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5. ANALYSE 75

5.1 Styringsdokumentet

A Amazônia Legal possui 287 UCs estaduais e federais que somada as TIs (950 mil km²) perfazem 2 milhões de km² ou 40 % da AL, o equivalente aos estados do PA e MT. Isto é importante, porque garante ao poder público a titularidade da terra, quebrando o processo de grilagem que alimenta o ciclo de destruição da floresta, mas não é tudo. Para citar apenas um exemplo, o Amapá, qué é o estado com melhor proteção (48 %), nenhuma de suas UCs tem plano de manejo e de uma maneira geral 80 % das UCs da AL não tem sequer um técnico: a média entre as UCs estaduais é de 0,6 funcionários por unidade, entre as UCs federais o índice sobe para 4 funcionários por UC (ESCOBAR, 2007). A caça e a captura para animais de estimação também contribui para a diminuição das populações dos primatas e consequentemente alteram suas densidades. É comum encontar caçadores fortuitos em áreas protegidas, no presente estudo

Tabela 2- Grupos mistos nas duas áreas de estudo e freqüência de avistamento por grupos

Espécies Associadas freqüência Flona

Cebus apella Saimiri ustus 7 Tapajós

Cebus apella Chiropotes satanas 6 Trombetas

Chiropotes satanas Saguinus martinsi 1 Trombetas

ocasiões (uma em cada uma delas), um tiro foi disparado aproximadamente a 500m do autor. Apesar disso, a situação dos primatas latino-americanos é melhor do que a dos primatas africanos e asiáticos, de modo que temos alguma margem de manobra para o planejamento de ações efetivas para sua conservação, podendo aprender com os “erros” dos outros paises. Para citar alguns exemplos, na África Ocidental uma combinação devastadora de guerra civil18, ébola, tráfico, caça, desmatamento e miséria estão varrendo do mapa nossos parentes mais próximos, 75% dos chimpanzés (Pan troglodites) e 50% dos gorilas (Gorilla gorilla) desapareceram nos últimos 30 anos (PLUMPTRE, 2003). Na Ásia, os tsunamis têm extinguido populações locais de orangotangos (Pongo abelli) e outros primatas, principalmente as populações das diversas ilhas entre os oceanos Índico e Pacífico. As florestas da Indonésia declinaram mais de 80% nos últimos 25 anos. Em Sumatra das 13 populações de orangotangos identificadas, apenas sete delas apresentam mais de 250 indivíduos estimados (ELLIS et al. 2005). Calcula-se que a estiagem tenha causado a morte de 1.000 arangotangos em 2006. Como se não bastasse, além dos eventos estocásticos, a Ásia tem sofrido com eventos antrópicos. Os incêndios florestais (criminosos em sua maioria) que atingiram a região indonésica de Borneú deixaram esses primatas sem alimentos, obrigando-os a invadir os assentamentos humanos. Muitos animais apresentaram problemas respiratórios. Os arangotangos vivem nas Ilhas de Borneo e Sumatra, mas a invasão de seus hábitats por seres humanos e o desmatamento estão ameaçando sua existência. Em 2002 estimava- se que houvesse 56 mil orangotangos selvagens, mas essa população vem caindo à taxa de seis mil ao ano (Agência Reuters/Terra, 2006). Na América do Sul as intempéries climáticos não são uma causa importante de extinção dos primatas. Na Amazônia os primatas são subtraídos das florestas simplesmente como fonte alimentar substituindo ou não o pescado entre cabocos e índios. A captura para animais de estimação e tráfico também representam uma parcela significativa.

Vaz (2001) fez um levantamento de primatas com duração de quatro meses em uma área quase totalmente inserida na FNT, porém do lado oposto as bases do Ibama, ou seja, na beira do Rio Tapajós, o levantamento incluiu as praias de Belterra, Cajutuba, Aramanaí, Maguari e Piquiatuba. Neste trabalho o autor registra que

18

Só na Republica Democrática do Congo, a estimativa de mortalidade humana é de cinco milhões de pessoas, Mitermeier et al. (2005).

Entrevista com moradores locais possibilitaram levantar que existe consciência para a falta de critérios para o abate de animais silvestres (idade prematura, desrespeito à época de procriação, etc.) e a quase ausência de fiscalização estão contribuindo para diminuir ou mesmo extinguir as populações de varias espécies. Nesse particular se inclui não só primatas (Ateles marginatus,

Chiropotes albinasus), mas também tatu-canastra,

queixada e anta entre outros

As FIGURAS 66 á 72 apresentam primatas caçados ou capturados para animais de estimação.

Figura 66 - Infante de Ateles marginatus, o macaco-aranha da FNT, sua mãe foi morta para capturá-lo visando sua venda ou domesticação, a grande maioria morre de depressão ou inanição na primeira semana após o trauma, como ocorreu com este exemplar. Observe (1˚) que mesmo nos infantes é possível determinar o sexo, neste caso uma fêmea, neste gênero o clitóris é avantajado e pendular o que pode confundir um primatólogo inexperiente; (2˚) a ausência do polegar (esquizodactilia) uma adaptação a locomoçâo suspensória). Fonte: Jakson Rego (1998)

Figura 67 - Primatas de tamanho acima de Cebus apella (à esquerda) são alvo de caçadores profissionais que entram em UCs com sal e vão matando e salgando as espécies cinegéticas que encontram pelo caminho. Depois de duas ou três semanas saem da floresta para vender o charque a receptores específicos. Ateles marginatus (à direita) são muito sensíveis a extinção local, por ocorrerem naturalmente em baixas densidades. Quando um garimpo se estabele dentro do seu território, por exemplo, é só uma questão de tempo para o grupo extinguir-se. Além disso, para algumas tribos, os macacos são a única caça que a mulher grávida pode comer, por ser uma carne limpa, já que eles raramente vão ao chão e só comem alimentos “limpos”. Caso várias mulheres estejam grávidas em uma tribo, o consumo exclusivo de macacos durante 9 meses também pode causar declínios significativos as populações de primatas não- humanos. Fonte: Martinelli, (2000), Peixoto de Azevedo (AM).

Figura 68 – Mulheres da tribo Auacas preparando vários macacos do gênero Ateles. Depois da peladura e extração das vísceras, os animais são cortados e cozidos. Observe no indivíduo do primeiro plano o buraco da flexa. Para se matar um grupo social deste tamanho, sem que dê tempo deles fugirem, é necessário vários caçadores e sincronização no minuto do disparo. A atividade da caça é restrita aos homens. Fonte: Frey et al (1989)

Figura 69 - Índio nômade da família Aucas no Rio Cononaco, quando a caça escaseia mudam de local, na foto vários primatas do gênero Lagothrix sp caçados com zarabatana e setas envenedadas com exudados de pererecas. Fonte: Frey et al (1989)

Figura 70- Na foto abaixo dois guaribas, Alouatta caraya (MT) disputam uma banana. Esta prática de se construir uma mini-rede para os macacos de estimação é muito comum na Amazônia. Fonte: Siemel (1952).

Figura 71 Cacique Campas dos andes peruanos, preparando alimento, as patinhas e a cauda revelam a identidade da iguaria, Saimiri sp. Fonte: Frey et al (1989)

Figura 72 - Macacos são animais de estimação muito populares na Amazônia, este da foto é um macaco- barrigudo, Lagothrix lagotricha, Fonte: própria do autor, Projeto Rondon, Tarauacá (AC) 1983.