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5 KREFTER SOM VIRKER SENTRALISERENDE OG DESENTRALISERENDE PÅ

5.2 Etableringen av Regionale kompetansesentere for toppidrett

5.2.4 Lik utforming - men med hvert sitt særpreg

A proposta inicial para o 5º encontro do grupo foi a realização de uma oficina de graffiti. Durante a semana, tentamos entrar em contato com Willian para confirmar

sua co-facilitação, mas não conseguimos nos comunicar com ele. Pouco antes de iniciarmos o grupo, Gilson chegou justificando a ausência de Willian naquela tarde por motivos de saúde, fato que o levou a faltar.

O imprevisto nos fez novamente modificar naquele instante o planejamento do encontro. Havíamos decidido trabalhar a temática da dengue e o graffiti seria a possibilidade de dentro do tema sugerido, termos uma vivência artística; além do que a própria proposta de convidar Willian para co-facilitar o encontro conosco seria uma oportunidade para valorizar a arte presente naquele jovem daquele grupo, cujo desdobramento seria convidar outros jovens para terem uma experiência de co- facilitação conosco. A princípio, a estréia seria com Willian, mas não foi possível. Daí nossos planos mudaram de direção.

No encontro anterior, Pâmela nos falou da existência de um texto que ela conhecia e que seria bem interessante para trabalharmos no grupo. Ela se disponibilizou de trazê-lo e de fato trouxe, no entanto quando lhe sugerimos para trazer o texto em algum momento daquela tarde para as discussões do grupo, ela disse que não queria, mostrando-se uma participante-tímida. Respeitamos sua escolha e o guardamos para ser lido na sexta-feira seguinte, dentro de outro contexto.

Nesse encontro, realizado no dia 11 de abril de 2008 participaram 15 (quinze) jovens. Pela primeira vez, não havia nenhum novo participante a ser apresentado e todos os jovens ali presentes minimamente já se conheciam.

Como forma de contemplarmos a discussão sobre a dengue, exibimos dois vídeos sobre: o 1º mostrando cada fase de desenvolvimento do mosquito aedes aegypti desde a fecundação até a fase adulta; e o 2º foi um documentário falando dos sintomas da dengue e dos cuidados que cada um deveria ter para evitar a reprodução do mosquito. Iniciamos um diálogo após o vídeo, aprofundando as seguintes questões: saúde, cidadania e ecologia. Todos os jovens presentes no grupo já haviam ouvido falar sobre a dengue através da mídia, no entanto somente 2 (dois) haviam discutido esse tema: Penélope (na escola) e Anderson (no ônibus). Ficou evidente que as informações estavam ao acesso de todos, mas o aprofundamento e a construção de um conhecimento compartilhado sobre a dengue entre os jovens ali presentes e os grupos sociais com que conviviam havia pouco espaço para acontecer. Talvez fosse por isso que, sempre que trazíamos algum tema para a discussão, havia um silêncio inicial difícil de ser rompido. Parecia-nos que faltavam espaços de diálogo no cotidiano dos jovens para que eles pudessem se pronunciar no mundo. Estávamos tentando criar esse espaço e com

algumas dificuldades sentíamos que estávamos conseguindo vencer o silêncio – neste encontro, porém, ficou bastante claro o reflexo da nossa proposta reluzindo no discurso de muitos que se colocaram na problematização. Durante o diálogo, Pâmela e Dilma não participaram da discussão, pois conversavam outro assunto entre si difícil de ser finalizado, mesmo após algumas intervenções das facilitadoras. Lailson também permaneceu calado (participante-calado) e Lívia dormiu durante uma parte da discussão.

Penélope trouxe muitas contribuições ao vídeo a partir das discussões que vivenciou em sala de aula. Percebemos no discurso dos participantes uma cultura que culpabilizava os governantes pelas questões sociais. O discurso de Penélope e de Ricardo trouxe essa dimensão quando afirmaram que a doença já havia sido erradicada, mas pelo fato de não ter sido feito um trabalho sério e profundo pelos políticos, a doença voltou. Anderson também enfocou essa perspectiva, quando falou que em frente a sua casa havia um buraco enorme que sempre consertavam, mas que nunca resolviam efetivamente o problema.

Esse foi o mote para discutirmos sobre cidadania e participação, tentando desmistificar a aparente não convergência entre o papel do Estado e do cidadão. Trouxemos também a questão ecológica como um ponto a ser focado no debate sobre a dengue e a saúde de uma forma geral. Havia na palhoça um grande painel produzido pelo CAPS contendo os materiais recicláveis e o período de decomposição de cada um deles. Utilizamos esse material para potencializar a discussão sobre o meio ambiente e o cuidado que devemos ter com o nosso planeta. Sugerimos um desafio: cada participante falar algo que pudesse fazer no seu dia para evitar a dengue.

Havia também na palhoça uma mesa com vários objetos que foram feitos com material reciclável. Como não havia acontecido a oficina de graffiti, utilizamos aqueles objetos para “fazer arte”, uma vez que também buscávamos através da arte-identidade resgatar a arte como elemento conscientização. Convidamos, então, os jovens a passearem pela mesa, observando cada objeto, e utilizarem como fomentadores da criatividade. Dividimos, então, o grupo em 3 (três) equipes, e cada uma teve como objetivo apresentar de forma lúdica e criativa algum aspecto da discussão que tivemos para o restante do grupo. No momento da apresentação das equipes, uma das facilitadoras assumiu o papel de apresentadora de um programa de televisão cujo auditório foi composto pelas outras equipes que aguardavam iniciar sua apresentação.

Grupo 2: Anderson, Wills, Gilson, Lia e Lívia. Grupo 3: Roberto, Ricardo, Glória, José e Dilma.

O grupo 1 teve muita dificuldade no seu processo. Somente Penélope parecia mobilizada em construir alguma proposta para apresentar para o grupo, enquanto os demais ficaram esperando o tempo passar. Optaram pelo fantoche e Pedro desenhou detalhadamente o mosquito da dengue num pedaço de cartolina. Na apresentação da equipe, Pâmela não participou (teria sido novamente a aparição da personagem participante-tímida?). Na apresentação, Lailson e Helton ficaram calados (participantes-calados) e Pedro assumiu o papel do mosquito da dengue e do médico. No entanto, ele não soube explicar como médico o que fazer para cuidar dos sintomas da dengue. Penélope, rapidamente pegou outro fantoche, assumiu o papel do médico e conduziu a apresentação da equipe até o final, iniciando com a seguinte frase: “se

depender de vocês todo mundo vai morrer de dengue” (RV5.P12.L577-578).

FIGURA 9: Apresentação de fantoches do Grupo 1

O grupo 2 demorou pouco para definir o que propor e para preparar a sua apresentação. Escolheram um acróstico com a palavra dengue e apresentaram-no para o auditório.

Depende de nós. Esforço de todos.

Nossa luta não pode parar. Guerra contra a dengue. União é a força.

FIGURA 10: Apresentação do acróstico do Grupo 2

O grupo 3 rapidamente definiu papéis, personagens e falas. Escolheram os fantoches e apresentaram a cena de dois garotos conversando sobre dois amigos que estavam com dengue: uma menina (Glória) e outro menino (José) com dengue hemorrágica. Ao final o presidente Lula, interpretado por Ricardo, apareceu e falou que iria acabar com a doença em todo o país.

FIGURA 11: Apresentação de fantoches do Grupo 3

Esse encontro foi, então, finalizado com o lanche e um matiz de ludicidade esteve presente nos participantes nesse momento. O grupo-ainda-mais-vinculado conversava entre si, sorria e se despedia na promessa de um reencontro na sexta-feira seguinte. Percebemos que esta personagem foi potencializada pelo encontro anterior e evidenciada no momento do diálogo que realizamos após a apresentação de um vídeo

sobre a dengue, no qual muitos participaram na construção de um conhecimento acerca do tema sugerido.

... o psicólogo na comunidade trabalha fundamentalmente com a linguagem e representações, com relações grupais de vínculo essencial entre o indivíduo e a sociedade e com as emoções e afetos próprios da subjetividade, para exercer sua ação ao nível da consciência, da atividade e da identidade dos indivíduos que irão, algum dia, viver em verdadeira comunidade (LANE, 1996, p. 31). Além da participação ativa dos jovens durante o círculo de cultura, utilizamos a arte como possibilidade de expressão e de síntese do conhecimento construído coletivamente. “Na arte, os processos criativos, podemos vivê-los, conectá-los dentro de uma ordem expressiva, num pulsar entre a origem e uma nova percepção diante da vida” (MENEZES, 2007, p.3). Nesse encontro, pudemos ver dentro da atividade criativa a construção de uma nova consciência acerca da realidade, emergindo novos matizes da identidade de cada jovem-ator ali presente.