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3. TEORI OG EMPIRI 26

3.2 Konseptet «The Balanced Scorecard»

O maior pais tropical do planeta em extensão territorial, o Brasil tem grandes possibilidades de se beneficiar da valorização do seu patrimônio natural, sobretudo o da Amazônia. Com fronteiras geopolíticas estabelecidas no final dos anos 60, a Amazônia Legal corresponde a 57,4% do território (assim, somos mais de 50 % amazônidas). Em contrapartida, abriga apenas 12% da população brasileira (20 milhões de almas em 2000 ou 3,5 milésimos da população mundial). Ela é uma dos três grandes regiões “inexploradas” do planeta e 63,4% do seu território pertence ao Brasil. Este fato a distingue das duas outras regiões “inexploradas”, os fundos oceânicos e a Antártica, que são espaços juridicamente não-regulamentados e partilhado entre vários paises. Por esta razão, a Amazônia brasileira adquiriu um novo significado no contexto da valorização da natureza, tornando-se palco de interesses múltiplos e conflitantes. Estes devem ser administrados para que se possa conceber e implementar um novo modelo de produção e de uso do seu patrimônio natural. Capaz de promover o desenvolvimento e garantir a soberania brasileira sobre a região (BECKER, 2005b).

Amazônia é o segundo “produto” que mais se vende no mundo, posicionando-se entre Jesus Cristo e Coca-Cola, (Unb Revista, s/d). Apesar disso este “produto” é mal “vendido”. Comparando o gigante da América do Sul com a minúscula Costa Rica, o que se arrecada com o ecoturismo no Brasil é pífio. A fato da economia de recursos, representado pela abdicação do exército, ser banhada por dois oceanos e o investimento maciço em pesquisa e turismo costarriquenho, não explica todo o sucesso deste país centro-americano. Certamente a clareza que seus governantes e o apoio populacional em perceber que eram pequenos (territorialmente), mas grandes em biodiversidade e aproveitar a vocação do seu pais para serem lideres mundiais em ecoturismo e ecologia de campo, deve ser considerado.

Humboldt iludiu-se com a Amazônia chamando-a de “celeiro do mundo” (citado por PASSARINHO, 1996). Alfred R. Wallace definiu seu clima como “um dos mais amenos do mundo”. Para Goodland e Irwin (1975) ela era o “inferno verde”, com o risco de se transformar no “deserto vermelho”. “A ilusão de um paraíso” Meggers (1971), “a última página ainda a escrever-se, do Gênese” Euclides da Cunha (1999), “Pulmão do mundo” (anônimo), Eldorado (conquistadores espanhóis), são apenas algumas das metáforas utilizadas para designar esta

região. Que muda de acordo com as variações do humor ideológico do escritor e o “zeitgeist3”.

Faz-se necessário destruir as metáforas para que a Amazônia renasça como o que ela verdadeiramente é – um espaço de contradições, múltiplos interesses e enormes oportunidades desperdiçadas. Periférica no contexto nacional, os pesquisadores da Amazônia sabem o preço que pagam para se firmarem no cenário nacional a partir desse lugar marginal no qual a região é vista, lida e colocada. O quadro de doutores na região (3%) não ultrapassa o que as regiões sul e sudeste colocam no mercado em apenas quatro meses (NETO, 2001). A Amazônia precisa ser encarada por nós brasileiros como sem mistificações. Como toda visão idealizada um dia ela começa a ruir. A “decepção” com a Amazônia não foi só em relação a quantidade de animais visíveis, foi também econômica. Impressiona a atualidade das palavras de Prado Junior (1971) escritas em 1945 no seu clássico História Econômica do Brasil.

A evolução brasileira, de simples colônia tropical para nação, tão difícil e dolorosa, e cujo processo, mesmo em nossos dias, ainda não se completou, seria lá muito retardada. A Amazônia ficou neste sentido, muito atrás das demais regiões ocupadas e colonizadas do território brasileiro. Quanto a seus resultados materiais, eles também são minguados. É frisante o contraste entre o que apresentam e o que deles esperava a imaginação do branco europeu em contacto com os trópicos. A exploração das reservas naturais da imensa floresta que se supunha esconder tesouros incalculáveis, não deu mais que uns miseráveis produtos de expressão comercial mínima e em quantidades restritas. E não foi possível ampliar as bases desta produção e dar-lhes pela agricultura mais estabilizada. A Amazônia ficará na pura colheita; e por isso vegetará, assistindo imponente ao arrebatamento de suas maiores riquezas naturais por concorrentes melhor aparelhados. Deu-se isto com o cacau, antes seu monopólio no Brasil (...). Dar-se-á o mesmo, um século depois, em proporções muito maiores e dramáticas, com a borracha. A colonização do vale amazônico ainda é hoje uma incógnita

A Amazônia com seus quase cinco milhões de quilômetros quadrados é relativamente homogênea do ponto de vista ecológico. É uma floresta uniformemente úmida e, principalmente, sombria. Nota-se, entretanto, discrepâncias, ausência de paralelismos entre as distribuições da fauna e a ecologia das extensas áreas interfluviais. A análise detalhada da fauna amazônica (estratégias reprodutivas e alimentares e hábitat preferencial) é uma das melhores oportunidades de pesquisa significativa (VANZOLINI, 1978, 2001; VANZOLINI ; BRANDÃO, 1986).

Vista a partir do cosmos, a Amazônia sul-americana corresponde a 1/20 da superfície terrestre, 2/5 da América do Sul, 3/5 do Brasil, contêm 1/5 da disponibilidade mundial de água doce e 1/3 das reservas mundiais de florestas latifoliadas (BECKER, 1998). A bacia amazônica é

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a maior bacia hidrográfica do mundo com 1.100 afluentes, dezessete deles com mais de 1.500 km de extensão, perfazendo 80 mil km de trechos navegáveis, cobrindo uma extensão aproximada de seis milhões de km², (inclui 730.000 km² do Cerrado e Pantanal brasileiro). É compartilha.da por nove países do norte da América do Sul. Os 37% restantes da Amazônia não-brasileira (2,4 milhões de km²) estão distribuídos da seguinte maneira: Peru (10%), Colômbia (7 %), Bolívia (6 %), Venezuela (6 %), Guiana (3 %), Suriname (2 %), Equador e Guiana Francesa (2,5 %) cada (LENTINI et al., 2005). Desta vasta porção de floresta 80 % estão intactas. Em paises pouco populosos e com pouca exploração florestal, especialmente no Suriname e Guiana Francesa, a parte intocada excede os 90%, ou seja, um nível de conservação não encontrado em nenhuma outra parte do mundo (CONSERVATION INTERNATIONAL, 2007). No Brasil, o estado melhor conservado é o Amapá e o pior Rondônia.

O Rio Amazonas percorre 6.500 km, das altas terras peruanas no Pico Huagro (4.000 m de altitude e 120 km do Oceano Pacífico) até desaguar no Oceano Atlântico. Inicia seu périplo agregando as águas do desgelo andino. Reveste-se de grande importância para a integração da Amazônia, pois é trafegável por navios oceânicos até Iquitos, no Peru. A navegação é realizada, no período de cheia, por navios com calado de 10 a 11 m e, na vazante, com calado de até 8 m (AMBIENTEBRASIL, 2004; EXÉRCITO, 2007;).

A vazão do Rio Amazonas corresponde a 20% da vazão conjunta de todos os rios do planeta. Possui a maior ilha fluvial do mundo, com 20 milhões de km² (Bananal), que é quase do tamanho de Sergipe e localiza-se na Bacia hidrográfica do Araquaia-Tocantins. No Rio Negro (AM), localiza-se o segundo maior arquipélago fluvial do mundo (Anavilhanas). A Ilha de Marajó, na foz do Amazonas, é do tipo fluvial-marítima e tem 48 mil km², a maior do seu tipo no planeta (ALMANAQUE ABRIL, 2007). Insuperável em sua biodiversidade, a Amazônia abriga no mínimo 40 mil angiospermas (30 mil consideradas endêmicas) e 427 espécies de mamíferos. O maior animal da Amazônia é o peixe-boi, um mamífero aquático herbívoro que pode atingir ½ tonelada e 3 metros de comprimento. Os primatas são as principais espécies bandeiras da Amazônia. Com 81 espécies, a diversidade abrange o pequeno sagüi-leaozinho (Cebuella

pigmea) e o recentemente descoberto sagui-anão, que pesam respectivamente 120 e 150gramas,

até os macacos-aranha que podem exceder 7 kilos. Entre as 1.000 espécies de aves, destaca-se o majestoso gavião real (Harpia harpyja), de porte e força inigualável, não é o maior, mas é o mais

possante rapineiro do globo, uma fêmea pode atingir 90 cm de comprimento, 2 m de envergadura e 9 kg de peso (SICK, 1997).

Devido a sua imensa biodiversidade, o Brasil é um dos principais alvos dos traficantes da fauna silvestre. O trafico é a terceira maior atividade ilícita do mundo (atrás do tráfico de drogas e armas) movimenta entre 10 a 20 bilhões de dólares em todo o mundo. O Brasil participa com 15% deste valor, aproximadamente 900 milhões de dólares. Segundo a RENCTAS (2006) para cada animal traficado que chega a seu destino, nove morrem pelo caminho. Estima-se que são traficados cerca de 12 milhões de indivíduos por ano no Brasil (LACAVA, 2000). O tráfico de primatas brasileiros ocorre também por paises fronteiriços. Soini (1972) registrou que o tráfico se expandiu rapidamente por meio dos aeroplanos e que Iquitos é o centro de receptação de toda fauna ilegalmente capturada na Amazônia. No início poucos indivíduos eram capturados, mas com a impunidade e lucratividade garantida, aumentou vertiginosamente em pouco mais de uma década. Chegando a 30 mil primatas por ano (COIMBRA-FILHO, 1972; SOINI, 1972).

Outras importantes espécies bandeira, altamente ameaçadas, são a ariranha e o peixe boi da Amazônia, ambos quase extintos nas décadas de 60 e 70, devido a caça comercial. Os morcegos são o grupo de mamíferos mais númeroso com 158 espécies. As aves perfazem 1294 espécies. Os répteis 378 (a sucuriju, Eunectes murinus é uma das maiores serpentes do mundo, chega a 10 m, e é responsável pelo mito da temida cobra grande, tão difundido por toda a Amazônia e no estúpido filme “Anaconda”), a tartaruga-da-amazônia (Podcnemis expansa) é a maior tartaruga de água doce do mundo, alcançando até 1 metro. Os anfíbios atingem 427 espécies e mais de três mil espécies de peixes. No entanto, as estimativas indicam uma ictiofauna até três vezes maior. Todas as expedições ictiológicas têm coletado novas espécies. Somente no Rio Negro 450 espécies foram registradas. Só para termos uma idéia comparativa, em toda a Europa temos 192 espécies descritas. O maior peixe de água doce do mundo Arapaima gigas (Pirarucu) é amazônico e atinge até 4,5 m de comprimento pesando 250 kilos. Entre os invertebrados, o desconhecimento é maior comparado aos vertebrados. Exemplificando, para apenas dois grupos, formigas e abelhas, existe, com certeza, um número muito maior a ser descrito. As formigas por serem ecologicamente dominantes e megadiversas na Amazônia, são um grupo-chave nos diferentes ecossistemas amazônicos. Elas contribuem com quase 1/3 da biomassa animal das copas das árvores na floresta amazônica (FITTKAU ; KLINGE, 1973) e representam mais de três mil espécies (OVERAL, 2001). O estudo das relações formigas-planta

tem revelado interessantes relações mutualísticos (OLIVEIRA ; MARQUIS, 2002). As 2,5 a 3 mil espécies de abelhas da Amazônia têm importância fundamental como polinizadoras, uma vez que o vento não penetra na floresta densa e a distância entre duas árvores coespecifica pode atingir centenas de metros (OVERAL, 2001). Ao todo a Amazônia responde por 10 % da biodiversidade do planeta. Possui a maior reserva de madeira tropical do mundo. As estimativas indicam um valor de no mínimo 60 bilhões de metros cúbicos de madeira em tora de valor comercial (WWF, 2007). A vitória régia, um dos símbolos da Amazônia, é a maior flor do mundo, chegando a medir 2 m de diâmetro.

Além de abrigar um enorme grupo de espécies bandeiras, a Amazônia é território de culturas indígenas de inestimável valor. Lamentavelmente, estima-se que, somente entre 1900 e 1957, mais de 80 tribos foram extintas. Muitas outras podem ter tido destino semelhante durante a construção da Transamazônica e outros projetos de desenvolvimento de infra-estrutura. Depois de 20 mil anos de ocupação indígena no Brasil (GOODLAND ; IRWIN, 1975), restam agora, 206 grupos indígenas documentados. A maioria está na Amazônia, 170 tribos, cuja população vive em reservas que congregam 180.000 índios (CONSERVATION INTERNACIONAL, 2007). A região Norte concentra 306 das 587 áreas indígenas brasileiras, com 84,54% dos 101 mil hectares de terras demarcadas. De acordo com o IBGE, cerca de 213 mil índios de diversas etnias vivem nesta região. Nossa sociedade tem uma dívida histórica com eles. Mais do que transmissores de modos tradicionais de sobrevivência na floresta úmida, desenvolvidos em milênios de esforço adaptativo, os índios foram o saber, o nervo e o músculo dessa sociedade parasitária. Índios é que fixavam os rumos, remavam as canoas, abriam picadas na mata, descobriam e exploravam as concentrações de especiarias, lavravam a terra e preparavam o alimento. Nenhum colonizador sobreviveria na Amazônia sem estes índios que eram seus olhos, suas mãos e seus pés (RIBEIRO, 1997).

A riqueza “invisível” também ameaça as áreas protegidas. Para se ter uma idéia do interesse que o subsolo amazônico desperta, dentro e fora do Brasil, basta consultar os informes do DNPM. Dos 40.144 processos existentes na Amazônia Legal, 5.283 incidem em Unidades de Conservação Federais, e 880, em Unidades Estaduais (COM CIÊNCIA, 2006). A importância da Amazônia pode ser ilustrada pelo seguinte fato: de um total de novecentas (900) áreas prioritárias para conservação da biodiversidade no Brasil, 43% delas situam-se na Amazônia Brasileira (MMA, 2002). O documento supracitado diagnosticou ausência ou insuficiência de

pesquisas nas Unidades de Conservação (UCs). Na esperança de mudar esta situação insere-se a valorização das UCs e o fomento às pesquisas para o conhecimento e o monitoramento de sua biodiversidade. As Florestas Nacionais (Flonas) fazem parte das UCs do Brasil administradas pelo IBAMA/Fundação Chico Mendes, estão na categoria de Uso Sustentável, totalizam 73 unidades das 601 desta categoria. As Flonas são áreas de domínio público com cobertura vegetal nativa ou plantada com os seguintes objetivos: (1º) promover o manejo dos recursos naturais, com ênfase na produção de madeira e outros produtos florestais; (2º) garantir a proteção dos recursos hídricos, belezas cênicas, sítios históricos e arqueológicos; e (3º) fomentar a pesquisa científica básica e aplicada, educação ambiental, recreação, lazer e turismo (Decreto-Lei 1298, de 27/10/94). Nos últimos 10 anos, houve um aumento significativo na criação de UC em todas as regiões brasileiras. A Amazônia foi o bioma que mais recebeu atenção governamental. Do total das Florestas Nacionais 90,27 % delas estão na região norte. Entre 1995 e 2004, o governo criou 95 UC no país, somando 21,9 milhões de ha. (uma área superior ao estado do Paraná). Em 2005, foram criadas mais seis UC, perfazendo 4,5 milhões de ha. ao todo, quase todas na Amazônia. Uma conseqüência imediata do assassinato da missionária estadunidense Doroty Stang em Anapu (PA). Comparando com o período anterior a 1995, verifica-se um aumento de quase 40 % no número de UCs federeis, que hoje totalizam 61,1 milhões de ha., quase a mesma área da Bahia, (MACHADO, 2006). É sabido que a conservação da natureza não se efetiva por decretos, no entanto, este é o primeiro passo.

Segundo Rylands, et al.,(1995) os primatas do Novo Mundo englobam 19 gêneros, 98 espécies e 104 subespécies. Das 98 espécies 33 delas, representando 34% estão ameaçadas de extinção. O Pará abriga quatro Centros de Endemismos (CE) da Amazônia, áreas diferenciadas dentro da floresta, onde é particularmente alta a biodiversidade e com grande número de espécies endêmicas. Um deles, o CE do Tapajós (entre os Rios Tapajós e Xingu) inclui várias espécies de primatas ameaçados de extinção, entre elas Ateles belzebuth marginatus, Callithrix argentata

leucippe e Chiropotes albinasus.

A região do Trombetas, por abrigar uma grande quantidade de terras públicas e quilombolas, é bem menos conhecida cientificamente. Nesta região ocorrem Ateles paniscus

paniscus e Chiropotes satanas chiropotes ambos pouco estudados e ameaçados de extinção

(Portaria do IBAMA nº 1.522, de 19 de dezembro de 1989). Além das espécies de primatas ameaçados de extinção, a portaria Nº 037 de 03/04/92 do IBAMA, lista 10 espécies da flora

paraense ameaçadas, a saber: Vouacapoua americana (Acapu) Lauraceae; Pithecellobium

racemosum (Angelim rajado) Leguminosae: Mimosoideae; Dicypellium caruophyllatum (Casca-

preciosa) Lauraceae; Bertholetia excelsa (Castanheira-do-Brasil) Lecythidaceae; Pilocarpus

microphylus (Jaborandi-legítimo) Rutaceae; Euxylophora paraensis (Pau-amarelo); Aniba roseodora (Pau-rosa) Lauraceae; Bowdickia nitida (Sucupira), Virola surinamensis (Ucuúba-

branca) (GAEP, 2000). O desmatamento é a principal ameaça as plantas e animais que possuem distribuição reduzida e/ou vivem com densidades populacionais muito baixas.