A subcategoria Ação Estratégica tratou das diretrizes que definiram a ação estratégica para o processo de mudança e de crescimento para o desenvolvimento do Centro Universitário Metodista.
Desde que iniciaram a sua trajetória na década de 70, as Faculdades Isoladas do IPA e do IMEC concentraram seus Cursos de Graduação na área da saúde, com a exceção do Curso de Turismo com ênfase em Hotelaria, ofertado no IMEC, que se concentrou na área de Administração. Com a transformação das Faculdades em Centro Universitário, o IPA definiu a sua expansão na Graduação nas áreas da Saúde, Ciências Sociais, Licenciaturas, Administração e Tecnológicas. Essa decisão possibilitou aos estudantes opções diversas para a sua formação profissional. Além de já ser conhecido como instituição de excelência na área da saúde, seus gestores entenderam que o IPA deveria ser conhecido também pela sua oferta e estrutura pedagógica em outras áreas. A comunidade, aos poucos, foi reconhecendo esse crescimento e as oportunidades que estavam sendo oferecidas.
O primeiro Curso de Graduação lançado, após a autorização do MEC e o credenciamento do Centro Universitário Metodista, foi o curso de Administração de Empresas, que ofertou o vestibular, fora de época, no mês de outubro de 2004. Diante do esforço realizado, um dos depoentes manifesta a sua satisfação pelo crescimento do IPA na cidade de Porto Alegre, como se pode comprovar nesta fala: “eu vejo que o IPA investiu mais
em outras áreas de ensino, não só na área de saúde. Hoje, o IPA tem uma importância significativa na questão da administração, do direito e agora nas licenciaturas” (Entrevista
2).
O fato de tornar-se Centro Universitário colocou a educação superior metodista em uma condição de maior respeitabilidade na sociedade, pois o crescimento da instituição foi inegável e a sua inserção na cidade vertiginosa. O IPA disseminou seu projeto por diversos espaços universitários, nas unidades ACM-Restinga, Cruzeiro do Sul, Dona Leonor, DC Shopping, além do Americano e do IPA na zona central da cidade. A educação superior do IPA obteve a autonomia necessária para a criação de novos cursos superiores e a ampliação da oferta de vagas no vestibular. Em alguns depoimentos, ficou visível a importância da transformação e do seu crescimento: “há um ganho em ser um Centro Universitário que é um
ganho de poder lançar os cursos. Foi importante dar esse salto quantitativo e qualitativo”
questão da formação não muito boa, porque um Centro Universitário de certa forma tem o aval do Ministério da Educação para funcionar. Está instituído e isso nos dá muita segurança, faz diferença porque os estudantes ficam mais tranqüilos, eles têm mais segurança porque sabem que o diploma deles é um diploma de um Centro Universitário”
(Entrevista 2); “o fato de ter se transformado em Centro Universitário e essa ampliação para
novos cursos, hoje com 29 cursos de Graduação, acho que isso nos coloca realmente numa posição de destaque” (Entrevista 5). Os depoimentos acima, corroboram o pensamento de
Clark (2004), quando este argumenta sobre a importância de uma instituição tornar-se empreendedora; pois, nessa condição, entende que sabe controlar melhor o seu suporte financeiro por meio da diversificação das suas fontes de renda.
O investimento destinado à pesquisa foi importante para que a educação superior alcançasse um espaço privilegiado e reconhecido no planejamento acadêmico. A política que tornou possível este investimento, instituiu um percentual de 2% da receita bruta do Centro Universitário para a sua aplicação. Com essa decisão, surgiram grupos de pesquisa formados a partir das áreas de excelência que já vinham sendo desenvolvidas, ao longo dos últimos anos. Assim, a pesquisa começou a configurar-se e a posicionar-se como estrutura para a formação dos programas de Mestrado. O primeiro programa de Mestrado Profissional foi autorizado pela CAPES, em 2006/2, com o Curso Reabilitação e Inclusão. Atualmente, outros dois programas já foram elaborados e encaminhados à CAPES, em Biociências e Reabilitação e em Direitos Humanos, Conhecimento e Sociedade. O investimento do Centro Universitário Metodista na pesquisa tem sido entendido pela comunidade acadêmica como um dos fatores para a busca sua sustentabilidade: “o investimento que o IPA tem feito na pesquisa, consolida
a pós-graduação no stricto sensu. Vejo isso como uma das coisas mais importantes para a sustentabilidade da instituição” (Entrevista 5).
Outro encaminhamento importante foi a definição de uma política de inclusão. Tornar possível o ingresso das minorias no meio acadêmico e possibilitar a diversidade cultural, racial, gênero e social, em todos os seus aspectos, tornando o acesso das minorias mais facilitado aos cursos superiores do Centro Universitário Metodista.
A partir de uma política diferenciada, por cotas, para o acesso à educação superior, o Centro Universitário conquistou um nicho educacional para o atendimento a estudantes carentes ofertando bolsas carência de 50 a 100% de benefício, conforme a renda familiar, grau de carência financeira e social. Essa política veio a reafirmar a proposta pedagógica e a filosofia do Centro Universitário Metodista que busca ampliar a educação e a inclusão dos estudantes no mercado profissional.
Verifica-se, em alguns depoimentos, que o Centro Universitário definiu, de forma clara para a comunidade, o seu público de atendimento na educação superior: “penso que o
IPA buscou outro nicho em Porto Alegre, fez uma opção por um público na sua maioria B e C. Tem ocupado um espaço significativo na mídia, com a oferta de cursos, com valores mais baixos e uma duração reduzida” (Entrevista 1); “é uma Instituição que é confessional, mas é uma Instituição da Igreja e que sempre pautou pela atenção e pelo trabalho com as comunidades mais necessitadas” (Entrevista 3).
Da mesma forma, algumas falas reafirmam que o Projeto Pedagógico do Centro Universitário está diretamente de acordo com a visão da Igreja Metodista que é de inclusão social e de oportunidade e igualdade para todos que fazem parte do meio social: “os nossos
projetos, grandes projetos, hoje, têm algum tipo de preocupação de intensa incerteza com os meios sociais mais carentes, que precisam uma atenção mais geral da sociedade civil, da sociedade organizada, seja ela à sociedade pública ou à estatal, enfim, então eu vejo que é uma Instituição que está procurando dar a cara da história do Metodismo para a própria Instituição nesse sentido” (Entrevista 3). Pelo depoimento, confirma-se a necessidade que
uma organização tem de planejamento nos tempos atuais. Para Meyer (1998), o plano é um norteador para o desenvolvimento das ações, é o que define o rumo da instituição. Quando o Centro Universitário elaborou seu planejamento, definiu o projeto pedagógico, o público de atendimento e como deveria ser visto pela comunidade interna e externa.
A política pedagógica de inclusão tem sido assumida pelo corpo docente e muitos verbalizam sobre a sua satisfação em trabalhar em uma instituição que se preocupa com o social, que oportuniza a inclusão de todos e que defende uma educação para todos. Em muitos depoimentos este sentimento é revelado, como se pode verificar: “eu digo sempre para os
meus alunos, que são dos primeiros semestres da faculdade, que essa é uma das grandes motivações que eu tenho em trabalhar no IPA, que é enxergar tudo aquilo que eu estudei se concretizando, com essas bolsas de estudo do IPA. Então, essa questão da inclusão social é algo que eu valorizo demais, eu acho que diferencia o IPA das demais faculdades. Se nós não estamos atingindo o público de classe A e de classe B mais, nós estamos atingindo o público que realmente precisa estudar e esse público tem uma mensalidade que favorece, porque o IPA tem uma mensalidade que é inferior, diante das demais faculdades de Porto Alegre”
(Entrevista 4).
Quando o Governo Federal lançou o Programa Universidade para Todos - ProUni, o Centro Universitário já havia incluído na sua política institucional um sistema de bolsas de demanda coletiva e de demanda individual que contempla estudantes com renda familiar
baixa e com um nível de carência que os oportuniza receber uma bolsa de estudos com um percentual entre 50 e 100% de desconto. Nos relatos das entrevistas esta política de bolsas carência fica evidenciada como um diferencial da instituição: “o IPA foi o primeiro a
incorporar esta nova filosofia do Governo Federal do ProUni, desta obrigatoriedade do ProUni, o IPA já oferecia bolsas; O IPA tem um programa de parcerias com entidades não governamentais que favorece as minorias estudarem no IPA, enfim, há toda uma filosofia voltada para a defesa e a inclusão das pessoas que estão fora do meio universitário”
(Entrevista 4).
A política de inclusão do Centro Universitário Metodista contempla parcerias com diversas organizações e ONGs, como o Centro de Cultura Negra – CECUNE, os pequenos agricultores – MST, educadores populares, comunidade indígena, entre outras entidades. Estes grupos parceiros desenvolvem junto com o Centro Universitário Metodista um programa de inclusão de estudantes carentes que ingressam na educação superior. Conforme os depoimentos, há uma pluralidade como nunca vista nos espaços acadêmicos do Centro Universitário que possibilita novos conhecimentos e debates sobre a inclusão social no ambiente universitário.
Em 2007, o Centro Universitário mantinha, incluindo as bolsas ProUni, mais de 2000 estudantes com bolsas carência: “no campus IPA, principalmente, à noite, é completamente diferente do que entrar em qualquer outra faculdade porque em que outra faculdade nós não vamos enxergar negros circulando pelo pátio e é uma alegria ver pessoas de outros países, africanos, pessoas que se percebe que são pessoas humildes e que estão lá estudando tentando, um lugar ao sol. A grande diferença pra mim em termos de as universidades é esta questão da inclusão, ele luta pela inclusão ele tem programas que levam a isso não é só discurso, basta entrar no IPA que se enxerga este programa de inclusão social” (Entrevista 4), o que vem ao encontro das idéias de Fernández Lopez (2007, p. 230), quando este afirma que os países mais desenvolvidos devem propor convênios com os países em desenvolvimento para ajudá- los a se desenvolver. No caso do IPA, entendendo a importância do estreitamento das relações entre os países do eixo sul-sul, o mesmo procurou desenvolver um convênio com as igrejas cristãs de países em condição de pós-guerra. A política de inclusão contempla também alunos estrangeiros oriundos de países em reconstrução pós-guerra como Angola, Moçambique, Timor Leste e Haiti. São 54 estudantes que compartilham alojamentos dentro de um dos espaços físicos acadêmicos e trazem consigo a sua cultura e conhecimento para compartilhar com alunos brasileiros. Este programa de inclusão de alunos estrangeiros é uma parceria com as Igrejas da Austrália, dos Estados Unidos e da Alemanha.
Outra ação da política de inclusão do Centro Universitário foi a inserção do Curso de Serviço Social na Penitenciária Feminina Madre Pelletier que oportunizou a mais de 24 apenadas e agentes penitenciárias o ingresso à educação superior. Este convênio foi desenvolvido diretamente com a SUSEPE36 e trata-se de um projeto único no Rio Grande do Sul. Para uma das entrevistadas: “ser diferente no IPA é ser normal, porque respeitamos a
pluralidade” (Entrevista 7).
Para a comunidade acadêmica ficou claro o posicionamento da Metodista do Sul frente à concorrência e ao seu projeto pedagógico diferenciado. Estar na condição de Centro Universitário tem sido uma etapa de passagem para a instituição, no entendimento dos docentes e daqueles que desejam ver a educação superior do Sul prosperar. Para a comunidade do Centro Universitário, a Universidade é a perspectiva de futuro. Ser a primeira Universidade Metodista do Rio Grande do Sul coloca a educação metodista como uma das mais importantes da cidade de Porto Alegre. Os depoimentos confirmaram esta posição: “o
IPA pretende chegar como Centro Universitário como a terceira Instituição de ensino superior da cidade de Porto Alegre, não da grande Porto Alegre, mas da cidade de Porto Alegre” (Entrevista 8); “ele tem se destacado frente aos concorrentes, porque assumiu uma visão estratégica de negócio, identificaram na região de Porto Alegre as zonas ainda sem exploração e tem assumido o compromisso com toda a população” (Entrevista 7). A
comunidade deseja que o Centro Universitário, agora, busque novos caminhos de crescimento: “o Centro Universitário tem sido uma questão de passagem, nada mais que
isso, vem de um estado aonde ser Centro Universitário possa ser o status máximo que uma Instituição possa querer atingir. Para o IPA, o ponto a ser atingido é a condição de Universidade” (Entrevista 8); “nos já tomamos a decisão Institucional junto com o Conselho Diretor de nos credenciar e nos candidatar a ser Universidade até o final de 2007”
(Entrevista 8); “entendemos que a nossa vocação é ser universidade, inclusive a
Universidade Metodista do Sul envolvendo outras Instituições Metodistas aqui do Rio Grande” (Entrevista 8). Estas falas alinham-se ao pensamento de Caravantes (2004) que
defende a gestão estratégica por resultados, isto é, um método de planejamento que entende os processos de forma contínua, sistêmica e interativa. Para o autor, o planejamento por resultados pretende racionalizar a tomada de decisão na organização, com vistas ao futuro e à sua sustentabilidade. Confirmando a importância de um planejamento estratégico, como mecanismo de projeção e de definição de rumo para uma organização, Gil (2001) coloca que
os processos de responsabilização, os exercícios coletivos e participativos, e de reflexão, contribuem para o planejamento e a implantação de mudanças para o alcance da sustentabilidade da organização.
Para os colaboradores, a estratégia de planificação das ações possibilitou maior confiabilidade e credibilidade ao projeto, o que corroborou alguns depoimentos: “uma
situação que eu acho bem interessante é que o IPA se preocupou, no início desse processo, em planificar o seu trabalho. Houve um planejamento estratégico para todos os setores do Ensino Superior” (Entrevista 3), o que vem a confirmar, como pensa e acredita Gil (2001),
que o planejamento estratégico direciona a posições reflexivas dos colaboradores, a ações criativas e à responsabilização das mudanças e compromisso futuro da organização.
Na visão da comunidade acadêmica, o posicionamento do Centro Universitário Metodista, frente à sociedade, marcou presença quando se espalhou pelas regiões da cidade e expandiu-se. Este pensamento é reafirmado no depoimento a seguir: “eu percebo uma
Instituição que está olhando para o mercado e procurando, dentro daquela dinâmica que a gente falava, anteriormente, do processo de crescimento que dentro das mudanças está procurando observar uma sociedade que muda, a cada dia, com novas dinâmicas. O IPA está muito atento a isso e, frente a essas mudanças na sociedade, estabeleceu seus parâmetros de posicionamento. Por exemplo, uma Instituição que está atenta inclusive para aspectos geográficos da cidade, pra onde que esta cidade está crescendo aonde que tem novas oportunidades, uma Instituição que vem dentro de uma dinâmica contemporânea olha pra sociedade se posiciona no sentido de ter um nível de responsabilização social elevada procurando dar conta, das suas dívidas vamos dizer assim com a sociedade, da sua responsabilidade com a sociedade, acho que é uma Instituição que está criando, porque está em mutação, mas que está criando uma personalidade muito forte perante a sociedade”
(Entrevista 3).