5. Results and discussion!
5.4. Prevention and intervention measures!
A consulta de Saúde Infantil foi um momento muito enriquecedor na minha experiência na USF, uma vez que permitiu conhecer uma abordagem diferente à criança e sua família, num ambiente promotor de saúde onde a comunicação é um pilar da intervenção de Enfermagem. Foi interessante verificar as diferentes técnicas usadas para que apenas num momento de consulta fossem realizadas diversas abordagens à criança e família, com a preocupação de manter a criança/família motivada e interessada na consulta.
Em CSP podem realizar-se com eficácia a apreciação do desenvolvimento infantil sem perder a simplicidade nos procedimentos. Assim, os profissionais de saúde motivados e com experiência podem avaliar o desenvolvimento de uma criança através de uma observação crítica, desde que esta entra na sala de consulta até que sai, e mesmo durante a interação com os pais/cuidadores. A observação da criança ao colo dos pais, a brincar, quando não é o alvo das atenções e se sente mais à vontade permite ao profissional observar e avaliar, tirando conclusões fiáveis relativamente ao desenvolvimento da criança. É importante observar a criança no seu ambiente mais familiar, estando atento à sua atenção, ao tipo de manipulação que utiliza, à sua mimica, entre outros, tendo o auxílio de um ou mais brinquedos aos quais a criança possa ter acesso imediato (Direcção Geral de Saúde, 2013).
O facto de ser o mesmo Enfermeiro, que intervém junto da unidade familiar, considerado o Enfermeiro de família, resulta num aumento de confiança entre o profissional e os elementos da família, o que considero ser bastante positivo na comunicação terapêutica. Assim, o acompanhamento das aquisições do desenvolvimento torna-se um processo flexível, dinâmico e contínuo, tendo lugar em todos os encontros que o profissional tem com a criança e família e não apenas nas idades-chave (Direcção Geral de Saúde, 2013), realizando as consultas ‘oportunistas’, já abordadas anteriormente, sempre que possível. Assim, no momento de consulta o Enfermeiro promove a saúde de toda a unidade familiar, possuindo conhecimento acerca da funcionalidade e necessidades da mesma.
satisfação desejada. Existem um conjunto de características que o profissional deve preocupar-se em desenvolver e que constituem as propriedades básicas que facilitam o estabelecimento de uma relação com o utente, podendo-se considerar a empatia, a cordialidade, a concreção, a assertividade, a modulação de reatividade e a convicção. De uma forma mais pragmática, a comunicação efetiva resume-se a quatro componentes, sendo: identificar problemas e preocupações, dar informação, discutir opções de tratamento e dar suporte. A evidência científica revela que a aplicação de habilidades comunicacionais tem impacto na satisfação do utente, assim como tem influência nos seus sintomas e parâmetros biológicos. Os utentes que mantêm uma boa comunicação com o seu profissional de saúde apresentam melhores resultados em saúde, assim como na adesão ao tratamento e satisfação. Contudo, nem sempre presentes de forma inerente, as habilidades comunicacionais podem ser aprendidas e melhoradas (Nunes, 2010). Existem certos aspetos que o profissional de cuidados de saúde primários (em saúde infantil) deve ter em conta de forma a evoluir nos seus cuidados, sendo:
- Adquirir conhecimentos sólidos acerca dos parâmetros do desenvolvimento normal; - Ter presentes as situações etiopatogénicas mais comuns;
- Identificar, para cada criança, os seus fatores de risco.
- Saber se a criança já está a ser seguida em alguma consulta de especialidade, procurando saber o que se passou nessa consulta em termos de diagnóstico e de terapêutica e incentivar o registo no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil;
- Proporcionar aos pais/cuidadores a oportunidade de expressar as suas suspeitas;
- Durante a anamnese fazer um interrogatório dirigido, procurando investigar se existem perturbações relativamente a algum dos parâmetros de desenvolvimento.
- Observar o comportamento da criança desde que entra até que sai da consulta, incluindo a fase do exame físico. Dar-lhe a oportunidade para revelar as suas capacidades e habilidades, o que deverá ser observado de um modo discreto. Nos dois primeiros anos de vida, há que atender à idade gestacional da criança.
- Valorizar eventuais fatores circunstanciais, familiares, do treino anterior da criança, do maior ou menor à-vontade da mesma durante a avaliação, os quais podem levar a que o exame de uma criança perfeitamente normal suscite dúvidas, se estes aspetos não forem devidamente equacionados.
- Se subsistirem dúvidas acerca de algum parâmetro, utilizar meios mais sofisticados, como outros testes de desenvolvimento, se estiver familiarizado com eles e se se dispuser de condições e de tempo adequado para o fazer.
PLANEAR A AÇÃO e CONCLUSÃO
Como refere Nunes (2010), é impossível não comunicar, sendo que toda a comunicação possui consequências. Neste sentido, é importante que o profissional de saúde tenha consciência que todos os seus comportamentos irão ter impacto nos seus utentes e restante equipa de saúde.
O profissional de saúde, assim como os gestores de topo deve ter consciência que as habilidades comunicacionais podem ser aprendidas e treinadas. Com o treino da comunicação pretende-se consciencializar as respostas reflexas e substitui-las ou aperfeiçoá-las de modo a aumentar o rendimento global do desempenho comunicacional. Esta é uma aprendizagem que é levada ao longo de toda a vida através de discussões interpares, reuniões com relatos de caso, autocritica e autoanalise de todas as interações, analise critica pelo próprio ou pelos seus pares, entre outros (Nunes, 2010).
Segundo a Direção Geral de Saúde (2013), a técnica mais usada em cuidados de saúde primários para avaliação do desenvolvimento da criança é a avaliação clínica informal, contudo os instrumentos de rastreio standardizados possuem maior sensibilidade e especificidade. No entanto, os parâmetros de desenvolvimento psicomotor não são mensuráveis como os de crescimento físico pelo que existe alguma dificuldade em considerar os testes de desenvolvimento como suficientemente bons para serem utilizados como método exclusivo de deteção de perturbações de desenvolvimento. O conhecimento e a aplicação de testes mais simples, como a escala de avaliação de desenvolvimento de Mary Sheridan, permite um melhor conhecimento dos parâmetros normais do desenvolvimento e dos seus amplos limites. Também o profissional deve ter em mente este aspeto, possuindo uma capacidade oportunista de aproveitar as idades chave definidas no Programa Nacional, complementadas por informação pertinente obtida na observação da criança; assim como deve ter noção que a simples aplicação de testes ou valorização de dados isolados não permite a avaliação válida de
desenvolvimento de capacidades, faculdades e talentos de uma criança depende de inúmeros fatores tais como a qualidade da sua habitação, o ambiente familiar, os amigos, a escola, a sua personalidade, assim como o seu grau de saúde e nutrição, não esquecendo as oportunidades que lhe foram dadas e as que deve procurar. A avaliação do desenvolvimento psicomotor deve ser encarada no contexto da promoção da saúde da criança, devendo-se incluir também ações para estimular e promover o desenvolvimento, assim como ações de informação e ensino aos pais (Direcção Geral de Saúde, 2013).
Daí a importância de existir um Enfermeiro de família que conhece a criança ao longo do tempo, reconhecendo as suas características e o seu desenvolvimento, tendo em conta o conhecimento que possui da família em que se encontra inserida e das suas necessidades.
O profissional de saúde deve ter um papel relevante na promoção de saúde da criança, com o objetivo de melhor integração social e qualidade de vida, sendo possível intervir no controlo do impacto dos fatores de risco, na prevenção primária, no diagnóstico e terapêutica precoces e acompanhamento adequado da criança com perturbações do desenvolvimento, assim como o acompanhamento da sua família (Direcção Geral de Saúde, 2013).
O profissional de saúde dos CSP deve trabalhar constantemente para a valorização dos cuidados antecipatórios como fator promocional de saúde e prevenção de doença, facultado aos pais/cuidadores, os conhecimentos necessários ao melhor desempenho relativamente à promoção e proteção dos direitos da criança e exercício de parentalidade. O reincentivo ao cumprimento do Plano Nacional de Vacinação preservando o adequado estado vacinal das crianças, jovens e população em geral, afigura-se como crucial.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Direcção Geral de Saúde. (31 de Maio de 2013). Norma da Direcção Geral da Saúde.
Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil . Direcção Geral de Saúde.
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