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LAUG EN, Trondenes, Ho rstod

In document Viking, 64(2001) (sider 38-44)

Ao tratarmos das concepções de estímulos e respostas em termos de classes e, por conseguinte, de conjuntos de propriedades físicas que definem as referidas classes, vimos que os eventos comportamentais são semelhantes por compartilharem propriedades. Ainda que o grau de semelhança entre dois eventos comportamentais não seja o bastante para que os

tomemos como membros de uma mesma classe, é importante considerarmos a relativa autonomia das poucas propriedades apresentadas em comum. Nesse sentido, podemos falar de um grau de semelhança entre eventos comportamentais que é proporcional ao número de propriedades compartilhadas. Mas há, ainda, um outro tipo de semelhança que podemos identificar entre os eventos comportamentais.

Propriedades de estímulos, enquanto eventos físicos correspondem, em certos casos, a uma intensidade identificável em um contínuo e, analogamente, propriedades de respostas correspondem a uma magnitude igualmente identificável em um contínuo correspondente (Skinner, 1937/1999, p. 541; 1938/1991, p. 169; 1953b/1965, pp. 91-92; 1957, p. 23). Isso permite verificar que magnitudes e intensidades mais próximas àquelas, originais, da ocorrência seguida do reforçamento, apresentam uma relação de força mais definida, enquanto outras magnitudes e intensidades, distribuídas ao redor do valor reforçado, apresentam o mesmo tipo de relação, mas reduzindo em força com o aumento da diferença referente às magnitudes e intensidades originais (Skinner, 1938/1991, pp. 167-168; 1953b/1965, p. 133). Assim, diferentes valores de intensidades de estímulo fortalecerão em maior, ou menor proporção, de acordo com as suas respectivas posições no contínuo (Skinner, 1963b, p. 506). Ao mesmo tempo, diferentes magnitudes de uma determinada propriedade de resposta serão fortalecidas em maior, ou menor grau, de acordo com as suas respectivas posições no contínuo correspondente (Skinner, 1953b/1965, p. 97).

Isso não significa que apenas as magnitudes de propriedade de resposta mais fortalecidas por uma determinada relação ocorrerão, obliterando a ocorrência de respostas com outras magnitudes, mas sim que as magnitudes menos fortalecidas têm um acréscimo menor de probabilidade nessa relação de força, que ainda assim pode ser substancial quando simultaneamente fortalecidas por outras variáveis, com as quais mantêm outras relações funcionais, incluindo operações motivacionais. Geralmente, tais aspectos comportamentais

são discutidos nos tópicos de generalização de estímulos e de indução de respostas, quando então dizemos que o reforçamento estabelece não apenas a relação funcional entre estímulos e respostas idênticos aos presentes em relações reforçadas, mesmo porque stricto sensu não há eventos comportamentais idênticos, mas também entre estímulos e respostas semelhantes (Skinner, 1953b/1965, pp. 93-94; Keller & Schoenfeld, 1950). No entanto, em termos das presentes noções, devemos distinguir entre dois tipos de semelhanças.

Os eventos são semelhantes na medida em que compartilham propriedades, e é assim que compõem as classes de estímulos e de respostas (Skinner, 1950, p. 198). Mas esses eventos também são semelhantes quando, em termos da mesma propriedade, seus respectivos valores estão relativamente próximos no contínuo. Ambos os tipos de semelhanças devem, ainda, ser corroborados pelos efeitos do reforçamento em suas respectivas ocorrências (Skinner, 1965, p. 201). De alguma forma, a utilização de uma terminologia fisicalista na descrição das propriedades parece recomendar a universalidade da noção de contínuo. Por isso, é importante lembrar que propriedade e contínuo, enquanto dimensões a serem consideradas nas descrições de eventos comportamentais, só adquirem realidade comportamental quando descrevem eventos com funções comportamentais.

Propriedade e contínuo são noções complementares, e essa complementaridade torna- se ainda mais patente quando acrescentamos o fato de que mudanças no contínuo podem representar mudanças de qualidade na respectiva propriedade (Skinner, 1935b/1999, p. 532; 1965, p. 200). Por exemplo, uma determinada cor pode variar em frequência até se transformar em outra cor discriminável. Nesse sentido, como a qualidade define a propriedade, uma mudança de qualidade em uma propriedade corresponde, realmente, em uma mudança de propriedade. Nesse sentido, a qualidade, atributo próprio da propriedade, emerge da quantidade, atributo próprio do contínuo. Qualidade e quantidade, propriedade e contínuo, são as formas disponíveis para a representação da relação entre o comportamento e

“(…) a estrutura do mundo que nós vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e provamos (…)” (Skinner, 1953b/1965, p. 130). A efetividade dos eventos físicos é limitada à sua associação com processos comportamentais ou, em outras palavras, aos seus efeitos sobre o comportamento (Skinner, 1935a/1999, p. 520; 1953b/1965, p. 130-131), o que dificulta, mas não desqualifica, a sua especificação (Skinner, 1966b, p. 215).

A partir da noção de contínuo, seria tentador simplificar a relação entre estímulos e respostas, substituindo a relação entre classes pela relação entre contínuos e representando a probabilidade das respectivas magnitudes e intensidades em gradientes de generalização (Skinner, 1950, p. 204). No entanto, tal relação é mais complicada, não sendo possível lidar com as linhas naturais de fratura empregando somente a noção de contínuo (Skinner, 1977b, p. 1009). Um único contínuo permite situar a magnitude ou intensidade correspondente a uma única propriedade, e não todas as magnitudes ou intensidades correspondentes às outras propriedades vinculadas a uma dada ocorrência que podem, inclusive, ter efeitos sobre a magnitude ou intensidade em foco.

Estímulos e respostas, enquanto ocorrências, apresentam complexas combinações de propriedades, cada uma podendo ser identificada, portanto, como um ponto em um contínuo. Além disso, nem todas as propriedades podem ser identificadas em um contínuo físico, apresentando, ao contrário, uma dimensão caracteristicamente discreta (Skinner, 1953b/1965, pp. 133-134). Outra objeção é que a distribuição de relações de força no contínuo pode ser, e naturalmente é, modificada por outras ocorrências.

A noção de contínuo é necessária no tratamento desse tipo de variabilidade, contribuindo com o refinamento da distinção que fazemos a respeito dos tipos de variabilidades comportamentais e, portanto, com a possibilidade de explicá-las (Skinner, 1930a, p. 434; 1932a/1968, p. 44, p. 45). Distinguir entre os dois tipos de semelhanças é uma forte justificativa para utilizarmos, ao invés dos termos “estímulo” e “resposta”, os termos

“propriedade de estímulo” e “propriedade de resposta”. De um ponto de vista atômico, de propriedade, ficamos somente com um tipo de variabilidade, aquela implicada pela noção de contínuo. Mesmo assim, a restrição do contínuo a apenas parte das possíveis ocorrências comportamentais, e a conspícua possibilidade de que diferenças de magnitudes e de intensidades transformem-se em diferenças de qualidade (Skinner, 1950, p. 214; 1965, p. 203), fazem com que, ao lidarmos com a noção de contínuo, devamos sempre dispor da descrição em termos de uma nova propriedade. Mais precisamente, é necessário descrever os eventos comportamentais tendo em vista ambas as noções, de propriedade e de contínuo (Skinner, 1950, p. 210).

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