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Antes de apresentar as opiniões dos professores sobre as questões pesquisadas e as respectivas discussões, cabe conhecer um pouco o perfil e trajetória acadêmica destes entrevistados conforme demonstrado no quadro abaixo:

Formação Atuação na UFC Envolvimento prévio com a questão da Agricultura Familiar e Reforma Agrária

Vínculo com o PRA G25: agronomia; M26: economia do meio ambiente; D27: economia aplicada Professor do departamento de economia agrícola, das disciplinas: teoria econômica aplicada, estatística básica, economia dos recursos naturais

“eu não tinha nenhum envolvimento de pesquisa ou extensão com áreas de assentamento, então mudei este foco de trabalho a partir do PRA” (meus grifos).

Professor e orientador do Curso de Especialização; orientador dos EV; integra o “núcleo duro” do PRA. G: Economia doméstica; M: sociologia; D: em educação. Professora do departamento de economia doméstica

“um dos sonhos meus era trabalhar como extensionista na EMATER, mas daí na época passei no concurso para professora da UFC e fiquei, daí em diante sempre que pude me envolvi com trabalho com Agricultura Familiar, em assentamento e na minha dissertação de mestrado estudei sobre identidade e cotidiano de famílias assentadas”

Professora e orientadora do curso de Especialização; orientador dos EV; integra o “núcleo duro” do PRA. G: Agronomia; M: Professora do departamento de economia agrícola.

“minha formação nesta linha, começou ainda na universidade, eu participava da pastoral universitária, que tinha uma

Professora e orientadora do curso de Especialização; 25 Graduação 26 Mestrado 27 Doutorado

extensão

rural Ministra disciplinas de extensão rural, aspectos sociais da agricultura, extensão pesqueira e metodologia de pesquisa aplicada a ciências agrárias.

atuação política, junto com o movimento estudantil, de uma igreja progressista, eu trabalhei muito com os movimentos de CEB, e agente tinha muito a função de pensar a universidade”.

orientadora dos EV; coordena os Estágios de Vivência; integra o “núcleo duro” do PRA.

G: economia doméstica; M: educação; G: sociologia Professora do departamento de economia doméstica atualmente ministra as disciplinas de relações de gênero e fundamentos da economia doméstica.

“desde quando entrei na universidade [1992] eu sempre tive projetos de pesquisa e de extensão atuando em área de assentamentos rural, e sempre envolvendo estudantes e sempre envolvendo também outros departamentos”. Coordenadora geral do PRA; professora e orientadora do Curso de Especialização; orientada trabalhos dos EV; integra o “núcleo duro” do PRA. G: economia doméstica; M: economia rural; D: planejamen to urbano e regional Professora do departamento de economia doméstica. Ministra atualmente disciplinas sobre: planejamento familiar, políticas públicas para o desenvolvimento familiar e microcrédito. Professora do mestrado de Políticas públicas e coordenadora de um laboratório com este tema.

“me apaixonei pelo assunto na época do mestrado e mudei minha dissertação de última hora para esta questão”. Trabalhou com a questão dos reassentamentos no mestrado e doutorado. Orientou monografias do Curso de Especialização. G: geografia; M: geografia agrária; D: geografia política. Professor do departamento de geografia. “Nos últimos anos tenho trabalhado com geografia do Brasil, mas tenho sempre puxado pro espaço do agrário.

“Nos temos duas atividades no nosso laboratório que é o laboratório de estudos agrários e territoriais que tem vinculação direta com os MS e trabalhamos com a [Comissão Pastoral da Terra] CPT, temos dado uma assessoria aos projetos deles, ido ao campo, no próximo ano teremos atividades com a CPT e com o MST”.

Professor e orientador do Curso de Especialização; orientada trabalhos dos EV. G: serviço social; M: sociologia; D: educação; Pós D: sociologia

“trabalho no rural há muitos anos!”. Mesmo antes da graduação já trabalhava na CARITAS brasileiras, na sociedade maranhense de defesa dos direitos, meu foco sempre foi o campo, em 97 eu comecei a trabalhar com o MST, no Maranhão trabalhava com comunidades antigas. Na CARITAS trabalhávamos muito em parceria com a CPT, minha 1ª pesquisa foi numa área de quilombo no campo”. Professora e orientadora do Curso de Especialização; orientada trabalhos dos EV G: Sociologia;

“Tenho uma trajetória de vida rural, de trabalho no campo que começou no ultimo ano da graduação com a CPT, acompanhei a luta pela terra dos posseiros do oeste baiano. Meu mestrado foi a discussão da modernização e expropriação do campo Baiano. Em 87 e fui ensinar na universidade e levei esta questão comigo. Em 97 vim fazer doutorado

Orientou monografias do Curso de Especialização e participa de bancas dos trabalhos dos EV.

aqui, para estudar a questão do movimento das mulheres do campo organizadas”. G: ciências econômica s M: economia rural Professora do departamento. de economia doméstica; ministra as disciplinas de introdução a economia e economia familiar.

“não tenho projeto de pesquisa ou

extensão vinculada à questão rural” Ministrou disciplina no curso de uma Especialização. G: Agronomia; M e D: economia agrícola; pós D: políticas públicas. Professor. do departamento. de economia agrícola; ministra disciplinas de extensão rural, aspectos sociais da agricultura e extensão pesqueira na graduação; na pós graduação ministra desenvolvimento econômico e social da agricultura; avaliação e planejamento de políticas públicas. Foi pró-reitor de extensão e atualmente é chefe de gabinete do reitor.

“Na extensão tenho trabalhado quase sempre com assentamento de Reforma Agrária e nos reassentamentos, desde o plano nacional de RA, antes de entrar na universidade como professor eu já trabalhava com metodologias de avaliação de projeto de assentamento, trazendo abordagens participativas nas metodologias de elaboração de projeto em convênio com o INCRA; [...], fui uma das pessoas a trazer o PRONERA pro CE, 1997; participei do GT do Conselho de Reitores, aí sim mais engajado formalmente com a universidade, participando do centro da RA, da elaboração, da coordenação das ações.

Participou de algumas reuniões de planejamento e estruturação do Programa; orientou e participou de bancas de monografias do Curso de Especialização, acompanhou o PRA também na posição de pró-reitor de extensão. G: geógrafo M: Desenvolvi mento e Meio Ambiente D: Sociologia. Professor. do departamento de geografia; ministra na graduação disciplinas de geografia política, geografia da população; geografia das industrias, e tradicionalmente geografia agrária, na pós graduação trabalha questões de Estado, poder e relações sociais no campo e a disciplina Experiência

brasileira e

desenvolvimento sustentável.

“comecei a trabalhar com RA em 85, participei na elaboração do plano regional de RA do CE, então de 85 a 91 eu trabalhei com assentamentos rurais e desde este período tenho trabalhado na universidade com MS: MST; MAB, e tenho uma boa relação com a FETRAECE.” Professor e orientador do Curso de Especialização; orientada trabalhos dos EV. G: agrônoma; M: Desenvolvi mento Sustentável .

Professora substituta das disciplinas de extensão rural, aspectos sociais da agricultura e extensão pesqueira

“desde a graduação em Viçosa a gente já tinha um trabalho com o MST de MG, com o movimento estudantil, com o MAB, e aí no finalzinho da graduação junto com a UnB tinha um projeto de elaboração de planos de desenvolvimento dos assentamentos (PDAs); antes de vir pro CE trabalhei no MDA e depois ao INCRA, mas especificamente para fazer este trabalho de assessoramento e acompanhamento do PRA que estava nascendo, [...] nos 17 estados.

Ministrou disciplina no

Curso de

Especialização e orientou trabalhos nos EV.

G:

M e D: Produção Vegetal.

ministra disciplinas de manejo do solo e da água e agroecologia.

em 1997], com uma ONG, a ESPLAR, antes eu trabalhava na EMATER lá do Vale do Jequitinhonha,”

no Curso de Especialização

Quadro 7 - Caracterização do perfil dos professores entrevistados de acordo com sua formação; atuação na UFC; Envolvimento prévio com a questão da Agricultura Familiar e Reforma Agrária e a atuação que teve no PRA.

A partir do exposto acima percebe-se que os professores que participaram do PRA, seja ministrando aulas no Curso de Especialização, orientando monografias ou trabalhos dos EV, seja na equipe de coordenação, possuem formação em diferentes áreas do conhecimento, sendo que em alguns casos eles mesmos transitaram durante sua formação acadêmica por diferentes departamentos e áreas. Vemos também um equilíbrio entre formações em áreas mais técnicas, das ciências exatas e em áreas das ciências humanas. Desta forma podemos começar a visualizar traços de um grupo interdisciplinar se formando. Também é possível constatar que a maioria destes professores já possuía vínculo com a questão da Reforma Agrária e da Agricultura Familiar, muitos dos quais inclusive já no contexto da UFC, em projetos de pesquisa e/ou extensão.

Percebe-se também que este envolvimento prévio se deu em intensidade e de maneira diferenciada. Dos 16 professores entrevistados, 13 já possuíam um forte vínculo e comprometimento com os sujeitos do campo e a questão da Reforma Agrária antes do PRA. Diagnosticou-se que apenas 3 destes professores não possuíam um vínculo e compromisso considerado significativo com os sujeitos do campo e com a questão da Reforma Agrária anteriormente ao Programa. Porém, em um destes casos houve uma grande transformação do profissional que passou a se envolver intensamente com o PRA e gradativamente reformular suas posturas, práticas e atividades profissionais (além de todo aprendizado pessoal). Os outros dois acabaram se envolvendo pouco com o PRA, apenas em momentos pontuais. Pode-se diagnosticar que estes dois professores foram os que demonstraram maior desconhecimento sobre o Programa (em seu sentido stricto e lato sensu) e menor entusiasmo nas falas sobre o mesmo, além do enfoque da suas colocações ser mais no sentido de críticas do que de elogios ou sugestões.

O fato do Programa Residência Agrária no Ceará ter sido gestado, gerido e executado com a participação de profissionais que em sua grande maioria já possuíam um envolvimento prévio com estas questões contribuiu para uma maior maturidade e comprometimento do grupo, uma maior resistência no enfrentamento das dificuldades. Somado a isto, o fato deles serem de áreas e departamentos diferenciados e principalmente o fato deles terem experiências prévias em contextos, áreas, projetos, Movimentos Sociais e

instituições diversas enriqueceu a interação e troca entre eles, com o surgimento de emergências e respectivos ganhos na construção e no trilhar do Programa.

Portanto, observa-se que é uma “via de mão dupla”, ao mesmo tempo que este encontro enriqueceu os profissionais, estes profissionais por sua trajetória enriqueceram e potencializaram a experiência do PRA no CE. Portanto, o PRA promoveu o encontro entre estes professores que muitas vezes trabalhavam isolados, e este encontro gera o fortalecimento do grupo enquanto grupo e dos indivíduos já que cada um passa a sentir que não está sozinho nas suas idéias, anseios, propostas e críticas. Este fortalecimento do grupo refletindo nos indivíduos e retroagindo no grupo possui grande potencial de um círculo virtuoso como num redemoinho que cresce. Embora ainda em um “movimento contra a maré” a força dos seus remos são multiplicadas pelas interações sinérgicas do grupo. Esta questão da contribuição dos diversos sujeitos que participaram efetivamente de variados espaços do PRA será melhor discutida adiante, abordando a amplitude dos atores envolvidos e não apenas os professores, como no presente momento.

Ainda sobre a interação deste grupo de professores, a pesquisadora acredita também na importância daqueles que ainda possuem pouco envolvimento28 com as questões vinculadas ao PRA, pois eles representam a maior parte da academia, portanto força o grupo a se conectar com esta realidade e o prepara para enfrentá-la. Eles possuem o papel de dar um equilíbrio ao grupo à medida que problematizam as discussões. Além disso, torna-se muito importante envolver os professores com pouco conhecimento ou experiência nestas questões pois representa a ampliação destas idéias na academia.

4.2 NECESSIDADE DE UMA FORMAÇÃO COMPLEMENTAR AOS PROFISSIONAIS DA