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strukturer og levende tradisjon

In document Viking, 64(2001) (sider 111-128)

Em um primeiro momento, reconhecemos que o comportamento verbal é um tipo de comportamento operante (Skinner, 1957, p. 29). Já dissemos que o comportamento operante é a relação funcional entre eventos do ambiente e do organismo, na ordem: estímulo discriminativo, resposta e estímulo reforçador. O estímulo discriminativo fortalece a ocorrência da resposta e o estímulo reforçador, por sua vez, é que estabelece e mantém essa função discriminativa às propriedades de estímulos envolvidas também em ocorrências futuras. Outras variáveis que podem estar envolvidas no fortalecimento da resposta, como estímulos aversivos, operações motivacionais e emocionais, também são importantes (Skinner, 1957, pp. 28-33). Mas o essencial é saber que o reforçamento do comportamento verbal se dá com a mediação do comportamento de um organismo (Skinner, 1938, p. 116), que teve o referido comportamento estabelecido e mantido justamente de acordo com essa função, de reforçar o comportamento verbal (Skinner, 1957, p. 225; Hefferline, 1947, p. 56). À guisa do esquema classificatório skinneriano, chamamos o emissor do comportamento verbal de “falante”, o responsável pelo seu reforçamento de “ouvinte” e o conjunto de ouvintes do qual faz parte de “comunidade verbal”.

Nunca é demais repetir, o comportamento verbal é modelado e mantido pelas suas conseqüências, ou o que seria o mesmo dizer, determinado pelas contingências de reforçamento, como qualquer outro operante. E o que distingue o comportamento verbal dos outros tipos de operantes - o modo especial em que se dá o seu reforçamento - é responsável por outras características distintivas desse tipo de comportamento. O reforçamento do

comportamento verbal é mediado por outro organismo, ao invés de diretamente relacionado com o ambiente físico-mecânico (Skinner, 1957, pp. 01-02). Devido a essa importante característica, a sua forma é relativamente livre de efeitos físicos e rigidamente determinados sobre o ambiente não verbal. É por essa razão que o comportamento verbal se manifesta em uma grande variedade de formas e meios, o que também não significa que o comportamento verbal se apresente de um modo caótico ou casual. Significa dizer que as contingências ambientais que determinam as propriedades de respostas verbais são mantidas de um outro modo ou, se preferirmos, regidas por outras leis que as da mecânica.

Sem dúvida, ao afirmarmos que o comportamento do ouvinte foi “estabelecido e mantido justamente com essa função, de reforçar o comportamento verbal” estamos supondo, implicitamente, uma série de proposições que precisam ser explicitadas para que a definição de ouvinte, ou mesmo a de comportamento verbal, não se tornem obscuras. Segundo Skinner, o ouvinte é o membro de uma comunidade verbal (Skinner, 1957, pp. 461-470) que, por meio de um período de evolução cultural (Skinner, 1968, pp. 11-12; 1981), adquiriu práticas que são reforçadas e reforçadoras. Práticas reforçadas porque os membros da comunidade verbal, os ouvintes, têm seus repertórios modelados e mantidos de acordo com tais práticas, e práticas reforçadoras porque as referidas práticas têm o papel de modelar e manter o comportamento dos falantes dessa mesma comunidade.

O que Skinner entende como práticas de uma comunidade verbal assemelha-se com o que se denomina geralmente “linguagem”. Poderíamos dizer que a existência do comportamento verbal deve-se à existência de tais práticas, mas é óbvio que sem comportamento verbal tais práticas não seriam reforçadas e deixariam, portanto de existir, supondo que já existissem. O autor mostra que uma interpretação bastante plausível está em supor que um ambiente verbal sofisticado pode emergir da evolução gradual movida por interações entre falantes e ouvintes, e tendo em sua gênese a transformação de relações

puramente físicas em relações de interação verbal que puderam ser transmitidas (ensinadas) aos outros membros da comunidade:

“(...) For example, A stops the approach of B by holding out his arm and placing the palm of his hand against B’s chest. At this stage the behavior of A would be roughly the same if B were an inanimate object (if B were swinging toward A, for example, at the end of a long rope). But if being stopped by A is aversive to B, or if A stops B only when likely to treat B aversively, B eventually responds to A’s outstretched arm to avoid actual contact. When this change has occurred in B, A’s response is reinforced not by its mechanical effect on B but by

B’s behavior. It becomes a “gesture” and is classified as verbal. Every listener

and speaker need not pass through similar changes, for the gesture is eventually set up by the community. The traffic policeman’s gestured “stop” is as culturally determined as a red light or the vocal response Stop!” (Skinner, 1957, p. 466)

O ouvinte é o sistema que mantém as contingências reforçadoras do comportamento verbal e é, por conseguinte, um sistema no qual se efetuam processos comportamentais, sabidamente distintos de processos puramente físicos. O comportamento do ouvinte é estabelecido especificamente com a função de reforçar o comportamento verbal, de acordo com as práticas em vigor na comunidade verbal da qual cada ouvinte faz parte com outros ouvintes (Skinner, 1957, pp. 224-226). Ao compartilhar tais práticas, os ouvintes engendram certa coerência entre os repertórios verbais resultantes. Essa consistência, típica dos repertórios verbais, vincula-se à relativa estabilidade presente nas práticas das comunidades em que se insere o ouvinte e, quase sempre, o falante enquanto ouvinte dessa mesma comunidade.

A definição do comportamento verbal exclui, de acordo com a formulação skinneriana, comportamentos cujo reforçamento esteja reduzido aos efeitos diretos sobre o ambiente físico (Skinner, 1938, p. 116; 1957, pp. 01-02). Também estão excluídos da definição comportamentos cujo reforçamento seja mediado por comportamento respondente ou por operante que não seja característico de uma comunidade verbal, como é o caso de comportamentos sociais não verbais (Skinner, 1953, pp. 297-312; 1957, p. 224). Por exemplo, reforçamentos decorrentes de lágrimas (Skinner, 1957, p 154) ou simples imitação de outro organismo não caracterizam comportamentos verbais enquanto tais. Isso não significa que ouvintes não possam agir de formas distintas daquelas envolvidas diretamente na definição de comportamento verbal. Tais formas simplesmente não seriam suficientes para o estabelecimento e manutenção do comportamento verbal, apesar de assumirem papéis importantes na produção verbal e merecerem, inclusive, atenção especial no tratamento que Skinner (1957, pp. 154-159) dá ao tema, como se verá mais adiante.

É importante também considerar que o operante verbal se define, do mesmo modo que os demais tipos de operantes, em termos genéricos, de classe (Skinner, 1957, p. 16), o que justifica identificar como verbais ocorrências sem reforçamento mediado, ou mesmo não seguidas de reforçamento, mas que pertencem a classes que assim se definem. Se não levarmos em conta esse aspecto da definição, estaremos excluindo da explicação o importante papel desempenhado pela história de reforçamento na determinação do comportamento, verbal ou não. Como exemplificaria Skinner, se certo falante confunde um manequim com um ouvinte não significa que o comportamento envolvido seja não verbal, pois supomos que tenha sido estabelecido de acordo com a definição, em interações com ouvintes:

“If I am nearsighted and walk up to a mannikin and ask it a question, is this verbal behavior? The mannikin is not another organism which will reinforce my

behavior by supplying the answer to my question. Nevertheless, my behavior in speaking to the mannikin is verbal, because it was built up by past conditioning in situations where such behavior did receive mediated reinforcement. Verbality is not to be determined by the single instance, but rather by the class of responses.” (Hefferline, 1947, p. 02)

Nesse caso, sabe-se que as propriedades de estímulos presentes na estimulação fornecida pelo manequim fortalecem a resposta verbal do operante “audiência” (Skinner, 1957, pp. 172-184), devido à semelhança física com ouvintes reais, por compartilhar com esses as correspondentes propriedades de estímulos. As noções de propriedade e de contínuo, apresentadas no primeiro capítulo, ajudam a entender como se dão ocorrências comportamentais que chamaríamos de novas, por se relacionarem funcionalmente a situações estimuladoras inéditas. São os casos que Skinner denomina, em se tratando do comportamento verbal, “extensões”, contrapondo ao que seriam as ocorrências denominadas “padrões” (Skinner, 1957).

Padrão é a relação comportamental diretamente reforçada, no sentido de que a ocorrência em análise apresenta as propriedades de estímulos definidoras da classe, ao passo que extensões são fortalecimentos da mesma forma de resposta por estímulos discriminativos novos, semelhantes em alguma medida aos estímulos discriminativos estabelecidos na relação padrão, por apresentarem algumas das propriedades de estímulos que ajudam a definir a classe (Skinner, 1957, pp. 91-107). É claro que a ocorrência de uma extensão colaborará para o estabelecimento de outras propriedades de estímulos e correspondente modificação da classe, o que justifica não considerar ocorrências posteriores de novas, pelo menos não nesse sentido (e.g., Skinner, 1957, p, 93).

Por exemplo, ao se estabelecer um comportamento verbal padrão, como a resposta vocal “rosa” para uma determinada rosa, o falante pode dizer “rosa” sob o controle de outras rosas, de cores e tamanhos diferentes ou, ainda, sob o controle de estímulos que apresentam apenas uma pequena semelhança com o estímulo do condicionamento original. Tal possibilidade é amparada pela autonomia das propriedades de estímulos em fortalecer respostas verbais, em configurações estimuladoras distintas da configuração presente no condicionamento original, ou ainda devido a uma semelhança física por conta da proximidade em termos de valores no contínuo.

É importante ressaltar também que o ouvinte, aquele que reforça o comportamento verbal, apesar de, em principio, ser geralmente identificado com um sistema de respostas localizado em outro organismo, pode pertencer ao mesmo organismo que emite o comportamento verbal, o que não é, inclusive, incomum (Skinner, 1957, p. 433). Desse modo, dizemos de falante e ouvinte em um mesmo organismo. Dentre os exemplos mais importantes desse tipo temos o pensamento verbal (Skinner, 1957, pp. 446-449; Hefferline, 1947, p. 49), mas casos menos complexos são também comuns (e.g., Skinner, 1957, pp. 60-61).

Nesse ponto, nota-se que mesmo ao se considerar o ouvinte e o falante como subdivisões de um mesmo repertório comportamental, salvaguarda-se a definição de comportamento verbal no tocante ao condicionamento do ouvinte. Isso ocorre porque o ouvinte, ao ser localizado no mesmo organismo falante, faz parte de uma comunidade verbal e compartilha com essa comunidade práticas reforçadoras do comportamento de falante. Se, por um lado, o comportamento verbal está em princípio livre de relações puramente mecânicas com o seu ambiente, por outro, é determinado pelas práticas da comunidade verbal que são, em certa medida, regulares e compartilhadas para serem efetivas. Esses dois aspectos combinados resultam, de modo geral, no tipo de sutileza e sofisticação que apresenta o comportamento verbal e que o destaca dentre os demais tipos de operantes.

Pode parecer, devido a algumas afirmações que Skinner (1957, p. 34) faz a respeito da sua abordagem científica do comportamento verbal, que o ouvinte desempenha um papel menor, uma vez que o comportamento do organismo como ouvinte não se diferencia de outras formas de ações disponíveis em seu repertório (Skinner, 1957, p. 34). No entanto, Skinner reconhece que a explicação última do comportamento verbal reside no papel desempenhado pelo ouvinte (p. ex: Skinner, 1957, p. 344). A lógica por trás dessa proposição está no fato de que, se interpretar um determinado comportamento é o mesmo que descrever as contingências que o determinam, então explicar o comportamento verbal envolve também a tarefa de interpretar o comportamento do ouvinte em manipular essas contingências, seja de uma forma geral, ou especificamente, para cada tipo e subtipo de operante verbal.

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