3. Årets aktiviteter og resultater
3.1 Presentasjon av årets resultater mot de strategiske målene
Para além das interrupções com as lembranças do passado por Clarissa, há também outras interrupções, em que mais duas personagens são introduzidas ao espectador, Septimus Warren- Smith e Rezia. Estas duas personagens não estão ligadas diretamente à vida nem à história de Clarissa, no entanto, Bello afirma que Septimus é o “duplo existencial” de Clarissa (Bello, 2007:100) e eles são a representação de uma preocupação da escritora, Virginia Woolf, de uma época que a atormentou, a Primeira Guerra Mundial. Ebert reforça a ideia de que Woolf tinha como intenção ao desenvolver esta personagem e, com este subtema, chamar a atenção das pessoas para o assunto, mas também o perigo que a guerra pode significar para a sociedade, todas as coisas negativas que dela podem advir, e que nós não temos controlo.
Na sua entrevista com Nicole Burdette (1997), Rupert Graves (o ator que interpretou Septimus) confessa que Woolf transferiu para o corpo de uma personagem masculina, as questões mais pessoais dela, como o trauma da guerra. Tal como Graves afirma:
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So I wasn’t lacking in confidence, but I didn’t understand what the dialogue meant, things like, “The birds, they’re speaking in Greek to me.” So I looked at everything that Virginia Woolf wrote. Her letters, and biography, and I realized that a lot of her personal trauma had been put into her male characters. That kind of threw me a bit, as she’s acknowledged as a feminine, or feminist writer. (…) Woolf puts it [her truth] into male characters. Things that Septimus says connect very directly to things in Woolf’s life. For example, “The birds are speaking Greek to me.” She was abused when she was a girl during Greek lessons. And when she had a breakdown when she was older she used to hear Greek birds talking to her, or birds talking in Greek. Finding out about those pieces of her life gave me the emotional plane to work on. So it didn’t have to just be, you know, jabber. (…)Yeah, the most honest stuff and her most personal stuff went into her male characters. Because Septimus is the other side of what Mrs. Dalloway would have been if she’d taken the plunge, like what she said she should have done when she was 17…” (Rupert Graves em entrevista com Nicole Burdette, 1997)
Septimus é um veterano de guerra e Rezia é a sua esposa italiana, que confeciona chapéus. Septimus presencia a morte de um colega de guerra, que o vai traumatizar, fazendo com que toda a sua existência seja marcada por este momento. Rezia vai levá-lo a alguns médicos, primeiro a Dr. Holmes, quem Septimus parece odiar, e depois Sir William Bradshaw, quem vai recomendar, contra a vontade de Rezia e do próprio Septimus, que este último seja levado para um manicómio. Eles voltam para a sua casa, onde Rezia vai cozendo e confecionando os seus chapéus, e é neste momento que Septimus tem o seu último momento de lucidez. No entanto, com a aproximação da hora da sua partida e com a chegada de Dr. Holmes, Septimus vai-se aproximar de uma janela, ele olha para as grades que rodeiam a casa, vai acenar ao vizinho que o espreita pela janela, e tomar o último de ar nos seus pulmões. Curiosamente, Sir William, vai contar esta história na festa de Clarissa, perturbando a protagonista de tal modo, que ela terá de procurar o seu próprio espaço onde pode refletir sem ser perturbada pela festa ou os seus convidados, e é, neste momento a sós, que Clarissa se vai encontrar e aceitar. Assim, e numa posição oposta à da protagonista, Miss Kilman e Septimus, segundo Brower, são incapazes de viver a mesma vida ou da mesma forma (Brower, 1971:57).
Mas nem tudo o que vemos é. Miss Kilman é, nas palavras de Batchelor, uma mulher reprimida pela sociedade e pelas circunstâncias da sua via, uma mais pobre e recatada que a de Clarissa, enquanto Septimus seja capaz de ser mais livre que Kilman, e até do que Clarissa, ele vai sofrer as tentativas limitadoras da sociedade, impostas por Holmes e Bradshaw. Por outro lado, enquanto Clarissa raramente está só ou é colocada de parte, Septimus está quase sempre sozinho, sendo assim, incapaz de se inteirar da realidade e do mundo em que está inserido. Como Brower argumenta, Rezia é o porto de abrigo de Septimus, apesar de que ela, tal como Clarissa, também tem momentos em que está sozinha e mostra o seu desespero pelo que está a acontecer, por exemplo quando ela diz, “I am alone; I am alone!” (Brower, 1971:57). Mas é através dela que Septimus
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Brower argumenta que o suicídio de Septimus funciona como um protesto contra aqueles (Dr. Holmes e Sir William) que querem controlar a sua vida, dizendo o que tem de fazer, e caracterizando-o de doente. Brower afirmou que Peter era o “destruidor” da alma de Clarissa, pelo que Miss Kilman tem a mesma função, uma vez que ela critica solenemente a vida superficial da protagonista, criticando a sua festa. Para Septimus, o destruidor será Sir William (Brower, 1971:58) que ao impor, de certa forma, o seu poder como psiquiatra a Septimus, não lhe dá um vasto leque de escolhas, sobre qual deveria ser o seu próximo passo. A morte de Septimus também terá um impacto na vida de Clarissa, pois também ela vai compreender que o seu suicídio é um desafio àqueles que o condicionaram, pelo que a sua morte é uma resistência e um grito pela independência da sua alma. Em contrapartida, e como Brower comenta, Clarissa parece ter sacrificado a sua alma em prol do sucesso social e do seu próprio espaço na vida (Brower, 1971:59). Curiosamente, Clarissa e Septimus vão-se encontrar logo no início do filme, quando a protagonista está na florista a escolher as flores para a sua festa. Num dado momento, ela encontra Septimus no exterior da loja a “olhar” para si. Ebert defende que apesar de eles não se conhecerem, eles vão ficar ligados naquele momento, como se eles vissem o que acontece para além da vida, a “possibilidade do nada”. Maslin comenta esta ligação, explicando que Septimus é como um alter-ego de Clarissa, e que transporta uma dor bastante grande. Esta ligação inexplicável entre estas duas personagens levanta uma questão, que Maslin recorda, “O que é que nos motiva a continuar?”
Apesar do que Hawkins defende, no seu artigo, sobre a alteração das prioridades das personagens e da mensagem feminista no filme, Clarissa Dalloway, como personagem feminina, com importância feminista, é, na minha opinião, bastante duvidosa, ainda que a importância dela no filme seja mostrar o dia-a-dia da mulher, o quão entediante ele pode ser. No entanto, marca uma mulher tradicional que se preocupa com festas, e que está associada aos seus sentimentos (arrependimento). Numa análise seguindo a teoria feminista, Clarissa não corresponde ao ideal da mulher tradicional, como protagonista, representada no filme, porque ela não tem o fator “espetáculo”, “masquerade” (Doane) nem “to-be-looked-at-ness” (Mulvey), uma vez que ela já é uma mulher mais madura, ao contrário da imagem da sua juventude.
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