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5 KREFTER SOM VIRKER SENTRALISERENDE OG DESENTRALISERENDE PÅ

5.4 Det politiske feltets innflytelse på toppidrettsarbeidet

5.4.3 Suksess i toppidrett – suksessfull nasjon

O 8º encontro aconteceu no dia 02 de Maio de 2008 e dele participou uma estrangeira religiosa, Joana, que estava fazendo uma pesquisa sobre os movimentos populares. Na condição de participante e, ao mesmo tempo no papel de observadora do grupo, ela foi bem acolhida pelos jovens.

O objetivo do encontro foi problematizar as relações interpessoais, focando como cada um vivia a afetividade. Para isso, levamos um texto intitulado “Por que as pessoas gritam?” (vide anexo 2) e iniciamos com a leitura e discussão do material em duplas. Posteriormente, sugerimos que as duplas fossem trocadas para que se discutisse acerca da seguinte pergunta geradora: “Como eu interajo com os outros nos diferentes grupos que faço parte? Focar meu jeito de ser e meu tom de voz”.

Participamos do subgrupo em que estavam Ulisses e Pedro. Os dois leram o texto sozinhos, em voz baixa, e estavam muito calados. Aproximamo-nos da dupla e perguntamos o que eles tinham achado do texto, se algo havia lhes chamado a atenção. Pedro trouxe o trecho de que quando as pessoas estão enamoradas falam baixo, mas não aprofundou. Ulisses permaneceu calado. Buscamos, então, a pergunta geradora para conversarmos e Ulisses trouxe alguns aspectos da sua identidade “sou calado, na minha

(...) procuro ficar na minha para não arrumar confusão (...) não gosto de falar muito porque sou tímido e também para não arranjar confusão” (RV8.P14.L693-695). Seu

discurso fez emergir duas personagens: jovem-tímido e jovem-que-não-gosta-de- confusão. Pedro identificou-se com Ulisses e afirmou “sou calado, procuro não brigar

Foi momento de as duplas serem trocadas. Participamos do subgrupo composto por José e Joana e, quando nos aproximamos, ela estava traduzindo o texto para o Inglês a pedido de José. Aproximando-nos, então, do subgrupo de Penélope, Suzane e Pedro. Suzane revelou a jovem-briguenta com os olhos cheios de lágrimas

“esse texto foi feito para mim (...) eu sou muito estressada e qualquer coisa eu grito com o meu irmão” (RV8.P14.L700-701). Penélope já se colocou diferente “eu não sou de brigar, mas meu tom de voz é alto” (RV8.P14.L701-702).

Finalizamos o momento de discussão em subgrupo e reunimos todos numa grande roda, sentados no chão, a fim de fazermos uma síntese das discussões, e pela primeira vez os participantes do grupo avançaram ao expor sua intimidade e história de vida. Tivemos então um início de intimidade verbal (grupo-com-intimidade-verbal).

Segundo Góis (2002a), a intimidade verbal é o compartilhar de sentimentos vividos no encontro anterior, de histórias de vida, de experiências vividas dentro ou fora do grupo, descobertas existenciais, enfim, um conteúdo com carga emocional expressiva. Nesse encontro, onde o grupo estava menor e no qual estavam presentes os mais regulares, os participantes puderam falar de si e de seus relacionamentos pela vida. O tema proposto, afetividade, mobilizou a expressão dos jovens ali presentes.

Num segundo momento, o grupo entra numa fase ou campo psicológico, onde, após os primeiros reconhecimentos do terreno, surgem as primeiras emoções e afetos, acompanhado de interesse por outras pessoas, coisas ou situações. [...] No campo geográfico, as emoções são experimentadas por antecipação, por medo, mas não são relacionais. [...] No campo psicológico, elas surgem no aqui e agora, de um relacionamento já presente (RIBEIRO, 1994, p.66).

Ricardo iniciou, comentando que “minha mãe passa o dia gritando comigo, eu

acho é graça, porque não vou brigar com ela” (RV8.P15.L654-655). Rômulo

comentou que fica distante de sua mãe grande parte do dia e muitas vezes quando ela chega em casa, cansada e estressada, facilmente os dois entram em atrito “minha mãe

briga muito comigo e eu grito muito com a minha mãe” (RV8.P15.L657). Pâmela e

Ricardo afirmaram que “brigar com a mãe é pecado” (RV8.P15.L775). Suzane ficou calada durante o diálogo inteiro, mas atenta a cada palavra.

Penélope compartilhou o que havia discutido no subgrupo, sobre o tom da sua voz e acrescentou que nas suas relações com os outros se percebia muito orgulhosa e estressada, pois se chateava com facilidade e, caso estivesse errada numa discussão, dificilmente pedia desculpas ou assumia o erro.

José falou muito sobre a sua história, relacionada a grupos na escola. Comentou que sempre se inseriu em “grupos mais fortes”. Costumava juntar-se a eles para brigar e bater nos outros alunos, fazendo “corredor polonês”. Naquele encontro, relatou que não se percebia mais assim, e que estava fazendo parte do grupo de louvor da sua igreja (jovem-evangélico e jovem-artista). Para ele, o grito “é um som que saiu

distorcido e a gente tem que consertar” (RV8.P15.L668-669)..

Pâmela comentou que geralmente é calada (jovem-tímida), “sou na minha

(...) mas agora, se eu tiver passando na rua e uma pessoa cochichar, eu tiro satisfação, quero nem ver!” (jovem-ignorante, RV8.P15.L672-673). Pedro trouxe seu jeito calado

de procurar não brigar com ninguém, contrastando com a maioria do grupo. Ulisses pediu para sair mais cedo, pois estava cansado do trabalho e não participou da vivência (jovem-trabalhador).

Solicitamos, como atividade preparatória para a vivência, que cada um procurasse um lugar no salão e pensasse numa música que estivesse naquele momento em seu coração e iniciamos a atividade sem intervalo, com um caminhar alegre e com encontros (Hello goodbye – Beatles). Percebemos Penélope muito tímida na expressão corporal, enquanto que verbalmente expressava-se muito bem. Rômulo, José e Ricardo deram um matiz de ludicidade à vivência, facilitando a espontaneidade de Pâmela, Suzane e Penélope. Colocamos a música duas vezes, interrompendo para dar algumas consignas que facilitaram a espontaneidade de cada um.

O exercício de eutonia (Billitis – Zamfir) foi o seguinte. Rômulo e a visitante do grupo estavam muito distantes e com o braço reto. Suzane e Pedro estavam pouco conseguindo mover-ser, com o braço rígido e com movimentos angulares. Interferimos na vivência dessas duas duplas, participando do exercício, introduzindo o nosso dedo, regulando a velocidade e dando mais plasticidade ao movimento.

A roda afetiva de coração a coração foi o exercício seguinte (Meu mestre, meu coração – Milton Nascimento). Com os olhos fechados, nosso coração, ritmo e melodia se encontraram fluidamente, o que possibilitou o exercício posterior (grupo afetivo – Tamba-tajá – Fafá de Belém). José, Pâmela, Penélope e Suzane não fecharam os olhos. Rômulo colocou as mãos na frente do tronco, cobrindo a região genital. José ficou um pouco de fora da roda.

O exercício seguinte foi oferecer o coração, buscando fortalecer a vinculação entre cada participante do grupo (Yo vengo te ofrecer mi corazón – Mercedes Sosa), belíssimo momento de encontros, olhares e sensibilidade. Sentimos as mãos de

Penélope trêmulas. Na roda de ativação progressiva (Bem-te-vi – Paulinho Pedra Azul), o grupo se harmonizou para o fechamento do encontro: cada um cantou sua música que havia pensado antes da vivência.

José: “Amor eterno – Aline Barros” (jovem-evangélico) Rômulo: “Monte Castelo – Legião Urbana”.

Ricardo: “Trem das Onze – Demônios da garoa”. Suzane: “Só hoje – Jota Quest”.

Pâmela: “Recomeçar – Aline Barros”.

Penélope: “Quando a chuva passar – Ivete Sangalo”. Pedro: Música da sua igreja.

Penélope cantou com uma bela voz e foi aplaudida e reconhecida pelo grupo. A música e ajudou outros a cantarem as suas. Finalizamos o encontro lanchando.