3. Konseptuell modell og teoretisk fundament
3.10 Struktur, organisering og nettverk for innovasjon
A crítica à razão e à racionalidade moderna, no campo da sociologia, encontra em Max Weber (1864-1920) o precursor no diagnóstico dos processos de racionalização da vida social no contexto da modernidade. É com Weber (1982; 1987; 1994) que o conceito de racionalidade, e, mais precisamente, a caracterização da racionalidade instrumental, na forma em que hoje é concebida, tem sua gênese. A partir de um conceito de racionalidade objetiva, formal e técnica, Weber busca caracterizar a idéia de razão, própria da cultura ocidental, articulando os componentes mais significativos do capitalismo moderno: racionalização da vida econômica, organização capitalista racional do trabalho, contabilidade racional, burocracia e Estado Constitucional. (Cf. MARTINEZ, 2000, p. 54). A partir da distinção entre uma racionalidade formal, sujeita ao número e ao calculo, em que se ponderam os meios, fins e conseqüências, noutras palavras, seu caráter instrumental, e uma racionalidade material, cuja ação é
orientada por postulados de valor, Weber identifica o progressivo triunfo da primeira no cenário da modernidade ocidental. Desta forma, a razão vai se afastando cada vez mais de sua herança iluminista e de seu ideal emancipatório, rumo a uma gradual perda de sentido e de liberdade, em face do avanço inexorável da burocratização.
Weber concebe a modernidade como resultado de um processo de racionalização que ocorreu no Ocidente, desde fins do século XVIII, e que teve como conseqüências a modernização da sociedade e a modernização da cultura (Cf. ROUANET, 1987, p. 231). Uma modernização cuja lógica, assentada no utilitarismo racional, econômico e político, estrutura a conduta dos indivíduos em suas ações sociais. De modo mais específico, sua análise debruça-se sobre o processo de racionalização progressiva da sociedade que se constituiu na Europa, entre os séculos XVI e XVIII, como conseqüência do progresso técnico e científico (Cf. WEBER, 1987). Tal processo de racionalização, que não se restringe exclusivamente ao campo econômico, alastra-se por toda a sociedade, atingindo as esferas política, social e cultural, e introduz uma ética e uma moral próprias, alicerçadas no utilitarismo racional que busca articular os meios e fins.
No interior deste processo, a racionalidade técnica e administrativamente burocrática apresenta-se como elemento estruturante da civilização ocidental, tendo no capitalismo um dos fatores de maior relevância na constituição do desenvolvimento da moderna sociedade ocidental, enquanto expressão do racionalismo hegemônico. Este fenômeno, caracterizado pelo utilitarismo instrumental racional, que busca a organização de meios para a consecução de determinados fins, irá compor as bases sobre as quais se alicerçará tanto a constituição da esfera pública (o Estado), em seus aspectos racionais, burocráticos e administrativos, como a esfera do mundo privado, pela mediação do conhecimento técnico e racional que orientará as condutas e ações dos indivíduos. Weber vê com pessimismo esse aspecto de racionalidade que se desenvolve na sociedade ocidental, em relação à evolução dos processos sociais, na medida em que o mesmo determina a relação entre indivíduo e estrutura no interior do que chama de “jaula de ferro” da razão, para a qual não haveria saída.
Para o sociólogo alemão, a organização racional da vida cotidiana nas modernas sociedades ocidentais vai se reestruturando sob a forma de uma racionalidade instrumental, a partir do avanço da ciência e da técnica que penetram em todos os setores institucionais da sociedade, desarticulando antigas legitimações e transformando
as próprias instituições. Se, no princípio, a religião assumiu a tarefa de racionalizar, ética e universalmente, a vida cotidiana, mais adiante, o avanço do racionalismo na ciência, alijando a religião da esfera da esfera racional, assume a pretensão de ser a única explicação possível do mundo. Sobretudo a partir do século XVI, este tipo racionalismo ocidental vai configurando-se como elemento de racionalização da vida cívica, orientado pela busca de uma satisfação material ilimitada e sob a égide de um pensamento calculista.
A partir destes elementos, Weber aborda a questão do racionalismo ocidental, o significado da modernidade e as causas e efeitos colaterais da modernização capitalista, enxergando nesses processos a imposição de uma ação racional sobre o comportamento na vida e de uma racionalização das imagens do mundo. Como racional, Weber define toda a ação fundamentada no calculo e que busca a adequação entre meios e fins, de modo a proporcionar o máximo de resultados desejados com mínimo de dispêndios ou de conseqüências colaterais indesejadas (Cf. WEBER,1994, p. 16). Este tipo de racionalidade, de acordo com Weber, constituiria a marca de toda a moderna sociedade ocidental, garantindo uma organização racional da vida cotidiana, a partir da institucionalização da razão instrumental em todos os campos da vida social, especialmente expressa na calculabilidade da ação dos agentes econômicos e na intervenção racional da administração burocrática estatal.
Esta forma de racionalidade, exercendo seu poder sobre os homens, traduz-se em uma forma de dominação que entra em conflito com outras formas de poder. Daí a necessidade de sua legitimação por meio da razão técnica. À medida que esta avança, propaga-se por todas as relações – econômicas, políticas, sociais e culturais – sustentada na busca da maximização de ganhos e resultados como um fim em si mesmo. O racionalismo, assim concebido, vai, então, referir-se a um crescimento tal da produtividade do trabalho, submetida a critérios científicos, os quais, na esfera da técnica e da economia, passam a guiar o ideal de vida da moderna sociedade burguesa: o ideal de que o trabalho é um meio a serviço da racionalização dos processos de satisfação das necessidades materiais da humanidade. Este racionalismo prático se converte, então, num modo de conduta conscientemente vinculado a interesses materiais transformados em escala de toda a valoração (Cf. WEBER, 1987).
O tipo de racionalidade formal, instrumental e técnica, representa, de acordo com Weber, o horizonte final de todo tipo de civilização, impregnando todos os
âmbitos: desde a ciência e sua organização até as formas dominantes de vida pública e privada, passando pela lei e a ordem, a filosofia, a arte e o Estado, convertendo-se numa jaula de ferro sem saída. Os avanços da ciência e da técnica, que determinam uma parte fundamental dos ideais do capitalismo moderno, constituem a maneira mais acabada de expressão e conteúdo do racionalismo que legitima um tipo de dominação: a dominação legal burocrática que não é outra coisa senão a imposição de uma mesma razão em todos os campos. Assim, o triunfo da racionalidade formal determinou o surgimento da dominação de tipo legal, onde o governo burocrático é a forma mais pura de autoridade legal, convertendo-se em condição e característica da organização social moderna. Nesta perspectiva, a análise weberiana, ao aceitar a consumação da racionalidade instrumental como um dado inexorável e intransponível, acaba por incorrer numa postura determinista e resignada, infringindo ao conceito de racionalidade um reducionismo que será alvo de crítica por parte de diferentes perspectivas teóricas, a exemplo da Escola de Frankfurt.