7. Conclusion, policy recommendations and further research
7.3 Further research
A subcategoria Missão Institucional trata da missão do Centro Universitário Metodista como instituição de educação superior na cidade de Porto Alegre e como vem desenvolvendo o seu projeto frente ao propósito de ser uma instituição de educação superior de referência no ensino, na pesquisa e na extensão.
Pelas entrevistas, pude confirmar meu entendimento sobre o que pensa a comunidade em relação à missão do Centro Universitário. Para os depoentes, não só o IPA é visto como instituição de educação para a formação e para a qualificação de estudantes, mas para os profissionais que trabalham e compartilham os espaços na sociedade: “essa marca da missão,
que é a Missão Metodista no Brasil e no mundo, vem sendo transformada em ações”
(Entrevista 5). “hoje, no Centro Universitário antes dos docentes assinarem o contrato com a
instituição, é informado da sua filosofia e política” (Entrevista 5). Conforme a concepção de
trabalho do IPA, descrita em seu PDI (2005 – 2010) “a filosofia de trabalho que alia à visão estratégica e a auto-sustentação, a interdisciplinaridade, atualização permanente, o trabalho em equipe através da prática de colegiados, a ética e o bem-estar priorizando o ser humano com destaque para ações de inserção social e de continua relação com a comunidade [...]”.
As ações de inserção social promovidas pelos cursos de Extensão e de Graduação foram destacadas como diferencial de educação no ambiente universitário: “o IPA conquistou
O IPA é muito forte em relação a essa questão da inserção social, da responsabilidade social, da inclusão social das ações afirmativa. Estas ações são muito fortes e impactantes na sociedade, como o curso de Serviço Social na Penitenciária, parcerias com movimentos sociais, processos de inclusão de negros, 270 bolsistas negros integrais na universidade, tudo isso construído com parcerias com entidades da sociedade civil. A própria representatividade do CONSUNI com entidades com organizações da sociedade civil, também é mais uma maneira de dizer que a imagem que estamos formando, junto à sociedade, é de uma universidade convencional privada, mas de espírito público, ou seja, nós temos sempre o olhar no social, o olhar no público mais abrangente, no bem que podemos fazer à sociedade”
(Entrevista 8) e que reforça os ideais metodistas defendidos por John Wesley, no século XVIII.
Outro depoente, também revelou o seu sentimento em relação à filosofia e às ações inclusivas da instituição, manifestando satisfação: “o IPA tem essa missão, essa missão da
igreja que atende essa comunidade carente. Isso é uma coisa que me deixa muito feliz e me emociona muito” (Entrevista 4). Pela fala deste depoente, é possível afirmar que o Centro
Universitário Metodista tem cumprido com seus objetivos e propósitos educacionais, de acordo com uma de suas metas: “estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade” (PDI 2005 – 2010, p.9).
O orgulho que os estudantes têm em relação ao IPA, como centro de qualidade de ensino de referência na cidade, tem sido relevante no cenário acadêmico. A imagem institucional construída, nestes últimos anos, reafirma que o projeto educacional tem sido significativo na vida das pessoas, conforme esta fala: “temos uma imagem construída nos
últimos três ou quatro anos, a imagem histórica está ai marcando o povo apaixonado por isto aqui. Quem estuda aqui não consegue mencionar sua vida sem essa marca. Eu fui marcado por essa passagem aqui e quem está aqui agora, está aqui porque vê na Instituição um perfil, uma idéia, um ideal que ela concorda e se compromete com ele. Há as exceções, mas são exceções e podem ser exceções de 40% como pode ser de 40% ou de 50% de alunos que vem aqui para buscar diplomas, para ser bom fisioterapeuta, bom administrador” (Entrevista 2),
o que consolida a missão do Centro Universitário Metodista, quando se refere à formação de seus estudantes: “possibilitar às pessoas o desenvolvimento da consciência crítica, atitudes solidárias e compromisso com a transformação da sociedade, de acordo com o Evangelho de Jesus, o Cristo” (PDI 2005 – 2010 , p. 3).
Anteriormente, na condição de colégio de educação básica e de três cursos superiores, o IPA possuía uma imagem de escola pouco disciplinada. Entretanto, quando se transforma em Centro Universitário, modifica-se e propõe, por meio de seus referenciais pedagógicos, o resgate da sua tradição, da sua cultura e da sua história metodista, com referência na formação de pessoas para a sociedade, conforme vemos neste depoimento: “a imagem do IPA não é
mais essa imagem de uma escola solta, sem muita responsabilidade para os alunos que iam lá pra jogar, não estudavam muito. Agora é o contrário, os cursos superiores têm qualidade e com conceitos excelentes na Instituição e no MEC. Então, a comunidade passa a enxergar o IPA de uma maneira diferente, com maior credibilidade e qualidade de ensino” (Entrevista
4).
Para a comunidade do Centro Universitário Metodista, os diferenciais na imagem da instituição foram associados à filosofia da Igreja Metodista. No depoimento de um dos colaboradores, fica clara a posição filosófica do IPA: “uma Instituição que quer contribuir
para o crescimento desse país, que quer fazer pesquisa, que quer se posicionar enquanto academia, deve preocupar-se em ter o cuidado e a atenção necessária para as questões de desigualdade social, para as questões de exclusão e, fundamentalmente, para as questões de participação de uma sociedade, a fim de que seja mais solidária, mais democrática e mais justa” (Entrevista 3).
Para os participantes, a imagem de instituição séria e compromissada com a comunidade, construída ao longo dos tempos, é traduzida nos depoimentos a seguir: “eu vejo
que a imagem que o IPA quer alcançar é essa imagem que já vem do próprio histórico da Instituição, da própria condição de uma Instituição confessional vinculada à Igreja Metodista e que fica muito claro, por ações como a da Penitenciária Madre Pelletier, das bolsas carência, dos alunos estrangeiros, das ações da comunidade e do mutirão do Parque Belém. Talvez eu tenha esquecido alguma outra ação importante, mas são essas ações que mostram que a preocupação é justamente com o social, com o mais necessitado, com aquele que é esquecido pela sociedade. O IPA busca justamente atuar nisso aí, aquele que não tem o privilégio de ter dinheiro para pagar, que não tem oportunidade, aquele que não nasceu em uma família rica, enfim, aquele que é excluído pela sociedade por diversas razões, porque não tem dinheiro ou porque é um presidiário. Enfim, essa imagem que eu vejo que o IPA tenta buscar, de dar uma atenção a essas pessoas, que é uma marca muito forte nas ações do IPA” (Entrevista 5). A imagem inclusiva do IPA perpassa o entendimento das pessoas: “para mim é muito clara a imagem que o IPA, não só quer alcançar como esta alcançando, a de uma Universidade inclusiva que quer marcar um apoio às minorias. Basta ver a criação das
Cátedras de Gênero, o aumento de negros na faculdade, a Cátedra dos Direitos Humanos, a classe dentro da Penitenciária. O IPA quer mostrar a sua cara para sociedade. Nós somos uma Universidade, um Centro Universitário democrático e que estamos ao lado da minoria como dos sem terra, dos negros, dos surdos, dos deficientes, das mulheres e de todos os excluídos. Essa é a cara do IPA” (Entrevista 6) e que vem ao encontro da Missão educativa
da Igreja Metodista, revelada em seu documento que fala das Diretrizes para a Educação em suas instituições. Para a educação metodista, o interesse social é mais importante que o individual (DEIM, 1982). Também corrobora esta fala, o texto do PDI (2005 – 2010) que dita os princípios do Projeto Institucional/Administrativo/Pedagógico, cujas atividades o Centro Universitário Metodista deve concretizar “o papel social na perspectiva dos valores cristãos”, “o compromisso com as lutas solidárias em favor da justiça e do direito dos excluídos”, bem como, “a vocação a que todos fomos chamados: oposição a todos os sinais de morte em favor de todos os sinais de vida individual e coletiva” (p. 7).
Nos últimos 5 anos, a identidade da educação metodista tem-se firmado na comunidade de Porto Alegre como Centro Universitário. A instituição tornou-se mais dinâmica e pró-ativa, conforme coloca uma ex-aluna, sobre a imagem da instituição, hoje:
“na época que eu fiz minha graduação, quando era faculdade e a estrutura acadêmica era totalmente diferente, acho que isso dá muita consistência para o curso, dá muita consistência para a Instituição” (Entrevista 5), “o IPA mudou a sua identidade, é outro IPA, sem perder tradições da Igreja, da educação metodista, mas a imagem do IPA passa agora para a comunidade. É uma imagem de estudo forte, uma imagem pedagógica forte de qualidade de ensino, extensão na comunidade, essa é a nova identidade do IPA” (Entrevista 4). O Centro
Universitário Metodista “passa a ser agora um centro de referência acadêmica” (Entrevista 4), “o seu visual cresce dentro da cidade de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul” (Entrevista 4), conforme um dos depoentes pensa e se manifesta. Os depoimentos das entrevistas referendam a Missão da instituição, no que tange à sua vocação como instituição educacional gaúcha: “interrelacionar-se com as dimensões política, cultural, científica e social do Rio Grande do Sul e de sua vizinhança, formando lideranças sociais responsáveis, cooperando na inserção do estado no contexto nacional e internacional, de modo a resultar em melhor qualidade de vida para sua população” (PDI 2005 – 2010, p.3).