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Riksrevisjonens internasjonale engasjement

3. Årets aktiviteter og resultater

3.3 Riksrevisjonens internasjonale engasjement

Humm argumenta que Potter usa os elementos da representação para tornar o espectador mais ativo no processo narrativo. Na sua explicação do filme como pós-moderno, Humm defende que o processo não linear da narrativa, resulta numa desfragmentação da história, através da utilização de subtítulos, que oferecem ao espectador uma espécie de intervalo. Para além disso, o espectador é confrontado com uma série de planos médios e grandes planos, ao invés de planos gerais ou de conjunto, de forma a desenvolver uma relação, de cariz mais íntimo (proximidade) entre o espectador e a imagem que ele vê.

Desde o seu início, que o filme “trabalha” para desenvolver esta relação de proximidade, sobretudo, com a protagonista, Orlando. Assim, Humm defende que nas cenas em que Orlando olha diretamente para a câmara, ele está a aprofundar esta relação com o espectador, dando lugar, como diz Humm, a uma linha ténue entre o espectador e a imagem (Humm 1997:164). Potter numa entrevista explica a sua intenção na criação de uma relação íntima entre o espectador e Orlando:

The speechless of Orlando to the audience took many forms doing the writing, and during the shooting they were the hardest things to get right. The phrase I used to Tilda was “golden thread”: we were trying to weave a golden thread between Orlando and the audience through the lens of the camera. One of the ways we worked in rehearsal was to have Tilda address those speeches directly to me, to get the feeling of an intimate, absolutely one-to-one connection, and then to transfer that kind of address into the lens. Part of the idea was also that direct address would be an instrument of subversion, do that set/get against this historical pageant is a complicity. I hoped it would be funny; it would create a connection that made Orlando’s journey also the audience’s journey; and most important, it would give the feeling that although Orlando’s journey lasted some 400 years and was set in the past, this was essentially a story about the present. (Donohue, 1993:219-220)

107 Desta forma, como Humm defende, Potter cria um olhar feminino ativo e sujeito, em vez do objeto dos filmes com intenções tradicionais, uma vez que o olhar constante de Orlando para a câmara rejeita o estatuto do objeto feminino tradicional (Humm 1971: 173).

Como Connoly (2010) argumenta, Orlando é mais que um olhar diretamente para a câmara, ele também vai fazendo pequenos comentários sobre o que lhe vai acontecendo. Por exemplo, depois de a rainha o fazer prometer que não vai envelhecer nem perder a sua beleza física, ele, no escuro do seu quarto vai dizer “very interesting person” (Humm, 1997:165). Humm interpreta esta cena como a possibilidade de revelar as preferências sexuais da rainha, retratada por Quentin Crisp, em que ela admira Orlando como um belo jovem rapaz, mas como rainha histórica, argumenta Humm, ela poderá ter favorecido ambos os sexos. Assim, na opinião de Humm, Potter contrasta o controlo masculino do olhar de Orlando, com as suas características femininas de “to-be-look-at- ness” (Laura Mulvey). Assim, Orlando é uma representação do objeto fetichista do olhar do espectador, mas, em contrapartida, também detém poder ativo sobre as câmaras, o que, na opinião de Humm, os constantes olhares de Orlando, tornam o espectador sensível a ele. É curioso, que seguindo as narrativas tradicionais, a mulher só é olhada, e o homem é o detentor do olhar. Mas neste filme, Orlando, ainda enquanto homem, é “vítima” do desejo do outro, neste caso da rainha, e também do espectador (“to-be-looked-at-ness”). No entanto, e apesar de ser um objeto de desejo do outro, ele também é detentor desse mesmo olhar, por exemplo, quando ele deseja e se sente atraído por Sasha. Nesta situação Sasha é quem se torna o “objeto” da relação. Desta forma, Humm afirma que Orlando tem uma presença ativa nas transformações urbanas, o que, consequentemente, dá lugar ao desejo, como mulher, em ver, mas também ser vista (como homem). Humm fala que o olhar erótico de Orlando para a câmara transporta o espectador num processo partilhado de construção de significado da narrativa, de forma a lutar contra as metanarrativas patriarcais (Humm, 1997:178).

No filme o espectador é confrontado com vários tipos de relacionamentos, diferentes, devido às inversões do género, como por exemplo, a relação despoletada entre Orlando e Sasha. Apesar do desejo entre as personagens, Humm argumenta que a este ponto do filme, a identidade do género de Orlando ainda não é estável, por isso, a cena resulta num retrato não natural de um modelo andrógino. Humm afirma que o género de Orlando é livre, mas é também um jogo, um espetáculo, e uma máscara de uma experiência. Doane argumenta que a “masquerade” destabiliza a imagem feminina e confunde a estrutura masculina do olhar, porque ela produz uma desfamiliarização da iconografia feminina (Doane, 1990/162). Se no cinema de Hollywood o espectador feminino, segundo Mulvey, obtém prazer apenas quando assume uma posição de masoquismo, “The effectivity of masquerade lies precisely in its potential to manufature a distance from the image, to

108 generate a problematic within the image is manipulative, producible and readable by the woman” (Doane 1990:54), e então, o aumento da preocupação de Hollywood com o travestismo e o transexualismo revela um interesse comercial no colapso dos papéis de género fixos pela sociedade (Humm, 1997:162). Desta forma, para Humm, Potter subverte as normas fixas do género filmico ao se apropriar do olhar masculino. Ao fazê-lo, Potter desconstrói o espectador convencional, quando, por exemplo, Orlando, enquanto mulher, e com a filha ao lado, já no fim do filme, olha diretamente para a câmara e diz “this really is a good film”. Por outro lado, Humm relembra que Shelmerdine, enquanto homem, não consegue olhar diretamente para a câmara. (Humm 1997:164). Num ensaio de 1980, Potter revelou, que a sua estratégia ao inverter o olhar, era compreender o papel do espectador na criação de significado na performance e na história (Potter in Humm, 1997:165/6).

No entanto, apesar das tentativas de aproximar o espectador com a imagem, ela pode ter o resultado contrário ao esperado. Tal como James (1993) argumenta, o espectador pode tomar duas posições, face aos acontecimentos que lhe são apresentados. A primeira é de uma distanciação, devido ao desenvolvimento de um sentimento de desagrado em relação à narrativa, e a segunda de aproximação, pois a narrativa também é capaz de o entreter.