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Styring og kontroll av virksomheten

In document Årsrapport 2020 (sider 36-43)

Não será pela oposição de Manuel Tainha, professor da ESBAL entre 1976 e 1992. Segundo este:

Se, como você diz, nós tínhamos em comum uma abordagem mais poética da Arquitectura que queríamos inculcar no espírito do aluno, isso virá confirmar que, para além das divergências de estilo, digamos, ambos reconhecíamos à Arquitectura a vocação de emocionar”.

(TAINHA, 2010, [V. Anexo V.1])

De facto, apesar da nítida divergência de “estilos” – e mesmo ideologias, as quais teriam fundamentado a interdição de Manuel Tainha à actividade docente na ESBAL, nos anos 60 – a coabitação de diferentes figuras, neste período, dirige a nossa atenção, mais uma vez, sobre o que de mais particular o meio escolar tem a absorver por via da (sintomática)

diversidade pós-moderna. Assim, directamente questionado

sobre a transmissão de uma “tendência” no modo de ensinar, admite que sim:

Na Escola não havia uma causa a defender pró ou anti- qualquer coisa. Se ao tempo em que eu entrei haveria uma figura dominante cujas convicções iam nesse sentido, o seu poder de contágio não atingia todo o corpo docente.”

141 De facto, Manuel Tainha protagonizará a facção lisboeta que mais se demarca da corrente pós-moderna. Distinguindo a “obra de excepção” da “obra de sedimentação” coloca-se do lado desta última, já que “poderá não ser, por vezes, a de melhor arquitectura, mas é com certeza a mais humana; pois é nela que o homem se experimenta, se põe de novo em questão”430. E relativamente às “querelas importadas de outros horizontes” diz: “Nisso se esvai o nosso escasso vigor cultural, e nos dividimos artificiosamente, por conta de outrem; nisso nos adiamos indefinidamente”431.

A procura da “dimensão política e moral”432 é um explícito sinal do antagonismo de visões sobre a arquitectura relativamente aos seus pares, nomeadamente à de Manuel Vicente [V. nota 410].

Igualmente o entendimento do desenho como valor matricial da resolução “de um problema prático” que é a criação “da forma arquitectónica”433 colide com a sublimação crescente, no meio escolar, neste período, do seu cariz Beaux-Arts434; é sobretudo “quando se é aprendiz”, diz Manuel Tainha, que se é “levado a pensar (…) que a função do arquitecto é fazer desenhos e que nisso se esgota o seu ciclo criativo” quando “na verdade, o ciclo criativo do arquitecto só se esgota na observação comentada (crítica) dos objectos construídos e em uso”.

Curioso é, pois, verificar as nítidas semelhanças entre este arquitecto e Tomás Taveira, enquanto professores, na redacção dos programas de estudo; pondo lado a lado o programa anterior à Revolução para a cadeira Composição de

Arquitectura III (assinado por Tomás Taveira e já referido [V.

430

TAINHA, Manuel – Projecto ou destino. In TAINHA, Manuel – Arquitectura em questão. Op. cit.. p.140.

431

TAINHA, Manuel – PM´s Vs. MM´s. In TAINHA, Manuel – Arquitectura em questão. Op. cit.. p.47.

432

TOSTÕES, Ana – 50 anos de arquitectura portuguesa. “Arte, profissão, modo de vida?”. In TAINHA, Manuel [et. al] – Manuel Tainha; arquitecto: a prática, a ética e a poética da arquitectura. Almada: Câmara Municipal, 2000. ISBN 972-8392-66-4. p.19.

433

TAINHA, Manuel cit por TOSTÕES, Ana – 50 anos de arquitectura portuguesa. Op. cit.. p.17.

434

Referimo-nos ao desenho inserido na prática projectual, não à disciplina Desenho.

142

1.3.1]) e o de 1989/90 para Projecto I (assinado por Manuel Tainha), ressalta o mesmo tipo de discurso – eloquente, poético – em nítido contraste com os restantes – sintéticos e/ou directos [V. Anexos II.4.1 e II.4.5].

Igualmente, a avaliação dos trabalhos sob uma lógica

exposição-debate – a qual vem implícita neste programa435 - terá resultado da prática dos primeiros anos sucedâneos à Revolução, o que o colocaria no quadro de uma certa inovação didáctica a par com os “avanços” de Tomás Taveira no período pré-revolucionário.

Relativamente ao impacto que gera na comunidade estudantil, verificam-se vários sinais de admiração um dos quais particularmente documentado pelo “facto singular e justamente significativo no nosso meio”436 que é a compilação de alguns dos seus textos pela Associação de Estudantes da FAUTL, em 1994437; de facto, a arquitectura posta em questão resulta de um “desejo simultaneamente ocioso e vagaroso (…) de aprofundar a reflexão como método de trabalho”438 o qual seduz os interessados no facto. Não só a sua pessoa e os seus escritos mas também as suas aulas merecerão, noutras publicações, descrições “poéticas”, nostálgicas e afectuosas por parte de ex-alunos439.

Será também ele o escolhido (ou designado) a acompanhar os estudantes à Segunda Assembleia Europeia de Estudantes de

Arquitectura, em 1981, [Fig.25; V. Anexo II.5] o que, supõe-se, represente um particular ascendente do professor sobre os alunos.

435

Esta impressão é confirmada pelo arquitecto. Cf. TAINHA, Manuel. In Entrevista. Idem. [V. Anexo V.1].

436

TOSTÕES, Ana – 50 anos de arquitectura portuguesa. Op. cit.. p.17.

437

TAINHA, Manuel – Arquitectura em questão: reflexões de um prático. Lisboa: Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, 1994.

438

TOSTÕES, Ana – 50 anos de arquitectura portuguesa. Op. cit.. p.11.

439

Cf. BORDALO, Ana – Mestre aprendiz. In TAINHA, Manuel – Manuel Tainha: textos do arquitecto. Lisboa: Estar, 2000. ISBN 972-5095-71-6. pp.6-7 Cf. também GRILO; Ana; BORDALO, Ana – Manuel In TAINHA, Manuel [et. al] – Manuel Tainha; arquitecto: a prática, a ética e a poética da arquitectura. Almada: Câmara Municipal, 2000. ISBN 972-8392-66-4. pp.48-49.

143 A sua arquitectura não alinhada e “sem vanguarda”440 será, finalmente um ponto de referência para as futuras gerações de formados441, sobretudo as que assistem, a partir do final da década, à “consagração do seu trabalho único”442.

No contexto do seu reconhecimento público, a atribuição de grau de doutor honoris causa pela própria Universidade Técnica de Lisboa, em 2004, terá decididamente tido em conta a sua carreira enquanto docente dessa mesma instituição.

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