4. METODE 59
4.3 Gyldighet og pålitelighet
Conhecido popularmente como sagüi ou sauim é um animal de estimação mais ou menos comum na região do Rio Tapajós. Trata-se de um dos dois únicos calitriquídeos envolvidos neste estudo. Os callitriquideos são encontrados em quase todos os hábitats arbóreos tropicais e subtropicais da América do sul, Panamá e parte da Costa Rica. No entanto, o gênero Callithrix é o único distribuído tanto na Mata Atlântica como na Amazônia, e também o único a ser encontrado nas matas do cerrado e da caatinga, que separa estes dois grandes ecossistemas florestais brasileiros (FERRARI, 1995).
Distribuição do Gênero: Região leste do continente sul-americano, mais precisamente
ao sul do Rio Amazonas entre os Rios Madeira e o Tocantins até o nordeste e leste do Brasil.
Bolívia. Hábitats do Gênero: Tem preferência por florestas tanto primárias como degradadas.
Distribuição da Espécie: estado do Pará, entre os Rios Jamanxin e Cupari, afluentes da margem
direita do Rio Tapajós e Tocantins e até 3º 2’ ao Sul. [FERRARI ; LOPES, 1990; HERSHKOVITZ, 1977 (FIGURA 82, Apêndice)]. Encontrado nas florestas pluviais primárias e em áreas de crescimento secundário na planície amazônica abaixo de 200m. É um pequeno primata coberto por pelagem branca a alourado e cauda escura. Seu corpo tem cerca de 20 cm e a cauda 30 cm. São basicamente insetívoros-gomívoros, e possuem incisivos inferiores longos e estreitos (adaptados a gomivoria), o que facilita o roer dos troncos. Porém, como é necessário esperar a árvore liberar a goma, estes ferimentos são marcados com urina (marcas de cheiro) e secreções (glândulas-de-cheiro), pois existe uma grande competição inter-especifica por goma, que desta forma pode ser amenizada. A gestação da espécie é de 140-150 dias. Formam grupos de 10 indivíduos, em média, que ocupam uma área de uso de 1,5ha.
O gênero Callithrix é considerado onívoro, porque incorpora tanto proteína animal (insetos), como vegetal (frutos e gomas14) em sua dieta. Coimbra-Filho e Mittermeirer (1987) acreditam que a gomívoria facilitou a adaptação do gênero a uma maior variabilidade de hábitats e conseqüentemente maior distribuição. Estudos revelaram que a gomívoria não é uniforme, nem no espaço nem no tempo. As causas de variação foram atribuídas às diferenciações de clima, hábitats, comportamento e morfologia (comprimento dos caninos e espessura do ritidoma). Os primatas mais gomívoros são os que ocorrem em áreas altamente sazonais de cerrado e caatinga. Os primatas da Amazônia, um ambiente menos sazonal, preferem contar mais com os frutos (FARIA, 1993; HERSHKOVITZ, 1977; RYLANDS). O estudo da dieta desta espécie realizado por Veracini (1997) em Caxiuanã (PA), uma UC que abriga igapó, capoeiras e florestas primárias de terra firme, revelou que 95% da alimentação foi de origem vegetal, sendo 59 % de goma, 35 % de frutos e menos de 1 % de flores e néctar. Parkia ulei e Tapirira guianensis foram às espécies gomívoras mais utilizadas. Os filhotes de vertebrados predados e invertebrados representaram 5% dos 3.399 registros. Neste mesmo sitio (VERACINE, 2002), observou esta espécie durante o mês de julho dedicando muito tempo forrageando as formigas-de-correição, comportamento já registrado em outras espécies (RYLANDS et al, 1989). Rylands (1979)
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Gomívoria é a capacidade que dois gêneros de primatas apresentam de se alimentarem dos exsudados de árvores gomíferas ou laticíferas. Esta adaptação comportamental é compartilhada apenas com Cebuella, o menor primata neotropical e habitante da Amazônia (FIGURA 37). Exsudados resultam da agressão mecânica feita pelos caninos dos primatas nos troncos das árvores, é, portanto, uma tentativa de cicatrização das plantas. A análise química destas gomas revelou sustâncias com propriedades anticépticas.
em Dardanelos, rio Aripuanã (MT). Soini (1982) observou Cebuella pygmaea consumindo goma das vagens de uma espécie congênere, Parquia oppositifolia. Alberbaz (1993) estudou a área de uso de quatro grupos de Callithrix argentata em Alter do Chão (Santarém, PA) e testou se a variação no tamanho da área estava relacionada à ocorrência e proporção dos hábitats e/ou à variação sazonal na disponibilidade de frutos e insetos. A área de estudo era composta de savanas (70 %), floresta (20 %), capoeira (3 %), igapó (2 %) e campinarana (1 %). A “savana” de Alter do Chão é uma formação aberta composta predominantemente por Paspalum carinatum (Poaceae) acrescido de “moitas” bem definidas de elementos arbustivos e arbóreos. As árvores de altura média de sete 7 metros tinham seus troncos retorcidos (MIRANDA, 1971), como é típico dos cerrados brasileiros (FIGURA17). No entanto, não deve ser considerado um cerrado típico porque apresenta táxons amazônicos que não apresentam contrapartida no Brasil Central (e.g. Bellucia glossularioides, Brossimum guianensis, Cordia nodosa e Dialium guianensis). A pesquisadora concluiu que a maior disponibilidade de alimento levou os saguis a usarem áreas maiores. As respostas de preferência de hábitats e freqüência de uso de quadrados foram relacionados à presença de árvores gomíferas, em especial, Tapirira guianensis. Houve variação nas respostas entre grupos, sugerindo que o tamanho da área florestada pode ser mais importante para o tamanho da área de uso que a disponibilidade de alimento. A área de vida utilizada pelos 4 grupos variou entre de 4 à 24ha. Neste estudo um dos sagüis (o que tinha o dispositivo eletrônico que permitia sua localização através do rádio) foi predado por uma jibóia.
Alguns primatólogos (e.g. FERRARI, 1996) consideram que os gêneros Callithrix e
Cebuella conquistaram o prêmio evolutivo de serem colonizadores de ambientes marginais
graças as seguintes adaptacões: (1ª) especialização alimentar “extrativista” associado ao seu pequeno tamanho, o que lhes permite surpreender de emboscada seus insetos preferidos (grandes gafanhotos) no meio do cipoal arborícola onde estes artrópodes se escondem; e (2ª) a rápida maturação sexual, atingida com pouco mais de um ano. As caracteristicas de estrategista r supracitadas descortinou para estes pequenos primatas um nicho desonerado da competição com a maioria dos outros primatas neotropicais de maior tamanho.
Neste estudo o número de detecções da espécie que ocorre na FNT (Callithrix argentata) foi de n = 14 grupos de indivíduos. FIGURAS 38 e 82 (no apêndice).