Kapittel 7. Familiestudier
7.2. Studier av familier
Expor os resultados das pesquisas à comunidade científica imprime maior confiança nos resultados e nos cientistas. Sendo assim, existe um sistema de comunicação para a publicação das pesquisas e divulgação dos resultados. Esse processo envolve publicações formais durante a pesquisa e ao seu término, com resultados completos. As pesquisas podem ser publicadas em forma de relatórios, trabalhos apresentados em congressos, palestras, artigos de periódicos, livros inteiros ou capítulos. O conjunto dessas publicações, que chamamos de literatura científica, argumenta Mueller (2000, p. 22), permite expor o trabalho dos pesquisadores ao julgamento constante de seus pares, em busca do consenso que lhes confere a confiabilidade. Sem sua literatura, apregoa a autora, uma área científica não pode existir, pois necessitado aval dos seus pares. A produção da literatura científica envolve a comunicação formal e a informal. A primeira utiliza
geralmente publicações em periódicos científicos e livros. E a segunda utiliza os chamados canais informais e inclui comunicações de caráter mais pessoal ou que se referem à pesquisa ainda não concluída (MUELLER, 2000, p. 22-23). Na comunicação informal ocorre a interação entre os pesquisadores para a construção do conhecimento (reuniões científicas, participação em associações profissionais e colégios invisíveis) (SCHWEITZER, RODRIGUES; RADOS, 2011).
Abaixo está o esquema que demonstra o fluxo da informação científica de Garvey e Griffith (1979), direcionado ao meio impresso:
Tabela 1.1 - Fluxo da Informação através das pesquisas.
Fonte: (adaptado de Garvey e Griffith apud Campelo, 2000)
Com as novas tecnologias da informação e da comunicação, o fluxo foi modificado. O computador foi utilizado para o processamento de informações a partir da década de 1960 e sua evolução fez com que se tornasse ferramenta eficaz para a comunicação científica. Para Schweitzer, Rodrigues e Rados (2011), as TICs são ferramentas auxiliares bastante eficazes para as atividades da comunicação científica, variando a intensidade de uso e os tipos de ferramentas conforme a área do conhecimento.
Cientistas produzem a informação Informação é estruturada!
Inserem esta informação em um ou mais canais de comunicação (que podem ser os canais formais e informais)
Recuperação da informação!
[...] na década de 1980, o desenvolvimento da tecnologia da informação e comunicação alcançara a etapa em que podia começar a competir com a impressão em papel como meio universal para difundir informações científicas. Nos últimos anos, portanto, passou a ser razoável examinar a possibilidade de se transferir informações científicas do meio impresso para o meio eletrônico. (MEADOWS, 1999, p. 35).
O texto científico apresenta suas características próprias que o distinguem dos demais: são textos que servem para transmitir conhecimentos, expor conteúdos ou relatar um estudo ou pesquisa, incluindo a descrição dos métodos, a apresentação dos resultados e uma discussão sobre eles. Empregam definições precisas de termos científicos, comumente restringem-se a assuntos muito específicos, ou quando tratam de assuntos genéricos, os separam claramente.
Ao abarcar a linguagem, Morris (2003, p. 155) explica que a linguagem comum especializou-se de diversas maneiras e essas especializações são os tipos de discurso. Segundo Charaudeau (2006), discursos são formas de construção da língua em que os sujeitos se colocam em relação, se fazem entender, se fazem perceber e estabelecem vínculos. Discurso não é a língua, embora seja por intermédio dela que se constitua o discurso e que este, num efeito de retorno, modifique-a. A língua está ligada à gramática, à sintaxe e à semântica, enquanto o discurso adquire um sentido que ultrapassa as fundamentações linguísticas da manifestação verbal.
Ainda conforme Morris (2003), o discurso científico apresenta a forma mais especializada de um discurso designativo-informativo. À medida que a ciência avança, suas afirmações tornam-se puramente designativas, mais gerais, melhor confirmadas e mais sistemáticas. O discurso científico é formado pelas afirmações que constituem o conhecimento mais centrado de uma época, aquelas afirmações de cuja veracidade existe mais provas. Esse tipo de discurso pode mudar de uma época para outra de acordo com a evolução da ciência. A difusão do científico pode ocorrer de duas formas: por disseminação: divulgação entre pares e por divulgação: feita por cursos, aulas de ciência e pelo jornalismo (ROSA, 2008).
Além do discurso científico, há o discurso tecnológico que prescreve ações com o propósito de informar aos intérpretes como alcançar certos objetivos. Este é um discurso prescritivo-informativo. Objetiva fornecer as informações e as técnicas de como realizar um determinado procedimento. Há um tipo de discurso tecnológico para a ciência, para a moral, para a matemática e para todas as áreas.
A divulgação científica e o jornalismo científico são diferentes dos discursos científico e tecnológico. Ambos devem destinar-se ao chamado público leigo, com a intenção de democratizar as informações (pesquisas, inovações, conceitos de ciência, tecnologia etc.), porém, a primeira forma não é jornalismo. O jornalismo científico é um caso particular de divulgação científica: é uma forma de divulgação endereçada ao público leigo, mas que obedece ao padrão de produção jornalística (BUENO, 2006). De acordo com Alberguini (2007, p. 53), o jornalismo científico é a divulgação de assuntos ligados à Ciência, à Tecnologia e à Inovação para o público não especializado, nos veículos de comunicação, mediante notícias, reportagens, entrevistas ou artigos. Burke e Porter explicam que:
Desde o século XVII desenvolveu-se um estilo direto de relato científico delineado para ser translúcido, sem ambiguidades, direto e isento de toda a confusa subjetividade da reportagem pessoal. Em sua melhor forma, a prosa científica é um instrumento de comunicação muito eficaz: entretanto, ela não se relaciona com qualquer tipo de fala [...]. (BURKE; PORTER, 1993, p. 22).
A intenção do jornalista e a do cientista no que se refere à produção mantém uma larga distância entre si. Enquanto o jornalista e o divulgador trabalham para o grande público, o cientista dirige-se a um público específico e especializado. Não obstante, cientistas podem ser divulgadores e assumir ambos os papéis. Algumas diferenças entre esses discursos são apontadas por Fabíola de Oliveira:
A redação do texto científico segue normas rígidas de padronização e normatização universais, além de ser mais árida, desprovida de atrativos. A escrita jornalística deve ser coloquial, amena, atraente, objetiva e simples. A produção de um trabalho é resultado não raro de anos de investigação. A jornalística rápida e efêmera. O trabalho científico normalmente encontra amplos espaços para publicação nas revistas especializadas, permitindo linguagem prolixa, enquanto o texto jornalístico esbarra em espaços cada vez mais restritos e, portanto, deve ser enxuto, sintético. (OLIVEIRA, 2002, p. 43).
Leibruder (2002, p. 236) define o texto da divulgação científica como sendo a intersecção dos gêneros científico e jornalístico, reunindo dois níveis de linguagem expressos simultaneamente. O primeiro deles está focado na objetividade e busca da neutralidade - características típicas da ciência - e o segundo é voltado para um registro mais coloquial, deixando à mostra a subjetividade. No discurso da divulgação científica, os termos técnicos do discurso científico são explicitados na busca de uma linguagem mais acessível ao grande público.
Tratar de divulgação científica no ciberespaço é ainda mais complexo e não abarca apenas a linguagem. Diante da nova web, a web 2.0, que permite o uso de ferramentas colaborativas e tantas outras possibilidades, todas as áreas do conhecimento têm se modificado. A comunicação, a educação, a medicina, a ciência e outras áreas adentram na “sociedade em rede” (CASTELLS, 1999), que pode ser configurada como uma sociodromocracia cibercultural (TRIVINHO, 2007).
Na verdade o computador é um meio artificial de pensamento, criado que foi para ser o apêndice mais veloz da mente humana. Ele não está limitado a apenas calcular, mas raciocina também [...]. Contudo, todos os ciberneticistas são unânimes em afirmar que não se deve admitir a ingenuidade de se supor a máquina de pensar feita para substituir o homem. (MORAIS, 1988, p. 143).
Este século, desde seu início, está marcado pela presença das tecnologias da informática. Objetos infotecnológicos estão em todos os ambientes pelos quais percorre a vida humana. Baudelaire (2007, p.26) defende que “a modernidade é o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra metade o eterno e o imutável [...]. Não temos o direito de desprezar ou de prescindir desse elemento transitório, fugido, cujas metamorfoses são tão frequentes”. Entre os objetivos da web 2,0 estão: a informação controlada pelo usuário; a web como a própria plataforma; ferramentas no formato de serviços web ao invés de softwares proprietário; arquitetura participativa; nenhum custo para o usuário, permissões de livre distribuição ou modificação; aplicações não limitadas a um determinado sistema operacional ou hardware; inteligência coletiva9.
Nas palavras de Vilches:
No computador, a interface permite que a máquina se apresente ao usuário de modo que ele possa compreendê-la. Aqui começa a ação interativa. O modo humano de aproximar-se da máquina permite uma experiência de gestão, por meio de uma série de objetos visualizáveis, preparados para interagir. A interface não é um complemento do ato de ver, como o controle remoto; é o centro da interação a verdadeira zona de produção das novas relações sociais que regeram o uso da comunicação digital. Desse modo, a interatividade permite aos usuários usarem as mídias para organizar seu espaço e seu tempo, e não o inverso, como acontecia com os meios tradicionais baseados na manipulação das imagens e dos sons, a partir de um centro emissor. (VILCHES, 2003, p. 23-24).
No que diz respeito à interatividade, Monteiro (2006, p. 13) vai à contramão de Vilches e não compartilha das mesmas ideais sobre interatividade. Para o autor, ela não consegue atender aos ideais emancipacionistas e libertários atribuídos a ela, como maior comunhão social, liberdade de expressão, autonomia, transparência social e participação democrática, por exemplo. Isso porque ao tentar realizar algum desses ideais, acaba por criar situações conflitantes. Ele expõe que a falácia da interatividade pode ser identificada em algumas utopias de que os media interativos oferecem total liberdade em função do modelo descentralizado da Internet. O que se nota é que a democracia e a liberdade de expressão precisam ser mais bem analisadas, pois não caminhamos para uma humanidade unida. De fato, os interagentes na Internet podem emitir e receber mensagens, porém, não irrestrita e igualitariamente. A proposta de democracia acaba sendo uma pseudo democracia.
À luz das ideias de Gorz (2005, p. 21), de que o computador é um instrumento universalmente acessível, através do qual todos os saberes e todas as atividades podem, em princípio, ser partilhados, é possível atribuir à rede mundial de computadores uma expansiva capacidade de penetração na população. A Internet convive com o que nomeiam alguns autores de “excesso de informação”. Essa questão tem sido discutida por alguns pesquisadores, como Duguid e Brown (2001), para quem esse fluxo de informações “mais parece o estouro de uma represa [...] e controlar essa torrente tornou-se rapidamente um problema crucial. Onde antes parecia haver água insuficiente para nadar, agora é difícil manter-nos à tona”. A quantidade informacional tem sido pesquisada em diferentes países.
Em 2003, a versão do projeto How much information? concluiu que o mundo produziu cinco exabytes de informação, aproximadamente 800 megabytes para cada indivíduo do planeta, indicando o altíssimo crescimento de novas informações. Contudo, Castells (1999) não compartilha do pensamento de sobrecarga informacional e acredita que quanto mais dados estiverem disponíveis, maiores são as possibilidades de selecioná-los e usá-los.
A tecnologia é algo transformador, diferente e que serve para substituir ou aliviar determinada tarefa antes executada pelos seres humanos de forma rudimentar. A tecnologia funciona como se substituísse o corpo humano ou fosse relacionada a ele. Como descreve Wiener (1956, p. 33), “[...] são máquinas para realizar alguma tarefa ou tarefas específicas, e, portanto, devem possuir órgãos motores (análogos aos braços e pernas dos seres humanos) com os quais possam realizar essas tarefas”.
Os processos comunicacionais, desde o advento da eletrônica, acrescentam novas possibilidades à comunicação. Tais processos ocorreram em diversos momentos da história da comunicação, desde meados do século XV, com a invenção da prensa, quando Gutenberg provocou uma revolução no conhecimento da época (BRIGGS; BURKE, 2004). Posteriormente, em um tempo de tecnologias mais evoluídas e com o desenvolvimento da transmissão de dados de forma binária, novas mudanças ocorreram. A Internet trouxe uma proximidade maior entre as extremidades do processo comunicacional, e com ela, mudanças de produção e distribuição de informações surgiram em diversos ambientes, dentre eles, o científico.
A linguagem comunicacional nos ambientes interativos é fragmentada, livre e participativa. É preciso estar disposto a “sair do labirinto”, como ressalta Leão (2005), para vencer os desafios propostos pela interface. Isso ocorre na leitura hipertextual ou no ambiente hipermidiático, proporcionando ao usuário/leitor os anseios da liberdade criativa.
Esse “navegar” desse novo leitor perpassa a ideia dos capitães das antigas naus que descobriam os novos mundos. Assim, através dessa rica metáfora o leitor da Internet é um navegador de arquipélagos textuais em um mundo informacional sem fronteiras e limites no espaço-tempo virtual interconectados em uma imensa rede. (CHARTIER, 2001, p. 158).
Cabe-nos expor o questionamento de Martins e Silva (2003): Navegar é preciso? Os autores destacam que navegar, no sentido stricto da palavra, era preciso há mais de 500 anos e que a descoberta de novos mundos exigia riscos e sacrifícios humanos. Porém, a navegação era orientada por instrumentos, era calculada, científica e exata. Com essa navegação é que Cabral descobriu o Brasil há mais de 500 anos, empurrado não por muitos cálculos, mas pela ausência de ventos – segundo uma das teorias. Entre tecnossauros e tecnorosas, o século XXI chega com o mesmo sonho de navegações. Hoje, cinco séculos depois, o mundo navega mais do que nunca, porém, agora é com um computador. “Os discursos ditos científicos costumam afirmar tudo e o seu contrário em nome da mesma verdade submersa. E então, na Internet, os ventos sopram para o bem ou para o mal? Antes de qualquer resposta, teríamos que saber filtrá-los” (MARTINS; SILVA, 2003, p. 7).