B) The Bambili and Babanki-tungoh and the Genesis of the Ethnic Conflicts …
4.1.3 Suggested Solution
A escola federal está situada dentro do campus da Universidade Federal de
Minas Gerais e oferece Cursos Regular e Técnico de nível médio. Segundo informação
da Seção de Ensino, obtida por meio de entrevista, “os alunos entram para esta escola
por exame de seleção, e este concurso distribui os candidatos em três faixas sócio-
econômicas. Na faixa A, estão os candidatos cuja renda familiar é de 0 a 5 salários
mínimos, na faixa B, de 6 a 10 salários mínimos e na faixa C, a renda familiar está
acima de 10 salários mínimos (vigentes à época do concurso). As vagas em cada faixa
sócio-econômica são distribuídas dividindo-se o número de vagas do concurso pelo
número de candidatos inscritos em cada faixa. Para que o candidato seja alocado em
cada faixa, pedimos que o responsável pelo candidato nos forneça o rendimento
familiar. No ato da matrícula, o candidato deverá comprovar o rendimento declarado no
ato de inscrição. O candidato concorre com os candidatos de sua faixa sócio-econômica.
Os alunos do ensino médio fazem matérias optativas nas três áreas oferecidas pelo
Até 1999 o colégio reservava 70 vagas para os alunos da Escola
Fundamental do Centro pedagógico da UFMG, que eram distribuídas em função da
média das notas obtidas por esses estudantes durante todo o ensino fundamental. Essas
70 vagas não contemplavam todos os alunos. A Resolução 02/95, reedita e modifica a
resolução 01/94 do Colegiado Superior do Centro Pedagógico que versa sobre os
critérios de classificação dos alunos da 8ª série da Escola Fundamental do Centro
Pedagógico/UFMG (Anexos nº1._). No ano 2000, o Pró-Reitor de Graduação assina um
documento ampliando o número de vagas para 90 e afirmando a necessidade de que os
alunos que desejarem fazer o Ensino Técnico deverão submeter-se ao concurso naquela
escola, mesmo sendo oriundos da Escola Fundamental do Centro Pedagógico (Anexo
2). Atualmente, a escola continua reservando as 90 vagas.
Os estudantes oriundos de outras escolas passam por provas de seleção
consideradas muito difíceis, ou seja, conquistam o direito de entrar na escola federal
pelo alto nível de desempenho escolar que apresentaram no concurso citado acima. Há
um alto investimento deles e de suas famílias para entrar e se manter incluídos nessa
escola. Já os estudantes que são oriundos da Escola Fundamental do Centro Pedagógico,
por terem o direito de freqüentá-la garantido por lei federal, apresentam relações
diferenciadas com a escola. Por esse mesmo motivo, a escola federal também apresenta
uma relação diferenciada com esses alunos. No ano de 2001, eles foram separados em
“turmas especiais” por serem considerados mais fracos do que os estudantes
selecionados por concurso. Essas relações, de uma certa forma, influenciam os
processos de inclusão/exclusão de estudantes, mais especificamente, de estudantes de
A escola conta com 22 salas de aulas ao todo, sendo 6 salas do 2º ano.
Conta, ainda, com 27 laboratórios, sendo 1 de hialotecnia, 4 de patologia clínica, 4 de
biologia, 8 de química, 2 de física, 3 de eletrônica, 4 de instrumentação e 1 de
matemática. Conta ainda com biblioteca, cantina, uma oficina mecânica, uma oficina de
madeira, pátios interno e externo. Há, ainda, as salas da administração, da coordenação,
de psicólogos, etc. Os professores estão organizados por setor – química, física,
biologia, instrumentação, eletrônica, etc - e ocupam gabinetes compartilhados com dois
ou três colegas do setor. Os espaços são amplos, pois a escola ocupa dois prédios
anexos, um com dois andares e outro com três. Na entrada da escola, temos o balcão de
informações, a cantina e os escaninhos dos estudantes. Não há um controle rígido de
quem entra e de quem sai da escola. O controle é mais rígido quando se entra e/ou se sai
com equipamentos da escola ou de outras escolas.
Os professores da escola federal são, em sua maioria, professores de carreira
da UFMG, em regime de dedicação exclusiva e com carga horária de aulas compatível
com a carreira universitária. Há um grande número de doutores e mestres. A professora
da sala de aula investigada é doutora em química orgânica. Nos últimos anos a escola
tem passado por dificuldades para renovar seu quadro docente, o que significou um
aumento substancial da carga horária dos professores efetivos e no número de
professores substitutos, com contrato em caráter precário.
1.1. O espaço físico e cultural da sala de aula da escola federal
Na sala de aula havia 27 estudantes: 13 homens e 14 mulheres, 09 negros e
homens e 10 mulheres. Durante o período em que as aulas foram acompanhadas e
gravadas em vídeo, os alunos estudavam a unidade Termoquímica.
O espaço físico da sala de aula, na verdade uma sala/laboratório, era assim
organizado: seis mesas redondas com quatro ou cinco cadeiras cada,dividindo os alunos
em seis grupos. Havia, na sala, dois quadros negros. Um dos quadros não tinha lugar
para descansar o giz e a esponja de apagar. A professora colocava o giz e o apagador em
tubos por onde passam os fios de eletricidade. Na sala/laboratório, havia duas bancadas
com pias, onde os alunos realizavam suas experiências. Havia, ainda, uma estante de
ferro e um armário de madeira onde guardávamos nosso material de gravação das aulas.
Do lado de um dos quadros e em frente a uma das bancadas estava a mesa da
professora. Para realizar as gravações em vídeo, ocupamos o espaço próximo a uma das
bancadas, pois, assim, ficávamos perto do grupo que a professora elegeu para
observarmos com mais atenção, com base na sua avaliação de que este era um grupo
que funcionava, que trabalhava. As mesas dos alunos estavam dispostas em duas
fileiras, cada uma com três mesas. Uma das fileiras localizava-se próxima às janelas e
outra próxima a um dos quadros. A professora tinha um espaço limitado entre os
quadros e as mesas, quando usava a lousa para as aulas expositivas.
Dos 27 alunos que participavam das aulas, pelos menos 6 - um em cada
mesa - ficava quase o tempo todo de costas para a professora e para os quadros. No
grupo que observamos mais de perto, que chamarei de G1, havia inicialmente quatro
alunos. No início do 2º semestre esse grupo recebeu mais um aluno (Pedro), por
iniciativa da professora, que mudou a constituição dos grupos, após constatar que
muitos não estavam funcionando a contento. Nesse grupo, G1, apenas um aluno
importante sinalizar que sua inclusão na sala de aula se deu de forma bastante
diferenciada em relação aos outros participantes do grupo.
O grupo G1, do qual Donato participava, funcionava da seguinte maneira:
dois alunos, Pedro e Romênia, tomavam a iniciativa de estabelecer diálogos com a
professora e de resolver as tarefas dentro do grupo. Outros dois, Alfredo e Kátia,
realizavam todas as tarefas e discutiam com os membros do grupo, embora Alfredo
fosse mais calado do que Kátia. O que diferenciava esses alunos é que eles discutiam
com a professora com menos freqüência do que Pedro e Romênia. Já Donato não tinha
iniciativa para realizar as tarefas “teóricas”, como responder perguntas, analisar
resultados, escrever relatórios, etc. Nessas atividades, ele quase sempre copiava o que os
colegas haviam feito. Ele observava as discussões dentro do grupo e raramente
interferia nelas., Na maior parte do tempo, prestava atenção às explicações da
professora sem levantar questões. Sempre que solicitado pela professora para ler os
textos, recusava-se. Já nas atividades práticas, como experimentos, execução de dois
projetos e apresentação de trabalhos para toda a turma, ele participava com interesse e
iniciativa.
Nesta sala de aula, privilegiamos o funcionamento desse grupo, nas suas
relações com o saber, com a professora, com os outros alunos e com esse aluno
(Donato) em particular. Ao analisar esses aspectos, teremos em mente algumas
questões: como aquele aluno incluiu-se na sala, no grupo e na escola? Como foi
incluído pelo grupo, pela professora e pela escola? Que relações o grupo estabeleceu
com os colegas e com a professora em particular? Que relações o grupo estabeleceu