4. Fieldwork context
4.3. Structure at the team and people in field
FIGURA 6: Cena idealizada por A2. FONTE: Dados da pesquisa. Elaborado por A2.
Descrição da cena:
“A figura representa um caminho. A personagem sai de seu abrigo e tem que percorrer esse caminho, que é uma subida sobre um rio, até a primeira queda de uma cachoeira, onde os pássaros vivem. A personagem possui uma espada para conseguir chegar até lá, e no caminho passa por uma ponte estreita sobre uma queda e tem que se equilibrar. Os pássaros estão mais próximos à água e oferecem água para a personagem. Também cuidam de uma roda d’água que gira com a queda da cachoeira. No final há outro caminho que a personagem precisará subir com os pássaros.”
QUADRO 22 Questionário AT-9: A2
Elementos essenciais Água, personagem, pássaro
Elementos que eliminaria O fogo, não achei um papel para ele
caminho para prosseguir
Sua participação Eu estou andando no caminho
FONTE: Dados da pesquisa.
QUADRO 23 Dados sintéticos do AT-9: A2
Elemento Representado por Função/Papel Simbolizando
Queda Um buraco no meio do caminho Parte difícil de contornar As dificuldades na hora de escolher o orientador Espada Espada da personagem Ajudar a personagem a percorrer o caminho O conhecimento prévio e a base acadêmica
Refúgio Caverna no início do caminho Ser o ponto de partida do caminho A graduação Monstro Devorador
Monstro no rio Ser o perigo caso a personagem caia no buraco Desânimo, cansaço diante da dificuldade do meio acadêmico
Algo Cíclico Roda d’água Produz energia com a água da cachoeira A produção de conhecimentos e trabalhos pelos acadêmicos
Personagem Uma menina no caminho Estar sujeita a prosseguir no caminho Eu
Água O rio e a cachoeira Ser o contexto do desenho
A natureza [...] da qual tiramos informações
Animal Pássaro Vive no alto do caminho e cuida da roda d’água
Orientadores
Fogo Fogueira Calor no refúgio O relativo conforto na graduação
FONTE: Dados da pesquisa.
A interpretação mítica da cena de A2 permitiu constituir a seguinte análise:
A2 inicia a cena com a saída da caverna. Essa caverna pode ser tomada como uma simbolização da proteção e do conforto e remete ao útero materno: um lugar de nascimento e, no caso, da iniciação para um novo nascimento, “lugar da identificação, ou seja, processo de interiorização psicológica, segundo o qual o indivíduo se torna ele mesmo, e consegue chegar a maturidade” (Chevalier; Gheerbrant,1988, p. 212-217). O fogo, agente de transformação e ao mesmo tempo bem estar, é (mesmo que A2 diga não ter encontrado função para ele) colocado aí evidenciando uma possível saída da “zona de conforto”.
A subida, conforme Chevalier; Gheerbrant (1988), é símbolo de interiorização. Ainda para esses autores a escadaria simboliza progressão para o saber, ascensão para o conhecimento e transformação. A ponte tem o significado místico de ligar o sensível e o supra-sensível, e simboliza, conforme Cirlot (1984), a mudança, o desejo de mudança, a passagem de um estado (de vida, do ser) a outro,
ao passo que demonstra também o medo, a angústia de cair “no” monstro e não ter o acesso ao “tesouro”, remetendo, ainda, ao equilíbrio diante as dificuldades.
O rio, símbolo da fertilidade e a irrigação da terra (Cirlot, 1984) deve ser transposto e é o motor da roda d’água e a fonte da água que irá aplacar a sede de A2/personagem. O pássaro, que simboliza o “mensageiro”, é um símbolo da comunicação, um símbolo de força e da vida na arte africana (Chevalier; Gheerbrant,1988). Esses mensageiros são guardiões da roda d’água e oferecem apoio e companhia à personagem durante a jornada. Já a cachoeira, símbolo da impermanência da mutação (Chevalier; Gheerbrant, 1988), se conecta ao rio (fonte) de onde o pássaro retira a água que oferece para a personagem estabelecendo uma espécie de comunicação com conteúdos dinâmicos e constantemente renovados em prol da “fertilidade” acadêmica de A2.
Esse processo dinâmico é evidenciado pela roda que, como já dito antes, representa a evolução do universo e da pessoa, se refere do mundo que virá a ser, da criação contínua em relação com o simbolismo da água que acompanha a personagem por todo o trajeto. Para Chevalier; Gheerbrant (1988, p. 15) as águas simbolizam três temas a vida, a purificação e a regenerescência e representam a “infinidade dos possíveis, contêm todo virtual, todo informal, o germe dos germes, todas as promessas de desenvolvimento, mas também todas as ameaças de reabsorção”. A água, relembre-se aqui, simboliza o princípio e o fim das coisas da terra, Cirlot (1984, p. 62).
A análise dos dados A2 no AT-9 proporcionou a seguinte compreensão: O caminho do processo de orientação de A2 parte da caverna, simbolizando o processo (busca) rumo a para novo nascimento e em uma nova condição por meio da pesquisa, tendo o fogo, que pode queimar, mas que cozinha e transmuta, como agente de transformação para esse caminho. A subida da escadaria simboliza a interiorização do conhecimento que pode ser identificado como o curso das disciplinas da pós-graduação.
A passagem pela ponte, com a ameaça do monstro evidencia as angústias, incertezas, ameaças que por ventura podem ter surgido no início da
pesquisa de campo, mas culmina com a passagem para um novo estágio de conhecimento.
O pássaro, na figura “dos orientadores” (termo originalmente colocado no plural) é o mensageiro, símbolo da comunicação, do compartilhamento de informações, que dá a água, o "alimento" ao orientando, remetendo às orientações, as quais o irão fertilizar durante o desenvolvimento da pesquisa. O pássaro/orientador “vive no alto do caminho e cuida da roda d’água” sendo esta simbolizando a produção de conhecimento, ou seja, o orientador tem uma visão mais abrangente, mais conhecimento e cuida/guia o a evolução do orientando enquanto pesquisador (de novo o motivo do guia da alma).
A partir do protocolo e dos depoimentos de A2 observa-se o Microuniverso mítico heroico descontraído, pois o personagem está com sua espada, mas não luta, entretanto sente-se ameaçado por um monstro no rio, e para prosseguir no caminho é preciso passar pela ponte estreita (obstáculo). Neste protocolo o personagem se espelha no pássaro/aprendizagem/orientador para chegar ao final e seguir com ele.