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Antes do início da sessão de deflacionamento do feedback da PSE esperada, os participantes receberam a informação de que a PSE deles que seria gerada durante o teste, seria menor em relação à PSE gerada na sessão de referência (visita 2). Já antes do início da sessão de inflacionamento do feedback da PSE esperada, os participantes receberam a informação de que a PSE deles que seria gerada durante o teste, seria maior em relação à PSE gerada na sessão de referência (visita 2). Considerando os valores de PSE obtidos na sessão de referência, o pesquisador reportou aos participantes valores manipulados do feedback da PSE esperada.

5.2.3.2.1 Manipulação do feedback da PSE esperada

Na sessão de teste para deflacionar o feedback da PSE, o valor da PSE reportada pelo pesquisador foi em dois valores abaixo do valor de PSE da sessão de referência do minuto correspondente. Na sessão de teste para inflacionar o feedback da PSE, o valor da PSE reportada pelo pesquisador foi em dois valores acima do valor da PSE da sessão de referência do minuto correspondente.

A manipulação do feedback da PSE esperada sendo deflacionada e inflacionada em dois valores em relação à PSE do teste de referência considerou resultado de testes piloto realizados por participantes jovens e idosos. Nos testes incrementais, a PSE dos participantes aumentou em uma ou em duas unidades com o avanço de cada estágio, isto é, com o aumento da intensidade do exercício ao longo de todo o teste. Também, nos testes de carga constante, a PSE ao longo dos

30 minutos de exercício aumentou em uma unidade nos momentos em que os participantes percebiam um aumento do esforço. Considerando isso, a diferença de dois valores em relação à PSE do teste de referência pode ser considerada adequada para deflacionar e inflacionar o feedback da PSE esperada.

Adicionalmente, cada âncora verbal da escala RPE de Borg possui dois valores. Assim, um ajuste em dois valores representa uma categoria acima ou abaixo da PSE de referência, tornando a manipulação de deflacionar e inflacionar a PSE mais eficiente. Por outro lado, um ajuste maior que dois valores em relação à PSE de referência pode ser facilmente percebido pelos participantes como uma “informação errada”, como observado por Pires e Hammond (2012). Neste estudo, os autores verificaram que um intervalo maior que duas categorias na escala de Borg, isto é, um ajuste maior que dois valores, representa uma diferença considerável na intensidade do exercício físico, que pode permitir que os sujeitos reconheçam tal ajuste como uma “informação errada”.

5.2.3.3 Obtenção da PSE

A fim de minimizar possíveis efeitos de atenção de momento, a escala de Borg (6-20) utilizada nessas sessões continha dois marcadores confeccionados em ímã (Figura 6). Estes marcadores foram destinados para indicar e tornar visível aos participantes o valor da PSE geral e periférica que o pesquisador reportou. Dessa maneira, os participantes tiveram maior facilidade em assimilar a PSE reportada.

Como foram obtidas medidas tanto da PSE geral como da PSE periférica, e considerando que cores podem ser utilizadas para chamar a atenção para determinado contexto (BRAUN; KLINE; SILVER, 1995), houve um marcador de uma determinada cor para casa PSE. Assim, houve um marcador na cor vermelha e um marcador na cor amarela, uma vez que estas cores são comumente utilizadas para sinalização (BRAUN; KLINE; SILVER, 1995). A fim de evitar a influência das cores em determinada PSE, estas foram randomizadas entre as medidas de PSE (geral e periférica) entre os participantes.

Estes marcadores também permitiram que os participantes ajustassem a marcação selecionada pelo pesquisador caso eles não concordassem com a PSE reportada. Na sessão controle, a escala de Borg (6-20) foi mostrada para os

participantes com a marcação representando o mesmo valor de PSE da sessão de referência do minuto correspondente. Na sessão de deflacionamento da PSE, a marcação foi posicionada em um valor de PSE deflacionado em dois valores em relação ao valor da sessão de referência do minuto correspondente. Já na sessão de inflacionamento da PSE, a marcação foi posicionada em um valor de PSE inflacionado em dois valores em relação ao valor da sessão de referência do minuto correspondente.

Se os participantes concordassem com a PSE reportada pelo pesquisador, eles deveriam manter a marcação selecionada. Em contrapartida, se os participantes não concordassem com a PSE reportada pelo pesquisador, eles deveriam ajustar a marcação selecionada por ele e marcar um valor de PSE que julgassem sendo o correto. Havendo concordância dos sujeitos em relação à marcação selecionada pelo pesquisador, o valor da PSE desta marcação selecionada foi considerado como a PSE atribuída pelos participantes. Havendo ajuste da marcação selecionada, o valor da PSE ajustada pelos participantes foi considerado como a PSE atribuída por eles.

Figura 6. Escala RPE de Borg com os marcadores utilizados nas sessões experimentais.

Como exemplo, podemos considerar as seguintes situações de teste. Na sessão de referência, a PSE geral de um sujeito no 3° minuto de exercício foi estimada em 10. Assim, na sessão controle o pesquisador irá mostrar para o sujeito,

no 3° minuto de exercício, a escala de Borg com a marcação no número 10, e irá reportar: “Com base em nossos dados, sua PSE geral está 10, você concorda?”. Já na sessão experimental de deflacionamento da PSE, o pesquisador irá mostrar para o sujeito, no 3° minuto de exercício, a escala de Borg com a marcação no número 8, e irá reportar: “Com base em nossos dados, sua PSE geral está 8, você concorda?”. Finalmente, na sessão experimental de inflacionamento da PSE, o pesquisador irá mostrar para o sujeito, no 3° minuto de exercício, a escala de PSE com a marcação no número 12, e irá reportar: “Com base em nossos dados, sua PSE geral está 12, você concorda?”. Os participantes podem concordar e manter a marcação selecionada, ou discordar e ajustar a marcação selecionada. O mesmo processo deve ser realizado a cada três minutos para a PSE geral e periférica.

5.3 Questionários

5.3.1 Primeira visita

Na primeira visita ao laboratório, os participantes responderam o questionário PAR-Q para verificar se estavam aptos à prática de exercícios físicos. Também, eles responderam o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) (BRUCKI et al., 2003) para verificar suas funções cognitivas (ANEXO D).

5.3.2 Visitas 2, 3, 4 e 5

Antes e após as sessões 2, 3, 4 e 5, os participantes responderam a Escala de Humor de Brunel (BRUMS) (TERRY; LANE; FOGARTY, 2003) em sua versão em português (ROHLFS et al., 2008) (Anexo E). Este questionário pode ser considerado como uma versão abreviada do POMS (McNAIR; LORR; DROPPLEMAN, 1992). O BRUMS é um instrumento que avalia os estados de humor e contém 24 itens divididos em seis subescalas (tensão, depressão, raiva, vigor, fadiga e confusão). Cada subescala contém quatro itens que são respondidos em uma escala de cinco pontos (de 0 = nada a 4 = extremamente). Os participantes responderam os itens deste instrumento levando em consideração a pergunta “Como você se sente agora?”

Os participantes também responderam uma escala de motivação (TENENBAUM; KAMATA; HAYASHI, 2007) antes do início dos testes, que possibilitou mensurar o nível de motivação em que eles se encontravam para realizar o protocolo de exercício (Anexo F). Tenenbaum, Kamata e Hayashi (2007) fornecem forte justificativa para a aplicação de instrumentos de medidas de item único para a mensuração de estados psicológicos. O instrumento utilizado no presente estudo foi uma escala de 11 pontos variando de 0 (sem motivação nenhuma) à 10 (extremamente motivado). Os participantes deveriam assinalar um número que correspondesse à motivação do momento baseando- se na pergunta “Como você se sente agora?”

5.3.3 Visita 5

A fim de verificar se os feedbacks de deflacionar e inflacionar a PSE esperada dos participantes foram eficientes em enganá-los em relação à sua PSE, os participantes responderam a seguinte pergunta ao final da última sessão de teste: “Considerando as três últimas sessões de testes, você achou que a sua percepção de esforço foi diferente entre os testes?” (Apêndice B). Como respostas, os participantes deveriam assinalar “sim”, “não” ou “não sei” para a pergunta. Se os participantes respondessem “sim” à pergunta, eles deveriam indicar em qual sessão de teste eles acharam que a sua PSE foi diferente e o quanto foi diferente (menor ou maior).