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Studentenes samarbeid i grupper

4.2 Studentenes opplevelse av studiesituasjonen ved utdanningen

4.2.3 Studentenes samarbeid i grupper

Como se afirmou, o JN se organiza em torno de dois eixos, o primeiro a utilização de estratégias discursivas específicas para atrair e capturar a atenção do telespectador. O segundo eixo do JN para firmar o pacto com seu público, como aponta Gomes (2005), é o da “perspectiva sobre a identidade nacional”, construção de uma imagem de nação que concretiza o seu compromisso editorial, expresso claramente no site da emissora – e que, em nossa perspectiva, atualiza alguns valores românticos, principalmente o da valorização da idéia de nação. A cobertura se pretende quase que onipresente, no vasto país Brasil com seus mais de oito milhões de quilômetros quadrados e uma população de quase 184 milhões de habitantes.81 O momento máximo da exposição dessa inefável “brasilidade”, ocorre principalmente em grandes eventos que envolvem toda a população, como eleições presidenciais e os jogos da Copa do Mundo.82 Por mais longínquo e inacessível que seja o local, no interior do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, nos seringais ou na mata fechada, entre populações ribeirinhas ou no interior árido do Nordeste, lá está uma equipe jornalística da TV

81 Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública (Ibope), em pesquisa realizada no período de janeiro

a junho de 2004, em um universo de 51.855.715 lares em todo o país, numa amostra denominada Painel nacional de Televisão (PNT), 42% dos domicílios estavam sintonizados no JN às 20:00h, o que equivale a 20 milhões de residências. Segundo Travancas (2007), é importante chamar a atenção para o fato de essa pesquisa ser nacional e abranger as cidades ou regiões: Grande Rio de Janeiro e Grande São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Distrito Federal, interior de Minas Gerais, interior da Região Sudeste, Goiânia e Grande Belém. Segundo ela, apesar do amplo espectro abordado, seria possível pensar que os dados apresentados pela revista Veja (São Paulo, 1 set. 2004) em matéria jornalística sobre os 35 anos do JN, não exageravam ao afirmar que os 43 pontos no Ibope significavam cerca de 31 milhões de espectadores e mais de 60% dos televisores ligados na TV Globo no horário do jornal. Quanto ao número referente à população brasileira, trata-se de cifra divulgada pelo IBGE, em 2007.

82 Durante a Copa do Mundo de 2006 – como em todas as copas mundiais – ocorre o auge das manifestações de

nacionalismo, com todo o tipo de reportagem que possa sugerir qualquer traço pitoresco de nacionalismo: comidas com ingredientes verdes e amarelos (como foi o caso de uma massa feita com ingredientes de farinha misturada à cenoura e espinafre) e até uma matéria sobre uma jaca que, em determinada época, tornava-se verde e amarela.

Globo mostrando a cena emblemática: o cidadão brasileiro depositando seu voto ou entrando em uma urna eletrônica, acompanhando o desempenho da seleção brasileira, assentado no chão em um bar, em uma escola, ao ar livre, no meio da floresta amazônica. Em abril de 2004, a ginasta Daiane dos Santos mostrou, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, a coreografia baseada na música “Brasileirinho”, com a qual iria participar da Copa do Mundo da Ginástica Olímpica, em maio, do mesmo ano, em Atenas. A reportagem jornalística mostrou o desempenho dos irmãos Diego Hypólito e Daniele Hypólito, mas encerrou com a participação de Daiane e o público em delírio (75 pessoas tinham vindo do Rio Grande do Sul especialmente para assisti-la), e a fala da ginasta: “É uma festa brasileira muito linda e histórica”. Na volta ao locutor, Fátima Bernardes comentou: “A história de uma brasileira pobre que se superou e supera todos os obstáculos que a pobreza pode impor e impõe ao mundo, é a história perfeita para mostrar a beleza de povo que o nosso país tem”. Bonner, completou: “É a história perfeita para desejar a todos uma boa noite”. Em seguida, quebrando todos os padrões da emissora em termos jornalísticos, entrou a vinheta do Brasil Bonito e uma espécie de reportagem sem texto, na verdade um videoclip, com os exatos 1 minuto e 26 segundos da coreografia. Encerrando o JN daquele dia, também de forma inusitada, em vez da imagem ao vivo da redação com os créditos dos nomes e principais funções da emissora, o que se mostrou foi a imagem congelada de Daiane num gesto da coreografia ao som de um último acorde da música “Brasileirinho”.

Porém, por mais diversificado que aparente ser o resultado dessa quase onipresença, por mais espalhadas pelo Brasil que estejam essas equipes de reportagem, por mais ampla que seja a cobertura desses territórios “simbólico-geográficos”, na expressão de Gomes (2005) o centro desse eixo mostra-se muito visível, a diversidade ficando, assim, reduzida, a uma espécie de “mesmidade”, porque enfocada sob um olhar “estrangeiro”: o do centro político- econômico Rio-São Paulo-Brasília. A partir desse “centro simbólico” se constrói “a figura do

outro”. “Os acontecimentos das demais regiões do país comparecem sob o olhar estrangeiro” (Gomes, 2005, p. 11). A partir desse olhar estrangeiro, as demais regiões do país comparecem em sua diversidade sob o paradoxal enfoque – estrangeiro em sua própria terra – e em seu relativo exotismo: a religiosidade mineira, o carnaval aparentemente sem fim de Salvador, as manifestações de folclore do Norte e Nordeste do país, as curiosidade do Pantanal. Esse exotismo, a suposta “vocação” de cada localidade, é mesmo moeda de troca nas praças que negociam a “entrada” e alcance do JN. Para se ter uma idéia dessa divisão do país em “territórios de notícias”, é elucidativa a opinião de Ana Paula Padrão Vasconcelos quanto à recorrente exibição de matérias sobre “nascimentos de ursos panda” em zoológico.

Não tenho nada contra, mas não é uma prioridade. Eu gosto muito de matérias de comportamento, por exemplo. É uma saída muito boa para praças que não têm um noticiário forte. É raro você ter uma notícia forte em Manaus, então eles fazem matérias de comportamento lindas. (UMA, jun. 2001)

Mas essa construção do caráter “nacional” do JN vai mais além da simples exploração do exotismo: funda-se em uma “perspectiva sobre a identidade nacional”, que constrói “o Brasil e os brasileiros, em discursos que trazem a marca do conservadorismo, do civismo e do dramático” (Gomes, 2005, p. 1). O programa se vale da exploração de tipos genuínos, do sentimento nacional e da diversidade regional. O indivíduo comum – o trabalhador, o caminhoneiro, a dona de casa, o empresário, o pai de família – é o protagonista da maior parte das reportagens, através da estratégia da humanização do relato. No entanto, as narrativas colocam esses “sujeitos simbólicos” em determinadas posições sociais: o cidadão, o consumidor, o lutador, o homem honesto etc. (Gomes, 2005, p. 11). Não importa tanto o nome familiar: tal como os índios descritos por Caminha, “nunca os mesmos” pois

inominados, sem nome, esses protagonistas do JN como que se configuram como

‘significantes esvoaçantes’” (Santiago, 1992, p. 83), esvaziados de sua complexidade e, portanto, de sua humanidade.

Nesse aspecto, a exploração do civismo e da suposta bondade inata do brasileiro, dá-se por essa humanização do relato que, em nossa leitura, denominamos as “matérias edificantes”. Os exemplos são abundantes. Vamos citar um de nossa própria pesquisa de mestrado, um tipo de matéria edificante muito comum em todos os telejornais da TV Globo: aquele que mostra pessoas em seu esforço para superar limites, vencer dificuldades, transpor obstáculos em busca da realização de desejos. A matéria escolhida para fechar o telejornal de 2 de julho de 2001, foi uma de caráter bem prosaico: a história de Vó Fiúca que, naquele dia, ao completar cem anos, continuava “subindo e descendo rios”. “Ela mora no interior de Minas [anunciou Bonner na “cabeça”] e viaja por todo o país, pescando em vários rios do país atrás de uma boa pescaria. E conhece o segredo de viver tanto e tão bem: dá tudo o que pesca a instituições de caridade”. Aparentemente estaria aí a graça da história, nessa generosidade meio sem mérito, mais voltada para a determinação de viver de forma prazerosa.

A reportagem mostrou cenas de arquivo de outra pescaria de Dona Ermínia Batista Mendes, Vó Fiúca, no Rio Grande, Uberaba. Foram usados vários trechos de fala dela sobre os peixes grandes que já pegou em outras pescarias, a qualidade dos rios, sempre com um “sobe som” do ruído do barco a motor. A passagem do repórter Luiz Gustavo, de Uberaba foi realizada no rio, no mesmo barquinho em que a velha pescadora estava: “São setenta e seis anos pescando e, a cada seis meses, uma viagem. Onde há um rio com muitos peixes, Vó Fiúca enfrenta qualquer distância para jogar isca e anzol na água.” A reportagem se encerra com uma festinha de aniversário, com várias pessoas em volta de uma mesa, um bolo repleto de velinhas, finalizando com a imagem de Vó Fiúca congelada e uma fala dela. A mesma fala aparece escrita ainda em caracteres na tela da televisão, ao lado da imagem congelada da velha senhora: “O segredo para viver cem anos é amar a vida. E eu amo a vida.”

Volta ao locutor:83 “Vó Fiúca doa tudo que pesca. E nas refeições não come peixe, porque diz que não gosta. No próximo fim de semana, ela vai reunir a família para comemorar novamente o aniversário. São quatro filhos, trinta e sete netos, quarenta e seis bisnetos e um trineto. Boa noite!” (William Bonner). “Boa noite!” (Fátima Bernardes).

Outra exploração recorrente – cada vez mais – é o apelo ao civismo: o discurso sobre a nação apresentado pelo JN é marcado por um forte nacionalismo, maniqueísmo e conservadorismo (Gomes, 2005, p. 12), levando à exploração do “sentimento nacionalista do seu público”, que celebra taxas de crescimento na economia, triunfo de atletas ou intelectuais no exterior e o otimismo em setores da construção civil. A exploração desse sentimento nacionalista – que forçosamente remete ao ufanismo do conde Afonso Celso, criador do termo em sua obra Porque me ufano de meu país – provoca a banalização do adjetivo brasileiro em seu “modo de endereçamento”. Por mais variadas que sejam as situações, são sempre

brasileiros, fundamentalmente, que se encontram envolvidos nelas.

Como parte da estratégia de construção e atualização da posição que constrói para si, o

JN fala “aos brasileiros”, ao traduzir todas as notícias para um discurso republicano, nacionalista, no sentido mais original do termo, e ao reivindicar uma referência de unidade da República do Brasil. “As vozes que falam do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, predominantes no noticiário, referem-se a um território simbólico, que dissolve as demarcações particulares dos estados, com suas culturas e realidades diferenciadas” (Gomes, 2005, p. 12).

Em uma pesquisa elaborada por Gomes (2005)84 foram elencadas 13 chamadas que continham as palavras Brasil e brasileiros. Entre elas: “Crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre” (reportagem de Jacareí, SP); “O Brasil tem muito a fazer na área de

83 Termo técnico que significa a complementação da reportagem exibida através de mais informações ou de um

comentário.

84 Participaram da pesquisa, que se desenvolveu entre 29 de novembro e 4 de dezembro de 2006, vários

direitos humano” (reportagem sobre o relatório apresentado em SP); “ONG apresenta retrato dos desafios brasileiros, o Atlas social do Brasil” (reportagem em Brasília); “Pesquisadores mostram como era o dinossauro que viveu no Brasil” (reportagem no RJ); “O peso dos impostos na vida dos brasileiros” (reportagem mostra o movimento em SP, RJ e MG); “Muitos brasileiros vão investir o décimo terceiro em tijolo e cimento” (reportagem em São Paulo), e “Depois do acarajé, agora é a vez da viola de cocho. Usada nas manifestações folclóricas do Centro-Oeste, a viola foi reconhecida como bem cultural e patrimônio imaterial do Brasil”.

A humanização do relato utiliza recursos literários para a dramatização do que significa “ser brasileiro” e de “brasileiros” escolhidos como “personagens especiais”; configura a utilização, nas matérias edificantes, da função de exemplaridade. Essa função pode ser incluída na linhagem de antigos relatos gregos, de heróis e suas virtudes e sua contribuição à paidéia, educação dos homens: estórias de superação de dificuldades, obstáculos.

Também as figuras notáveis podem desempenhar a função de exemplaridade e, juntamente com os anônimos, fazer parte da constituição do panteão contemporâneo dos heróis nacionais. Em 3 de junho de 2004, a reportagem sobre a volta do jogador Ronaldo “Fenômeno” e sobre a sua contribuição decisiva para a vitória da seleção brasileira sobre a Argentina, inscreve-se nessa lógica. Na reunião de pauta, Bonner chama a atenção do sabor especial que sempre significa uma vitória sobre a Argentina, atualizando a idéia que a nação se constrói fundamentalmente pela oposição às outras nações. A matéria começa com close na face de Ronaldo, suado, em campo e o texto-off se inicia: “O garoto voltou grande...”. Como aponta Gomes (2005), a semelhança com o panteão dos heróis gregos é inequívoca. “Nas reportagens com os atletas, os guerreiros de Atenas – comparados a deuses e semi-deuses nas reportagens –, a estratégia de humanização do relato os torna pessoas comuns, que se

sacrificaram, que lutaram e que merecem recompensa. Nesse caso, a função não é exemplificar o brasileiro comum, mas construir o herói nacional em sua perspectiva humana” (Gomes, 2005, p. 14).