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Simões (2009, p. 58) aborda o termo viagem em duas diferentes acepções de trânsito, uma que sugere deslocamento físico, ligada às viagens turísticas; e outra que insinua mudança, relacionada aos fluxos que interferem nas identidades culturais, apresentando um caráter de globalização das culturas que se tornam móveis (relacionando-se ao caráter sociocultural das viagens turísticas e das viagens imaginárias).

tem como palco a promoção de locais onde há uma ligação directa entre a sua produção literária e artística e os turistas que as visitam”.

Para Herbert (1996, pp. 77-78), um atrativo literário pode caracterizar-se de duas formas: como uma atração turística por si só, sendo especificamente relacionada com algum aspecto da literatura, seja com uma obra literária ou seus autores; ou como um componente de uma oferta turística mais abrangente, onde mesmo aqueles que não possuem o interesse pela atratividade literária de um lugar, podem ser atraídos por suas características culturais.

Assim, a representação literária de um espaço gera no leitor um imaginário do lugar, o que dá origem a um “território imaginado”. O leitor, por sua vez, pode ser influenciado por esse imaginário a ponto de se tornar um turista e concretizar a viagem de duas formas: (1) através do seu desejo de viajar para (re)descobrir, através de suas percepções sensoriais reais, um lugar antes conhecido pela leitura; e/ou (2) através de um desejo em experimentar um comportamento de viagem diferenciado, cuja influência permeia a um universo de liberdade criado na literatura.

Em contrapartida, o espaço da cidade (onde se incluem as paisagens, território, sociedade, política, comércio etc.) também pode ser influenciado pela literatura, tornando-a cultura do lugar e não a subjugando apenas enquanto fonte atrativa de visitação. Através de políticas públicas de incentivo à leitura e promoção da cultura literária, por exemplo, é possível transformar e construir um espaço, antes representado na literatura, em um espaço de atratividade para o turismo.

A forma como a cidade é representada na literatura apresenta-se como um importante fator de influência para a construção da imagem da mesma. Tal fato assume relevância na medida em que a imagem é um dos principais aspectos no processo de produção e transformação do espaço em produto turístico. O turismo por sua intangibilidade, ao não poder ser experienciado pelo turista antes da realização da viagem em si, faz com que seja necessário utilizar-se do imaginário e das memórias construídas sobre um local para despertar o interesse do turista.

2.1. A literatura como estimuladora das viagens turísticas

Simões (2009, p. 58) aborda o termo viagem em duas diferentes acepções de trânsito, uma que sugere deslocamento físico, ligada às viagens turísticas; e outra que insinua mudança, relacionada aos fluxos que interferem nas identidades culturais, apresentando um caráter de globalização das culturas que se tornam móveis (relacionando-se ao caráter sociocultural das viagens turísticas e das viagens imaginárias).

Olhar o turismo sob o ponto de vista sociocultural significa considerar, como ponto de partida, que são pessoas que se deslocam (ou pensam em deslocar-se), e que estes sujeitos, ao fazê-lo, além de suas necessidades objetivas e materiais, carregam consigo suas subjetividades, suas necessidades afetivas e psicológicas. Entre estes novos olhares sobre os sujeitos em deslocamento, estão os estudos sobre os imaginários. (Bandeira, 2008, p. 5)

Ao falar em “imaginários” questiona-se a ideia de viagens imaginárias: é possível viajar e/ou fazer turismo sem deslocar-se? Relembrando a discussão conceitual sobre turismo em Simões (2009, pp. 51-58), onde este é posto, dentre outros, como um meio de comunicação entre culturas, uma fonte de mudanças culturais relacionadas aos fluxos de pessoas e informações durante as viagens que interferem nas identidades culturais locais e globais; podemos pensar o turismo relacionado a outras fontes de lazer e cultura, como é o caso das artes e dos meios de comunicação, por exemplo: a internet, literatura, TV, cinema, etc. Através dessa relação é possível, portanto, pensar nesses instrumentos como fontes de viagens imaginárias, assim como Buonanno (2004, p. 342) destaca:

O deslocamento da vida social torna possível vagar, sem se deslocar de sua própria casa ou de sua própria poltrona, entre diferentes e distantes localidades. Uma experiência deste tipo de ‘turismo imaginário’ ou de viagem sem partida não deve ser subestimada: isso rende mobilidade virtual ao indivíduo/espectador estável e o coloca em condições de autênticas viagens e deslocamentos materiais.

Sendo assim, pode-se constatar que ter contato com diferentes imagens e narrativas sobre destinos turísticos, culturas, histórias e sociedades distintas constroem imaginários nos leitores/receptores dessas informações. Podendo, assim, ser considerada uma forma de viagem sem deslocamento geográfico, uma viagem imaginária.

Porém, Falco (2011) destaca que apesar das diversas possibilidades de viagens imaginárias oferecidas e despertadas pelos meios de comunicação, “o turismo demanda vivência e interação real com o outro e com seu local de vida [...]” (p. 28) e o território sociocultural em que o destino se insere. Fato este que não exclui a possibilidade da experiência turística estar associada a experiências de viagens imaginárias, não apenas no período pré-viagem, onde este imaginário cria expectativas e desejos sobre a viagem real, mas também durante e após a viagem.

Pensar a viagem literária num aspecto metafórico é também pensar novas formas de lazer na cidade. E a ideia de “viajar” das viagens imaginárias e também turísticas é aqui, segundo Sousa (2007), tomada como metáfora de liberdade, “liberdade enquanto estado de espírito, da imaginação solta que pode ser proporcionada através de leituras criativas" (p. 53). E ainda, “vale dizer que não há nada melhor para retratar a alma e a cultura de um povo do que a sua literatura" (p. 54), mas também, além disso, ter uma leitura criativa do mundo que nos cerca e que se está conhecendo ao viajar.

Nessa dimensão, a viagem corresponde, conforme Ferrara (1999, p. 19) a uma metáfora das fronteiras entre o subjetivo e o objetivo, entre o imaginário e o concreto, entre a realidade e a ficção; nessa metáfora a viagem se desdobra, se multiplica e se ultrapassa em “viagens”, não necessariamente reais. (Sousa, 2007, p. 58)

As fronteiras entre o objetivo e o subjetivo, neste sentido, perpassam pela definição do que seja turismo, através de suas conceituações formais de deslocamento espacial e suas implicações sociais, culturais, ambientais, políticas e econômicas. Mas, também perpassam pela subjetividade das viagens como metáforas, como estilo de vida, dos sentimentos, percepções e imaginários construídos pelo sujeito envolvido direta e/ou indiretamente neste objeto que é o turismo.

Além do imaginário, o turismo assimilou também os elementos culturais atrativos de um destino para compor sua oferta em segmentos, como o turismo cultural, onde os turistas possuem o interesse em vivenciar o patrimônio histórico e cultural do destino e/ou experienciar eventos e outras manifestações culturais. Segundo Oliveira (2009, p. 4),

Vivenciar implica, essencialmente, em duas formas de relação do turista com a cultura ou algum aspecto cultural: a primeira refere-se ao conhecimento, como a busca em aprender e entender o objeto da visitação e a segunda corresponde a experiências participativas, contemplativas e de entretenimento, que ocorrem em função do objeto de visitação.

Sendo assim, a literatura, receptáculo e “contributo para a formação cultural e a memória de um povo” (Esquinsani & Esquinsani, 2010, p. 210), apresenta-se aqui como atrativo turístico patrimonial de caráter híbrido, que, segundo Esquinsani e Esquinsani (2010, p. 211), ao mesmo tempo em que faz referência a bens materiais de valor agregado (como bibliotecas, casas de escritores, acervos de livros históricos etc.), também apresenta um caráter de bem simbólico imaterial por seu conjunto de signos, imagens, símbolos e imaginários (como mitos, lendas, folclore, danças, música, culinária, hábitos de um povo etc.).

Pensar a viagem literária num aspecto metafórico é também pensar novas formas de lazer na cidade. E a ideia de “viajar” das viagens imaginárias e também turísticas é aqui, segundo Sousa (2007), tomada como metáfora de liberdade, “liberdade enquanto estado de espírito, da imaginação solta que pode ser proporcionada através de leituras criativas" (p. 53). E ainda, “vale dizer que não há nada melhor para retratar a alma e a cultura de um povo do que a sua literatura" (p. 54), mas também, além disso, ter uma leitura criativa do mundo que nos cerca e que se está conhecendo ao viajar.

Nessa dimensão, a viagem corresponde, conforme Ferrara (1999, p. 19) a uma metáfora das fronteiras entre o subjetivo e o objetivo, entre o imaginário e o concreto, entre a realidade e a ficção; nessa metáfora a viagem se desdobra, se multiplica e se ultrapassa em “viagens”, não necessariamente reais. (Sousa, 2007, p. 58)

As fronteiras entre o objetivo e o subjetivo, neste sentido, perpassam pela definição do que seja turismo, através de suas conceituações formais de deslocamento espacial e suas implicações sociais, culturais, ambientais, políticas e econômicas. Mas, também perpassam pela subjetividade das viagens como metáforas, como estilo de vida, dos sentimentos, percepções e imaginários construídos pelo sujeito envolvido direta e/ou indiretamente neste objeto que é o turismo.

Além do imaginário, o turismo assimilou também os elementos culturais atrativos de um destino para compor sua oferta em segmentos, como o turismo cultural, onde os turistas possuem o interesse em vivenciar o patrimônio histórico e cultural do destino e/ou experienciar eventos e outras manifestações culturais. Segundo Oliveira (2009, p. 4),

Vivenciar implica, essencialmente, em duas formas de relação do turista com a cultura ou algum aspecto cultural: a primeira refere-se ao conhecimento, como a busca em aprender e entender o objeto da visitação e a segunda corresponde a experiências participativas, contemplativas e de entretenimento, que ocorrem em função do objeto de visitação.

Sendo assim, a literatura, receptáculo e “contributo para a formação cultural e a memória de um povo” (Esquinsani & Esquinsani, 2010, p. 210), apresenta-se aqui como atrativo turístico patrimonial de caráter híbrido, que, segundo Esquinsani e Esquinsani (2010, p. 211), ao mesmo tempo em que faz referência a bens materiais de valor agregado (como bibliotecas, casas de escritores, acervos de livros históricos etc.), também apresenta um caráter de bem simbólico imaterial por seu conjunto de signos, imagens, símbolos e imaginários (como mitos, lendas, folclore, danças, música, culinária, hábitos de um povo etc.).

Tais elementos identificam e representam uma determinada cultura, através das memórias registradas e das representações literárias, que mesmo ficcionais, estão permeadas por fatores subjetivos de influência do meio e da interpretação dos autores sobre este, sendo ressignificadas e reordenadas de acordo com a percepção histórica e cultural dos seus receptores (leitores, membros ou não da sociedade representada). Nota-se que a literatura é um produto duplamente social, isto como toda forma de arte, pois ao mesmo tempo em que é influenciada pelo contexto social em que é criada; também produz sobre os seus apreciadores uma influência que modifica a conduta e concepção do mundo.

Isto decorre da própria natureza da obra e independe do grau de consciência que possam ter a respeito os artistas e os receptores de arte [...]. A grandeza de uma literatura, ou de uma obra, depende da sua relativa intemporalidade e universalidade, e estas dependem por sua vez da função total que é capaz de exercer, desligando-se dos fatores que a prendem a um momento determinado e a um determinado lugar. (Candido, 2006, pp. 30-54).

Em outra via, nota-se que o leitor além de desejar conhecer a cidade cenário de um conto romântico, por exemplo, também deseja viver um grande romance neste, como é o caso de várias obras que se passam em Paris. Pois esta é uma das imagens que as figuras narrativas poéticas podem passar sobre esse lugar. É o reflexo de anos de romances literários, poesias e de escritores influenciados pela poética dos espaços, na tentativa de reproduzir em palavras as sensações e sentimentos da aura de uma cidade.

Esse leitor que constrói imaginários através das narrativas literárias (poéticas e/ou prosaicas) e assim, realiza viagens literárias ao “passear” pelo mundo ficcional da literatura com o desejo de explorar e conhecer o mundo pelas palavras através da leitura e da imaginação, é, segundo Simões (2009, p. 59), o leitor-turista. Este, por sua vez, ao apresentar-se não satisfeito plenamente com apenas a mobilidade ficcional, desperta em si o desejo de viajar concretamente para viver o real imaginário, transformar em sensações o que antes era apenas ficção. Querer tocar, sentir, ouvir, olhar, degustar. Colocar para trabalhar seus cinco sentidos para, então, reler o lugar antes imaginado a partir da leitura de visões de mundo e experiências de outrem. “De leitor a turista é um passo: aquele que a mobilidade e o trânsito permitem. Torna-se turista-leitor, viajando para reconhecer e observar as ressignificações daquelas cidades, antes ‘visitadas’ através da leitura” (Simões, 2009, p. 59).

Um fator que pode influenciar significativamente na relação entre turismo e literatura é o quanto a porção da realidade percebida, vivida e experienciada pelo turista/leitor irá corresponder às expectativas e imaginários previamente criados por este sujeito enquanto leitor/turista a partir das informações contidas na obra literária que o despertou para a viagem.

Pois, com a literatura é necessário, segundo Candido (2006, p. 22), “ter consciência da relação arbitrária e deformante que o trabalho artístico estabelece com a realidade, mesmo quando pretende observá-la e transpô-la rigorosamente, pois a mimese é sempre uma forma de poiese”. Neste aspecto Botton (2012), ao trabalhar a ideia “Da arte que abre os olhos” sobre a criação artística de Van Gogh, diz que

A porção da realidade que o interessava às vezes requeria distorção, omissão e substituição de cores para ser destacada, mas ainda assim era o real – “a semelhança” – que o interessava. Ele estava disposto a sacrificar o realismo ingênuo para alcançar um realismo mais profundo, comportando-se como um poeta que, apesar de menos factual do que um jornalista na descrição de um acontecimento, pode, ainda assim, revelar verdades que não têm lugar na perspectiva literal do outro. (Botton, 2012, pp. 199-202)

Com a literatura funciona do mesmo modo, pois o autor traduz em palavras suas emoções, visões, pensamentos, interpretações e imaginários do mundo, que se tornam simultaneamente realidade e ficção. Segundo Ianni (1999, p. 16), “as suas figuras, imagens, metáforas, alegorias permitem levar o exorcismo e a fabulação ao paroxismo”. Sendo assim, o leitor deve ter a consciência de que o imaginário literário não corresponderá à realidade, porém, a realidade pode se assemelhar ao imaginário de acordo com a visão poética que este leitor terá sobre o espaço real ao viajar, despindo-se de expectativas materiais e abrindo-se a um universo de redescoberta e novas leituras do mundo.

Em termos de imaginário, não há verdade ou mentira, pois todo imaginário é. Ele é invenção, narrativa, seleção, bricolagem, modo de ser no mundo. No imaginário, em consequência, não há verdadeiro nem falso. Como num romance, todos os enredos são possíveis e legítimos. Ou seja, como o sentimento, que sempre é, o imaginário, do mesmo modo, sempre é (Gastal, 2005, p. 75).

Partindo desse pressuposto, temos a ideia do turista/viajante como um agente transformador do turismo a partir de uma mudança de comportamentos. Se a literatura, portanto, pode transformar mesmo que minimamente as pessoas, porque

Um fator que pode influenciar significativamente na relação entre turismo e literatura é o quanto a porção da realidade percebida, vivida e experienciada pelo turista/leitor irá corresponder às expectativas e imaginários previamente criados por este sujeito enquanto leitor/turista a partir das informações contidas na obra literária que o despertou para a viagem.

Pois, com a literatura é necessário, segundo Candido (2006, p. 22), “ter consciência da relação arbitrária e deformante que o trabalho artístico estabelece com a realidade, mesmo quando pretende observá-la e transpô-la rigorosamente, pois a mimese é sempre uma forma de poiese”. Neste aspecto Botton (2012), ao trabalhar a ideia “Da arte que abre os olhos” sobre a criação artística de Van Gogh, diz que

A porção da realidade que o interessava às vezes requeria distorção, omissão e substituição de cores para ser destacada, mas ainda assim era o real – “a semelhança” – que o interessava. Ele estava disposto a sacrificar o realismo ingênuo para alcançar um realismo mais profundo, comportando-se como um poeta que, apesar de menos factual do que um jornalista na descrição de um acontecimento, pode, ainda assim, revelar verdades que não têm lugar na perspectiva literal do outro. (Botton, 2012, pp. 199-202)

Com a literatura funciona do mesmo modo, pois o autor traduz em palavras suas emoções, visões, pensamentos, interpretações e imaginários do mundo, que se tornam simultaneamente realidade e ficção. Segundo Ianni (1999, p. 16), “as suas figuras, imagens, metáforas, alegorias permitem levar o exorcismo e a fabulação ao paroxismo”. Sendo assim, o leitor deve ter a consciência de que o imaginário literário não corresponderá à realidade, porém, a realidade pode se assemelhar ao imaginário de acordo com a visão poética que este leitor terá sobre o espaço real ao viajar, despindo-se de expectativas materiais e abrindo-se a um universo de redescoberta e novas leituras do mundo.

Em termos de imaginário, não há verdade ou mentira, pois todo imaginário é. Ele é invenção, narrativa, seleção, bricolagem, modo de ser no mundo. No imaginário, em consequência, não há verdadeiro nem falso. Como num romance, todos os enredos são possíveis e legítimos. Ou seja, como o sentimento, que sempre é, o imaginário, do mesmo modo, sempre é (Gastal, 2005, p. 75).

Partindo desse pressuposto, temos a ideia do turista/viajante como um agente transformador do turismo a partir de uma mudança de comportamentos. Se a literatura, portanto, pode transformar mesmo que minimamente as pessoas, porque

não pensar em como a literatura pode modificar o modo de agir dos turistas-leitores, assim como o aqui exposto, para produzir uma nova forma de “fazer” turismo?

Temos assim, identificado na literatura de João do Rio, o perfil do flâneur como um personagem que representa o viajante, aqui identificado como o exemplo de turista ou visitante (ou o residente passeando por sua cidade nos momentos de lazer), que se suscita explorar no contexto de uma ressignificação do turismo a partir do olhar diferenciado sobre a cidade.

2.2. O Flâneur

Além das representações espaciais na literatura, também são representados personalidades e comportamentos humanos no papel dos mais variados personagens. Segundo Ianni (1999, p. 12), são muitos os tipos humanos presentes nas narrativas literárias e sociológicas. E independente da intenção dos autores, ou da veracidade dos fatos, ao longo das décadas de leituras, alguns modelos ou arquétipos de personalidades relacionadas com uma cultura, um lugar ou uma época “são reiterados, recriados e transfigurados pelos diferentes leitores, em outros lugares e épocas" (Ianni, 1999, pp. 38-39). Ainda, segundo o autor, “em todos desenham-se diferentes traços, movimentos, sons e cores, tanto quanto modos de ser, sentimentos e entendimentos do indivíduo que se forma com a modernidade simbolizando-a. Daí nascem o flâneur de Baudelaire, o blasé de Simmel [...]” (Ianni, 1999, p. 31).

O leitor, além de criar imaginários sobre o espaço (possível destino turístico), também imagina toda a sociedade pertencente a esse lugar. E coloca-se como personagem principal da história lida. Assim, observa-se que o espaço de atratividade para o turismo vinculado a literatura se relaciona à complexificação do olhar do próprio turista5. A Literatura influencia novas leituras do turismo e do comportamento dos

viajantes, muitas vezes diferenciando-se do praticado pelo turismo de massa, e assemelhando-se a condição de flâneur.

White (2001, p. 16) trata o flâneur como andarilho urbano, um passeador que anda a esmo e se perde na multidão sem destino, seguindo para onde o capricho ou a curiosidade direcionam os seus passos. A literatura permite ao flâneur buscar as referências espaciais antes apenas imaginadas tornando as cidades um misto de realidade e sonho. Nesse sentido a cidade pode ganhar destaque na relação entre o turismo e a literatura no próprio ritmo que os itinerários de visitação provocam, muitas vezes opostos ao modo de vida moderno, que condiciona o ser a um ritmo muitas vezes frenético.