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Styring og kontroll i virksomheten

Por diversas vezes, Orlando explora várias profissões, sendo que uma delas é a de escritora. Desde o início do filme que Orlando é um apreciador de literatura, sobretudo, poesia. Mas ele só explora esse seu interesse, quando sofre o seu primeiro desgosto de amor. Ele procura o poeta Nick Greene, a quem pensa ajudar, e entrega-lhe o seu poema, na expectativa de ser bom, para também ser um poeta. O poema que Orlando entrega a Greene é o seguinte:

His heart was broken

Cleft in two

Abandoned, lost

What could he do?

And into this he retched cried

She said she love me

But she lied

And so betrayed

He fell and died. (Orlando, 1992)

O poeta ri com a tentativa de escrever de Orlando e queixa-se da sua tentativa, pois é como se Orlando estivesse a”gozar” com a sua arte. Logo a seguir à sua mudança, Orlando procura integrar- se de imediato nos salões literários, onde acaba por ser discriminada. No entanto, o seu interesse pela escrita vai-se manter até 1993, ano em que ela entrega o seu manuscrito a um editor, na tentativa de ter a profissão que desde cedo desejara. Todavia, Orlando precisou de trezentos anos para conseguir escrever o poema “The Oak Tree” (Batchelor, 1971:175).

Batchelor diz que Woolf acreditava que uma mente puramente masculina ou feminina não poderia criar, neste caso escrever, “perhaps a mind that is purely masculine cannot create, any more that a mind that is purely feminine” (apud. Batchelor, 1971:176). Assim, Orlando é uma exploração deste conceito, uma vez que apenas depois de ser homem, e de se ter transformado em mulher, é que Orlando está completo e capaz para escrever. Curiosamente, quando ela encontra Shelmerdine, eles reconhecem de imediato a “mente andrógina” de cada um. Tal como eles dizem “‘You’re a

111 woman, Shel!’ she cried. ‘You’re a man, Orlando!’ he cried” (Virginia Woolf in Orlando, 227) A execução desta “mente andrógina” permite a Orlando ter relações com homens e mulheres, ou ela simplesmente só, ao combinar os princípios masculinos e femininos dentro da sua mente. Assim, argumenta Batchelor, Woolf dá a Orlando uma diversidade sexual que não gera confusão (Batchelor, 1971:177).

1.5. O Final

Orlando é um filme sobre a protagonista, Orlando, que é, como Potter disse numa entrevista, uma pessoa, um indivíduo, que viveu durante quatrocentos anos, primeiro como homem, e depois como mulher. Depois de se ter transformado, Orlando olha para a câmara, e consequentemente para o espectador, e diz “same person, different sex”. It’s as simple as that.”

Enquanto o romance termina em 1928, o filme só termina em 1993, para terminar no presente da personagem e para terminar no momento em que o espectador o estaria a ver. Depois de o seu manuscrito ter sido rejeitado, Orlando, vestida com calças, o cabelo amarrado numa trança, conduz uma mota em direção à propriedade que aquando da sua transformação ela perdeu. Contrariamente ao romance, Potter decide que Orlando terá uma filha e não um filho, como Woolf escreveu. Numa conversa com Penny Florence, Potter explica o final do filme e a escolha de uma filha para Orlando, da seguinte forma:

(…) one part that I must have rewritten hundreds of times… The whole of the rest of the film up to that point, is determined by, if you like, the male line of inheritance… At the end there is another kind of inheritance that becomes possible. I’m certainly well aware of how I’m standing on my mother’s shoulders and grandmother’s shoulders. (apud. Humm, 1997:170)

Curiosamente, a filha de Orlando tem, no fim do filme, uma câmara nas mãos; assim, quando Potter fala de herança, ela fala da herança de Orlando como mulher, mas também, a um nível mais pessoal, da sua própria herança enquanto realizadora.

Com este final, argumenta Humm, Potter critica o fim da narrativa convencional, com Jimmy Sommerville a cantar em falsetto, como quando cantou para a Rainha Isabel I, no início do filme. Desta forma, Humm diz que a música é o meio que Potter usa como forma de quebrar com os finais convencionais do “final feliz”. Na sua entrevista com Shari Frilot, Potter explica a importância da música no fim do filme:

First of all, I think that Jimmy Somerville is an angel. He has the voice of an angel, the grace of an angel. Secondly, I wanted to end the film with a literal looking up. And perhaps it is Orlando’s guardian angel. There are voices running

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through the whole film, subliminal voices. The voices become flesh. What he is singing is important: “I’m coming, I’m coming, I’m coming through. I’m coming across the divide to you.” He is manifesting all of the contradictions and paradoxes of the film. All coming into focus at that one moment. That seemed to me a very angelic moment. (Shari Frilot 1993)

Na verdade, apesar de Orlando ter tido a oportunidade de ter vivido um “grande amor” com Shelmerdine, e desse relacionamento, ter tido uma filha, parecem ser fatores importantes, seguindo a função, frequentemente atribuída à mulher, pelas leis patriarcais, na construção do “final feliz” para esta personagem. Mas, na minha opinião, Orlando parece ser mais do que uma mãe ou uma amante, ela é sobretudo uma mulher, e como tal, ela continua a ser condicionada, pelas opiniões e leis da sociedade. Por exemplo, apesar de ela no final, estar vestida com umas calças, ter o cabelo preso numa trança e conduzir uma mota, serem sinais bastante importantes no que diz respeito à evolução da mulher, nos quatrocentos anos que Orlando viveu. Todavia, apesar de Orlando viver numa altura em que a mulher deixa de ter restrições ao nível do vestuário, ela continua a ser condicionada, no que diz respeito ao seu romance, pois o editor pede-lhe que ela desenvolva mais o romance da história, do que uma narrativa que tenta equilibrar a diferença sexual.

Por fim, e relembrando que Orlando não é o filme de uma mulher, mas um espaço em que os dois sexos convivem e mostram, de forma irresoluta, os obstáculos impostos pela sociedade sobre cada um, tal como Potter diz a Weinraub “As a man, Orlando is unwilling to kill or be killed, and evolves into a woman. As a woman – unwilling to marry and have heirs and thereby losing everything – Orlando finds herself.” (Weinraub 1993)

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2. The Tango Lesson

Orlando (1993) foi o filme que permitiu que Sally Potter começasse a ser reconhecida pelo seu trabalho. Enquanto Orlando é um filme que retrata uma personagem que vive durante quatro séculos, e que faz uma mudança de sexo a meio do percurso, The Tango Lesson (1997) é a história de uma personagem que se tenta reinventar, e cujas ações não são definidas ou consequências do seu passado.

De todos os filmes que foram analisados neste trabalho, The Tango Lesson tem uma estrutura diferente, ele é mais realista, pois Sally e Véron, as personagens principais do filme, são uma espécie de alter-ego da realizadora do filme, Sally Potter, e do conhecido dançarino, Pablo Véron. Augusta Palmer argumenta que ao contrário dos outros filmes de Potter, em que se centrava na preocupação entre ser olhado e ver, The Tango Lesson é um filme que representa o conflito entre liderar e seguir, quer seja, na dança, na realização ou na vida. Desta forma, Lucy Fisher, no seu artigo “"Dancing through the Minefield": Passion, Pedagogy, Politics, and Production in The Tango Lesson” (2004), caracteriza este filme como uma espécie de paródia do género musical de Hollywood. Fisher estabelece uma série de paralelos entre este filme e outros também bastante conhecidos. Por exemplo, a cena em que Véron e Sally dançam ao longo do rio Seine poderia, segundo Fisher, ser uma cena retirada do filme An American in Paris (Vincent Minnelli, 1951). Na cena em que os dois dançam à chuva, Fisher estabelece uma comparação com o filme Singin’ in the Rain (Stanley Donen e Gene Kelly, 1952). E, por fim, a cena em que Véron dança pela sua casa, o que para Fisher é uma espécie de homenagem ao “comic bricolage” (2004:47), e uma das características do musical clássico americano.