Atualmente, o interesse em compreender os mecanismos que estão envolvidos na estimação do esforço percebido e os fatores que estão envolvidos na limitação do desempenho físico vem crescendo. De acordo com Eston (2012), a PSE pode ser considerada como uma importante ferramenta para prescrever e regular a intensidade do exercício físico, bem como avaliar a carga de treinamento. Considerando que a PSE durante um exercício físico reflete o esforço despendido na realização de tal tarefa física, é de se esperar que a PSE tenha uma importante relação com o desempenho. De fato, essa relação tem sido evidenciada em diversos estudos. Recentemente, atribuiu-se ao esforço percebido um papel relevante na modulação da tolerância ao exercício físico, podendo ser fonte de informação importante para apontar os limites de tolerância ao esforço (SUZUKI et al., 2007). Em estudo de Faulkner, Parfitt e Eston (2007) foi verificado que valores submáximos da PSE podem ser utilizados para predizer a capacidade máxima de exercício físico em homens e mulheres.
Horstman et al. (1979) foram um dos primeiros autores a observarem que a taxa de mudança da PSE durante exercício físico de carga constante pode ser utilizada como um indicador sensível do ponto de exaustão voluntária. Neste estudo, 26 homens saudáveis realizaram exercício de caminhada e corrida em esteira a 80% do VO2máx até a exaustão voluntária. Notou- se que a PSE aumentou durante os
testes em uma função linear em relação à porcentagem da duração total do exercício físico, de modo que foram obtidos valores máximos de PSE no momento da exaustão. Os autores salientaram que o padrão de mudanças da PSE ao início do exercício físico pode ser utilizado como um preditor do tempo de exercício até a exaustão. De maneira similar, Noakes (2004) verificou uma relação linear entre a
PSE e a duração do exercício físico em sujeitos nas condições de depleção e repleção de carboidratos. Os valores de PSE na exaustão foram similares entre os sujeitos e não foi observada diferença na PSE em relação à porcentagem da duração do exercício físico entre as condições experimentais.
Mais recentemente, foi demonstrado que a taxa de aumento da PSE durante exercício no cicloergômetro de carga constante até a exaustão está relacionada com o tempo de exercício físico (ESTON et al., 2007). Eston et al. (2007) verificaram que tanto nas condições de exercício com e sem fadiga, a taxa de aumento da PSE em relação à porcentagem do tempo completado ou a ser completado foi similar. Utilizando tarefas com a duração pré-determinada, Joseph et al. (2008) reportaram que houve um aumento similar da PSE em relação à distância percorrida relativa em sessões de exercício no cicloergômetro a diferentes distâncias (2,5 km, 5 km e 10 km).
Considerando que a temperatura do ambiente pode influenciar o desempenho, Crewe, Tucker e Noakes (2008) analisaram a relação entre PSE e duração do exercício físico sob diferentes condições ambientais. Neste estudo, sete ciclistas realizaram cinco sessões de exercício no cicloergômetro de cargas constantes. As sessões variaram em relação à carga de exercício (55%, 60%, 65% e 70% da carga de trabalho máxima) e à temperatura (15°C e 35°C). Os autores verificaram que a PSE aumentou de maneira linear em relação à porcentagem da duração total do exercício físico e a taxa de aumento da PSE foi similar em todas as condições. Também, os autores observaram uma correlação negativa entre a duração do exercício físico e a taxa de aumento da PSE, sugerindo que este aumento pode predizer a duração total da sessão de exercício.
Em estudo de Paterson e Marino (2004), 21 ciclistas foram submetidos a três sessões experimentais no cicloergômetro. A primeira e terceira sessões consistiram em pedalar 30 km. Na segunda sessão, um grupo pedalou 36 km, outro grupo pedalou 24 km e outro grupo pedalou 30 km (controle). Entretanto, os sujeitos foram informados que as três sessões consistiriam em pedalar 30 km. Os autores verificaram que os indivíduos que foram enganados quanto à distância a ser percorrida realizaram a terceira sessão experimental (30 km) com base na PSE da sessão anterior (24 ou 36 km), isto é, eles ajustaram o ritmo de exercício de tal modo que o tempo para completar a distância refletiu a PSE esperada para aquela sessão. Portanto, o grupo que pedalou os 36 km na segunda sessão, realizou a terceira
sessão em um tempo menor em relação à primeira sessão. Por outro lado, o grupo que pedalou 24 km na segunda sessão, realizou a terceira sessão em um tempo maior em relação à primeira sessão. Assim, os autores concluíram que os sujeitos selecionaram um ritmo de exercício baseado na PSE, e não na real distância a ser percorrida.
Estes achados evidenciam a relação direta entre medidas da PSE durante uma tarefa e o desempenho físico. Assim, a PSE se configura como uma ferramenta útil para regular o desempenho, como no caso de provas de longa duração com a distância a ser percorrida pré-definida. Neste sentido, a PSE pode ser aplicada em estratégias de corrida, de modo que atletas poderiam ajustar o ritmo de corrida baseando- se na sua PSE.
Para situações onde não se aplicam exercícios de carga constante e durações pré-definidas, a PSE também pode ser um índice útil para avaliar o término de um teste. Para Noble e Robertson (1996), a PSE pode ser um índice de estresse metabólico melhor do que medidas da FC. A fim de identificar uma zona de percepção para antecipar o término de um teste, Goss et al. (2010) submeteram homens e mulheres saudáveis ao protocolo de Bruce em esteira. Durante o teste, os sujeitos reportaram a PSE a cada minuto. Os autores verificaram que a maior PSE associada com menos de um estágio de exercício adicional foi de 14 para as mulheres e 15 para os homens. Ainda, nos valores de PSE de 15, 16 e 17, não houve diferença significativa nos tempos para o término dos testes entre os sexos. Esses achados são de particular importância, uma vez que a identificação de uma zona perceptual próxima a exaustão pode aumentar a segurança de testes incrementais e facilitar a obtenção de medidas submáximas e máximas. Assim, a PSE pode ser um preditor acurado em relação ao término de um teste incremental, podendo também predizer o desempenho físico nesses tipos de testes.
4.2.2 Regulação da intensidade do exercício e limitação do desempenho físico