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Chapter 5 Creep Test Results and Discussion

5.5 Influence of Silica Fume on Autogenous Shrinkage and Tensile Creep

relativamente aos quais é difícil ter a certeza de quem teve a ideia histórica e de quando” isso aconteceu.”

mente de quem o lê. Portanto quem o transformar ou modificar terá de o fazer quebrando conceitos pré-existentes de alguma forma. Assim, uma ideia que parece impossível torna-se, afinal, viável (Boden 2004).

Contrariamente a Boden, que nos apresenta uma visão clara do que pode ser a criatividade e como pode ser definida, para Morais (2015), ainda existem mitos que dificultam a compreensão deste conceito. A autora refere vários exemplos de mitos que considera que estejam ainda a resistir na sociedade de forma a desafiarem o entendimento deste conceito. Um desses exemplos é a típica ilustração da lâmpada que se acende e brilha por cima das nossas cabeças para demonstrar a criatividade. Este mito de que a inspiração, e por consequência a criatividade, surge subitamente sem qualquer explicação, é um dos fatores pelos quais muitos investigadores da área têm dificuldade em demitir certas definições que nos são impostas sobre a criatividade. Segundo a autora, esta imagem pré-concebida, que normalmente o indivíduo comum tem sobre a criatividade, reduz a importância da mesma por se confundir com a ideia que a criatividade surge sem uma pesquisa prévia sobre um dado assunto.

Citando Morais (2015, p. 6), “Criatividade não é só originalidade, criatividade não é só diferença. Originalidade assume-se como pura diferença estatística e ser original é ser banal de mais. Ser criativo é um requisito bem mais rico e complexo.”, podemos observar que a criatividade além de ser uma característica humana que vai crescendo com o quotidiano, sendo ainda uma capacidade que surge aliada à inteligência, exige também esforço e dedicação. Esforço, se assim o quisermos definir. Ser uma pessoa criativa requer então também ser-se original e eficiente.

Tal como Morais, Kneller (1992, s.p.) afirma que “para muitos, ser criativo nada mais parece do que libertar impulsos ou relaxar tensões.” e que por isso as pessoas tendem a confundir a criatividade em si com qualidades humanas e não como algo que é alcançável com dedicação e esforço. A consequência deste equívoco, segundo o autor, é explicitada através do exemplo de uma criança que faz algo fora do vulgar e é imediatamente rotulada como criativa, incorreção esta que dá a perceber, erradamente, que a criatividade é fácil e não exige esforço, iludindo desse modo a criança. Rolo (2013) diz- nos que “todas as vivências, tanto pessoais como profissionais do indivíduo, contribuem para o enriquecimento das suas referências e, desta forma, para constituir esta base para a criatividade.” Coerente com a vertente que associa a criatividade ao cruzamento de memórias, esta afirmação sugere serem necessárias várias experiências ao longo da vida para que a criatividade esteja mais intensamente presente na vida de um individuo.

Kneller (1992) apresenta-nos quatro categorias de criatividade. A primeira categoria é definida pelos valores, atitudes e hábitos do ser humano

enquanto ser individual; a segunda é determinada pelos “processos mentais” (Kneller 1992, s.p), como a aprendizagem, a motivação ou comunicação; a terceira foca-se no meio cultural e ambiental onde o ser humano está inserido; a quarta centra-se no produto final que o individuo gera,

como pinturas, poemas ou até mesmo teorias. Esta última, segundo Kneller (1992), é a menos difícil de analisar, pois analisar personalidades torna-se mais complicado.

Para vários autores, a criatividade ainda está longe de ter uma definição concreta devido à complexidade do termo, no entanto Weiner (2010, p.16) salienta,

“Inúmeras definições de “criatividade” existem, no entanto é curioso reparar que mesmo aquelas teorias mais recentes, que criticam a referência das abordagens mais filosóficas à divindade, a algo sobrenatural, também não deixam de dar uma definição mística do ser humano no que se refere ao processo do pensamento criativo.”

Weiner diz que os estudiosos da área têm uma grande dificuldade em afastarem-se das referências divinas, apesar das inúmeras tentativas de encontrar uma resposta para este fenómeno.

Considerando a frase de Seabra (2007, p.2): “um facto em que há acordo é a consideração da criatividade como uma caraterística psicológica positiva”, podemos então afirmar que esta capacidade humana é definida como um valor positivo para a personalidade de um indivíduo e de um designer. Ximendes (2010), que aborda a criatividade a partir das neurociências, um campo cuja complexidade não se enquadra no presente contexto, associa a criatividade aos domínios da cognição: “o aumento das capacidades cognitivas” ajuda a processar as informações mas não quer dizer que o individuo consiga resolver problemas, relatando também que a inteligência é algo que é preciso mas que não está obrigatoriamente ligado ao

aparecimento da criatividade no individuo (Ximendes 2010).

Coerente com esta noção, Gardner (2011), a partir da sua análise do perfil e da vida de grandes criadores como Freud ou Picasso, refere que existem vários tipos de inteligência e que a criatividade atua consoante o tipo de inteligência que o individuo possui.

2.1. Eureka

Apesar da dificuldade que os interessados na área sentem em definir este termo tão complexo e das inúmeras definições do conceito, a verdade é que as ideias surgem muitas vezes sem explicação. Este fenómeno é conhecido como o momento “eureka” ou, pelo menos, a perceção clara de um caminho, ambos na manifestação daquilo que comummente se designa por insight. O termo “eureka” vem da célebre história sobre Arquimedes quando descobriu como calcular o volume da coroa de Hierão, ao entrar na banheira: observando o nível da água a subir à medida que mergulhava o corpo, percebeu que poderia descobrir o volume de qualquer objecto pela subtração de um volume líquido. Num momento em que o problema que o assombrava há dias foi afastado durante um intervalo de relaxamento, a solução foi encontrada (Boden 2004).

O momento “eureka” surge após uma dedicação intensiva do individuo, seja investigativa ou meramente reflexiva. Este momento exige não só trabalho prático e conhecimento acerca da matéria inquirida, mas também que o individuo reflita sobre o problema que lhe é colocado. Henri Poincaré (2003), relata alguns momentos onde as ideias lhe surgiram sem prévio sinal de aviso. Numa ocasião crucial, isto aconteceu durante uma viagem:

“The incidents of the journey made me forget my mathematical work.

When we arrived at Coutances, we got into a break to go for a drive, and, just as I put my foot on the step, the idea came to me, though

nothing in my former thoughts seemed to have prepared me for it (…)” 5

Um insight é então, como o dicionário o define, “uma compreensão repentina, uma intuição súbita” (Infopédia 2019). “A ideia de iluminação da mente ou do pensamento acompanha a noção de insight, a clarividência imediata que significa “ver dentro” ou “ver para além de” ”(Campos 2012, p.43).

Em Campos (2012), podemos observar essa mesma definição. A expressão “fez-se luz” anda de mãos dadas com a palavra insight e assim associada à criatividade e ao aparecimento da ideia, mas também ao mistério, de certa forma. A autora também relata que insight é “um dos nomes da intuição” (p.43) assim como Ostrower (2001) o apelida de visão intuitiva. Por isso