• No results found

3 Metodiske valg

3.6 Styrker  og  svakheter  ved  metodevalget

Enquanto as línguas orais se valem dos sons para a sua realização, as línguas de sinais se materializam pelos gestos produzidos pelos seus emissores, os sinalizantes7. Destacamos

brevemente que o termo gesto é por nós utilizado com a concepção de movimento de um articulador, não devendo ser, portanto, confundido com os gestos espontâneos associados à fala, assunto que será tratado mais adiante, no Capítulo 6.

O mecanismo de produção da língua de sinais conta com um sistema articulatório, composto por 4 subsistemas: membros superiores, tronco, cabeça e membros inferiores. As estruturas de cada um desses subsistemas atua sucessiva ou simultaneamente, desempenhando um conjunto de tarefas coordenadas para a realização de um sinal.

1.1.1.1 O subsistema ‘membros superiores’

Os braços, incluindo os ombros (a raiz), e as mãos são as partes corporais que mais se movimentam na produção dos sinais. Especialmente as mãos, em razão da mobilidade articular dos dedos que permite a produção de diversas formas, são consideradas como os principais articuladores, ou melhor, os articuladores primários (QUADROS e KARNOPP, 2004, p. 51). Durante a produção em LSB, os sinalizantes alternam a quantidade de articuladores primários, fazendo uso de uma ou das duas mãos. Isso depende basicamente da forma original dos sinais, como mostra o par ilustrado na figura (1):

7 Seguindo uma tendência nacional entre os pesquisadores das línguas de sinais (GARCIA, 2003; QUADROS e KARNOPP, 2004; XAVIER, 2006) adotamos nesta tese o termo sinalizante, neologismo comparativo a falante de língua oral, para fazer referência à pessoa que produz textos em língua de sinais.

Figura 1: Sinais 'queijo' e 'trabalhar', em LSB, produzidos com uma e com duas mãos, respectivamente (In: QUADROS e KARNOPP, 2004, p. 52)

Um dos pioneiros na análise das línguas de sinais, Robbin Battison (2005 [1978]), afirma que a preferência de lateralidade (esquerda e direita) no uso das mãos não está relacionada à função distintiva para os sinais. Assim, a produção de um sinal com apenas uma das mãos, como ‘queijo’ (Figura 1), independe de ser realizada com a mão esquerda ou com a direita. Ele explica que a lateralidade também não interfere nas regras de formação dos sinais quando são utilizadas as duas mãos, como no sinal ‘trabalhar’. Então, em lugar de descrever a composição de um sinal utilizando os termos direita e esquerda, Battison (op. cit.) sugere o uso da expressão mão dominante para se referir à mão de preferência na realização da maioria das tarefas motoras, e mão não dominante, para a outra, a não preferida (BATTISON, 2005 [1978], p. 196). Consideramos convenientes as justificativas de Battison (op. cit.) ao criá-los, e, por isso, adotaremos também em nossas análises, quando necessário.

Os termos ativo e passivo foram igualmente sugeridos por Battison (op. cit.) para fazer a distinção entre o articulador que se movimenta e o que serve apenas de apoio, quando um sinal é realizado simultaneamente pelos dois primários (BATTISON, 2005 [1978], p. 196). É o caso, por exemplo, do sinal ‘país’, ilustrado na figura (2), em que a mão dominante é a ativa porque executa o movimento sobre a mão imóvel (passiva), não dominante. Porém, se os dois articuladores movimentam-se simultaneamente, ambos são chamados de ativos, independentemente da lateralidade dominante.

Figura 2: Sinal 'país', em LSB, produzido com uma mão ativa e outra passiva (In: VELOSO e MAIA, 2011, p. 204)

1.1.1.2 O subsistema ‘tronco’

As estruturas tórax e abdome desempenham um papel muito menos ativo em relação aos braços e às mãos, mas também podem efetuar movimentos, como no caso do sinal equivalente a ‘vaidoso’(Figura 3), em que o tórax se expande e o tronco cresce à medida que o sinal é realizado.

Figura 3: Sinal 'vaidoso', em LSB (In: DICIONARIO_LIBRAS_CAS_FADERS1.pdf)

Em geral, o tronco participa na composição dos sinais como articulador passivo, servindo de apoio para a(s) mão(s), quando a forma assim exige. No sinal ‘gostar’, a mão desliza em círculos sobre o peito imóvel do sinalizante:

Figura 4: Sinal ‘gostar’, em LSB, produzido com uma das mãos ativa e tronco passivo (In: VELOSO e MAIA, 2011, p. 204)

Há ocasiões, entretanto, em que o movimento de tronco ocorre na cadeia da fala sinalizada. Por exemplo, o sinalizante faz o giro de tronco em direção à esquerda ou direita, independentemente dos movimentos dos braços e mãos. Sobre esse movimento corporal, Lodi (2004) explica que o giro do tronco tem implicações discursivas, pois o sinalizante deixa de narrar sobre os participantes do evento e passa a representá-los como se estivessem presentes no espaço de sinalização:

Esta "presença" dos personagens pode ser observada, também, no tipo de movimentação de corpo realizada pelo sinalizador, pois quando ele assume as vozes dos personagens, seu corpo movimenta-se com maior liberdade tanto no espaço de sinalização quanto no próprio eixo vertical. (Lodi, 2004, p.13)

A figura a seguir mostra em forma de esquema o que foi explicitado por Lodi (2004).

Figura 5: Mudança de referente com giro do tronco do sinalizante (In: QUADROS et al., 2009 – Figura 12)

1.1.1.3 O subsistema ‘cabeça’

Na cabeça, concentra-se um grande número de estruturas (orelhas, nariz, lábios, língua, dentes, bochechas, olhos, testa, queixo, sobrancelhas e o próprio pescoço), o que torna o subsistema bastante complexo. Algumas dessas estruturas apresentam comportamento somente passivo, como a orelha, ou ativo e passivo, como a boca. Os lábios, por exemplo, podem ser um ponto sobre o qual a mão ativa apenas repousa, como ocorre com o sinal ‘restaurante’. Neste caso, seu papel é de estrutura passiva. Por outro lado, ela pode fazer parte de um sinal, projetando-se para frente ao mesmo tempo em que a mão, também ativa, toca a região da bochecha, transformando esses dois gestos articulatórios coordenados no sinal ‘beijar’:

Figura 6: Sinais ‘restaurante’ e 'beijar no rosto', em LSB (In: DICIONARIO_LIBRAS_CAS_FADERS1.pdf)

Os movimentos dos músculos da face produzidos voluntariamente pelo sinalizante, acompanhados ou não pelos articuladores primários, se traduzem em grande quantidade de expressões faciais. De acordo com Brito (1995), algumas expressões são parte integrante do próprio sinal, podendo determinar por si só a diferença de significado entre itens lexicais. As imagens a seguir, que exibem os sinais ‘advogado’ (com bochecha inflada) e ‘deputado’ (com bochechas normais), mostram um par mínimo da LSB determinado pela diferença de expressão facial:

Figura 7: Sinais respectivos a ‘advogado’ e ‘deputado’, em LSB (In: CAPOVILLA e RAPHAEL, 2008)

1.1.1.4 O subsistema ‘membros inferiores’

Na Anatomia, são considerados ‘membros inferiores’ as pernas e os pés. Entretanto, apenas as pernas, até a altura dos joelhos, fazem parte do sistema articulatório das línguas de sinais. As estruturas que compõem esse subsistema são os quadris, as pernas e os joelhos. Esses segmentos corporais, na LSB, podem ser ativados durante a realização de sinais, desempenhando uma função passiva, como no sinal ‘calça’, em que as regiões laterais das coxas e os quadris são

tangenciadas pelas mãos, ou de forma ativa, como no sinal ‘joelho’, em que a perna se ergue até a altura da mão para se tocarem:

Figura 8: Sinais respectivos a 'calça' e 'joelho', em LSB (In: CAPOVILLA e RAPHAEL, 2008)

Enfim, levando em conta que algumas estruturas do corpo apresentam dupla função (ativa, passiva), propomos para fins de descrição que o termo articulador ativo seja estendido para quaisquer articuladores (cabeça, tronco e membros), sempre que eles se moverem com o objetivo de executar um sinal. Em contrapartida, a utilização do termo passivo será aplicado nesta tese às partes que permanecerem em estado de repouso.

1.1.2 Contribuições da Cinesiologia e da Anatomia Humana à descrição