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Chapter 5 Creep Test Results and Discussion

5.7 Summary and Conclusions

Os tempos mudam, e o criativo tem de se adaptar à constante inovação. Para a procura da melhor ideia e da solução mais eficaz neste contexto, existem processos auxiliares. Ao longo da investigação, o termo “ter uma ideia” está associado ao mistério da iluminação da mente, mas o facto é que para gerar a novidade, o criativo precisa de explorar o problema.

Segundo Weiner (2010, p .35), “A actividade de design caracteriza-se pelo processo criativo e é uma actividade associada à criatividade, à fantasia, ao espírito inventor e inovador.” Por esta razão optou-se por fazer uma breve abordagem às fases do processo criativo para investigar se o designer necessita de explorar a ideia através de processos para obter melhores resultados.

A ideia de insight e de processo em Henri Poincaré deu origem à

constatação por Graham Wallas, em 1926, de existirem geralmente quatro etapas no processo criativo, que consistem nas fases da preparação, da incubação, da iluminação e da verificação (Lubart 2007).

Note-se que para estas etapas se realizarem é necessário um problema. Um problema é definido por algo que o individuo deseja consertar ou como algo a finalizar. De acordo com Tschimmel (2010, p. 256):

“Uma das características essenciais do problema de design é, portanto, que muitas vezes ele não está perceptível, tendo de ser identificado, interpretado, definido ou redefinido, uma vez que o cliente raramente sabe qual é o “verdadeiro” problema a resolver.”

Segundo Kneller (1992), estas fases do processo criativo só se realizam após o indivíduo ter o seu primeiro insight, pois antes disso não é possível existir um processo criativo.

A primeira fase (da preparação) consiste em explorar, analisar e definir o problema. Esta fase exige investigação por parte do criativo para poder abrir o caminho a novas ideias (Lubart 2007; Kneller 1992).

A segunda fase, denominada por ‘incubação’, é trabalho deixado para o inconsciente do criativo. A exploração que fez anteriormente está, nesta fase, a ser processada mentalmente, embora aqui o individuo possa estar focado em outras coisas em nada relacionadas com o problema (Lubat 2007; Kneller 1992). A terceira fase, a iluminação, é definida pela epifania, como o momento em que a maçã da história contada por Newton cai perpendicularmente no seu jardim, dando origem à hipótese de a força gravitacional, uma das

suas interrogações de então, poder atrair os corpos para o centro da terra. A ideia, que de algum modo teria que reunir um corpo de investigação significativo para se poder consumar numa hipótese, passa neste momento a ser parte da consciência cognitiva (Lubart 2007; Kneller 1992).

A quarta e última fase, a verificação, é a altura de dar continuidade à ideia fazendo uma análise às suas condicionantes e implicações, procurando falhas e contra-exemplos, para a testar e avaliar (Lubart 2007).

Rolo (2013) também aborda o processo criativo, principalmente o processo criativo em design gráfico. A autora diz-nos que a criatividade pode

efectivamente ser incentivada através de metodologias, utilizadas por alguns designers, tais como o brainstorming, a análise morfológica e a analogia. Sobre tais métodos, quando envolvidos no processo do design gráfico afirma: “Como o processo de design gráfico envolve o processo criativo, pode estabelecer-se uma relação entre os dois, que permita explicar a intervenção do pensamento criativo no processo de design. Assim, podemos dizer que as fases de ‘Briefing/Definição do problema’ e “Investigação” do processo de design correspondem à fase de “primeiro Insight/formulação do problema” do processo criativo. E podemos também dizer que a fase de “experimentação” do processo de design é aquela em que se dá a maior parte do processo criativo, com as etapas de ‘Preparação’, ‘Incubação’, ‘Iluminação’ e ‘Verificação’” (Rolo 2013, p. 1). [fig. 3]

O processo de design gráfico é por natureza um processo criativo, na medida em que tem a criação de algo inovador como objetivo último (Rolo 2013). No entanto, tem em comum com os demais trabalhos de investigação, em qualquer área científica, o objetivo de encontrar a solução para um problema, exigindo, para o sucesso do empreendimento, uma definição adequada e precisa do mesmo.

Wallas não foi o único a definir fases de processo, Bruno Munari, na sua exploração das fases do processo criativo em Desenho e comunicação visual: uma contribuição para uma metodologia didática (2006) descreve-as como ações que vão desde a ideia ao momento da criação de um objeto, por ser necessário explorar o contexto onde o objeto estará e como o mesmo atua em contextos sociais.

A primeira fase, a “Enunciação do problema” (Munari 2006, pág.344) ou briefing define-se por um problema bem definido proposto pelo designer ou pelo cliente. São revistas todas as informações pertinentes ao problema (Munari 2006). Segue-se a “identificação dos aspetos e das funções” (pág.344). Esta fase consiste na análise do problema e na procura de

objeto-usuário e dos contextos culturais. Após esta fase vêm os “Limites” e “disponibilidades tecnológicas” (Munari 2006,pág.344) — chamemos a esta dupla de ações “averiguação” — que estão relacionados principalmente com fatores associados com o objeto como o tempo, os custos ou as exigências de mercado (Munari 2006).

A criatividade também se manifesta posteriormente, sendo necessária para o processamento, pelo designer, dos dados recolhidos. A última fase elencada por Munari refere-se a modelos que serão postos à prova pelo designer para dar lugar aos processos de seleção e de aperfeiçoamento. Não poderíamos acabar esta breve anotação sobre processos criativos sem mencionar Faya Ostrower (2001), que defende ser o processo de criar um caminho que se percorre através destes processos de trabalho, que se inicia e termina com a finalização do objeto. Feito muitas vezes com inquietações e frustrações que devem ser vividas com persistência para a contribuição da felicidade do criativo, o processo é “como o próprio viver, criar é um processo existencial” (Ostrower 2001, p. 56).

Fig.3 .Esquema sobre processos criativos elaborado por Elisabete Rolo 2013. Fonte: Retirado de http:// convergencias.ipcb.pt