigilância da Saúde Infantil e Juvenil em CSP tem como principal objetivo a deteção precoce de perturbações e implicações que estas têm na qualidade de vida e no sucesso educacional e integração social da criança (Direcção Geral de Saúde, 2013).
Apesar de existir um dia específico para a consulta de Saúde Infantil, estas podem surgir como prática diária na presente USF dado que o Enfermeiro agiliza a marcação das consultas, procurando adequar a prestação de cuidados com o mínimo de deslocações aos serviços de saúde, adaptando-as à disponibilidade dos familiares para que sejam exequíveis, evitando o absentismo e alargando o número de crianças cuja saúde é avaliada com regularidade. O Programa Nacional de Saúde Infantil contempla esse exato ponto ao propor determinada cronologia de consultas, mas não impondo as idades propostas como rígidas, podendo ser articuladas com a disponibilidade da família ou aproveitando a deslocação ao serviço de saúde por qualquer outro motivo. Esta é uma atuação denominada de ‘oportunistas’, uma vez que aproveita a oportunidade da deslocação da criança ao serviço de saúde para a realização do exame indicação para essa idade (Direcção Geral de Saúde, 2013).
A consulta de Saúde Infantil na presente USF é encarada pelos seus profissionais como um momento especial, uma vez que requer uma maior disponibilidade, assim como contempla uma série de abordagens e aspetos que devem ser observados e avaliados na criança. Além do mais, nela participam não só a criança mas também os seus pais ou outros familiares que poderão vir à consulta, como os avós, elementos que devem também ser tidos em conta nesta observação e avaliação. Estes aspetos poderão deixar,
Contudo, o facto de existir uma Enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediatria na USF transmite confiança e tranquilidade a todos os elementos da equipa que, sempre que necessário, apelam o seu auxílio para esclarecimento de qualquer dúvida.
A consulta de Saúde Infantil que irei descrever teve início com um cumprimento de ‘Bom Dia’, seguida da minha apresentação como aluna estagiária, tendo em conta que a Enfermeira já conhecia os pais, assim como a criança de 6 meses, foram dispensadas mais apresentações. Nesta consulta podem estar presentes os dois pais ou qualquer familiar que se desloque à USF com a criança, contudo, nesta consulta em específico estiveram presentes apenas os pais da criança.
A Enfermeira procurou criar um ambiente de segurança e confiança, através de uma linguagem cuidada mas acessível, e uma postura amigável, criando a ocasião suficientemente relaxada para que se sentissem confortáveis e confiantes para dialogar acerca dos seus receios, preocupações e curiosidades. É através das palavras que se constrói uma relação humana que fomenta a mudança e o crescimento. A indução da mudança de comportamentos ou os estilos de vida só é possível através da palavra, sendo através dele que se motiva a pessoa (Nunes, 2010), neste caso os pais da criança. A Enfermeira começou por abordar os pais nesse mesmo sentido, questionando acerca das conquistas alcançadas, das novas atividades da criança, da sua organização do dia-a- dia, assim como das dúvidas existentes, principais preocupações e receios. É essencial valorizar as suspeitas e preocupações veiculadas pelos pais, uma vez que são eles que acompanham a criança durante mais tempo. Para tal, o ambiente da consulta e a atitude dos profissionais devem proporcionar aos pais momentos em que se exprimam sem receio, podendo colocar as suas dúvidas e receios (Direcção Geral de Saúde, 2013). Nesta ocasião é essencial ter em conta não só diversos aspetos inerentes à criança e seu desenvolvimento, mas também todo o contexto familiar, as suas condições, as suas perspetivas futuras e principais preocupações que contribui para a gestão emocional dos utentes e da interação ao longo da consulta. Na consulta de Saúde Infantil, uma comunicação adequada e adaptada é essencial para promover a saúde da criança através do diálogo com os pais /cuidadores.
De seguida, foi realizada a avaliação de desenvolvimento através do teste de Mary Sheridan, procurando o padrão de referência da normalidade, motivando e encorajando os pais a levantarem questões e a participarem na promoção do desenvolvimento dos
desenvolvimento dependem de cada criança, assim como da sua hereditariedade, da experiência adquirida, da transmissão social e da dinâmica entre estes fatores (Direcção Geral de Saúde, 2013). A Enfermeira efetua este teste enquanto dialoga com os pais, tornando este momento muito natural e nada abusivo ou constrangedor para a criança, o que facilitou muito a sua avaliação. Neste momento, a Enfermeira reforçou a importância deste tipo de testes, salvaguardando que o desenvolvimento psicomotor da criança é um processo dinâmico e contínuo, com aparecimento de diferentes funções ao longo do tempo, sendo que a passagem de um estádio de desenvolvimento para outro varia de uma criança para outra e, consequentemente, a idade de aparecimento de novas aquisições também difere. Assim, o diagnóstico das perturbações de desenvolvimento psicomotor são habitualmente realizados através de pesquisa desencadeada em virtude da existência de fatores de risco, suspeita de qualquer problema por parte dos pais, familiares ou professores, observação clinica em exames periódicos ou oportunistas no contexto da vigilância de saúde (Direcção Geral de Saúde, 2013), pelo que os pais devem continuar atentos ao seu filho, sem se focarem demasiado em idades estanques para passar determinado estádio.
Na consulta, a Enfermeira aproveitou também a oportunidade para cumprir o Plano Nacional de Vacinação. Assim, começou por explicar qual a vacina a administrar, assim como os seus principais benefícios e as diferentes reações que a criança pode ter durante o procedimento e qual a melhor forma de minimizar a dor e o desconforto da criança. No final, procurou esclarecer os pais acerca de possíveis efeitos secundários que poderão surgir nos dias seguintes.
SENTIMENTOS
Ao trabalhar num serviço hospitalar, todo o mundo dos CSP era desconhecido para mim, pelo que foi encarado com uma imensa curiosidade e motivação. A abordagem ao utente e sua família, assim como a organização caraterística dos cuidados de saúde primários foram características interessantes de serem exploradas aquando a realização do presente ensino clinico.
Como já foi referido, a área de Saúde Infantil encontra-se ainda em fase de melhoria, pelo que a Enfermeira Especialista na área surge como um pilar para a restante equipa.
elementos no que se refere à área pediátrica; questionando qualquer dúvida e prestando auxílio sempre que necessário. Na USF, a saúde infantil e juvenil é ainda um “mundo a nascer” para alguns dos elementos da equipa multidisciplinar, contudo é notável o seu interesse, curiosidade e vontade de aprender.
Existe uma preocupação constante em prestar os melhores cuidados aos utentes da USF; para tal existem também reuniões semanais, nas quais se discute qualquer assunto pertinente, que poderá trazer benefícios para a unidade ou que tem de ser corrigido. Desta forma, todos lutam pelos mesmos objetivos, discutindo em equipa qual a melhor solução para os problemas e como poderão trabalhar rumo a uma qualidade constante. De salientar, este trabalho em equipa para um tão esperado resultado.
De realçar também o plano de formação da presente USF, com momentos de formação semanais, que abordam as diferentes áreas existentes na unidade, nomeadamente a área da Pediatria. O plano de formação é discutido no início do ano, procurando colmatar falhar ou fragilidades, contudo, poderão ser acrescentadas outras sessões que surgirem como pertinentes ao longo do ano. Desta forma, a equipa demonstra o seu interesse constante em cuidar melhor.
Relativamente à consulta de Saúde Infantil, encontra-se ainda em fase de crescimento e melhoria, para a qual todos os elementos investem ativamente, quer através de formações nas quais participam, quer através de investigação e pesquisa feita pelos próprios. No entanto devo salientar a estruturação da consulta, procurando abordar todas as dimensões da criança, num ambiente adequado, envolvendo a família e procurando adequar as necessidades da família aos padrões de desenvolvimento da criança.
Concordando com os profissionais desta USF que consideram a consulta de Saúde Infantil como uma ocasião única, este momento foi, também para mim, especial e enriquecedor para o presente estágio, uma vez que permitiu colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do ano anterior nas aulas teóricas, assim como reforçou o meu conceito de comunicação e sua importância na promoção de saúde e na abordagem com a criança e pais.
Posso nomear como um aspeto negativo da experiência, o número reduzido de consultas de saúde infantil. Apesar de existir um dia específico para a realização de consultas de Saúde Infantil, o facto de poderem ser marcadas noutros dias, acaba por diluir a sua afluência.