Del 4: Analyse
15.2 Struktur, opplegg og gjennomføring
Na análise de dados foi realizada a análise de conteúdo. "A análise de conteúdo constitui-se em um conjunto de técnicas de exploração de documentos, que busca identificar os principais conceitos ou os principais temas abordados em um determinado texto" (OLIVEIRA et al., 2003, p. 5). De acordo com Flick (2009), a análise de conteúdo é um dos procedimentos clássicos para analisar o material textual, não importando qual a origem desse material.
Na análise do conteúdo das transcrições das entrevistas e do material coletado na pesquisa documental, procurou-se identificar os temas recorrentes, comparados com o objetivo de percepção dos fatores que representam a capacidade organizacional para mudança nos diferentes níveis hierárquicos e áreas da organização pública pesquisada. Ressalta-se que a pesquisa documental contribuiu bastante para a compreensão do processo de mudança na organização, mas em relação à identificação dos fatores facilitadores e dificultadores que compõem o construto capacidade organizacional para mudança, as entrevistas foram mais proveitosas, justamente por mostrarem a realidade prática dos acontecimentos no decorrer da mudança, apontando problemas e superações do processo. Parafraseando, com alterações, Junquilho (2004, p. 143):
dotada desse caráter normativo, a implementação da gestão estratégica na organização pesquisada carrega consigo uma distância entre o prescrito (regras, planos, estratégias, manuais, normas) e o real (o cotidiano, as relações sociais, as experiências vividas pelos seres humanos no interior das organizações).
Assim, as entrevistas foram priorizadas para a identificação de categorias facilitadoras e dificultadoras à mudança organizacional nesta pesquisa.
O objetivo da análise de conteúdo foi discernir possíveis dimensões e/ou padrões subjacentes aos dados. Conforme Zanelli (2002), organizar e interpretar dados qualitativos é um processo de análise sistemática, em busca de uma descrição coerente. A organização em categorias facilita e permite atribuir significados, ou interpretar a realidade pesquisada. O pesquisador procura, com base nas categorias estabelecidas, inferir, ou seja, extrair uma consequência, deduzir de maneira lógica conhecimentos sobre o emissor da mensagem ou sobre o contexto em que esta foi emitida (OLIVEIRA et al., 2003). Assim, um processo interativo entre dados e teoria deve ocorrer durante toda a análise, buscando corroborar a consistência do quadro teórico que está sendo construído (GODOY, 1995c). É importante
ressaltar que o esforço de teorização a partir dos dados reflete o enfoque indutivo característico dos estudos qualitativos.
Para Oliveira et al. (2003), a análise de conteúdo apresenta como etapas fundamentais: organização do material de trabalho, definição das unidades de registro, definição de categorias e interpretação dos resultados. A organização do material visa à constituição do corpus da pesquisa e pode ser considerada como uma fase de pré-análise. A definição das unidades de registro compreende a escolha de palavras, conjunto de palavras ou temas, o que envolve leituras sucessivas do material coletado e a busca de temas em termos de aspectos da organização e do processo de mudança que contribuem ou restringem a mudança organizacional. Estes temas foram a base para a definição de categorias, que, segundo Bardin (2011), devem apresentar as seguintes características:
Exclusão mútua: cada elemento não pode existir em mais de uma divisão; Homogeneidade: um único princípio de classificação deve dominar a
organização das categorias;
Pertinência: a categoria deve ser adaptada ao material de análise escolhido, ou seja, as categorias devem espelhar as intenções da pesquisa;
Objetividade/fidelidade: os índices que determinam a entrada de um elemento em uma dada categoria devem ser precisos;
Produtividade: capacidade da categoria fornecer resultados férteis para a pesquisa.
Em seguida, optou-se pela execução de triangulação, que é tipicamente uma estratégia para melhorar a validade e a confiabilidade da pesquisa ou da avaliação de resultados (GOLAFSHANI, 2003). Denzin (1989) descreve quatro tipos diferentes de triangulação:
A triangulação de dados preconiza o uso de diversas fontes de dados de modo a obter uma descrição mais rica e completa dos fenômenos;
A triangulação do investigador sugere que a participação de diferentes investigadores no mesmo estudo permite obter múltiplas observações no campo e também discussões de pontos de vista, o que contribui para reduzir possíveis enviesamentos;
A triangulação teórica refere-se à possibilidade de o investigador recorrer a múltiplas teorias para interpretar um conjunto de dados;
Na triangulação metodológica, são utilizados múltiplos métodos para estudar um determinado problema de investigação, de modo a compreender melhor os diferentes aspectos de uma realidade e a evitar os enviesamentos de uma metodologia única.
No intuito de aprimorar a validade e a confiabilidade dos resultados, foi realizada triangulação de investigadores. Para a realização da triangulação, foram seguidos alguns procedimentos. Após leitura do material das entrevistas, foram agrupados trechos das falas dos sujeitos que possuíam elementos comuns e que deram origem às categorias de facilitadores e dificultadores à mudança. Em seguida, os grupos de verbalizações identificados (sem a nomenclatura dada pela pesquisadora) foram encaminhados a quatro especialistas (um doutor e três mestrandos em Administração), integrantes de um grupo de pesquisa sobre Criatividade e Inovação nas Organizações, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para realizarem exame individual dos dados. Assim, cada um dos especialistas nomeou as categorias previamente identificadas pela pesquisadora, tendo a liberdade de separar ou agrupar verbalizações, criar ou excluir categorias.
Durante o processo de triangulação, foi verificada convergência da maioria das categorias identificadas pela pesquisadora. Apenas duas categorias tiveram alguma divergência: em uma delas, foi sugerida, pelos quatro especialistas, a separação em duas categorias distintas; na outra, os especialistas nomearam a categoria de forma unânime, mas de modo diferente da pesquisadora. Dessa forma, as sugestões dos investigadores foram aceitas, contribuindo para o resultado final da análise.
Em seguida, o processo de análise de conteúdo prosseguiu com a interpretação dos resultados. Nessa etapa, a literatura auxiliou na interpretação dos dados empíricos.
Conforme Miles e Huberman (1984), as pesquisas qualitativas podem ser usadas para verificar se relações observadas com outras metodologias se confirmam em ambientes naturais. Assim, diante de diversos fatores (ou categorias) que facilitam ou dificultam a mudança organizacional, já apontados por outros estudos, a presente pesquisa buscou corroborar ou refutar a presença de tais fatores em um ambiente de instituição pública legislativa, encontrando novos fatores a serem observados nesse contexto organizacional específico.
Dessa forma, para atingir os objetivos da pesquisa, a análise de conteúdo foi realizada para verificar as categorias facilitadoras e dificultadoras à mudança organizacional
na instituição investigada. Assim, foram identificados e descritos os componentes da capacidade para mudança organizacional da Câmara dos Deputados. Além disso, também foi realizada a análise de conteúdo entre grupos, isto é, foram verificadas as categorias que surgiram entre os servidores da área administrativa em comparação com aquelas que surgiram entre os servidores da área legislativa.