6.3 Echocardiographic acquisition and analysis
6.3.8 Methodological differences - strengths and weaknesses
casas no antigo jardim do Convento, e eu tomava chopps no Guarda Velha a três vinténs! (RIO, 2007/1908, pp. 29-30)
Dos cinemas que a área abrigou, poucos restaram, sendo apenas o Cine Odeon, o último dos grandes cinemas construídos na Cinelândia, em 1932, ainda em funcionamento. Alguns resquícios do palco cinematográfico carioca ainda podem ser notados através de poucas fachadas que resistem ao tempo, como o Cine Vitória que hoje abriga a Livraria Cultura. Mas, como João do Rio fala na introdução de seu livro Cinematógrafo: “se a vida é um cinematógrafo colossal, cada homem tem no crânio um cinematógrafo de que o operador é a imaginação” (RIO, 2009/1909, p. 4). Assim, cabe ao flâneur a arte da imaginação do passado através das memórias arquitetônicas, históricas, em arquivos de museus ou escritas em relatos de poesia e prosa na literatura.
(e) Misericórdia: A área mais rica em contribuições do autor João do Rio, é, infelizmente, a área onde atualmente pouco restou além de algumas ruas com nomes herdados do passado, da Santa Casa da Misericórdia e de um grande espaço de vazio repleto de memórias e histórias, aberto na porta de entrada lateral do Rio de Janeiro e ocupado por grandiosos prédios públicos, terminais de ônibus e uma sensação de pequenez diante da fragilidade da mutabilidade do tempo e dos espaços.
O Beco da Música ou o Beco da Fidalga reproduzem a alma das ruas de Nápoles, de Florença, das ruas de Portugal, das ruas da África, e até, se acreditarmos na fantasia de Heródoto, das ruas do antigo Egito. E por quê? Porque são ruas da proximidade do mar, ruas viajadas, com a visão de outros horizontes. Abri uma dessas pocilgas que são a parte do seu organismo. Haveis de ver chineses bêbados de ópio, marinheiros embrutecidos pelo álcool, feiticeiras ululando canções sinistras, toda a estranha vida dos portos de mar. E esses becos, essas betesgas têm a perfídia dos oceanos, a miséria das imigrações, e o vício, o grande vício do mar e das colônias... (RIO, 2007/1908, p. 34)
Estávamos no Beco dos Ferreiros, uma ruela de cinco palmos de largura, com casas de dois andares, velhas e a cair. A população desse beco mora em magotes de modo que a gente tem a perene impressão de chitas festivas a flamular no alto. Há portas de hospedarias sempre fechadas, linhas de fachadas tombadas, e a miséria besunta de sujo e de gordura as antigas pinturas. Um cheiro nauseabudo paira nessa ruela desconhecida. (RIO, 2007/1908, p. 92)
Tínhamos parado à esquina da Rua Fresca. A vida redobrava aí de intensidade, não de trabalho, mas de deboche. Nos botequins, fonógrafos roufenhos esganiçavam canções picarescas; numa taberna escura com turcos e fuzileiros navais, dois violões e um cavaquinho repinicavam. Pelas calçadas, paradas às esquinas, à beira do quiosque, meretrizes de galho de arruda atrás da orelha e chinelinho na ponta do pé, carregadores espapaçados, rapazes de camisa de meia e calça branca bombacha com o corpo flexível dos birbantes, marinheiros, bombeiros, túnicas vermelhas e fuzileiros - uma confusão, uma mistura de cores, de tipos, de vozes, onde a luxúria crescia. (RIO, 2007/1908, pp. 53-54)
Breves relatos que exemplificam as mudanças ocorridas na cidade e o quanto o flâneur pode percorrer, descobrir, redescobrir e imaginar durante suas caminhadas por estes percursos, áreas, atrativos e escritas da literatura de João do Rio que foram aqui exemplificadas.
5. CONSIDERAÇÕESFINAIS
A cidade do Rio de Janeiro apresenta uma série de desafios após a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, para manter-se competitiva no mercado global do turismo. Dentre esses desafios, destacam-se a distribuição geográfica dos fluxos turísticos dentro da cidade de maneira mais equitativa e, consequentemente, a ampliação do espaço turístico e a própria diversificação da oferta turística. As regiões portuária e central da cidade, por exemplo, receberam uma série de investimentos através de projetos como o Porto Maravilha. Uma das transformações na paisagem urbana foi a implantação de um veículo leve sobre trilhos (VLT), cujos carros de passageiros homenageiam personagens ilustres da vida na cidade do Rio de Janeiro, dentre eles, o autor João do Rio9.
Inspirada por essas transformações urbanas e desafios para o desenvolvimento mais sustentável do turismo neste destino, o objetivo geral deste trabalho foi investigar como as representações dos espaços do Centro da cidade Rio de Janeiro se apresentam na obra A alma encantadora das ruas de João do Rio, e, de que maneira tais representações podem contribuir na construção de uma nova visão do "fazer turismo" por parte daqueles que buscam conhecer a cidade. O cumprimento deste objetivo proporcionou a feitura de um roteiro (ver Figuras 1 e 2) que possibilita a inserção do flanerismo como um divisor de águas na potencialização da relação entre turismo e literatura.
Tínhamos parado à esquina da Rua Fresca. A vida redobrava aí de intensidade, não de trabalho, mas de deboche. Nos botequins, fonógrafos roufenhos esganiçavam canções picarescas; numa taberna escura com turcos e fuzileiros navais, dois violões e um cavaquinho repinicavam. Pelas calçadas, paradas às esquinas, à beira do quiosque, meretrizes de galho de arruda atrás da orelha e chinelinho na ponta do pé, carregadores espapaçados, rapazes de camisa de meia e calça branca bombacha com o corpo flexível dos birbantes, marinheiros, bombeiros, túnicas vermelhas e fuzileiros - uma confusão, uma mistura de cores, de tipos, de vozes, onde a luxúria crescia. (RIO, 2007/1908, pp. 53-54)
Breves relatos que exemplificam as mudanças ocorridas na cidade e o quanto o flâneur pode percorrer, descobrir, redescobrir e imaginar durante suas caminhadas por estes percursos, áreas, atrativos e escritas da literatura de João do Rio que foram aqui exemplificadas.
5. CONSIDERAÇÕESFINAIS
A cidade do Rio de Janeiro apresenta uma série de desafios após a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, para manter-se competitiva no mercado global do turismo. Dentre esses desafios, destacam-se a distribuição geográfica dos fluxos turísticos dentro da cidade de maneira mais equitativa e, consequentemente, a ampliação do espaço turístico e a própria diversificação da oferta turística. As regiões portuária e central da cidade, por exemplo, receberam uma série de investimentos através de projetos como o Porto Maravilha. Uma das transformações na paisagem urbana foi a implantação de um veículo leve sobre trilhos (VLT), cujos carros de passageiros homenageiam personagens ilustres da vida na cidade do Rio de Janeiro, dentre eles, o autor João do Rio9.
Inspirada por essas transformações urbanas e desafios para o desenvolvimento mais sustentável do turismo neste destino, o objetivo geral deste trabalho foi investigar como as representações dos espaços do Centro da cidade Rio de Janeiro se apresentam na obra A alma encantadora das ruas de João do Rio, e, de que maneira tais representações podem contribuir na construção de uma nova visão do "fazer turismo" por parte daqueles que buscam conhecer a cidade. O cumprimento deste objetivo proporcionou a feitura de um roteiro (ver Figuras 1 e 2) que possibilita a inserção do flanerismo como um divisor de águas na potencialização da relação entre turismo e literatura.
9 Ver em: http://portomaravilha.com.br/imprensadetalhe/cod/90062.
O turismo e a literatura possuem um grande potencial de atratividade diante da premissa apresentada para um “outro” turismo. E isto se deve, principalmente, ao caráter cultural associado a esta relação. Mas, também, e, principalmente, devido aos imaginários e viagens literárias construídas pela leitura de um destino. Tendo, portanto, como objeto principal de estudo, o leitor-turista e sua transformação em turista-leitor, os fatores humanos, sociais e culturais do turismo são evidenciados, vistos e estudados em detrimento dos fatores mercadológicos, pressupondo e configurando, assim, um grande avanço na proposta de se alcançar este “outro” turismo através de uma mudança de visão de mundo a partir do olhar poético do flâneur sobre o espaço e as sociedades visitadas.
Porém, a prática do flanar, direcionada à experiência turística, requer um cuidado especial com os fatores pertinentes a caminhabilidade na cidade, incluindo acessibilidade, segurança e acesso à informação aos pedestres. As questões de mobilidade urbana, principalmente relacionadas à segurança, foram uma das limitações desta pesquisa ao pensar o Roteiro Flâneur e a possibilidade do pleno exercício do flanar na cidade.
Novos trabalhos podem apontar para a possibilidade de trabalhar a relação turismo e literatura orientada às práticas pedagógicas; ao desenvolvimento de outros roteiros/itinerários literários na cidade e a investigar e inventariar, mais especificamente, a potencialidade da cidade do Rio de Janeiro como um destino de Turismo Literário.
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