FIGURA 5: Cena idealizada por A1. FONTE: Dados da pesquisa. Elaborado por A1.
Descrição da cena:
“Eu sou o macaco. Sendo treinado pro um leão. Meu destino é conhecer o interior de um monstro. O leão leva o fogo para forjar espadas. Mas não me dá uma espada de bandeja: eu preciso conquistá-la. Como? Usando o que a natureza oferece como perigo para me preparar e subvertendo as dificuldades em vantagens. É uma aventura boa, no fim das contas, como essas pessoas que pagam pra ir em parques de diversões e viver perigos. Mas esse perigo é incontrolável e por isso estimulante.”
QUADRO 20 Questionário AT-9: A1
Elementos essenciais A queda voluntária em direção ao perigo.
Elementos que eliminaria O elemento cíclico e a água. Não têm função essencial na representação, podia ser espinhos por exemplo.
Como acaba a cena Passando pelo monstro sem destruí-lo, apenas usando da curiosidade que ele oferece, e partindo pra outro.
Sua participação Eu procuro ver o que eu posso contar sobre o monstro para o leão, algo que ele ainda não sabia.
FONTE: Dados da pesquisa.
QUADRO 21 Dados sintéticos do AT-9: A1
Elemento Representado por Função/Papel Simbolizando
Queda A queda do macaco e da água Uma dificuldade na aventura (percurso todo) A decisão de trabalhar com ciência
Espada Espada Armas para enfrentar o monstro com segurança
Minha preparação pelo orientador para a vida científica
Refúgio Caverna Lugar onde se fazem as espadas
Local de conversas com o orientador, privado
Monstro Devorador
Monstro enorme que nem sabe se é monstro mesmo Objeto despertador de curiosidade Os objetos de investigação científica e o próprio trabalho público, na comunidade
Algo Cíclico Tufão Ameaça que se torna auxiliar
Todas as adversidades e dificuldades que são importantes para a
maturidade
Personagem Macaco e o Leão São os seres ativos da história
Eu e o orientador, respectivamente
Água Queda d’água Ameaça que se torna auxiliar
Todas as adversidades e dificuldades que são importantes para a maturidade
Animal Macaco e Leão São os seres ativos da história
Eu e o orientador, respectivamente
Fogo Fogo na caverna Fenômeno natural dominado para construir as espadas
O conhecimento prévio do orientador
FONTE: Dados da pesquisa.
A interpretação mítica da cena de A1 permitiu constituir a seguinte análise:
O macaco e o leão voltam a serem utilizados como metáforas, relembrando o que foi anteriormente dito, o primeiro é símbolo de força interior, sombra, atividade inconsciente, sendo visto também de duas maneiras, como preguiçoso e, ao mesmo tempo, forte o suficiente para ser uma ajuda ao outro, Cirlot (1984). Já o leão simboliza o poderoso, soberano, luminoso, “ele é a própria encarnação do poder, da sabedoria, da justiça por um lado, por outro lado, o excesso de orgulho e confiança em si mesmo, faz dele símbolo do pai, mestre, soberano” pode ser tanto admirável quanto insuportável, Chevalier; Gheerbrant (1988, p. 538).
Ainda conforme Chevalier; Gheerbrant (1988, p. 212-217) a caverna simboliza o útero materno, renascimento, “lugar da identificação, ou seja, processo
de interiorização psicológica, segundo o qual o indivíduo se torna ele mesmo, e consegue chegar a maturidade”.
O simbolismo do fogo como elemento de transformação não precisará ser aqui explicitado por já ter sido feito anteriormente, o mesmo procedimento será seguido em relação à água, à espada, à queda, ao monstro, ao ciclo e outros elementos muito recorrentes já citados. Esses simbolismos, para não cansar o leitor, serão tratados mais ostensivamente apenas quando houver a introdução de um dado novo.
Nesse sentido, a água, representada aqui sobre a forma de cachoeira recebe, em Chevalier; Gheerbrant (1988), a caracterização de símbolo da impermanência, ou de exacerbar a característica de permanecer, mas jamais continuar a mesma. Dentro desse raciocínio, para (Chevalier; Gheerbrant, 1988), o voo simboliza a busca da harmonia interior, ultrapassagem de conflitos, uma ascensão no plano dos pensamentos, já o vento é sinônimo de sopro e desempenha um papel de apoio e equilíbrio ao mundo.
Diante da análise, entende-se que este protocolo evidencia o microuniverso mítico do tipo heroico integrado, uma vez que segundo Durand, Y. (1988, p. 83) “os nove elementos participam todos funcionalmente e/ou simbolicamente ao tema heróico”.
A análise dos dados A1 no AT-9 proporcionou a seguinte compreensão: O processo de orientação para o A1 tem como ideia central o voo, representando a busca de novos conhecimentos e superação de conflitos, angústias do decorrer da pesquisa. O orientador, um dos elementos do par ativo da história, é representado pelo leão que, simbolicamente, é descrito como símbolo de luz e sabedoria, é representado como “O” personagem, ao lado do orientando, o outro elemento ativo da história, que se representa como o macaco.
Se considerarmos o caráter metafórico da imagem e o relato de A1, seu esforço para contar ao leão/orientador algo que ele ainda não sabia sobre o monstro é uma interessante representação do desejo de contribuir para a pesquisa através
do compartilhamento de informações com o orientador. O fogo remota à transformação que ocorre na caverna símbolo do útero materno, do renascimento e do espaço a partir do qual se alcança a maturidade e é utilizado para representar a orientação individual, o aprendizado e as fontes de informação passadas pelo orientador, o compartilhamento de informação simbolicamente representadas pelas espadas que indicam esse poderio do conhecimento aprendido, estímulo e preparação para a pesquisa.
A queda d’água são as correntes de força que necessitam serem dominadas, as angústias e os novos aprendizados, já o vento oferece apoio e equilíbrio, propiciando a maturidade na pesquisa para enfrentar os desafios (monstros) da investigação científica para finalizar o trabalho de pesquisa, sentindo- se preparado para novas pesquisas.
De acordo com o observado nos dados coletados a partir do protocolo e dos depoimentos de A1 pode-se descrever como, Microuniverso mítico do tipo heroico descontraído, o micro universo em que ele se insere, uma vez que ele imagina o momento que irá partir de seu treinamento para a conquista da espada e, posteriormente, para o enfrentamento do monstro de uma maneira a transitar do místico ao heroico. O monstro existe e está presente, porém provisoriamente afastado. Há uma convivência integrada dos universos místico, seu preparo e treinamento, e do heroico, afastado (conquista da espada e mergulho nas entranhas do monstro em busca de conhecimento). Não há uma vitória acabada, e sim um movimento em busca de solução: o término da pesquisa, sua possível contribuição ao orientador e, finalmente, a defesa.